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domingo, 8 de março de 2009

A Língua de Camões tratada por "Bestas Quadradas"...

Lê-se e não se acredita. "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde", lê-se nas instruções do processador de texto - isso mesmo: "gravar-lo e continuar-lo". "Dirije o guindaste e copía o modelo", explicam as instruções de um puzzle - "dirije" com "j" e "copía" com acento no "i". "Quando acabas-te, carrega no botão OK" - "acabas-te", em vez de "acabaste". Tudo isto se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem no computador "Magalhães", o orgulho do Governo de Sócrates.
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Se tem em casa um "Magalhães", confirme: ao iniciar o computador, escolha o ambiente de trabalho Linux (Caixa Mágica 12 Mag). No menu, vá aos jogos - por ironia, estão no ícone "Aprender". Em cada jogo, leia as instruções (o ícone é um ponto de interrogação). Foi isso que fez esta semana o deputado José Paulo Carvalho - o que descobriu deixou-o perplexo.
Os erros são às dezenas (o Expresso encontrou mais de 80, e a certa altura deixámos de contabilizar erros repetidos) e para todos os gostos. Há gralhas evidentes ("attentamente") e erros imperdoáveis. "Encontra-las" e "encontras-te", em vez de "encontra-as" e "encontraste"; "contar-los" em vez de "contá-los"; "caêm" em vez de "caem"; "contéem" em vez de "contêm"; ou ainda a incrível conjugação do verbo fazer - "fês" em vez de "fez". Num jogo somos instruídos a mover "um disco de cada vês", noutro devemos "carregar outra vês no chapéu" (no "Magalhães", "vez" tem relação com o verbo ver). No xadrez, a vez das peças brancas é o "torno dos brancos".
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Ao pé destes casos, é quase pecado venial o desprezo por vírgulas e acentos. Há acentos que faltam ("historia", "sitio", "agua"...), outros estão onde não deviam (sobretudo nos advérbios de modo: "básicamente", "fácilmente"), há acentos graves onde deviam ser agudos ("á direita", "ás actividades").
Numa língua aparentada com o português, encontramos frases como esta: "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha" (nas instruções do sudoku). Ou esta, na explicação do tangram, um quebra-cabeças chinês: "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800". E ainda esta pérola: "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele, ele vai ir para ela."
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Este português macarrónico está nos computadores pessoais que já foram entregues a mais de 200 mil crianças do primeiro ciclo (ainda estão 150 mil à espera) e até foram oferecidos por Sócrates aos chefes de Estado e de Governo dos 22 países presentes na última cimeira ibero-americana. A 23 de Setembro, ao entregar os primeiros "Magalhães", Sócrates não escondia o orgulho: "O dever de um Governo é proporcionar uma boa educação. Foi por isso que avançámos com este projecto".
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O deputado José Paulo Carvalho denuncia estes "erros grosseiros de ortografia, gramática e sintaxe" num requerimento que entregou ontem na Assembleia da República. No documento, a que o Expresso teve acesso, o ex-parlamentar do CDS (actualmente deputado não inscrito) questiona Maria de Lurdes Rodrigues sobre o que chama o "novo idioma oficioso do Ministério da Educação (ME): o 'magalhanês'".
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José Paulo Carvalho deixa muitas questões ao ME. Vão ser substituídos os programas informáticos instalados nos computadores já entregues às crianças? Quando? Como? Quem suportará os custos dessa operação? O Ministério considera que esta situação é da sua responsabilidade? Se não, quem é responsável? "O Ministério da Educação efectuou alguma avaliação dos conteúdos do 'Magalhães', ou limitou-se a distribuí-lo e promovê-lo sem mais? Se fez essa avaliação aos conteúdos, como é possível que erros tão grosseiros e repetidos não tenham sido detectados?" E pede uma auto-avaliação ao ME: de 0 a 20, que nota daria a estes textos?
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Os linguistas acham inconcebível o sucedido e denunciam a precipitação e negligência com que o Ministério vem trabalhando
A Sociedade de Língua Portuguesa diz que os erros no Magalhães são "o espelho da desorganização e negligência de um órgão com grandes responsabilidades na educação dos jovens". Ao Expresso, a presidente da direcção, Elsa Rodrigues dos Santos, afirmou que "o tratamento destes textos foi feito por quem não conhece minimamente a língua portuguesa. Incumbia ao Ministério da Educação a tarefa de rever e dar a redacção correcta. Não o fez, colocando-se numa posição inadmissível".
in Expresso
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É uma vergonha...a "menina dos olhos" do Pinócrates, o qual andou a distribuir Magalhães por tudo o que era sítio, incluindo a países estrangeiros, está cheio de erros de "palmatória"...
Não me digam que a culpa é de quem fabricou o software...A culpa está sim no Ministério da Educação e na balofa da Lurdes, que na sua cruzada contra os professores, não tiveram tempo nem vontade de verificar os computadores que com pompa e circunstância andaram por aí a espalhar...Alguém tratar mal a língua portugues é péssimo, mas quando é o próprio Ministério a não se preocupar com ela, não há palavras...
Mas também de um Ministério dirigido e composto por uma corja de imbecis incompetentes que podemos esperar??? ...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Português Suave (sem filtro)...

A Guidinha da DREN
A inenarrável directora regional de Educação do Norte, famosa pela desabrida forma como tratou um professor que terá dito uma graça sobre "o primeiro-ministro de Portugal", entendendo, em contrapartida, que encapuzar-se e, em plena aula, apontar uma pistola de plástico à cabeça da professora já é só uma brincadeira de mau gosto, voltou à ribalta, e de novo pelas melhores razões: um ofício dirigido às "suas" escolas sobre o não menos famoso "Magalhães", que a doutora (do latim "doctor", aquele que ensina) redige numa língua inédita, vagamente parecida com o português.
Algumas passagens do documento são verdadeiros clássicos do português técnico, versão Ministério da Educação.
Repare-se, por exemplo, neste naco de prosa: "O pagamento dos Magalhães, nos casos em que a isso os pais sejam obrigados, estão a receber informação por sms devendo, em todas, constar a entidade 11023".
Mas o resto, designadamente a inovadora técnica de pontuação que é pegar em vírgulas e atirá-las ao ar a ver onde caem, não é menos esclarecedor do nível hoje exigível para se ocupar um alto cargo educativo em Portugal.
Manuel António Pina
in JN

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

LINGUISTAS CONTESTAM USO DA PALAVRA PARALÍMPICO

O uso da palavra «paralímpico» em detrimento de «paraolímpico» ou «parolímpico» é, de acordo com vários linguistas contactados pela agência Lusa, violador da estrutura do Português.
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A palavra tem provocado algumas dúvidas no público em geral e nas entidades desportivas que ao longo dos anos têm pedido pareceres a linguistas sobre esta matéria.
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Apesar da orientação do Comité Paralímpico Internacional, que impõe aos seus comités filiados o uso do termo paralímpico, os linguistas contactados pela agência Lusa explicaram que a utilização daquela palavra é incorrecta, acrescentando que é «violadora da estrutura do Português».
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Em entrevista à agência Lusa, a linguista e consultora do site Ciberdúvidas Maria Regina Rocha defendeu que a palavra correcta é «paraolímpico» e não «paralímpico». «A palavra de raiz, a palavra original é Olímpia, vem da cidade de Olímpia onde começaram os Jogos Olímpicos. Quando se dão aglutinações, a raiz da palavra original não deve ser maculada porque senão perde-se o valor semântico. Por isso, não deve ser retirado o 'O' inicial porque faz parte do radical da palavra», explicou.
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Porque é que vinga uma palavra em vez de outra, por vezes não é por questões linguísticas ou razões de circunstâncias que levam a que tal aconteça. Do ponto de vista linguístico é um erro pela simples questão de ferir com a carga semântica da palavra original», sublinhou. No entender da linguista, o radical é a parte mais importante da palavra e em «paralímpico» a palavra Olímpia, que seria o radical, desapareceu. «Por exemplo, uma palavra derivada de amor, como amoroso, amorosamente. Aquele 'am' tem de estar sempre presente porque pertence ao radical de amar. Não posso pôr 'moroso'. Não podia pôr o indivíduo que ama ser o 'mante', tem de ser amante», explicou.
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Maria Regina Rocha lamentou ainda à Lusa a inexistência em Portugal de uma instituição que regule a língua, que diga como é que as palavras deverão ficar.
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Também Margarita Correia, linguista e autora em 2005 de um parecer sobre o assunto pedido pelo Instituto do Desporto de Portugal (IDP), explicou à Lusa que na sua opinião se deve usar os termos «paraolímpico» ou «parolímpico» e não «paralímpico». De acordo com Margarita Correia, em português, o termo resulta de um empréstimo do inglês paralympics (nome), do qual se terá construído também nessa língua um adjectivo, «paralympics».
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«A palavra «paralímpico» é uma amálgama, uma junção das palavras inglesas (para) plegic + (o) lympics e em inglês de facto o nome olympics perdeu o 'O' e ficou paralympics», explicou a linguista. Segundo Margarita Correia, sempre que as palavras são importadas de outras línguas «constituem termos científicos e/ou técnicos que deveriam ser sempre alvo de intervenção de alguma entidade de modo a não introduzir na língua termos violadores da sua estrutura, nomeadamente morfológicas». «Eu percebo que seja mais fácil para as pessoas usar «paralímpico», as notícias de agência vêm em inglês e em inglês é «paralympics» e a tendência é usar como está. Não vejo que venha daí mal ao mundo mas se eu tiver de escrever numa situação formal vou usar ‘paraolímpico’», sublinhou a professora.
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Também Margarita Correia defendeu à Lusa que deveria haver uma instituição que regulasse a língua, à semelhança do que acontece em Espanha com a Academia Real Espanhola.
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O linguista Carlos Rocha também referiu à Lusa que o termo correcto é «paraolímpico», realçando que esta palavra não tem grande aceitação por parte dos linguistas porque estes consideram que «é uma adaptação apressada de uma amálgama de uma palavra que é inspirada por um elemento de origem grega em inglês».
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«Contudo, há uma coisa na história da língua que é a força do uso. Não havendo língua acompanhada por uma entidade que trate de identificar formas correctas e estabelecer critérios de correcção linguística é provável que a palavra «paralímpico» se imponha», disse Carlos Rocha.
LUSA

sábado, 26 de julho de 2008

A minha pátria é a minha língua



Reforma Ortográfica

Debate sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Fonte: BBC Brasil

O ministro da Educação brasileiro, Fernando Haddad, disse que o acordo ortográfico da língua portuguesa - que prevê uma maior unificação da escrita do português entre os oito países que usam o idioma como oficial (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Timor Leste, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe) - deverá estar implantado no Brasil até 2011.

Segundo o ministro, o acordo é uma peça-chave da cooperação com os países africanos e a grande mudança a partir da unificação do português será política, em relação ao papel que a língua portuguesa tem no mundo.

O acordo consagra mudanças relativamente pequenas. Segundo os linguistas que prepararam o acordo – Antônio Houaiss, pelo Brasil, e João Malaca Casteleiro, de Portugal –, 0,43% das palavras no Brasil e 1,42% em Portugal passarão por mudanças.

Os brasileiros deixam de utilizar acentos em vogais duplas como na palavra "voo", e os tritongos deixam de ser acentuados, como nas palavras "assembleia" ou "ideia".
Os portugueses perdem o "c" em "acto" e "tecto", o "p" em "óptimo" ou "Egipto" e as letras duplas em "connosco" ou "comummente".

No entanto, o acordo mantém divergências: os acentos são diferentes em "Antônio" e "António", "gênero" e "género". Portugal passa a escrever "receção" (com o mesmo som de recessão) em vez de "recepção".

E não há uma unificação da sintaxe e da semântica – em Portugal usa-se a forma "até ao fim" em vez de "até o fim", e costuma-se falar "sabe bem" para dizer que uma comida é saborosa.

Em Portugal, a reforma causou polêmica. Uma petição que circulou na Internet criticava a proposta alegando que as mudanças significavam que Portugal estava cedendo aos interesses brasileiros.

O documento conseguiu dezenas de milhares de assinaturas, grande parte delas de intelectuais, mas não conseguiu impedir a aprovação da reforma no Parlamento português.

E você, o que acha do acordo ortográfico da língua portuguesa? As mudanças vão aproximar o Brasil dos outros países que falam a mesma língua? A nova ortografia vai causar confusão ou a adaptação vai ser simples?
Envie a sua opinião para a BBC Brasil.

Publicada por Adriana Costa em Nova Águia: http://www.novaaguia.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A fisga



A passo de caracol

Discursando na sessão de abertura da VII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorre em Lisboa, José Sócrates apresentou as prioridades da Presidência portuguesa: promoção da língua, melhor cidadania e concertação político-diplomática, e reforço da cooperação sectorial. Na cooperação sectorial, as áreas de intervenção são a Educação, Cultura e Energia.

O chefe do Governo português, que disse pretender que a reunião de hoje fique conhecida para a História como «A Cimeira da Língua», sublinhou que a CPLP tem ainda um longo caminho a percorrer, apesar de terem sido dados já «grandes passos» aos longo dos 12 anos de vida da organização lusófona.

Embora seja a única organização que tem cooperação na área da Defesa, a CPLP ainda não corresponde à expectativa dos mais optimistas e que dela mais esperam. Por exemplo, o secretário executivo cessante, embaixador cabo-verdiano Luís Fonseca gostaria que os cidadãos da CPLP “tivessem tido maiores facilidades de circulação e mais direitos reconhecidos”, designadamente o direito de voto nas eleições autárquicas. Já o ministro dos negócios estrangeiros português, Luís Amado, considera que esse assunto “vai demorar”.

Enquanto os presidentes de Angola e Moçambique faltam à cimeira – por razões ainda mal explicadas – o Senegal junta-se como observador associado à Guiné-Equatorial e à República da Maurícia. Além disso não faltam interessados em obter o mesmo estatuto, entre eles, Marrocos, Quénia, Ucrânia, Croácia, Indonésia e Venezuela.

E se neste último país é verdade que existem quinhentos mil emigrantes, falantes de português, não é difícil perceber o interesse dos restantes. Muito menos do que aprender e divulgar a língua de Fernando Pessoa, para quem o português era a sua pátria, vêem em Portugal uma porta de acesso à União Europeia.

Desde que haja cooperação e livre circulação de pessoas e bens na CPLP, é claro. Mas isso, como diz Luís Amado, vai demorar.

Álvaro Fernandes

quarta-feira, 23 de julho de 2008

pÁ, pÉ, pI, pÓ, pU



APENAS A LÍNGUA PORTUGUESA NOS PERMITE ESCREVER ASSIM

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor Português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar Panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profunda privação passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... - Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. - Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém Papai Procópio partira para Província.
Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal.
Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: - Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia.
Porque pintas porcarias? - Papai, - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitistes, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo parapraticar profissão
perfeito: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaus, piabas, piaparas, pirarucus. Partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas.
Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...

Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois
pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar.
Pensei. Portanto, pronto: Pararei!
PORRA !

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O acordo graneleiro

De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa.
Por isso ... por não aceitar este pato ... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato ...
A esta ora está úmido lá fora ... por isso, de fato lá terei de vestir um fato ...

Gostam do exemplo? Eu também não, e já subscrevi a petição à Assembleia da República para que seja anulada a ratificação de tamanha barbaridade.

Para fazerem o mesmo, cliquem em:

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A GALIZA AQUI TÃO PERTO

Milhares nas ruas de Compostela contra ofensiva do castelhano

Vinte e cinco mil pessoas manifestaram-se ontem em Santiago de Compostela, na Galiza, em defesa da língua galega, criticando a alegada tentativa estatal de impor o uso do castelhano naquela região autónoma espanhola.

"O que nós exigimos, acima de tudo, é o reconhecimento da condição internacional da nossa língua, que é falada por centenas de milhões de pessoas no mundo, quer como língua nativa, como é o caso dos galegos, quer como língua oficial de oito Estados", disse, à Lusa, Alexandre Banhos Campo, um dos principais mentores desta manifestação.

"A nossa língua não é regional nem dialectal, mas sim internacional. O galego é o português da Galiza, e o que nós queremos é que o galego se confunda com o português, mantendo, obviamente, as suas especificidades próprias", acrescentou.

Alexandre Campo, responsável da Associação Galega da Língua, recordou que o Norte de Portugal e a Galiza foram "o berço da lusofonia", frisando que "o português original era a língua que se falava no século IX entre as cidades do Porto e Santiago de Compostela". Por isso mesmo, reiterou a necessidade de "o galego se confundir com o português", mantendo, no entanto, as suas especificidades próprias.

"No Rio de Janeiro fala-se de uma forma diferente da que se fala em Lisboa, mas ninguém duvida que são as duas português", frisou o activista galego.

A manifestação de ontem, que decorreu sob o lema "Pelo direito de vivermos em galego", juntou cerca de 500 associações, sindicatos e movimentos, tendo bloqueado por completo, durante quase duas horas, o trânsito no casco velho de Santiago de Compostela.

"A situação do galego é muito difícil, muito crítica, mas nós não vamos desistir da luta", garantiu Carlos Callón, da Mesa pela Normalização Linguística, outro dos organismos que liderou esta manifestação.

" Lusa, Callón disse que a Galiza "discrimina e persegue" quem opta por falar galego, referindo como exemplo o caso de uma juíza "que foi denunciada" porque escreveu uma sentença na língua daquela região autónoma. Garantiu que há quem seja despedido ou não consiga um emprego porque fala galego, que há crianças a não serem atendidas pelos pediatras pela mesma razão e que pessoas são "gozadas" no banco por não se expressarem em castelhano.

"O mais grave, e o mais preocupante, é o que acontece nas escolas, com as crianças com menos de seis anos, que pura e simplesmente não ouvem uma palavra de galego", acrescentou.

O castelhano e o galego são línguas oficiais de Espanha, mas em 2004 foi aprovado o chamado Plano de Normalização Linguística, a que Alexandre Campo prefere chamar "plano de substituição linguística".

"O que nós assistimos é a uma deriva de substituição linguística, uma brutal imposição do castelhano em tudo quanto é serviço público, para tornar o galego desnecessário e o reduzir a uma língua falada apenas em casa, em família. As autoridades e administrações públicas discriminam e perseguem aqueles ou não aceitam esta deriva. E isto nós não podemos tolerar", afirmou.

Os dados estatísticos mais recentes indicam que 90% dos galegos com mais de 65 anos falam português da Galiza, mas essa percentagem é muito reduzida entre os que têm menos de 20 anos.

Vítor Pereira, Jornalista da Lusa in DN


quinta-feira, 15 de maio de 2008

LÍNGUA GALEGA QUER INTEGRAR LUSOFONIA

Porto, 14 Mai (Lusa) - A Associação Galega da Língua (AGAL) promove domingo uma manifestação em Santiago de Compostela para defender o reconhecimento do galego como parte integrante da lusofonia e denunciar as políticas de normalização linguística desenvolvidas pelo Estado espanhol.
"Não temos nenhum problema que a língua galega se chame português", assegurou Alexandre Banhos Campo, da AGAL, em declarações à Lusa, alertando que "o português da Galiza está numa situação muito difícil".
"O mundo tradicional que funcionava na língua galega está em quebra", lamentou.
Os dados estatísticos que referiu indicam que "90 por cento dos galegos, com mais de 65 anos, falam português da Galiza, mas essa percentagem é muito reduzida entre os que têm menos de 20 anos".
"O processo de reconhecimento autonómico e político levou a uma espécie de oficialização da língua galega, mas o modelo que nos é imposto nas escolas e na comunicação social é baseado no padrão castelhano", afirmou Alexandre Banhos Campo.
Nesse sentido, "como o português é uma língua estrangeira para os espanhóis, a aproximação do galego à lusofonia é entendida como um delito".
"Não queremos que o galego seja uma língua estrangeira para o português", afirmou.
Alexandre Banhos Campo recordou que o Norte de Portugal e a Galiza foram "o berço da lusofonia", frisando que "o português original era a língua que se falava no século IX entre as cidades do Porto e Santiago de Compostela".
Por isso, defendeu que "o galego se confunda com o português", mantendo, no entanto, as suas especificidades próprias.
"No Rio de Janeiro fala-se de uma forma diferente da que se fala em Lisboa, mas ninguém duvida que são as duas português", frisou.
Alexandre Banhos Campo frisou que se vive na Galiza "um processo de substituição linguística que não se pode chamar de normalização".
Nesse contexto, revelou que "a Galiza está cheia de pessoas que perderam os seus postos de trabalho por dizerem que a sua língua é o português".
"Na Galiza é proibido receber as televisões portuguesas, o que, além de dever preocupar as autoridades portuguesas, vai contra o que aprovou por unanimidade o parlamento galego", afirmou.
FR.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A MINHA PÁTRIA, É A MINHA LÍNGUA

Perguntas à Língua Portuguesa , Mia Couto


Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?
Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?
Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
· Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
· No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
· A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
· O mato desconhecido é que é o anonimato?
· O pequeno viaduto é um abreviaduto?
· Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
· Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
· Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
· Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
· O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
· Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
· Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
· Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
· Mulher desdentada pode usar fio dental?
· A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
· As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
· Um tufão pequeno: um tufinho?
· O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
· Em águas doces alguém se pode salpicar?
· Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
· Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
· Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
· Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos.
Devolver a estrela ao planeta dormente.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A LÍNGUA PORTUGUESA

A discussão sobre a oportunidade e validade do Acordo Ortográfico tem posto em evidência que ninguém é dono da língua, pelo que não haverá nenhum acordo que impeça evoluções desencontradas.

O conceito que tem circulado em algumas das intervenções, e que parece ajustado à natureza das coisas, é o que sustenta que a língua não é apenas nossa, também é nossa.

É por isso que acordos, declarações, tratados, são certamente adjuvantes de uma política que mantenha a identidade essencial, mas nenhum terá força vinculativa suficiente para evitar que as divergências surjam pelas tão diferentes latitudes em que a língua portuguesa foi instrumento da soberania, da evangelização, do comércio.

Existem locais onde os factos tornaram evidente que a língua não resiste à falta de utilidade para os povos que estiverem abrangidos por qualquer daquelas actividades, e por isso o português sofre dessa erosão no longínquo Oriente do primeiro império, tem marcas pequenas em Macau, luta com o passado apagador da língua pela ocupação de Timor pelo invasor e também com os interesses da Austrália pela expansão da língua inglesa, vai enfraquecendo em Goa.

O critério da utilidade para os povos talvez por isso não seja dispensável no discurso dos procedimentos a adoptar para que o essencial seja uma preocupação e empenho constante dos governos que têm a língua portuguesa como língua oficial, cada um sabendo que não é sua, é apenas também sua.

Muito recentemente a ONU deu um sinal importante do interesse, com ligação ao número de países que, tendo assento no plenário da Assembleia Geral, falam português.

No mês de Março, segundo foi anunciado, o sítio Web Know - Your Rights 2008.org seria tornado mais acessível a pessoas do mundo inteiro, e para isso utilizando oito línguas.

Tais línguas são inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, português, holandês e grego.

Esta decisão destina-se a apoiar mais de uma dezena de projectos para os quais se pede e espera a intervenção dos parceiros da organização, governos, parlamentos, ONG, e entidades particulares que aderiram em nome e proveito da sociedade civil transnacional em crescimento.

O interesse comum é muito mais dinamizador de iniciativas e práticas do que a obrigatoriedade assumida por tratados cuja debilidade directiva é logo evidenciada pelo método da entrada em vigor.

Talvez a maleabilidade das Declarações, que estão a ganhar relevo crescente nas relações internacionais, seja mais indicada para servir de apoio directivo a uma política persistente de identificação e defesa do interesse comum, do que a natureza imperativa dos tratados.

O ensino e a investigação, no espaço europeu em definição política acelerada, estão apoiados em Declarações que presidem ao desenvolvimento de redes cada vez mais sólidas, e não em tratados.

Foi esta consideração que inspirou a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, em grande parte devido à percepção do Presidente José Sarney, atento às intervenções e discussões dessa matéria.

Tinha presente que a responsabilidade pela língua incumbia à Academia Brasileira de Letras, tal como em Portugal incumbe à Academia das Ciências.

Mas não faltaram observações de experientes das relações internacionais, e certamente nem todos com a mesma vivência das academias, no sentido de que os novos Estados de língua oficial portuguesa, que também deveram ao brasileiro embaixador Aparecido de Oliveira a criação da CPLP, não tinham nem a tradição, nem as vocações e recursos que os levassem a adoptar tal modelo.

O Instituto Internacional da Língua Portuguesa foi criado como centro de encontro entre iguais, para, identificando os interesses comuns, convergirem nas políticas destinadas a servir esses interesses, salvaguardando o instrumento insubstituível que é a língua.

Não parece ter acontecido que a inspiração do Instituto Internacional da Língua Portuguesa tenha sido revisitada, mas também não parece que o critério que orientou a sua criação deva ser ignorado.

Adriano Moreira in DN de 8 Abril 2008