Galáxia espiral perfeita, semelhante a nossa Via Láctea (foto Nasa).
Teve lugar recentemente o encontro anual da American Association for the Advancement of Science em Chicago. . O Dr. Alan Boss, do Carnegie Institution of Science, apresentou aos presentes uma comunicação sobre astronomia em que afirmou que poderia haver na nossa galáxia cem mil milhões de planetas idênticos à Terra e que alguns desses planetas poderiam ser habitados por diversas formas de vida em diferentes estados de desenvolvimento tal como a ciência os conhece hoje na Terra. . Tal possibilidade, tendo por base uma simples interpolação probabilística, é cada vez mais clara devido aos indícios disponibilizados pelo progresso tecnológico. Até agora, os modernos telescópios foram capazes de detectar pouco mais de 300 planetas fora do nosso Sistema Solar. Muito poucos desses planetas, porém, seriam capazes de sustentar vida porque a maioria são gigantes gasosos sem superfície definida como o nosso Júpiter e muitos orbitam tão perto de suas estrelas que qualquer bactéria teria de sobreviver a temperaturas abrasadoras. Mas, com base neste número limitado de planetas encontrados até agora, o Dr. Alan Boss estimou que cada estrela de tamanho médio, portanto com longevidade capaz de permitir a criação de vida em planetas em órbita, possuirá pelo menos um planeta semelhante à Terra. . Este simples cálculo significa que haveria um grande número de planetas capazes de suportar vida. "Não só grande número deles serão provavelmente habitáveis mas, entre esses, alguns serão habitados", disse o Dr. Boss em entrevista à BBC News. "Mas eu acho mais provável que os mais próximos das condições da Terra são ou vão ser habitados com formas de vida que talvez sejam comparáveis às que a Terra possuiu há três ou quatro mil milhões de anos atrás". . Isso significa formas de vida bacterianas. Mas isso não exclui formas de vida mais complexas, multicelulares, que se mantém como uma sedutora probabilidade. . Dr. Boss espera que a missão Kepler da Nasa, cujo lançamento será efectuado este mês, possa identificar nos próximos anos alguns exoplanetas com condições físicas análogas às da Terra (abundância de água em estado líquido, atmosfera protectora, efeito de estufa moderado, temperaturas amenas) capazes de criar e sustentar vida. . Trabalhos recentes efectuados na Edinburgh University tentou quantificar quantas civilizações inteligentes poderiam existir fora do nosso Sistema Solar. Só na nossa galáxia o cálculo de probabilidades aponta para cerca de cem mil milhões. O número total relativo ao Universo é incalculável. Reuter (excertos).
O telescópio europeu gigante no Chile fez a melhor imagem alguma vez obtida de duas galáxias em movimento "lento" de colisão, informaram os astrónomos responsáveis pelo interessante trabalho. A imagem também deu aos astrónomos a oportunidade rara de surpreender a explosão de uma estrela que, por mero acaso, aconteceu na mesma área do firmamento. . As duas galáxias em colisão são conhecidas colectivamente pela designação Arp 261, designação derivada da classificação que lhe coube no catálogo de Halton Arp para Galáxias Especiais. Com o separador de frequências montado no telescópio conseguiram várias fotografias, uma para cada frequência de radiação que, após sobreposição, produziu esta imagem aqui reproduzida. É o que se chama uma imagem composta (composite image) porque faz a integração de várias imagens, sendo cada uma resultante de um tipo de radiação. Assim, os astrónomos foram capazes de fotografar o inusitado acontecimento com maior detalhe como nunca antes. . As galáxias Arp 261 estão localizadas a cerca de 70 milhões de anos-luz de distância na constelação de Libra, num local específico chamado Escalas. Observa-se com muita facilidade que uma delas está deformada devido à interacção gravítica. A sua estrutura caótica, muito invulgar, é o resultado da proximidade das galáxias e da atracção gravítica mútua. Embora seja muito improvável que as estrelas (e os planetas) de cada uma colidam com os da outra, as enormes nuvens de gás e poeira (manchas brancas visíveis na fotografia), que se deslocam a alta velocidade, têm tendência a aglomerar-se e a formar uma nova nuvem, muito maior, levando à formação de novos núcleos de aglomeração de material que, por sua vez, formam novas estrelas muito quentes e muito brilhantes que se vêem claramente na imagem (pontos luminosos disseminados pela nuvem branca). . As trajectórias das estrelas em cada uma das galáxias existentes podem ser dramaticamente perturbadas, fazendo desaparecer os raios em espiral de cada uma, como se pode ver na parte superior esquerda e inferior direita da imagem. As duas galáxias em interacção serão, provavelmente, galáxias anãs não muito diferentes das Nuvens de Magalhães [de poeira e gases] que orbitam a nossa própria galáxia. . As imagens usadas para criar esta imagem não foram realmente tomadas para o estudo da interacção gravítica entre galáxias mas para investigar as propriedades do objecto pouco definido, um pouco para cima e para a direita da parte mais brilhante de Arp 261 e muito próximo do centro geométrico da imagem. Este ponto luminoso é um objecto resultante da explosão de uma estrela, chamada SN 1995N, que se pensa ser o resultado do recente colapso de uma estrela gigante no fim da sua vida, portanto uma supernova. . A supernova SN 1995N é invulgar porque, após alguns anos de observações cuidadosas, se verifica que o brilho tem tido um fraco declínio mais de sete anos depois da explosão ter ocorrido. . Por outro lado, é uma supernova típica devido à forte emissão de Raios X. Pensa-se que a emissão de Raios X é produzida pela forte densidade de material compactado pela gravidade da própria estrela, a qual reduz muito o seu tamanho devido à forte compressão do material que a constitui, transformando-se num corpo de neutrões produtores de radiação X. . A imagem também captou dois pequenos asteróides do nosso Sistema Solar, que estão entre as órbitas de Marte e Júpiter e que atravessaram as imagens quando estas estavam a ser tomadas. Eles aparecem com o rasto vermelho, verde e azul, à esquerda e na parte superior da imagem. O asteróide no topo é o número 14670 e o da esquerda é o número 9735. Eles têm provavelmente menos de 5 km de diâmetro. . Existe também uma estrela localizada na parte inferior da imagem. Embora pareça enorme e muito brilhante na fotografia, na verdade a sua luz é cerca de cem vezes menor que o nosso limiar de sensibilidade, o que impossibilita vê-la a olho nu. É, provavelmente, uma estrela do tamanho do Sol a cerca de 500 anos-luz de nós. . Arp 261 e a supernova estão a cerca de 140.000 vezes mais longe do que esta estrela. Muito mais distante ainda, talvez a cerca de cinquenta a cem vezes mais longe do que Arp 261, está um “pequeno” aglomerado de galáxias visíveis à direita da foto. Verifique: trata-se de um grupo de quatro pontos amarelos perto do bordo direito da fotografia. . É de realçar que o que vemos nesta fotografia aconteceu há 70 milhões de anos, dada a distância que nos separa das galáxias Arp 261. Como estão agora estes objectos? Não sabemos. Só saberemos daqui a 70 milhões de anos.
-------Clique na imagem para ampliar. Hoje, Terça-Feira, dia 2 de Dezembro de 2008, às primeiras horas da noite ou pouco depois do Sol poente, olhe para sudoeste e verá uma curiosidade que acontece em cada 5 anos. . É o que se chama uma conjunção planetária. Dois planetas, os mais brilhantes corpos celestes de luz fixa visíveis neste momento no céu, parecem estar muito próximos entre si, sobre uma linha quase horizontal (vista de Portugal, o que não concorda com a figura acima que se refere à observação dos EUA), separados apenas pela largura de um dedo à distância de um braço estendido. Muito perto, ligeiramente para a esquerda e um pouco para cima, está a Lua. . Os dois planetas “perto” da Lua são Vénus e Júpiter. Mas os 3 planetas parecerem tão próximos é apenas um engano de perspectiva porque os vemos do nosso planeta, a Terra. Na verdade, a Lua está situada a 406 000 km da Terra, Vénus está acerca de 370 vezes mais distante da Terra, ou seja a cerca de 150,2 milhões de quilómetros e Júpiter está cerca de 6 vezes mais longe da Terra, ou seja cerca de 901,3 milhões de quilómetros. . Também os respectivos tamanhos são diferentes. O planeta de maior tamanho aparente, porque está mais próximo de nós, a Lua, tem apenas 3 470 km de diâmetro, ou seja em termos cósmicos é um pequeno planeta. Vénus vem a seguir na ordem de tamanhos dos três objectos celestes, com 12 100 km de diâmetro, e Júpiter, o maior planeta do sistema solar, tem 71 490 km de diâmetro equatorial, o que faz dele um “respeitável” planeta mesmo à escala cósmica. No entanto, são conhecidos hoje planetas maiores do que “o nosso” Júpiter. . Estes planetas são também distintos quanto á sua localização em relação à órbita da Terra. Assim, a Lua é o satélite natural da Terra, portanto gravita em torno da Terra. Vénus é um planeta interior à órbita da Terra e Júpiter é exterior à órbita da Terra. . É fácil distinguir os dois planetas à vista desarmada: Júpiter é o planeta de brilho mais ténue e de tamanho aparente menor porque está mais longe do Sol e mais longe da Terra; Vénus, porque está mais perto da Terra e do Sol, é o planeta de maior brilho, de luz reflectida mais intensa. . Os dois planetas aparecerem tão próximos no nosso campo visual só acontecerá de novo em Maio de 2013. No entanto, uma conjugação tão próxima, isto é os dois planetas estarem quase situados sobre a mesma linha recta é mais raro. Acontece em intervalos de 44 anos, o que significa que a próxima conjunção será em 2 052. Os astrónomos pensam que semelhante acontecimento, ocorrido no dia 17 de Junho do ano 2 AC, estará por trás da narrativa bíblica da Estrela de Belém, muito brilhante, durante o nascimento de Cristo. Os planetas estavam tão próximos que foram vistos como uma só estrela.
Imagem obtida pelo telescópio orbital Hubble do grupo de estrelas jovens
NGC 3603 da nossa galáxia onde se mostra a posição do sistema binário
de estrelas “A1”, contendo as duas estrelas de maior tamanho medidas
desde sempre. “B” e “C” são igualmente estrelas gigantes, embora menores
que as referidas, mas não foram medidas.
Créditos: Universidade de Montreal , Canadá.
Astrónomos da Université de Montreal confirmaram a massa das maiores estrelas conhecidas, até este momento, da nossa galáxia.
. Estes monstros formam um sistema binário de estrelas, isto é, formam um par de estrelas com valores de massas próximos entre si em que cada uma gravita em torno da outra. Neste caso, a maior dessas estrelas tem uma massa estimada em 116 vezes a massa do Sol, aproximadamente, e a outra estrela do par tem cerca de 89 massas solares. Como as massas são claramente diferentes, o centro dos momentos estáticos das massas em interacção gravitatória estará, necessariamente, mais próximo da estrela de maior massa. . A próxima estrela de maior massa, situada nas “vizinhanças” deste conjunto mas exterior a ele, tem cerca de 83 massas solares. Em astronomia, admite-se consensualmente que as maiores estrelas existentes no universo poderão ter massas até cerca de 150 massas solares. Porém este limite ainda não foi confirmado nem negado pelas observações físicas sobre o universo porque não se encontrou ainda qualquer exemplo de estrela tão grande.
. A descoberta destas grandes estrelas, as maiores identificadas até este momento, foi anunciada no ano passado no meio especializado da astronomia. As massas foram obtidas por cálculo matemático a partir de dados retirados das observações feitas. Os resultados das massas referidas acima são, obviamente, aproximados, pelo que as massas “rigorosas” (ou “reais”?) poderão ser substancialmente maiores ou menores do que os valores agora anunciados. . "Uma estrela com mais do que 100 massas solares é muito rara no universo”, disse o astrónomo Anthony F. J. Moffat, da Université de Montreal. "Para cada estrela desse tamanho existem dezenas de milhares de estrelas do tamanho do nosso Sol, que são as estrelas de tamanho médio, as mais abundantes no universo. Essas vemos todos os dias. Portanto, é difícil encontrar grandes estrelas. Isto explica por que razão estas são as primeiras identificadas como as maiores e que tão poucas tenham sido identificadas e medidas até este momento."
. Moffat, com Olivier Schnurr, Jules Casoli e Andre Chene-Nicolas e Nicole St-Louis, da Université de Montreal, fizeram as medições com o Very Large Telescope no Observatório Europeu do Sul, no Chile, com luz infravermelha e imagens do Telescópio Espacial Hubble para refinar as estimativas das duas estrelas gigantes. . Ao medir a forma como as estrelas orbitam em torno de si, os astrónomos foram capazes de calcular as respectivas massas, embora o nível de incerteza – ou de erro – seja ainda bastante elevado. Assim, apenas para dar uma ideia do erro em causa nestas medições, deveríamos exprimir os resultados da seguinte maneira:
- Factor de Massa Solar da estrela maior = 116 ± 30; - Factor de Massa Solar da estrela menor = 89 ± 15;
Portanto, estes resultados agora divulgados têm uma precisão grosseira. Os astrónomos esperam refinar estes cálculos, e os respectivos resultados, com futuras observações.
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O peso-pesado do binário, indicado por "A1" na figura em cima, é a estrela no aglomerado NGC 3603, que reside no braço espiralado "Carina" da Via Láctea, a cerca de 20.000 anos-luz de distância do nosso sistema solar.
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As duas estrelas, indicadas por "A1" na figura, são ambas estrelas do tipo "Wolf-Rayet", portanto muito grandes e muito quentes. A estrela indicada por "C" não foi medida, mas a estimativa “a sentimento” apontou para uma massa de cerca de 80 vezes a massa solar. A estrela indicada com "B" não foi medida nem estimada. Supõe-se, dada a sua posição em relação às anteriores, que será mais pequena que "C". . Qualquer estrela lança grandes quantidades da sua massa no espaço, produzindo um fluxo contínuo de material à sua volta (vento solar) mas, no caso das estrelas gigantes, a massa lançada para o exterior é muito grande. Essas estrelas consomem o seu combustível em pouco tempo, por duas razões: desenvolvem temperaturas internas mais elevadas, o que lhes confere maior brilho, e produzem no espaço que as rodeia vento solar mais intenso. Devido à conjugação destes dois factores, são estrelas que têm um tempo de vida curto. A estrela de tamanho 116 [vezes a massa solar] poderá irradiar luz e calor durante cerca de 2 a 3 milhões de anos até esgotar o seu combustível nuclear e explodir para se transformar numa supernova, um astro que perde gradualmente o brilho enquanto arrefece e acaba num astro emissor de radiações de alta energia (Raios X, rádio, e outras). A estrela de tamanho 89 [vezes a massa solar] poderá morrer com cerca de 4 milhões de anos. Compare-se esta estimativa de vida com o Sol, uma estrela felizmente de tamanho médio, com tempo de vida estimado em 10 mil milhões de anos.
. Agora que os astrónomos descobriram que as estrelas maciças em "A1" são gigantes do tipo “Wolf-Rayet”, esse conhecimento pode ajudar a localizar outras estrelas semelhantes no Universo observável.
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"Estamos perante algo novo. As estrelas mais maciças serão, provavelmente, semelhantes a estas que agora identificámos", disse Moffat. “Esta é uma nova revelação, e penso que servirá de “trampolim” para encontrarmos outras estrelas com a mesma tipologia.”
. A confirmação da massa das estrelas descobertas é sempre importante do ponto de vista científico, pois é a massa que permite definir outras características tais como intensidade do campo gravítico sob sua influência, temperatura interior, brilho, fluxos de matéria ascendente até a sua superfície, intensidade de vento solar, consumo e desgaste de material e tempo de vida provável. Por outro lado, a teoria da formação das estrelas permite-nos prever a existência de estrelas até 150 vezes a massa do nosso Sol. Portanto, o nosso conhecimento tem ainda muito terreno para progredir, pois só agora chegámos ao tamanho 116. Podemos dizer que só agora aflorámos o escalão superior das estrelas de grande tamanho.
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A mesma equipa de investigação anunciou a descoberta desse sistema em 2007 mas as investigações ainda não tinham sido publicadas numa revista científica especializada devido à necessidade de refinar as medições e apurar os resultados matemáticos. Os resultados detalhados só foram publicados na edição de Setembro de 2008 da Monthly Notices of the RoyalAstronomical Society.
O solstício ocorre duas vezes por ano: na noite mais longa e no dia mais longo. Quando o solstício ocorre no inverno significa que esse dia é o menor do ano e a noite é a mais longa. Quando ocorre no verão significa que é o maior dia e a menor noite do ano. Em astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior afastamento em latitude, da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em 21 de dezembro e em 21 de junho. No hemisfério norte o solstício de verão ocorre no dia 21 de junho, e o solstício de inverno ocorre no dia 21 de dezembro. Estas datas marcam o início das respectivas estações do ano neste hemisfério. No hemisfério sul é o contrário. O solstício de verão ocorre no dia 21 de dezembro, e o solstício de inverno ocorre no dia 21 de junho. Estas datas marcam igualmente o início das respectivas estações do ano neste hemisfério. Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais ocorrem os solstícios não dividem o ano em um número igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Sol (periélio) viaja mais velozmente do que quanto está mais longe (afélio). Os trópicos de Câncer e Capricórnio são definidos em função dos solstícios. No solstício de verão no hemisfério sul, os raios solares incidem perpendicularmente à Terra na linha do Trópico de Capricórnio. No solstício de inverno, ocorre a mesma coisa no Trópico de Câncer. Referências Culturais Em várias culturas ancestrais à volta do globo, o solstício de inverno era festejado com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com o Natal da religião cristã. O solstício de inverno, o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão. [citação necessária] Curiosidades Na linha do equador a duração dos dias é fixa ao longo das estações do ano com 12 horas de luz e 12 horas de noite. Desse modo os solstícios nessa linha não podem ser obtidos através de dias ou noites mais longas e somente podem ser observadas pela máxima inclinação da luz solar para o norte ou para o sul. Na linha do equador não há como dizer se um solstício é de verão ou de inverno uma vez que demarcam a separação dos hemisférios norte e sul da Terra. Veja também Equinócio Verão Outono Primavera Inverno
Abraão Zacuto foi o autor de um novo e melhorado Astrolábio, que ensinou os navegantes portugueses a utilizar, e também de melhoradas tábuas astronómicas que ajudaram a orientação das caravelas portuguesas no alto-mar, através de cálculos a partir de observações com o Astrolábio.
As suas contribuições salvaram sem dúvida a vida de muitos marinheiros portugueses e permitiriam as descobertas do Brasil e do caminho marítimo para a Índia.
CRUZEIRO DO SUL
TÁBUAS ASTRONÓMICAS
João Faras ou João Emeneslau, mais conhecido como Mestre João, era um médico, astrônomo, astrólogo e físico espanhol presente na expedição comandada por Pedro Álvares Cabral que aportou no Brasil em Abril de 1500, e pisa terras brasileiras a 27 de Abril desse longínquo ano.
No dia 28 de Abril de 1500 ele teria enviado uma carta para o rei D. Manuel I em que, como a Carta de Pero Vaz de Caminha, fazia comentários sobre as novas descobertas. Em um dos trechos da carta, escrita na actual Baía Cabrália, onde realizou os primeiros estudos astronómicos no Brasil, ao identificar pela primeira vez a constelação do Cruzeiro do Sul, sugere ao rei que peça um mapa onde veria a localização das terras onde eles estavam, o que faria crer que os portugueses já conheciam o território brasileiro.
O bacherel mestre Johan fisico e çirurgyano de Vosa Alteza beso vosas rreales manos. Señor porque de todo lo aca pasado largamente escriuieron a vosa alteza asy arias correa como todos los otros solamente escreuire dos puntos Señor ayer segunda feria que fueron 27 de abril desçendimos em terra yo e el, pyloto do capitan moor e el pyloto de Sancho de touar e tomamos el altura del sol al medio dia e fallamos 56 grrados e la sonbrra era septentrional por lo qual segund las reglas del estrolabio jusgamos ser afastados de la equinocial por 17 grrados, e por consyguiente tener el altura del polo antarctico en 17 grados, segund que es magnifiesto en el espera e esto es quanto alo uno, por lo qual sabra vosa alteza que todos los pylotos van adiante de mi en tanto que pero escolar va adiante 150 leguas e otros mas e otros menos: pero quien disse la verdad non se puede çertyficar fasta que en boa ora allegemos al cabo de boa esperança e ally sabremos quien va mas çierto ellos con la carta e con el estrolabio: quanto Señor al sytyo desta terra mande vosa alteza traer un napamundi que tyene pero vaaz bisagudo e por ay podrra ver vosa alteza el sytyo desta terra, en pero aquel napamundi non çertyfica esta terra ser habytada, o no: es napamundi antiguo e ally fallara vosa alteza escrita tan byen la mina: ayer casy entendimos per aseños que esta era ysla e que eran quatro e que de otra ysla vyenen aqui almadias a pelear con ellos e los lleuan catiuos: quanto Señor al otro puncto sabrra vosa alteza que çerca de las estrellas yo he trabajado algo de lo que he podido pero non mucho a cabsa de una pyerna que tengo mui mala que de una cosadura se me ha fecho una chaga mayor que la palma de la mano, e tan byen a cabsa de este navio ser mucho pequeno e mui cargado que non ay lugar pera cosa ninguna solamente mando a vosa alteza como estan situadas las estrellas del, pero en que grrado esta cada una non lo he podido saber, antes me paresçe ser inposible en la mar tomarse altura de ninguna estrella porque yo trabaje mucho en eso e por poco que el nauio enbalançe se yerran quatro, o çinco grrados, de guisa que se non puede fazer synon en terra, e otro tanto casy digo de las tablas de la India que se non pueden tomar con ellas sy non con mui mucho trabajo, que si vosa alteza supyese como desconçertauan todos en las pulgadas reyrya dello mas que del estrolabio porque desde lisboa ate as canarias unos de otros desconçertauan en muchas pulgadas que unos desian mas que otros tres e quatro pulgadas, e otro tanto desde las canarias ate as yslas de cabo verde, e esto rresguardando todos que el tomar fuese a una misma ora, de guisa que mas jusgauan quantas pulgadas eran por la quantydad del camino que les paresçia que avyan andado que non el camino por las pulgadas: tornando Señor al proposito estas guardas nunca se esconden antes syenpre andan en derredor sobre el orizonte, e aun esto dudoso que non se qual de aquellas dos mas baxas sea el polo antartyco, e estas estrellas principalmente las de la crus son grrandes casy como las del carro, e la estrella del polo antartyco, o sul es pequena como la del norte e muy clara, e la estrella qaue esta en rriba de toda la crus es mucho pequena: non quiero mas alargar por non ynportunar a vosa alteza, saluo que quedo rrogando a noso Señor ihesu christo la la vyda e estado de vosa alteza acresçiente como vosa alteza desea. Fecha en uera crus a primero de maio de 500. pera la mar mejor es regyrse por el altura del sol que non por ninguna estrella e mejor con estrolabio que non con quadrante nin con otro ningud estrumento. do criado de vosa alteza e voso leal servidor.
Johannes
artium el medicine bachalarius.
Sobrescrito: A elrey nosso sõr
Nota quinhentista: De mestre Johã q vay ha Callecut.
Versão em português
Senhor:
O bacharel mestre João, físico e cirurgião de Vossa Alteza, beijo vossas reais mãos. Senhor: porque, de tudo o cá passado, largamente escreveram a Vossa Alteza, assim Aires Correia como todos os outros, somente escreverei sobre dois pontos. Senhor: ontem, segunda-feira, que foram 27 de Abril, descemos em terra, eu e o piloto do capitão-mor e o piloto de Sancho de Tovar; tomamos a altura do sol ao meio-dia e achamos 56 graus, e a sombra era setentrional, pelo que, segundo as regras do astrolábio, julgamos estar afastados da equinocial por 17°, e ter por conseguinte a altura do pólo antárctico em 17°, segundo é manifesto na esfera. E isto é quanto a um dos pontos, pelo que saberá Vossa Alteza que todos os pilotos vão tanto adiante de mim, que Pero Escolar vai adiante 150 léguas, e outros mais, e outros menos, mas quem diz a verdade não se pode certificar até que em boa hora cheguemos ao cabo de Boa Esperança e ali saberemos quem vai mais certo, se eles com a carta, ou eu com a carta e o astrolábio. Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapa-múndi que tem Pero Vaz Bisagudo e por aí poderá ver Vossa Alteza o sítio desta terra; mas aquele mapa-múndi não certifica se esta terra é habitada ou não; é mapa dos antigos e ali achará Vossa Alteza escrita também a Mina. Ontem quase entendemos por acenos que esta era ilha, e que eram quatro, e que doutra ilha vêm aqui almadias a pelejar com eles e os levam cativos. Quanto, Senhor, ao outro ponto, saberá Vossa Alteza que, acerca das estrelas, eu tenho trabalhado o que tenho podido, mas não muito, por causa de uma perna que tenho muito mal, que de uma coçadura se me fez uma chaga maior que a palma da mão; e também por causa de este navio ser muito pequeno e estar muito carregado, que não há lugar para coisa nenhuma. Somente mando a Vossa Alteza como estão situadas as estrelas do (sul), mas em que grau está cada uma não o pude saber, antes me parece ser impossível, no mar, tomar-se altura de nenhuma estrela, porque eu trabalhei muito nisso e, por pouco que o navio balance, se erram quatro ou cinco graus, de modo que se não pode fazer, senão em terra. E quase outro tanto digo das tábuas da Índia, que se não podem tomar com elas senão com muitíssimo trabalho, que, se Vossa Alteza soubesse como desconcertavam todos nas polegadas, riria disto mais que do astrolábio; porque desde Lisboa até às Canárias desconcertavam uns dos outros em muitas polegadas, que uns diziam, mais que outros, três e quatro polegadas, e outro tanto desde as Canárias até às ilhas de Cabo Verde, e isto, tendo todos cuidados que o tomar fosse a uma mesma hora; de modo que mais julgavam quantas polegadas eram, pela quantidade do caminho que lhes parecia terem andado, que não o caminho pelas polegadas. Tornando, Senhor, ao propósito, estas Guardas nunca se escondem, antes sempre andam ao derredor sobre o horizonte, e ainda estou em dúvida que não sei qual de aquelas duas mais baixas seja o pólo antárctico; e estas estrelas, principalmente as da Cruz, são grandes quase como as do Carro; e a estrela do pólo antárctico, ou Sul, é pequena como a da Norte e muito clara, e a estrela que está em cima de toda a Cruz é muito pequena. Não quero alargar mais, para não importunar a Vossa Alteza, salvo que fico rogando a Nosso Senhor Jesus Cristo que a vida e estado de Vossa Alteza acrescente como Vossa Alteza deseja. Feita em Vera Cruz no primeiro de maio de 1500. Para o mar, melhor é dirigir-se pela altura do sol, que não por nenhuma estrela; e melhor com astrolábio, que não com quadrante nem com outro nenhum instrumento. Do criado de Vossa Alteza e vosso leal servidor.