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domingo, 5 de abril de 2009

O país visto da Segunda Circular...

Em matéria de clubismo, a minha posição é idêntica à que tenho quanto à religião: não ignoro que o fenómeno existe - e por aí me fico. Mas suporto mal que a liberdade que cada qual tem de se envolver com aquilo que mais lhe diz qualquer coisa contenda com o meu direito de não ser esmagado por qualquer tipo de extremismo.
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Ora sucede que desde há largos dias parece que neste país não se passa nada de mais importante do que o problema a contas com o qual estão dois clubes lisboetas. Bem sei que têm adeptos um pouco em todo o país, mas, ao ver a atenção que os órgãos de Comunicação Social dão ao assunto, sinto o mesmo que sinto quando vejo as televisões lançarem- -se, amiúde, à abordagem de temas tão (pouco) abrangentes como sejam as obras na Praça do Comércio ou o barulho das discotecas do Bairro Alto. Porque, então, sucede-me pensar: mas que tenho eu a ver com isto?! Assim como há o Porto Canal, não deveria haver um Lisboa Canal para tratar de asusuntos que dizem respeito quase especificamente aos lisboetas?
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Ainda a semana ia a meio e já me saturavam com falatório sobre o momento de alto interesse nacional que seria dois clubes disputarem a posse de uma modesta taça. Depois, veio a transmissão directa do desafio, uma mistura de futebol e wrestling (nesta modalidade, houve também participação das bancadas). No final, um erro de arbitragem originou uma autêntica torrente de acontecimentos que vão da saída de um dos clubes da Direcção da Liga, assim como quem abandona a ONU, até às anónimas ameaças de morte ao árbitro, no melhor estilo da máfia, passando por um abaixo-assinado no qual se exige a repetição do jogo (já agora, por que não levar o caso ao Tribunal do Luxemburgo?)
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Entretanto, fábricas e lojas continuaram a fechar, casos de corrupção de colarinho branco continuaram a marcar passo, as páginas dos jornais foram-se enchendo com relatos de assaltos e roubos violentos - mas o país, parte dele pelo menos, continuou a reagir como se tudo isso fossem ninharias comparado com o autêntico "casus belli" gerado para os lados da Segunda Circular lisboeta...
Sérgio Andrade
in JN
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Deixem-se de futebóis e exijam postos de trabalho e salários mais justos...

domingo, 12 de outubro de 2008

A situação cá pelo sitio...

Sócrates lê melhor o jogo
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Já todos tomámos consciência de como a crise tomou conta e vai agravar as nossas vidas.
Depois de pôr em xeque banqueiros, investidores e governantes, a crise chegará rapidamente ao nosso bolso e aos nossos empregos.
É por isso que vale a pena olhar para o discurso de José Sócrates esta semana no Parlamento para concluirmos que, entre a classe política portuguesa, ele se destaca por ser o mais rápido a reagir, por ser o que faz uma leitura mais correcta do jogo, entendo-se por jogo a avaliação das forças, dele e alheias, das oportunidades e dos riscos e, obviamente, das emoções do povo.
No discurso do Parlamento, Sócrates reverteu a crise a seu favor: como nos temos portado bem e temos sido rigorosos nas contas, o défice não vai disparar e vai haver uma folgazinha para, já em 2009, ajudar os mais necessitados.
"O povo não troca o certo pelo duvidoso" clamava ontem, aqui no JN, Luís Filipe Menezes, na sua enésima e certeira crónica contra a liderança do PSD.
A sondagem que publicámos esta semana é isso mesmo que mostra: há muita gente a pensar que o Governo é mau, mas a maioria está convicta de que ninguém faria melhor de que o actual Governo.
A um ano das eleições, a porta da maioria absoluta está aberta para Sócrates e o PS voltarem a entrar.
Ferreira Leite cai a pique .
Manuela perdeu a credibilidade e a oportunidade. A opinião pública não sabe dela, e dentro do próprio partido já ninguém põe as mãos no fogo sobre a possibilidade de ser ela a número um do partido no dia das eleições. A escolha de Santana Lopes para Lisboa agrada a uma parte do partido, mas é impossível que possa agradar à própria Ferreira Leite. Não parecendo que Santana tenha alterado o caminho, nem acreditando que Ferreira Leite se tenha rendido ao populismo do "menino guerreiro", resta a hipótese pior: entregou os pontos, por falta de exército e de generais à altura do combate.
O PCP tem um numeroso exército e generais conhecidos de outras batalhas. Mas a táctica de guerra e de guerrilha está gasta. "Déjà vue".
O sobe e desce do Bloco estabilizou num bom número, mas ainda curto para guindar um partido que é contra o sistema à suprema ironia de um resultado eleitoral o transformar em garante do sistema. Mas é, sem dúvida, a questão mais interessante do cenário político, e que se deverá manter até às eleições, a de saber se o PS chega à maioria absoluta ou se para a fazer precisa da fatia eleitoral que couber ao Bloco.
Neste panorama, cabia ainda o CDS. Anda perdido, entre a vaidade de uns e a ineficácia geral do discurso centrista, que já ninguém ouve, nem mesmo quando, como sucedeu esta semana com Paulo Portas, coloca na mesa boas hipóteses para enfrentar a crise.
José Leite Pereira
in JN