Num jantar de despedida e homenagem a Manuel Pinho, o responsável pela Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, António Chora - que também integra a Comissão Política do BE - afirmou que o ex-ministro da economia "fez muito pela indústria do País". Veio agora Francisco Louçã afirmar que "esse jantar não tinha carácter de afirmação política e a participação [de António Chora] reporta exclusivamente a uma participação de carácter pessoal".
Então um membro da Comissão Política do BE confraternizar e homenagear publicamente um ex-ministro do PS é "uma participação de carácter pessoal"? Duplo tiro em cheio no pé do BE.
Francisco Louçã,em entrevista ao «i», disse que o BE não faz coligações para não fazerem o contrário do que prometeram aos eleitores
Em entrevista ao jornal «i», publicada esta sexta-feira, Francisco Louçã afirmou que o Bloco de Esquerda não tem intenções de fazer coligações com qualquer partido com uma ideologia oposta.
«A lógica de coligação é uma lógica de destruição da política, da falsificação das opiniões, de fazer um arranjo de governo», declara o líder do Bloco de Esquerda.
Francisco Louçã justificou a não coligação com a obrigação de não fazer o «contrário» do que tinham dito aos eleitores. Se houvesse coligação, «isso significa que nós, em nome das carreiras pessoais, do brilho poder, aceitaríamos fazer o contrário do que dissemos aos eleitores», revela.
«Jamais! Diremos isto para que ninguém tenha a menor dúvida. Nunca faremos!», reafirma Louçã.
Leram bem? Notaram as subtilezas da linguagem usada? Façam-me o favor de ler outra vez. Não é necessário ser "analista" ou "politólogo" para entender que Louçã já prometeu a Sócrates que pode contar com ele para governar.
O "jamais" já está muito gasto. Leiam outra vez, por favor.
Se isto não é pôr-se a jeito e fazer um apelo aos alegristas para votarem no BE, de modo a obrigarem Sócrates a encostar-se um bocadinnho à esquerda - evitando que o PSD tenha mais um triunfo e governe coligado com o CDS/PP - venha o bruxo e explique lá do que se trata.
No final na noite eleitoral, Francisco Louçã agradeceu aos eleitores que deram ao Bloco a maior votação da sua história. O líder do Bloco desvalorizou ainda a vitória do PSD, recordando que "com 32%, está muito perto da votação da clamorosa derrota de Pedro Santana Lopes". Minutos depois, confirmou-se a eleição de Rui Tavares, o 3º deputado europeu do Bloco, que passou a ser a 3ª força política do país.
Primeiro tempo de antena do Bloco para as eleições europeias, com videoclip do apoio de Sócrates a Durão para a Comissão Europeia, a explicação do fracasso do tratado de Lisboa por Alda Sousa e o apoio de Fernando Nobre, mandatário da candidatura.
Um cenário improvisado em frente à Brasileira e estava criado um paraíso fiscal em pleno centro lisboeta. A acção do Bloco de Esquerda centrou-se numa caricatura pitoresca dos «offshores», que o cabeça-de-lista do partido às europeias considera o principal tema das «agendas escondidas desta campanha». . «Chamamos a atenção para aquilo que são as agendas escondidas desta campanha. Em primeiro lugar, os paraísos fiscais: todos os líderes do Primeiro Mundo e o nosso primeiro-ministro falam contra os paraísos fiscais, mas ainda não vimos uma medida tomada para acabar com eles , que é absolutamente indispensável se quisermos ter os recursos para combater realmente o desemprego», disse Miguel Portas.
Até o Bloco de Esquerda (BE) – cujas propostas políticas têm merecido razoável acolhimento neste blogue – decidiu aderir à campanha de proibição de “animais” no circo.
Talvez se esqueçam que a maior parte dos “animais” – passe a necessária ironia - que trabalham no circo, pertencem à espécie Humana, e muitos deles são exímios domadores de feras.
Não acredito que o BE tencione lançar políticas que contribuam para o aumento do desemprego. Se, na cabecita de quem lançou essa ideia, existe a comiseração pelos animais que aprendem a fazer habilidades circenses, acabem já com o ensino; isto de fazermos o “sacrifício” de ir à escola e estudar, é mais difícil e demorado do que treinar leões, panteras, elefantes, etc. para mostrarem as habilidades que o domador lhes ensinou.
A partir desta “caridosa” vaga proibicionista – continuando o BE por esse caminho – não me espanta que, em coerência, tente proibir jardins zoológicos e oceanários, e mais:
Que proíba à Humanidade comer carne e peixe e nos obrigue a sermos todos vegetarianos.
Ah! Não se esqueçam que os vegetais também são seres vivos. Acabemos com uma boa sardinhada acompanhada pela salada de pimentos e tomates. E, já agora, talvez não seja necessário fazer um desenho para compreenderem como funciona a cadeia alimentar na Natureza a que todos pertencemos.
Dispenso a alface por ser verde e, este vosso amigo, sportinguista não ser “canibal.”
A deputada Ana Drago interveio no parlamento para condenar a tentativa de incriminação dos professores de Fafe como sendo os mentores do protesto dos estudantes e o uso abusivo de imagem das crianças da Escola de Castelo de Vide num tempo de antena do PS
Estou quase sempre em desacordo com o Bloco de Esquerda. Mas a política afundou-se num lodaçal de negociatas até ao ponto de não retorno, inquinando a Administração (central e não só local, ao contrário do que ajuízam os inevitáveis centralistas). . O Bloco soube aproveitar esse espaço vazio de ética. Em Braga, uma vez mais, lutou contra a falta de decoro do poder socialista: desta vez, na nomeação de um condenado por corrupção, apoiada, impudicamente, por quatro municípios laranja.
. Atrás do Bloco, outros se indignaram. Chegou-se ao cúmulo de todos os partidos repudiarem a sua própria escolha – como se em Lisboa desconhecessem quem os representa em Braga!
. O asco por esta mascarada é proporcional à gratidão que sinto por ainda existir quem denuncie o País que fede. Carlos Abreu Amorim
No dia da cimeira do G20, o Bloco de Esquerda fez uma acção de rua para denunciar estas praças financeiras por onde passa boa parte do PIB mundial e se escondem os biliões dos negócios menos claros.
Francisco Louçã agradeceu directamente ao primeiro-ministro José Sócrates por ter escolhido o Bloco de Esquerda como alvo dos seus ataques. "Quem imaginaria há 10 anos que este movimento teria a força para se tornar no tema central do congresso do partido mais poderoso", observou, acrescentando que o Bloco incomoda o primeiro-ministro. .
A comunicação social, que cobre em directo o congresso do PS, acaba de revelar um dos tabus que 'animavam' este conclave em torno do já plebiscitado secretário-geral. Nas tais directas em que só votaram 30% dos militantes, entre os quais, noventa e muitos por cento consagraram o seu líder. Esta 'vitória' foi proclamada pela propaganda "socialista" como a consagração do líder dos líderes, do governante que Portugal aguarda desde que Dom Sebastião desapareceu nas brumas mouriscas e, finalmente, renasceu numa manhã de nevoeiro. Falta-lhe o cavalo branco da lenda? Enfim, não se pode ter tudo (nem acredito que a criatura distinga um estribo das rédeas necessárias para montar, a passo, a trote ou a galope); mas não lhe falta uma trupe de asnos que o escoltam e afirmam que, finalmente, o nosso País tem no governo um estadista. Entre a trupe, não faltam notórios corruptos a contas com a Justiça fragilizada por falta de recursos materiais e humanos, e sujeita a todo o tipo de pressões e chantagens. Por exemplo, que é feito do segredo de Justiça, legalmente imposto, mas permanente e diariamente violado sem quaisquer consequências para quem o divulga na comunicação social?
Nestas circunstâncias, não me espanta que o primeiro-ministro só tenha conseguido convencer Vital Moreira a encabeçar a lista socialista concorrente às eleições europeias. Nomes sonoros e com experiência internacional - mais adequados a essa função - não faltam entre alguns dirigentes do PS que Sócrates lidera. Será que todos lhe deram tampa? É que Vital Moreira, além de respeitado professor de direito constitucional em Coimbra, ex-militante do PCP e deputado à Constituinte por esse partido (que abandonou para se tornar apoiante do PS), não tem a mínima experiência governamental, muito em particular a nível internacional. Salvo, talvez, alguma referência que Leonid Breznhev dele tivesse na extinta União Soviética... parecem-me credenciais insuficientes e até contraproducentes para apresentar na (também desacreditada e falida) União Europeia.
Mas se tal não bastasse para compreendermos o descrédito em que José Sócrates já caiu - excepto entre os boys a quem vai prometendo que lhes garante emprego (à custa dos nossos impostos), se conseguirem propaganda suficiente para o reconduzir no executivo - o mais surpreendente, ou melhor, o mais claro, é este facto:
O PS DE SÓCRATES ELEGEU COMO INIMIGO PRINCIPAL O BLOCO DE ESQUERDA!
Todos os oradores que hoje subiram à tribuna no conclave socrático de Espinho, mais não fizeram do que malhar - como o tal ministro Santos Silva gosta de fazer - no Bloco de Esquerda. Das calúnias aos insultos soezes (tal como parasitas) não faltaram dirigentes deste PS a dedicarem as sua intervenções em ataques ao BE.
Mais do que curioso, é sintomático que tais criaturas não hajam perdido tempo com o chamado "maior partido da oposição" e respectivo aliado do último governo PSD/CDS-PP, presidido pelo fugão Durão Barroso, seguido pelo trapalhão Santana Lopes.
Em minha opinião, José Sócrates já percebeu que os portugueses não são tão estúpidos como ele pensava e, portanto, não voltará a obter outra maioria absoluta.
Também já compreendeu - talvez devido aos conhecimentos adquiridos em inglês técnico - que a sua derrota vai ser provocada pelo eleitorado de esquerda. E, esta, além dos votos fiéis no PCP, principalmente pela credibilidade que o BE adquiriu ao longo da oposição que lhe fez durante esta legislatura, e se traduzirá num aumento notório do respectivo grupo parlamentar.
Por isso, Sócrates evita criticar Manuela Ferreira Leite ou Paulo Portas. à espera, é claro, que algum ou os dois, o ajudem a manter-se no poder... do centrão que tem conduzido Portugal à ruína desde que, 35 anos após o 25 de Abril, só PS, PPD/PSD e CDS/PP têm governado e ocupado a presidência da República
Neste país de capelinhas, em que a minha é sempre melhor do que todas as outras, a iniciativa do Bloco de Esquerda marca fortemente a agenda política de hoje, o que é reflectido pela imprensa em geral.
Até a SIC dedicou a sua “Opinião Pública” desta manhã ao comício festa do Teatro da Trindade, perguntando aos telespectadores se ele era contra o PS.
Mais de 60% dos inquiridos responderam afirmativamente, mas já surgiram os iluminados opinion maker a explicar que não: foi contra o governo mas não afectou o PS.
Isto, como se o governo não fosse do PS e apoiado na Assembleia da República pelo respectivo grupo parlamentar que detém a maioria absoluta. E que, como temos constatado, aprova todas as iniciativas governamentais e chumba as propostas da oposição.
Da leitura do Portugal Dário, repescámos:
“Manuel Alegre reagiu na noite desta terça-feira às críticas que lhe foram apontadas por participar no Comício Festa da Esquerda, que juntou cerca de 700 pessoas, no Teatro da Trindade, em Lisboa.
O deputado socialista afirmou que «está» onde quer estar, que a «esquerda não precisa de licença para se juntar» e que a sua «lealdade» está com aqueles que votaram PS e hoje estão no desemprego e na pobreza, criticando a política seguida por José Sócrates para pôr as contas públicas em ordem.
O deputado socialista efectuou o discurso mais aguardado da noite e apesar de nunca citar José Sócrates, realçou que a política económica do país é uma má escolha: «Queria dizer aqui com toda a clareza que a minha lealdade é com esses portugueses que passam momentos difíceis e que votaram socialista e que neste momento estão desempregados ou no trabalho precário».
Alegre, que classificou o comício desta noite como um «acto cultural», referiu que «quem está no desemprego ou no trabalho precário não tem a mesma liberdade que os outros».
O ex-candidato presidencial salientou o facto de as contas públicas estarem em ordem, mas questionou o seu custo afirmando que, agora, «é o défice social, o grande défice dos portugueses». Para fazer face ao problema, Alegre garante não ter a resposta certa, mas aponta caminhos como combater a «lógica cega de mercado» e o «esvaziamento de direitos públicos e sociais». Alegre pediu o regresso do socialismo e atacou a direita: «Qualquer dia querem-nos proibir de dizer a palavra esquerda», disse.
A «fronteira entre a esquerda e a direita» está no facto de que a «pobreza não é uma fatalidade», ideal da direita, segundo o socialista. «Esta é a diferença: nós acreditamos que é possível vencer a fatalidade», porque, explicou, «não é uma fatalidade é um problema estrutural que resulta do modelo económico». Alegre garantiu que não estava a «fazer queixas», mas sim a «expor factos» e estes necessitam de «humildade» para ser combatidos, deixando mais um recado ao Governo de José Sócrates.
«Estou onde quero estar»
O socialista defendeu que é tempo de acabar com o tabu de que as várias esquerdas não podem estar unidas, chegando mesmo a apontar a união da esquerda como uma das soluções para o país «custe a quem custar, doa a quem doer». «Temos perdido muitas energias a subtrair esquerda à esquerda. Eu creio que é chegado o tempo de somar esquerda à esquerda».
O comício levou ao Teatro da Trindade algumas centenas de apoiantes da esquerda. A «casa de cultura» foi pequena para todos aqueles que queriam ouvir o «poeta». Quando foi dado o sinal de lotação esgotada no interior do teatro, ainda Francisco Louçã estava na fila para entrar. O líder do BE não teve problemas em aceder ao recinto, mas o mesmo não aconteceu com aluns militantes do PS que exibiam o cartão do partido e gritavam que este era um «Governo de direita», na esperança de entrar. Os protestos subiram de tom, mas pelas 21h30, a chegada de Alegre acalmou os ânimos, que parou para ouvir as queixas, sem, no entanto, poder agir.
A solução chegou com a indicação da transmissão do comício no écran gigante, no Espaço Chiado mesmo ao lado do Teatro. No final, Manuel Alegre e os outros dois oradores do discurso foram ao local saudar os apoiantes e afirmar que «outras salas» serão enchidas.
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou hoje «muito mesquinha» a polémica gerada pelo PS relativamente à participação de Manuel Alegre no comício que se realiza esta terça-feira à noite contra as desigualdades e injustiças sociais, escreve a agência Lusa.
«A polémica que o PS lançou perseguindo Manuel Alegre é muito mesquinha. Esta festa não é uma iniciativa partidária, mas de pessoas diferentes que têm a mesma preocupação com os valores da esquerda e com o combate à desigualdade, à injustiça, ao abuso, à corrupção», afirmou Louçã.
O porta-voz dos socialistas, Vitalino Canas, admitiu no sábado que o comício pode ser encarado como «contra o Governo», enquanto o primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, se demarcou de Alegre, dizendo: «Eu não participo em sessões com o Dr. Francisco Louçã, até porque nem sequer sou convidado para isso».
O líder do Bloco ironizou, salientando perceber que a iniciativa possa causar incómodo «a quem tem uma visão mais paralisada das respostas sociais ou a quem despreza a crise social». «Creio que os portugueses percebem que uma reflexão profunda sobre as grandes questões da desigualdade e da injustiça é urgentíssima. As pessoas já não suportam o silêncio, o desprezo, a rotina em relação ao sofrimento de meio milhão de desempregados e de tantas pessoas com trabalho precário, que não sabem o que vai ser a sua vida», acrescentou.
Francisco Louçã frisou que «esta polémica é marginal e revela mesquinhez e uma visão politica fechada em que um partido de maioria absoluta tem que mandar». «As pessoas são livres de dar a sua opinião», afirmou, defendendo que «é preciso acabar com o tabu que é o silêncio e a separação entre opiniões diferentes da esquerda».
O comício contra as desigualdades e as injustiças sociais junta esta terça-feira à noite, em Lisboa, militantes e apoiantes do Bloco de Esquerda e da Renovação Comunista, além de «históricos» do Partido Socialista, como Manuel Alegre, que é um dos oradores na iniciativa.
O líder do Bloco de Esquerda afirmou esta quarta-feira que o comício de terça-feira contra as desigualdades sociais e a corrupção em Portugal representará a maior mudança dos últimos anos na esquerda portuguesa.
«Trata-se da maior mudança dos últimos anos na esquerda portuguesa, porque passa a haver um diálogo sem barreiras, sem sectarismo ou tentativas de hegemonização, numa plataforma de pessoas diversas», declarou à agência Lusa o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
Terça-feira, no Teatro da Trindade, em Lisboa, dirigentes do Bloco de Esquerda, da Renovação Comunista, históricos do PS e socialistas da ala esquerda, sindicalistas, professores universitários e personalidades da cultura estarão presentes num comício contra as desigualdades sociais e a corrupção em Portugal.
Entre os oradores do comício, estão o ex-candidato presidencial Manuel Alegre, o jovem deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro e a professora universitária Isabel Allegro Magalhães.
Apesar do peso elevado do Bloco de Esquerda nesta iniciativa, Francisco Louça frisou que se trata de um movimento «não de partidos, mas de pessoas, que têm sensibilidades políticas diferentes».
«No contexto da evocação da revolução de Abril e do 1º de Maio, estas pessoas entenderam que era preciso uma visão não passadista ou nostálgica mas uma visão sobre o presente. Queremos mostrar que há em Portugal uma grande força nas esquerdas - esquerdas que podem dialogar (o que é uma grande novidade na política portuguesa), porque têm em comum valores como o combate às desigualdades, aos abusos e à corrupção», sustentou Francisco Louçã.
O líder do Bloco de Esquerda garantiu depois que a plataforma de apoio ao comício de terça-feira «não tem qualquer agenda escondida, nem é o primeiro passo para qualquer coisa que não está dita».
«Esta iniciativa não tem a ver com o calendário das eleições em 2009 mas com a ideia de mostrar que são necessárias respostas sociais face às questões mais urgentes, razão pela qual é preciso um diálogo novo para encontrar soluções», sustentou.
Interrogado sobre o motivo da ausência na iniciativa de dirigentes do PCP, o líder do BE argumentou que «não há exclusão de ninguém», porque o movimento do comício «não representa uma coligação». «Todas as pessoas contactadas assinaram o apelo. Temos pessoas da CGTP-IN e de variados sectores, que partilham um sentimento de diálogo unitário. Não estamos perante qualquer relação de partidos».
O dirigente bloquista Francisco Louçã reagiu este domingo às críticas que lhe foram dirigidas pelo primeiro-ministro afirmando que José Sócrates está nervoso por causa do comício que junta terça-feira BE e socialistas como Manuel Alegre, escreve a Lusa.
O primeiro-ministro acusou este domingo Francisco Louçã de tentar desacreditar e inferiorizar a UGT, e considerou que o PCP e o BE criticam as propostas para a reforma laboral por «sectarismo e facciosismo».
«O primeiro-ministro está nervoso por outras razões», respondeu Louçã, referindo a iniciativa promovida pelo BE na terça-feira que junta bloquistas, e renovadores comunistas e em que discursa o socialista Manuel Alegre.
Louçã frisou que «a festa de terça-feira não é um comício do BE mas sim de várias pessoas que se juntaram apesar das diferenças» e que «procuram sem qualquer sectarismo e facciosismo responder ao défice social e às desigualdades».
Sábado, o porta-voz socialista, Vitalino Canas, considerou que o comício de terça-feira pode ser encarado como uma iniciativa «contra o PS». O coordenador da comissão política do BE disse que «não quer contribuir para nenhum pântano na discussão com o primeiro-ministro» sobre a reforma laboral e insistiu que nessa matéria «os sindicatos farão as suas escolhas».
Rejeitando querer inferiorizar a UGT, Louçã salientou no entanto que aquela central sindical «já assinou o acordo de 2003 de Bagão Félix».
«O BE contraria o governo, (...) há uma maioria da sociedade que não aceita estas leis implacáveis do despedimento». “
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, admite a «incomodidade» e o «desconforto» do partido pela participação do histórico socialista Manuel Alegre no comício desta terça-feira, organizado pelo Bloco de Esquerda, para debater os problemas do país.
«Há uma certa incomodidade ou mesmo incompreensão da nossa parte em relação a uma iniciativa que manifestamente é feita ou ignorando o PS ou contra o PS», referiu em declarações à TSF.
Para Vitalino Canas, o socialista Manuel Alegre mostrou uma «quebra de solidariedade» com o PS ao juntar-se ao Bloco, «desvinculando-se» dos socialistas.
Alegre reage
Confrontado com estas críticas, Alegre ripostou que «antes do Dr. Vitalino Canas saber o que era a política, já eu tinha sido preso por lutar pela liberdade».
Um comício contra as «desigualdades», as «injustiças» sociais e a corrupção em Portugal junta esta terça-feira, em Lisboa, militantes e apoiantes do Bloco de Esquerda, da Renovação Comunista, «históricos» do PS, como Manuel Alegre, socialistas da ala esquerda e sindicalistas, refere a Lusa.
Francisco Louçã, coordenador da comissão política do BE, já definiu o comício como a «maior mudança dos últimos anos na esquerda portuguesa», enquanto PS e PCP optaram por distanciar-se da iniciativa.
O líder do Bloco de Esquerda garantiu depois que a plataforma de apoio ao comício de terça-feira «não tem qualquer agenda escondida, nem é o primeiro passo para qualquer coisa que não está dita».
«Esta iniciativa não tem a ver com o calendário das eleições em 2009 mas com a ideia de mostrar que são necessárias respostas sociais face às questões mais urgentes, razão pela qual é preciso um diálogo novo para encontrar soluções», sustentou.
Interrogado sobre o motivo da ausência na iniciativa de dirigentes do PCP, o líder do BE argumentou que «não há exclusão de ninguém», porque o movimento do comício «não representa uma coligação». «Todas as pessoas contactadas assinaram o apelo. Temos pessoas da CGTP-IN e de variados sectores, que partilham um sentimento de diálogo unitário. Não estamos perante qualquer relação de partidos».
Na lista de apoiantes do manifesto de apelo à participação no comício, contam-se vários dirigentes do Bloco de Esquerda, socialistas «históricos» e da ala esquerda do partido, assim como renovadores comunistas, mas nenhum dos actuais membros da direcção do PCP.
«Vindos de sensibilidades e experiências diferentes, junta-nos neste apelo [o facto de] partilharmos os valores essenciais da esquerda em nome dessa exigência. É tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido de responsabilidade democrática que têm de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade», lê-se no apelo.
Para os subscritores deste apelo, «34 anos volvidos [do 25 de Abril], apesar do muito que Portugal mudou, o ambiente não é propriamente de festa. Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais como na saúde e educação», apontam os promotores da manifestação no seu diagnóstico sobre a sociedade portuguesa.
Ainda de acordo com os subscritores do manifesto, «a corrupção e a promiscuidade entre diferentes poderes criaram no país um clima de suspeição que mina a confiança no Estado democrático. Numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais. Se estes recuam, a democracia fica diminuída», advertem.
Da parte dos socialistas, além de Manuel Alegre, subscrevem o documento os fundadores do PS José Neves, Carolina Titto de Morais, o primeiro líder da JS e ex-deputado José Leitão, o resistente anti-fascista Edmundo Pedro, a deputada Teresa Alegre e o ex-dirigente Joaquim Sarmento.
Pelo lado do Bloco de Esquerda, o apelo é assinado por Francisco Louçã, Luís Fazenda, Mariana Aiveca, João Teixeira Lopes, João Semedo, José Manuel Pureza, entre outros.
Em relação aos membros da Renovação Comunista estão no manifesto Carlos Brito, Paulo Sucena, Cipriano Justo, Carreira Marques, Paulo Fidalgo (actual porta-voz).
Apoiam ainda o manifesto a vereadora em Lisboa do Movimento de Cidadãos, Helena Roseta; nomes da música como o de António Manuel Ribeiro (UHF) ou de Pacman (ex-mandatário da candidatura de Alegre a Presidente da República); assim como vários professores universitários, casos de Abílio Hernandez, António Nóvoa, Carlos Sá Furtado, Cláudio Torres, o ex-secretário de Estado José Reis, Jorge Bateira e Jorge Leite e Luís Moita.