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domingo, 24 de maio de 2009

O HOMEM QUE AMAVA O CINEMA

O QUE DELE DIZEM OS AMIGOS
1
Miguel Esteves Cardoso
O João é um menino. É um menino que, a cada momento da vida, acaba de descobrir uma coisa. É sempre uma coisa maravilhosa que tem de abraçar com muita força mas depois largá-la para poder mostrá-la aos amigos e partilhá-la com toda a gente.
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Porque se não a partilhar, se não a cantar, se não se destruir a elogiá-la de maneira a ser tão irresistível como ele – até chegar a confundir-se com ele ao ponto de não sabermos qual amamos mais, se ele se as coisas que ele nos ensinou a amar - , se não se puder parti-la aos pedaços para poder dar um bocado a cada um, na esperança que todos a queiram reconstruir depois, ele já não é capaz de amar tanto aquela coisa, porque acredita que a coisa é grande e boa de mais para uma só pessoa e sente-se indigno de gozá-la sozinho. É assim o João.
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O João Bénard é um amigo. É um amigo que, a cada momento da vida, faz sempre como se tivesse acabado de apaixonar-se por nós. Não lhe interessam nada as coisas que mudaram, as asneiras que fizemos, a decadência em que entrámos, a miséria que subjaz às nossas opiniões ou o grau de petrificação das nossas almas. Para ele somos sempre os mesmos. É um leal. Está sempre connosco como se fôssemos tão frescos como ele. Puxa-nos pela manga da camisa, protege-nos da tempestade, desata a rir a meio das encrencas, arranja tabaco clandestino, deixa-nos subir para os ombros para vermos melhor, para saltar para o outro lado, mostra-nos fotografias nunca vistas, de actrizes lindas, escondidas debaixo da camisola – e faz tudo descaradamente, não se importa de ser apanhado, não tem vergonha nenhuma. É um prazer estar com ele, parece que todo o universo está em causa. É assim o João.
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O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com a alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como se conhece Deus.
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Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus.
(Público)

2
Manoel de Oliveira
Entre a emoção e o desgosto pela perda do seu amigo, Manoel de Oliveira recorda João Bénard da Costa como uma figura marcante dos seus filmes, desde O Passado e o Presente (1972). “Ele tinha uma voz esplêndida e um carisma muito forte. Quando falava, não falhava nada. Já quando tinha de se movimentar, não controlava tão bem o corpo.” Oliveira ‘descobriu’ Bénard da Costa como potencial actor dos seus filmes no início dos anos 70, quando foi apresentar à Gulbenkian o projecto daquele filme. “Logo que o ouvi ler uma passagem da peça de Vicente Sanches, vi que tinha ali um actor admirável.” Sob o pseudónimo Duarte de Almeida, Bénard da Costa participou em mais de uma dezena de filmes com Oliveira. Entre eles, há a curiosidade de ter representado a figura do Papa por duas vezes: Clemente X em Palavra e Utopia e João XXIII na curta de Chacun Son Cinéma, do 60º aniversário de Cannes. “Acredito que, após a sua morte, ele me tenha organizado as coisas para nos reencontrarmos no céu.”
(Público)

3
Jorge Silva Melo (encenador)
“Tudo o que ele pensava interessava-me. Para mim é uma figura fundadora, paternal, admirável, e admiravelmente contraditória.”

4
João Mário Grilo (cineasta)
“Uma figura decisiva na preparação para a democracia”, num país “carenciado de pessoas que sacrificaram a vida por uma causa pública e por valores essenciais.”

5
Gonçalo Ribeiro Teles (arquitecto)
“Era uma pessoa que sedimentava o passado para compreender o presente. Era de uma actualidade espantosa por isso.”

6
Paulo Branco (produtor de cinema)
“A minha existência no cinema deve-se a João Bénard da Costa. […] O legado dele é fundamental para a minha geração. A nossa cultura cinematográfica foi grandemente assente nos ciclos que ele organizou na Gulbenkian [a partir de 1969].”

7
Mário Soares
“Foi um homem de grande cultura, com uma grande formação filosófica e um admirável escritor.”

8
Alberto Seixas Santos (cineasta)
“O cinema acabou. A morte do João é a confirmação disso.”

sábado, 9 de maio de 2009

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras


A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia.
Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa de 1784.

Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço (www.europeana.eu ), a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras
"representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente para comunidades com interesses especiais".

"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato
digital".

Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site".

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A propósito da Páscoa

O que pensa(va) Agostinho da Silva da morte e da eternidade

sábado, 21 de março de 2009

A Lusofonia em marcha

Como foi já anunciado, o terceiro número da NOVA ÁGUIA, que terá como tema “O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos após a sua morte”, será lançado pela primeira vez no dia 3 de Abril (dia em que se assinalam, precisamente, os 15 anos sobre a morte de Agostinho), no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, às 16h, no âmbito de um Colóquio cujo programa poderá consultar no nosso blogue: www.novaaguia.blogspot.com

Outros lançamentos foram já entretanto agendados. A lista será anunciada até ao final deste mês. Entretanto, se quiser agendar connosco um lançamento, poderá fazê-lo por e-mail ou por telefone (967044286).

Para quem nunca tenha assistido a um lançamento da NOVA ÁGUIA, salientamos que essas sessões são sempre, em geral, mais do que meras sessões de lançamento: antes sessões de debate sobre os Princípios e Objectivos do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.

Daí a importância que estas sessões (já quase uma centena) têm tido para a difusão deste movimento cultural e cívico, que se mantém, semana após semana, em visível crescimento.

Abaixo, sinopse do terceiro número da NOVA ÁGUIA.

Em anexo, a capa.

Como é sabido, a revista A Águia foi uma das mais importantes do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. A ideia de relançar a revista, agora sob o nome de NOVA ÁGUIA, pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu "espírito", adaptado aos nossos tempos. Não se trata, nessa medida, de fazer uma revista voltada para o passado, meramente revivalista. Trata-se, antes, de fazer uma revista para os tempos de hoje, para o século XXI.

Tal como n' A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas. O tema do terceiro número, que agora lançamos, é O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.. Orgulhamo-nos de ter conseguido o contributo de nomes tão ilustres como António Braz Teixeira, António Cândido Franco, António Telmo, Dalila Pereira da Costa, Joaquim Domingues, José Flórido, Manuel Ferreira Patrício, Manuel Gandra, Miguel Real e Pinharanda Gomes, a par de muitos outros.

Para além disso, neste primeiro número poderá ainda encontrar uma série de outros textos, sobre outras temáticas, conforme o nosso índice:

NA 3: ÍNDICE

EDITORIAL…5

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA: 15 ANOS APÓS A SUA MORTE

António Braz Teixeira, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO DA SILVA E A “ESCOLA DE SÃO PAULO”…8

António Cândido Franco, AGOSTINHO DA SILVA NUM RELANCE DE SOL…10

António José Borges, A MISSÃO DE PORTUGAL NAS MENSAGENS DE FERNANDO PESSOA E AGOSTINHO DA SILVA…12

Cristina Leonor Pereira, NA SENDA DA ALIANÇA TRANSATLÂNTICA E DO ENTENDIMENTO CULTURAL: DA UTOPIA À REALIDADE E À RECUPERAÇÃO DA OBRA DE AGOSTINHO DA SILVA…18

Humberto França, O BRASIL DE AGOSTINHO DA SILVA…24

Joaquim M. Patrício, CONFIANÇA E OPTIMISMO DE AGOSTINHO DA SILVA NA LUSOFONIA…25

José Flórido, O PENSAR PARADOXAL DE AGOSTINHO DA SILVA…32

José Leitão, VADIOS E POETAS – UMA CONSIDERAÇÃO SOBRE A MÍSTICA AGOSTINIANA…35

Luís Santos, O LARGO DA GRAÇA. REFLEXÕES AGOSTINIANAS…38

Manuel Pina, A ETERNIDADE E UM DIA…40

Maria Afonso Sancho, AGOSTINHO DA SILVA, A COMIDA E A IDADE DO OURO…42

Pedro Teixeira da Mota, DO TRÂNSITO DAS RELIGIÕES À RELIGIÃO UNIVERSAL: AGOSTINHO DA SILVA, UM ELO…45

Artur Manso, ESTÉTICA E ARTE EM AGOSTINHO DA SILVA…49

Carminda H. Proença, LUSOFONIA e IDENTIDADE…53

Isabel Santiago, BARCA D’ALVA…55

João Leitão, AGOSTINHO DA SILVA E O CAMINHO DO MEIO…59

Lúcia Helena Alves de Sá, DO EDUCAR PARA ESPERANÇAR DE AGOSTINHO DA SILVA: UMA PEDAGOGIA PARA O SÉCULO XXI…61

M. Margarida L.S. Carvalho, EDUCAÇÃO, CULTURA E FUTURO…67

Miguel Real, AGOSTINHO DA SILVA: A PEDAGOGIA COMO SUBVERSÃO SOCIAL…69

Renato Epifânio, AGOSTINHO DA SILVA: UM LEGADO…74

Ricardo Cabaça, UM HOMEM COMPROMETIDO COM OS VALORES HUMANOS…77

Rui Martins, DEZ PARÁGRAFOS AGOSTINIANOS DE PENSAMENTO POLÍTICO EM "IR À ÍNDIA SEM ABANDONAR PORTUGAL"…78

Romana Valente Pinho, AGOSTINHO DA SILVA: QUINZE ANOS DEPOIS DA SUA MORTE. E AGORA?...90

Rita Cardoso, ENTREVISTA A AGOSTINHO DA SILVA…92

Manuel Ferreira Patrício, BREVE TESTEMUNHO SOBRE AGOSTINHO DA SILVA…94

Délio Vargas, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO…96

Celeste Natário, AGOSTINHO DA SILVA E A SAUDADE DA “GRÉCIA DIVINA”…97

Amândio Silva, CARTA A AGOSTINHO…98

DA ARCA

Agostinho da Silva, CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA…102

Agostinho da Silva, ALCORÃO…109

OUTROS VOOS, OUTRAS VOZES

James Horrox, ANARQUIA E UTOPIA: A FILOSOFIA MÍSTICA DE GUSTAV LANDAUER E AGOSTINHO DA SILVA…114

Cem Kömürcü, MELANCOLIA EM ISTAMBUL E LISBOA…121

Katia Hay, O SR. H…125

Tobias Dangel, LISBOA COMO LUGAR DA EXPERIÊNCIA METAFÍSICA…128

Hakem Rustom, A JÁ ESQUECIDA JIHAD EM NOME DE CRISTO: A PERSPECTIVA DE UM ÁRABE CRISTÃO…130

Sam Cyrous, LIVRE ARBÍTRIO E DESTINO: DICOTOMIA OU COMPLEMENTARIDADE?...133

Amadeu Ferreira, DIEÇ ANHOS DE MIRANDÉS CUMO LHÉNGUA OUFECIAL…135

RUBRICAS

COISAS E LOISAS, de J. Pinharanda Gomes…138

DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…140

AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…151

PÁGINAS TEMÁTICAS

ARTES PLÁSTICAS, por Cristina Pratas Cruzeiro…154

LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…159

MÚSICA, de Maurícia Teles da Silva (com nota introdutória)…164

PROJECTOS, de Ana Margarida Esteves; Maria Eduarda Rosa e José Francisco Pereira…166

BIBLIÁGUIO

TEIXEIRA DE PASCOAES, CREPÚSCULO, por António Cândido Franco…170

LÍDIA JORGE E JOÃO RÊGO: PESOS E MEDIDAS DA ALMA, por Fátima Valverde…171

ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO, A BIOGRAFIA DE D. SEBASTIÃO – UM ROMANCE HISTÓRICO, por Romana Valente Pinho…174

PEDRO SINDE, O CANTO DOS SERES. SAUDADE DA NATUREZA, por Joaquim Domingues…178

RODRIGO SOBRAL CUNHA, FILOSOFIA DO RITMO PORTUGUESA, por António Braz Teixeira; seguido de “breve apontamento”, de Renato Epifânio…180

CARTA DE NATÁLIA A LEONARDO, por Carminda H. Proença, seguida de comentário de António Telmo…183

3 COGITAÇÕES E 7 INSPIRAÇÕES NA LEITURA DE «A CADA INSTANTE ESTAMOS A TEMPO DE NUNCA HAVER NASCIDO» DE PAULO BORGES, por Jorge Telles de Menezes…184

TEOREMAS DE FILOSOFIA, por Joaquim Domingues…186

GOLPE D’ASA

Dalila Pereira da Costa, RELIGIÃO PRÉ-HISTÓRICA…188

POEMÁGUIO

Alexandre Vargas, AGOSTINHO DA SILVA, PRÍNCIPE REAL…6

Sérgio Franclim, OS POETAS DE AGOSTINHO DA SILVA…7

Jesus Carlos, AGOSTINHO DA SILVA…100

Isabel Guimarães, TU QUE SUBIAS ESCADAS…100

Samuel Dimas, REDENÇÃO…101

Henrique Madeira, INÚMERAS SÃO AS AVES…136

Iolanda Aldrei, CRIAÇÃO…136

Francisco Soares, ENCANTO…137

Luís Souta, PARA UM FILHO QUE NÃO QUERO PERDER…169

Tiago Lemos, QUE SEI EU DO SILÊNCIO ONDE ESTOU SENTINDO?...190

SOBRE A NOVA ÁGUIA & O MIL

Joaquim Domingues, A NOVA ÁGUIA…192

Renato Epifânio, O PRIMEIRO ANO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO & RESPOSTAS AO INQUÉRITO REALIZADO A TODOS OS MEMBROS DO MIL…193

Paulo Borges, POR UM PATRIOTISMO TRANS-PATRIÓTICO E UNIVERSALISTA. OITO CONSIDERAÇÕES PARA UMA FUNDAMENTAÇÃO DO MIL…196

Eurico Ribeiro, A LUSOFONIA NUMA ÉPOCA DE MUDANÇA…199

LISTA DE LANÇAMENTOS DO 2º NÚMERO DA NOVA ÁGUIA…202

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA (A INCLUIR)…203

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA

QUINZE ANOS APÓS A SUA MORTE

inclui inéditos agostinianos

CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA

ALCORÃO



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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI
http://www.novaaguia.blogspot.com
SEDE NORTE: Associação Marânus; SEDE SUL: Associação Agostinho da Silva; SEDE DE REDACÇÃO: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

A NOVA ÁGUIA está vinculada a três entidades : Associação Marânus/ Teixeira de Pascoes, Associação Agostinho da Silva e MIL : Movimento Internacional Lusófono. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a NOVA ÁGUIA assume-se como um órgão plural.




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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)




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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
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SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

quinta-feira, 19 de março de 2009

FESTIVAL INTERCÉLTICO DO PORTO

.... Todos nós lamentamos o que está a acontecer ao Porto que, do ponto de vista cultural, não é nada. Uma lacuna que está a ser sistematicamente camuflada através de coisas episódicas, com alguma monumentalidade: o festival aéreo, as corridas de automóveis, fogos de artificio….

Mário Cláudio in revista “Tripeiro”, Janeiro de 2008



Tudo começou em 19 de Dezembro de 1969, com a edição de uma revista dedicada à divulgação das músicas do nosso (des)contentamento, num tempo de resistência e de cantos teimosos e militantes, que ousaram desafiar o silêncio oficial, recusando barreiras e mordaças em nome da dignidade e da liberdade. Nas suas páginas a mundo da canção assumiu a força da palavra, com naturais limitações, mas sempre firme no desejo e vontade de contribuir para a denúncia de tudo quanto compunha o quadro de mentira e alienação cultural.

A partir de Julho de 1985, já depois do 25 de Abril, a revista MC deixou as bancas e passamos então à organização, produção e divulgação de concertos e festivais, numa dinâmica cultural sobretudo ligada à cidade do Porto.

Durante este período realizamos 8 Festivais de Jazz do Porto (Paolo Conte, Dave Holland, Leroy Jones, Enrico Rava, Michel Petrucciani, Tete Montoliu, Charles Lloyd, Daniel Humair, Kenny Garrett, Antonio Hart, Brad Mehldau) e 17 edições do Festival Intercéltico do Porto e muitas dezenas de concertos, trazendo à Invicta nomes fundamentais como Léo Ferre, Georges Moustaki, Astor Piazolla, Miles Davis, Paco de Lucia, Egberto Gismonti, Atahualpa Yupanqui, Nara Leão, Gal Costa, Gilberto Gil, Pablo Milanés, B.B. King, Milton Nascimento, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Cesária Évora, entre tantos e tantos outros, mas também os portugueses José Afonso, Sérgio Godinho, Carlos Paredes, José Mário Branco, Trovante, Maria João Pires, Rui Veloso, etc., etc.


FESTIVAL INTERCÉLTICO DO PORTO


A primeira edição aconteceu em Abril de 1986, tendo passado pelas várias salas da cidade: Rivoli, Coliseu, Cinema do Terço (que acaba de ser desmantelado), Cinema Carlos Alberto e nos últimos anos no Cinema Batalha.

Ao longo destas 17 edições a cidade recebeu alguns dos nomes mais relevantes da chamada música celta, entre os quais se destacam irlandeses como The Chieftains, Dervish, Andy Irvine, Four Men and a Dog, Lunasa, Maddy Prior, De Dannan, Fairport Convention, Patrick Street, Altan, Kíla e Solas, mas também grupos de outras nacionalidades como os portugueses Fausto, Brigada Vítor Jara, Júlio Pereira, Amélia Muge, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, ou os galegos Emílio Cao, Na Lua, Luar na Lubre, Carlos Nuñez, Berroguetto, La Musgaña, Xosé Manuel Budiño, Mercedes Péon, Susana Seivane, entre muitos outros, ou ainda Márta Sebestyen e os Muzsikás, Värtinä, Gwendal, Kepa Junkera, Alan Stivell, Skolvan, Garmarna, Celtas Cortos, Kornog e tantos outros. Ao longo dos anos a elite da música folk/celta visitou esta cidade do Porto, dando a conhecer o seu trabalho.

Em 17 de Setembro do ano passado demos início à preparação daquela que seria a 18ª edição do FIP e apresentamos, à estrutura camarária para a Cultura e Desporto (Porto Lazer) um pedido de apoio (€ 20.000) para um projecto especialmente dedicado à Irlanda e que incluía, para além dos habituais concertos, animação de rua na Praça da Batalha e na Rua de Stª Catarina. Como a resposta tardava, em 12 de Dezembro enviamos novo ofício à “Porto Lazer”. Em 27 de Janeiro e uma vez que ainda não tínhamos tido qualquer noticia, renovamos o nosso pedido por email até que atingida a data limite, no inicio de Março, e mantendo-se o silêncio por parte da “Porto Lazer” fomos forçados a abandonar o projecto, uma vez que a 18ª edição do FIP estava agendada para os dias 17 e 18 de Abril, sendo que num mês não é possível concretizar um projecto desta envergadura.



“CAÇADORES DE SUBSÍDIOS”

No dia 4 do corrente mês, numa pequena nota, demos conta à Comunicação Social desta situação, o que provocou uma onda de interesse e curiosidade sobre o futuro do Intercéltico, tendo sido contactados por inúmeros jornalistas que nos questionaram sobre o que se passava, aos quais relatamos a verdade e os factos, lamentando a falta de respeito com que fomos tratados, uma vez que a “Porto Lazer”, revelando um profundo desprezo pelos cidadãos desta cidade, nem sequer se dignou responder à correspondência que lhe foi enviada.
Toda esta movimentação teve eco nos diversos media pelo que os responsáveis da Autarquia sentiram necessidade de se justificar e não tendo quaisquer argumentos honestos que pudessem apresentar, usaram da mais baixa ignomínia, distribuindo um comunicado no qual acusam os responsáveis pela organização do FIP de “caçadores de subsídios”, revelando assim a falta de ética e toda a mesquinhez que tem caracterizado a sua actuação.

Todos conhecemos o deserto cultural que a governação autárquica destes últimos 8 anos trouxe à nossa cidade, o qual contrasta flagrantemente com o incremento de actividade que se verifica nas cidades vizinhas, transformando o Porto numa coutada daqueles que sempre que ouvem falar de cultura, seja música, teatro, dança ou artes plásticas puxam logo da pistola e medem o interesse das realizações pelo numero de votos que estas lhes podem render, com vista à manutenção dos lugares que tão ciosamente tentam manter, desprezando, do alto da sua ignorância, os interesses dos cidadãos e o desenvolvimento da cidade, assim se compreendendo o especial empenho com que privilegiam eventos como as corridas de automóveis da Boavista e os aviões no Douro, que lhes permitem pavonearem-se nas televisões, mas que custam milhões ao erário público, como acontece com as referidas corridas da Boavista que custam aos contribuintes portugueses 3 milhões de euros.

A nós não nos impressionam os fogos de artifício e os megafones. Há 40 anos que alimentamos um projecto e prosseguimos o nosso trabalho, com coerência e determinação e não serão acusações mesquinhas e falsas de quem despreza a cultura que nos vai fazer recuar ou interromper a nossa luta.

Assim, já em Abril apresentaremos, na Casa das Artes dos Arcos de Valdevez, as “Noites Intercélticas” e em Maio vamos trazer a Portugal, um dos grandes cantautores de Espanha – PATXI ANDIÓN – que vai realizar uma série de quatro concertos: Figueira da Foz, dia 13. Lisboa, dia 14. Porto (Casa da Música) dia 15 e no Teatro Municipal da Guarda a 16 de Maio.


Esperamos que o próximo Outono traga ventos de mudança aos destinos desta cidade e que finalmente seja possível inverter o rumo e iniciar a recuperação do tempo perdido nestes anos sombrios de estagnação.


Nota: para conhecer a história dos “Caçadores de subsídios” deve consultar o site www.discantus.pt assim como o blog http://festivalintercelticoporto.blogspot.com


MC - Mundo da Canção
Rua Duque Saldanha, 97
4349-030 PORTO
Tel: 225193100
Fax: 225193109
Site: www.discantus.pt

Recebido por email

sexta-feira, 13 de março de 2009

"1001 Escolhas"

Queremos o "1001 Escolhas" de volta!

A exemplo do "Lugar ao Sul", à beira de completar trinta anos de emissões, sempre considerei o "1001 Escolhas", desde que apareceu em 2004, uma marca de excelência na rádio portuguesa. Digo mais: numa emissora cada vez mais descaracterizada e igual às rádios comerciais como é a actual Antena 1, o "1001 Escolhas" era um dos escassos oásis que ainda existiam na respectiva grelha. E digo "era" porque alguém teve a infeliz ideia de acabar com ele. E esse alguém, até prova em contrário, não terá sido a autora, Madalena Balça, mas um indivíduo chamado Rui Pêgo que depois de ter sido (levianamente) colocado na direcção da rádio pública, em meados de 2005, não descansa enquanto não destrói todos os bons programas que representavam uma mais-valia do serviço público, com a finalidade de arranjar tachos para uma trupe de amigos (os seus e os dos outros elementos da direcção), boa parte dos quais perfeitamente medíocres.
Sem querer dizer mal do "História Devida", recentemente recuperado (nada contra), é inquestionável que o "1001 Escolhas" está a milhas de distância (à frente) e, como tal, não posso aceitar o seu abrupto e inesperado fim, quando ainda tinha um longo caminho para andar. Porque a matéria-prima nem por sombras ficou esgotada e o que não falta em Portugal é gente interessante para se ouvir, não necessariamente com visibilidade mediática. E também porque não quero deixar de me deliciar com as saborosas conversas que a Madalena Balça entabulava com os seus convidados, ilustradas com interessantíssimos apontamentos sobre os mais diversos temas: livros/escritores, músicas/compositores/intérpretes, filmes/realizadores/actores, pinturas/esculturas/artistas, descobertas científicas e invenções/cientistas, monumentos/arquitectos, viagens/exploradores, lugares históricos e naturais, especialidades gastronómicas, modalidades desportivas/atletas... Em suma, uma vasta panorâmica sobre as múltiplas artes e saberes de que se alimenta a nossa alma e, simultaneamente, um tributo à memória de grandes homens e mulheres que viveram antes de nós, e sem os quais hoje seríamos muito mais pobres. Em que outro programa de rádio, de permeio a uma conversa coloquial e despretensiosa, se evoca, em primorosas peças jornalísticas, o romance "O Coração das Trevas" (de Joseph Conrad), a fadista Lucília do Carmo, o cineasta Terence Mallick, e se convive com as gentes do planalto mirandês, apenas para citar as escolhas de Paula Moura Pinheiro, na última edição? Mais que um programa de entrevista/conversa, o "1001 Escolhas" era um agradabilíssimo momento de divulgação cultural, uma janela que nos era aberta para as coisas que vale a pena vivenciar e que enriquecem a nossa existência. Um programa como o "1001 Escolhas" nunca devia acabar. Exige-se, por isso, a sua rápida reposição pois essa é não só a minha mas a vontade de muitos ouvintes. Madalena Balça – assim quero acreditar – não será indiferente a esse desejo. Cumpre pois à direcção de programas da rádio estatal agir em conformidade.
Queremos o "1001 Escolhas" de volta!

Nota: Recomenda-se também a leitura do 'post' de Francisco Mateus no blogue "
Rádio Crítica".

Publicada por Álvaro José Ferreira em 12:02