Mostrar mensagens com a etiqueta Discriminação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Discriminação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de março de 2009

Questão de cor...

.
Diálogo num anúncio de automóveis na televisão. Ao lado do pai, que conduz, a filha, de uns seis ou sete anos, pergunta: “Papá, sabias que a Irene, a minha colega da escola, é negra?” Responde o pai: “Sim, claro…” E a filha: “Pois eu não…”
Se estas três palavras não são precisamente um soco na boca do estômago, uma outra coisa serão com certeza: um safanão na mente.
Dir-se-á que o breve diálogo não é mais que o fruto do talento criador de um publicitário de génio, mas, mesmo aqui ao lado, a minha sobrinha Júlia, que não tem mais que cinco anos, perguntada sobre se em Tías, localidade onde vivemos, havia negras, respondeu que não sabia. E Júlia é chinesa…
.
Diz-se que a verdade sai espontaneamente da boca das crianças, porém, vistos os exemplos dados, não parece ser esse o caso, uma vez que Irene é realmente negra e negras não faltam também em Tías.
A questão é que, ao contrário do que geralmente se crê, por muito que se tente convencer-nos do contrário, as verdades únicas não existem: as verdades são múltiplas, só a mentira é global.
As duas crianças não viam negras, viam pessoas, pessoas como elas próprias se vêem a si mesmas, logo, a verdade que lhes saiu da boca foi simplesmente outra.
.
Já o sr. Sarkozy não pensa assim. Agora teve a ideia de mandar proceder a um censo étnico destinado a “radiografar” (a expressão é sua) a sociedade francesa, isto é, saber quem são e onde estão os imigrantes, supostamente para os retirar da invisibilidade e comprovar se as políticas contra a discriminação são eficazes.
Segundo uma opinião muito difundida, o caminho para o inferno está calcetado de boas intenções. Por aí creio que irá a França se a iniciativa prospera.
Não é nada difícil imaginar (os exemplos do passado abundam) que o censo possa vir a converter-se num instrumento perverso, origem de novas e mais requintadas discriminações.
Estou a pensar seriamente em pedir aos pais de Júlia que a levem a Paris para aconselhar o sr. Sarkozy…
José Saramago
in O Caderno de Saramago

sábado, 28 de junho de 2008

Opções ministeriais



Caros camaradas,

Chegou ao nosso conhecimento que a Associação de Auditores do Colégio da NATO (Roma), em colaboração com o IPRI (Instituto Português de Relações Internacionais) levou a cabo um seminário sobre o futuro da NATO que incluiu um painel com a participação de comandantes de Forças Nacionais Destacadas. O Seminário foi aberto pelo CEMGFA e encerrado pelo MDN.

O Instituto Português de Relações Internacionais-UNL é um instituto de investigação científica fundado pela Universidade Nova de Lisboa, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e a Fundação Oriente, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com a Universidade de Georgetown e o Instituto Universitário Europeu de Florença.

O actual MDN, DR. Severiano Teixeira é professor da UNL.

Particularmente "interessante" foi verificar o apoio da REN e da Iberdola, recebido, sem reticências, pelos que tantas dificuldades vêm tendo na aceitação dos que são profissionalmente seus pares.

http://www.ipri.pt/eventos/evento.php?ide=99

Sabe-se que a iniciativa da AOFA foi lançada anteriormente a esta e tudo leva a crer que, em desespero de causa, depois de "obrigarem" ao cancelamento do apoio que àquela fora concedido, tenham procurado os "protagonistas habituais" para controlar o que se diz em público sobre aquilo que nós, militares em geral e oficiais em particular, fazemos.

Pena é que não defendam com pelo menos igual dedicação aqueles que decidiram abraçar a profissão das Armas. Todos, pelos vistos, reféns de um grupo bem organizado de interesses.

Face ao tratamento discriminatório, à profunda desconsideração e aos sucessivos atentados à dignidade dos Oficiais das Forças Armadas que têm vindo a ser praticados, não existia outra forma que não fosse o recurso à ironia e ao merecido desdém por atitudes que obviamente não honram quem as pratica e prejudica seriamente a sua imagem pública junto dos cidadãos, especialmente daqueles em uniforme.

Juntamos para informação a ligação para o comunicado difundido então publicamente sobre esta questão.
LIGAÇÃO - Comunicado

Alpedrinha Pires
Presidente da AOFA
===================================================================================
Reparem no anúncio do "evento":
Seminário
O Futuro da NATO
19 | Junho | 2008
Museu do Oriente

PROGRAMA

10h00 | Sessão de Abertura
Dr. Carlos Monjardino, Presidente da Fundação Oriente
General Gabriel Espírito Santo, Presidente da Mesa da APCDN
Dr. Carlos Gaspar, Director, IPRI-UNL

Prof. Nuno Severiano Teixeira, Ministro da Defesa Nacional

10h30 | I Sessão: A NATO e a União Europeia
Moderador: Embaixador José Gregório de Faria
Prof. Doutor António José Telo, Director do IDN
Dr. Carlos Gaspar, Director do IPRI-UNL
Tenente-General Oliveira Cardoso

12h00 | II Sessão: Portugal e a sua participação em missões da NATO
Moderador: General Garcia Leandro, APCN
Comandantes das Forças Nacionais Destacadas (Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Timor-Leste, Congo, Líbano, Afeganistão)

13h30 | Almoço

15h00 | II Sessão: Portugal e a sua participação em missões da NATO [continuação]
Moderador: General Garcia Leandro, APCN
Comandantes das Forças Nacionais Destacadas (Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Timor-Leste, Congo, Líbano, Afeganistão)

16h15 | III Sessão: A doutrina estratégica da Aliança Atlântica
Moderador: Embaixador João de Deus Ramos, Presidente da Direcção da APCDN
Embaixador Fernandes Pereira, Representante Permanente junto da NATO
Vice-Almirante Lima Bacelar, Representante Militar junto da NATO
General Loureiro dos Santos, antigo Ministro da Defesa

17h30 | Sessão de Encerramento
General Valença Pinto, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas

Co-organizado com a Associação de Auditores do Colégio da NATO e com o apoio da REN - Redes Energéticas Nacionais e da Iberdrola.

=====================================================================================

Comunicado referido na mensagem

COMUNICADO

(2008JUN19)

MISSÕES INTERNACIONAIS

TUTELA RECONHECE RAZÃO DA AOFA

1. Subordinado ao tema “O Futuro da NATO”, mas com uma parcela significativa da sua duração dedicada às missões internacionais das Forças Armadas Portuguesas, com a participação de Oficiais que as comandaram, teve hoje lugar um seminário organizado pelo Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa (IPRI/UNL).

2. A sessão de abertura foi presidida por Sua Exa. o Ministro da Defesa Nacional e a de encerramento esteve a cargo de Sua Exa. o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

3. A AOFA vê com muita satisfação ser-lhe reconhecida razão na necessidade de levar o conhecimento da realidade das missões das Forças Nacionais Destacadas (FND) a sectores influentes da sociedade.

4. A AOFA, que vinha porfiando para que tal acontecesse, depois de obter, para o efeito, nos meses de Março e Abril, a concordância de Suas Exas. os Chefes de Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea, tinha programado uma primeira iniciativa do mesmo tipo para o passado dia 4 de Junho, a que se seguiriam duas outras ainda em 2008, com custos por si integralmente suportados, mas viu-se impedida de a concretizar por, à última hora, ter sido cancelada a autorização para comparecerem e intervirem dois Comandantes de missões, por sinal já concluídas.

5. A AOFA não pode deixar de dar os parabéns ao IPRI/UNL por esta iniciativa, envolvendo nesse reconhecimento, como co-organizadora, a Associação de Auditores do Colégio NATO.

6. O mérito da iniciativa é tanto mais assinalável quanto foi abrilhantado com a presença de Suas Exas. os Ministro da Defesa Nacional e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e contou com o apoio da REN e da Iberdrola.

O SECRETÁRIO-GERAL

Heitor Sequeira Alves

Capitão-de-Mar-e-Guerra EMQ

NOTA À MARGEM

A propósito da cancelada iniciativa da AOFA – que, convém recordar, tenciona retomar o projecto - vêm os órgãos de comunicação social escrita referindo que fontes do Ministério da Defesa Nacional asseguram que, neste, apenas se soube “pelos jornais da realização desse evento”, o mesmo sucedendo com a “alteração da agenda do programa”.

Ora, a AOFA convidou Sua Exa. o Ministro da Defesa Nacional para a iniciativa de 4 de Junho, fazendo acompanhar o convite por uma nota (datada de 14 de Maio) explicando as razões e objectivos da mesma, remetendo-lhe igualmente o esclarecimento (de 27 de Maio) relativo à alteração do respectivo formato, anexando-se uma e o outro.

Em toda a sua singeleza, por muito incómoda que se revele, é esta a verdade dos factos.