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terça-feira, 28 de abril de 2009

Tiro no pé



Moçambique

Renamo acusa Frelimo de ataques e ameaça retaliar
Tiro no pé dos moçambicanos

quinta-feira, 26 de março de 2009

Luís Carlos Patraquim...Poeta, Autor teatral e Jornalista Moçambicano...

Luís Carlos Patraquim (Maputo, 26 de Março de 1953) é um poeta, autor teatral e jornalista moçambicano.
Refugiado na
Suécia em 1973, regressa a Moçambique em 1975, onde vai trabalhar no jornal A Tribuna. Encerrado o jornal, integra o grupo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) sob a direcção de Mia Couto.
De 1977 a 1986 trabalha no Instituto Nacional de Cinema de Moçambique (INC) como autor de
roteiros e de argumentos e como redactor do jornal cinematográfico Kuxa Kanema.
Em conjunto com
Calane da Silva e Gulamo Khan, coordenou, entre 1984 e 1986, a Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo.
Reside em
Portugal desde 1986.
Colabora na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e escreve para teatro.
É coordenador redactorial da revista Lusografias.
Índice

.
A VOZ E O VENTO
.
com palavras faço a voz
e o vento
de que viajam e são
.
insistente desejo a lucilar
sobre a pele morna
de girassóis filtrando
teu rosto
seios
paisagem nua de ventre
com palavras a voz do que faço
.
estes dias infensos
a pendor de gume
.
REMINISCÊNCIA
.
às vezes o exílio
é uma árvore aberta
na imponderável noite
.
e nada espreita
a estrada larga
fonte do olhar
.
principia como um homem
multidões ao vento
a terra exangue
o grito arável

quinta-feira, 12 de março de 2009

Tiro no pé


Moçambique: emprego só com situação militar regularizada

O parlamento moçambicano aprovou hoje uma nova lei do serviço militar, que veda o emprego a pessoas em «situação militar não regularizada», incluindo no sector privado, e retira direitos, como a obtenção da carta de condução.
In Portugal Digital

Que conste, Moçambique não teme ataques de qualquer vizinho ou nova guerra civil como a que devastou o país durante décadas, entre a Frelimo e a Renamo.
Quando tudo indica(va) que este país tinha compreendido que a guerra não resolve os problemas - e só os complica - estranha-se esta 'militarização' da sociedade civil.
Trata-se de um evidente TIRO NO PÉ.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

José Craveirinha...Foi um Poeta Moçambicano...

José João Craveirinha (Lourenço Marques, 28 de Maio de 1922Maputo, 6 de Fevereiro de 2003) é considerado o poeta maior de Moçambique.
Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
Como jornalista, colaborou nos periódicos moçambicanos
O Brado Africano, Notícias, Tribuna, Notícias da Tarde, Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Diário de Moçambique e Voz Africana.
Utilizou os seguintes pseudónimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa.

Foi presidente da Associação Africana na década de 1950.
Esteve preso entre
1965 e 1969 por fazer parte de uma célula da 4.ª Região Político-Militar da Frelimo.
Primeiro Presidente da Mesa da Assembleia Geral da
Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987.
Índice
1 Autobiografia
2 Prémios
3 Livros publicados
4 Notas
.
Grito Negro
.
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Eduardo Mondlane...Foi um dos fundadores e 1º Presidente da FRELIMO...40º aniversário da sua morte...

Eduardo Chivambo Mondlane (Manjacaze, Gaza 20 de Junho de 1920 - Dar es Salaam 3 de Fevereiro de 1969) foi um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a organização que lutou pela independência de Moçambique do domínio colonial português.
O dia da sua morte, assassinado por uma encomenda-bomba, é celebrado em Moçambique como o Dia dos Heróis Moçambicanos.
Biografia

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Afonso Dhlakama...Político Moçambicano e líder da RENAMO...

Afonso Macacho Marceta Dhlakama (pronuncia-se aproximadamente como Djacama), nascido a 1 de Janeiro de 1953, é o presidente da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), o principal partido político da oposição em Moçambique.
Após a morte de
André Matsangaíssa, assumiu a liderança da então guerrilha RENAMO, no auge da guerra civil moçambicana. A 4 de Outubro de 1992 assinou com Joaquim Chissano (na altura Presidente de Moçambique), em Roma, o Acordo Geral de Paz, pondo fim a uma guerra civil que durou cerca de 16 anos e que destruiu a economia e infra-estruturas do país, tendo provocado centenas de milhares de mortos. Desde então a RENAMO passou a ser um partido político, o segundo maior partido político de Moçambique.
Ao contrário das suas reconhecidas capacidades de estratega militar, Afonso Dhlakama não tem tido o mesmo sucesso político, acumulando sucessivas derrotas nas três eleições presidenciais até agora realizadas neste país, e alegando sempre a existência de fraudes perpetradas pelo partido no poder (
FRELIMO) para que isto venha acontecendo. Em situações de crise, recorre a um discurso mais belicista, que por vezes inclui ameaças de retorno à luta armada. A sua fraca tenacidade política resulta numa fraca oposição política em Moçambique.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Samora Machel...1º Presidente de Moçambique Livre...75º Aniversário do seu nascimento...

Samora Machel
Samora Moisés Machel (Madragoa, Gaza, 29 de Setembro de 1933Montes Libombos, 19 de Outubro de 1986) foi um militar moçambicano, líder revolucionário de inspiração socialista que se tornou o primeiro presidente de Moçambique após sua independência, de 1975 a 1986. Carinhosamente conhecido como “o Pai da Nação”, morreu quando o avião em que regressava a Maputo se despenhou em território sul-africano.
Em
1975-1976 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.
Índice
.
Homenagem a Samora Machel...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Guerra da Independência de Moçambique...Faz 44 Anos que se iniciou até Set de 1974...

Guerra da Independência de Moçambique
A independência de Moçambique, a 25 de Junho de 1975, foi o culminar duma guerra de libertação, uma luta de guerrilha contra o exército português, que passou a ser referida como Luta Armada de Libertação Nacional. O levantamento armado foi lançado oficialmente em 25 de Setembro de 1964, com um ataque ao posto administrativo de Chai no então distrito (actualmente província) de Cabo Delgado.
Esta luta foi organizada pela
FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), formada em 25 de Junho de 1962, pela fusão de três movimentos já existentes.
Este movimento tinha base no Tanganyika (a parte continental da actual República Unida da Tanzânia) e era reconhecido pela Organização da Unidade Africana como um legítimo movimento de libertação.
A guerra de libertação expandiu-se para as províncias de
Niassa e Tete e durou cerca de 10 anos. Durante esse período, foram organizadas várias áreas onde a administração colonial já não tinha controlo - as Zonas Libertadas - e onde a FRELIMO instituiu um sistema de governo baseado na sua necessidade em ter bases seguras, abastecimento em víveres e vias de comunicação com as suas bases recuadas na Tanzânia e com as frentes de combate.
A guerra terminou com os
Acordos de Lusaka, assinados a 7 de Setembro de 1974 entre o governo português e a FRELIMO, na sequência da Revolução dos Cravos.
Moçambique

quarta-feira, 25 de junho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Novo livro de Mia Couto


O jogo de mentiras é a matéria de 'Venenos de Deus Remédios do Diabo'. A rir. Uma conversa pode começar assim. Nessa linguagem, a do riso, que Mia Couto considera ser a primordial, mas que se perdeu. O escritor está sentado a uma mesa entre o cheiro a novo das instalações da Leya e ao lado tem um caixote de livros para assinar. São exemplares de Venenos de Deus Remédios do Diabo (Caminho), o seu mais recente romance, aquele em que o autor moçambicano decidiu bater a porta a outras personagens que não as que lhe surgiram no início. "Os meus livros eram um pouco aborrecentes, muito ramificados e eu tinha dificuldade em lidar com personagens novos. Algum me batia à porta e eu deixava entrar toda a gente", ri. Mia Couto ri disso, dessa indisciplina que quer domar, e sorri perante a tarefa que lhe deram. Assinar livros enquanto fala. "Como se pudesse! "Sou o melhor vivo do que se costuma dizer: um homem, ao contrário das mulheres, é incapaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo." E ri outra vez. Por isso o escritor fala e os livros ficam lá, no caixote. O mote é o seu 23.º romance, um livro sobre o tempo - o passar do tempo - e a capacidade de mentir, o jogo de mentiras, o encenar para poder existir. E é também sobre a morte e o amor numa terra imaginária, Vila Cacimba, lugar que "só existe por via da mentira", onde quem chega também mente; metáfora de outra cacimba que ora revela ora adensa mistérios e mentiras e enigmas à volta de uma família. "Há mais coisas a descobrir numa família do que numa vista a Marte", diz Mia Couto citando de cor o autor israelita Amos Oz. "Este livro fala sobre a quantidade de segredos que pode ser desvendada a partir desta incursão no universo familiar. Qualquer que seja a família, esconde sempre segredos", afirma o escritor no seu falar devagar, pausado, quase sussurro como quando diz que só há pouco começou a sentir que o tempo passa. Por isso, este é um livro pessoal. "Pela primeira vez dei-me conta da idade que tenho." Foi aos 50 anos, na mesma altura em que lhe aconteceu ser avô. É assim que a angústia perante o tempo e a morte de Bartolomeu Sozinho, o velho da narrativa, que tal como Mia não que está a morrer e tão depressa se quer salvar como deseja ser entregue à morte, também é a sua, a de Mia. "De repente tropecei numa coisa que nunca existiu para mim: o tempo. Sempre me senti sem idade e um bocadinho irresponsável em relação a essa coisa de ter de prestar contas aos dias. Eu estava velho. Tinha a idade daqueles a quem chamava velhos na minha adolescência e perguntava, "porque é que isto me acontece a mim, logo a mim, ter 50 anos? Eu, tão novo!"E é por isto que este livro está cheio de tempo. No drama, na ironia com que ri do trágico - "nas s culturas africanas é preciso não levar muito a sério as coisas pesadas, por se acreditar que isso atrai maus espíritos; há uma atitude de superstição em levar muito a peito o que é trágico" -, na duração de uma mentira, no tecer dos mistérios que compõem uma vida. Mia Couto tem 50 anos. E sobre o homem de 50 anos escreve: "aos 50 pensamos com suficiente sabedoria já não ter ideias." Acontece-lhe? "Penso um bocado assim. A sabedoria passa por se ter sentimentos, sensibilidades. Sobrevalorizamos aquilo que chamamos a ideia, como se fosse a capacidade de pensar e de produzir abstracções e sobretudo a capacidade de produzir revelações do mundo, como se as coisas se pudessem reduzir a isso. Acho que há coisas que são intraduzíveis. Pensar com o corpo inteiro, pensar com o coração e não e pensar que o cérebro é uma espécie de mecanismo de reflexão total. De vez em quando temos uma sintonia por via da intuição, por via de uma coisa que não sei se tem nome e se calhar é mais interessante do que a hegemonia do pensamento." Se há coisas que não lhe apetece levar muito a sério, essa é uma, numa altura em que quer libertar-se de um início de carreira que durou mais de vinte romances. Quis que este fosse diferente, "de outra maneira já não me apetece escrever mais". E foi diferente até na criação. Sem dor, sem o magoar dos anteriores, mas com a mesma tristeza. Não é angústia, não é solidão, porque sente as personagens como companheiros, com a força de serem companhia... Hesita. Talvez haja solidão, mas não a sente como peso. "Desde miúdo diziam que eu era muito apto e tendente para a solidão. Os meus pais e os meus amigos queriam tirar-me daquilo e eu estava tão bem assim. E a tristeza também. A tristeza é o meu território, mas a tristeza nunca me derrotou. Acho que há uma janela para as coisas nessa condição de triste. Hoje temos medo desse sentimento, como se fosse uma doença." E nesses momentos tristes é possível rir, soltar uma gargalhada. "Só produzo em estado de tristeza, mesmo que esteja a produzir ironia. Os da minha casa entendem bem isso e protegem-me nessa tristeza como se fosse um estado de graça. "Deixa-o lá estar triste mais um bocadinho." É como se fosse um sono; como se ali houvesse uma porta para sonhar e chegar a uma espécie de intimidade com coisas a que não se chega de outra maneira."

Isabel Lucas in DN

terça-feira, 20 de maio de 2008

O DRAMA DA XENOFOBIA

O embaixador moçambicano na África do Sul assegurou que o executivo de Maputo providenciará ajuda às famílias das seis vítimas moçambicanas assassinadas, para trasladarem os corpos para as províncias de origem.

«Vamos providenciar ajuda para a trasladação dos corpos para as suas províncias em Moçambique. Estamos em contacto com companhias de autocarros», disse Fazenda, que descreveu a situação vivida na África do Sul como sendo «dramática».

«É uma situação, de facto, dramática por que passamos e provavelmente poderemos voltar a passar», considerou o representante do governo moçambicano na África do Sul.

Desde a última semana, a África do Sul está a viver momentos de intensa violência, resultante de atitudes xenófobas protagonizadas por sul-africanos contra os imigrantes, a quem acusam de prática de crimes e de contribuírem para o elevado índice de desemprego e de custo de vida naquele país vizinho de Moçambique.


Estes ataques concertados, que culminaram até ao momento na morte de 24 imigrantes, segundo dados das autoridades sul-africanas, têm como principal alvo moçambicanos, zimbabueanos, etíopes, chineses e paquistaneses.

A violência de cariz xenófoba começou em Alexandra (arredores de Joanesburgo) a 11 de Maio, estendendo-se depois a outras localidades. Em consequência, a polícia sul-africana confirmou a detenção de cerca de 300 pessoas.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Balói, referiu que cerca de 70 moçambicanos manifestaram o desejo de regressar ao país, mas o governante pediu «serenidade».

«Não seria bom sinal que os moçambicanos abandonassem a terra que também é deles», aliás, «são pessoas que têm dado o seu máximo no trabalho (...). Que haja serenidade e confiança nas autoridades sul-africanas», que estão a tentar resolver o assunto, disse Balói.

In Diário Digital

domingo, 11 de maio de 2008

CULTURA GALAICO-PORTUGUESA E LUSOFONIA


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Declaração de Princípios e Objectivos

O presente texto condensa e concretiza as propostas do Manifesto da Revista “Nova Águia” (novaaguia.blogspot.com) , órgão do M. I. L. Aqui se apresenta um ponto de partida, objecto de consenso entre os promotores do Movimento, destinado a ser aperfeiçoado mediante todas as críticas e sugestões, que solicitamos e agradecemos.

Ao apresentá-lo, fazemos nossas as palavras de Agostinho da Silva, cidadão luso-brasileiro cujo pensamento inspira o M. I. L., na proposta de reorganização de Portugal e do mundo lusófono que redigiu em 1974: “A comunidade a que o propomos é o Povo não realizado que actualmente habita Portugal, a Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, o Brasil, Angola, Moçambique,Macau, Timor, e vive, como emigrante ou exilado, da Rússia ao Chile, do Canadá à Austrália” –
Proposição”, in Dispersos, Lisboa, ICALP, 1989, p. 617.

1 – O Movimento Internacional Lusófono é um movimento cultural e cívico que visa mobilizar a sociedade civil para repensar e debater amplamente o sentido e o destino de Portugal e da Comunidade Lusófona.

2 - As nações e os 240 milhões de falantes da Língua Portuguesa em todo o mundo constituem uma comunidade histórico-cultural com uma identidade, vocação e potencialidade singular, a de estabelecer pontes, mediações e diálogos entre os diferentes povos, culturas, civilizações e religiões, promovendo uma cultura da paz, da compreensão, da fraternidade e do universalismo à escala planetária.

3 – Os valores essenciais da cultura lusófona constituem, junto com os valores essenciais de outras culturas, uma alternativa viável à crise do actual ciclo de civilização economicista e tecnocrático, contribuindo, com o seu humanismo universalista e sentido cósmico da vida, para uma urgente mutação da consciência e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a do desenvolvimento das superiores possibilidades humanas e da harmonia ecológica,possibilitando a utilização positiva dos actuais recursos materiais e científico-tecnológicos.

4 – As pátrias e os cidadãos lusófonos devem cultivar esta consciência da sua vocação, aproximar-se e assumir-se como uma comunidade fraterna, uma frátria, aberta a todo o mundo. A comunidade lusófona deve assumir-se como uma comunidade alternativa mundial – uma pátria-mátria-frátria do espírito, a “ideia a difundir pelo mundo” de que falou Agostinho da Silva – que veicule ideias, valores e práticas tão universais e benéficas que todos os cidadãos do mundo nelas se possam reconhecer, independentemente das suas nacionalidades, línguas, culturas,religiões e ideologias. A comunidade lusófona deve assumir-se sempre na primeira linha da expansão da consciência, da luta por uma sociedade mais justa, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas humanitárias, da sensibilização da comunidade internacional para todas as formas de violação dos direitos humanos e dos seres vivos e do apoio concreto a todas as populações em dificuldades. Para que isso seja possível, cada nação lusófona deve começar por ser exemplo desses valores.

5 – A identidade e vocação histórico-cultural da comunidade lusófona terá expressão natural na União Lusófona, a qual, pelo aprofundamento das potencialidades da actual Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, constituirá uma força alternativa mundial, a nível cultural, social, político e económico. Sem afectar a soberania dos estados e regiões nela incluídos, mas antes reforçando-a, a União Lusófona será um espaço privilegiado de interacção e solidariedade entre eles que potenciará também a afirmação de cada um nas respectivas áreas de influência e no mundo. Ou seja, no contexto da União Lusófona, a Galiza e Portugal aumentarão a sua influência ibérica e europeia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola e Moçambique, a sua influência africana, o Brasil a sua influência no continente americano e Timor a sua influência asiática, sendo ao mesmo tempo acrescida a presença de cada um nas áreas de influência dos demais e no mundo. Sem esquecer Goa, Damão, Diu, Macau, todos os lugares onde se fale Português e onde a nossa diáspora esteja presente, os quais, embora integrados noutros estados, serão núcleos de irradiação cultural da União Lusófona.

6 - No que respeita a Portugal e à Galiza, este projecto será assumido em simultâneo com o estreitamento de relações culturais com as comunidades autónomas de Espanha, promovendo aí a cultura galaico-portuguesa e contrabalançar a influência espanhola em Portugal. O mesmo deve acontecer entre o Brasil e os países da América do Sul. Galiza, Portugal e Brasil, bem como as demais nações de língua portuguesa, devem afirmar sem complexos os valores lusófonos nas suas respectivas áreas de influência.

7 – A construção da União Lusófona, com os seus valores próprios, exige sociedades mais conscientes, livres e justas nos estados e regiões lusófonos. Em cada um desses estados e regiões, cabe às secções locais do Movimento Internacional Lusófono, dentro destes princípios essenciais e em coordenação com as dos restantes estados e regiões, apresentar e divulgar propostas concretas, adequadas a cada situação particular, pelos meios de intervenção cultural, social, cívica e política que forem mais oportunos.

***

No que respeita a Portugal, a secção portuguesa do Movimento Internacional

Lusófono considera fundamentais as seguintes medidas:

I – Promover uma maior participação dos cidadãos na vida pública e política,

nomeadamente em torno de um grande projecto para Portugal como o da União

Lusófona, que os convoque para uma causa que transcende o imediatismo, o

economicismo e os interesses dos partidos e dos grupos em luta pelo poder.

Mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme

percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a

responsabilidade de discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação.

II - Sensibilizar os cidadãos e as instituições públicas e privadas para a

importância e vantagens do projecto da União Lusófona, a nível cultural, social,

político e económico. Promover a discussão pública desta proposta e uma cultura

da consciência lusófona e universalista que enriqueça a nossa própria integração

na União Europeia, tornando-nos parceiros activos na abertura da consciência

europeia à cultura planetária.

III - Promover para esse fim formas alternativas de intervenção cultural, social e

cívica, que permitam antecipar quanto possível a realidade desejada, sem

depender dos poderes instituídos, dentro dos quadros democráticos e legais. Sem

rejeitar os habituais meios de intervenção política, o Movimento Internacional

Lusófono apela à e apoia a constituição de grupos cívicos ou confrarias laicas que

sejam núcleos de discussão, divulgação e realização deste projecto, em Portugal e

em todo o espaço lusófono, incluindo a emigração.

IV – Libertar a nossa vida mental, social e política da actual mediocridade,

estagnação e submissão a interesses particularistas, partidários e dos grupos

económicos, repondo-a ao serviço da cultura e de uma ética do bem comum.

V – Regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado segundo modelos

que fomentem a ampla participação política da sociedade civil. Recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos deprevenção e controlo dos caciquismos locais.

VI – Assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a

que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum e a satisfação das

necessidades básicas das populações. Explorar as potencialidades de formas de

organização económica cujo objectivo fundamental não seja o lucro financeiro.

Oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho não um

fim em si, mas um meio para a fruição do tempo livre de modo mais gratificante e

criativo.

VII – Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias

locais e respeitando a harmonia ambiental.

VIII - Substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás

natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica,

hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma de uma economia baseada no

petróleo e nos hidro-carbonetos.

IX - Dar prioridade, em todos os domínios da economia, da política e da

investigação, às preocupações ambientais e ecológicas. Proteger os direitos dos

animais e promover o seu cumprimento.

X - Assegurar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua

a possibilidade de opção por medicinas alternativas.

XI – Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à

educação, tornando esta e a cultura – não só tecnológica, mas filosófica, literária,

artística e científica - o investimento estratégico do Orçamento de Estado e da

governação. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não

a sacrificando a uma mera especialização profissional. Neles haverá uma forte

presença da cultura portuguesa e lusófona, bem como das várias culturas

planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona

e universal, não apenas europeia-ocidental.

XII - Promover sem inibições a cultura portuguesa e lusófona no espaço

internacional. Assegurar a tradução para inglês de textos fundamentais da nossa

cultura e publicar, em conjunto com as nações lusófonas, uma revista bilingue,

português-inglês, destinada a divulgar em todo o mundo os seus aspectos mais

singulares e universais. Estreitar relações com os lusófilos estrangeiros e com todos

os povos, culturas e movimentos que tenham características e projectos

convergentes.

XIII - Implementar o Acordo Ortográfico, importante instrumento da consciência

lusófona e da sua afirmação internacional.

XIV – Celebrar acordos com as nações lusófonas que promovam estratégias

económicas conjuntas, sobretudo a nível comercial. Facilitar e proteger, mediante

o levantamento das barreiras alfandegárias e fiscais, o comércio e a circulação de

produtos em todo o mundo lusófono, com urgente destaque para os produtos

culturais.

XV – Chegar gradualmente a um acordo que permita a livre-circulação dos

cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona.

XVI - Criar um Programa “Agostinho da Silva” que promova a circulação dos

estudantes das nações lusófonas, de licenciatura e pós-graduação, nas

universidades do espaço lusófono, começando por Portugal e Brasil.

Se quiser aderir a este Movimento ou formar um "Núcleo MIL", envie-nos um mail para

novaaguia@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail . Visite também o nosso blogue: novaaguia.blogspot.com



quarta-feira, 16 de abril de 2008

A MINHA PÁTRIA, É A MINHA LÍNGUA

Perguntas à Língua Portuguesa , Mia Couto


Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?
Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?
Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
· Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
· No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
· A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
· O mato desconhecido é que é o anonimato?
· O pequeno viaduto é um abreviaduto?
· Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
· Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
· Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
· Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
· O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
· Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
· Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
· Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
· Mulher desdentada pode usar fio dental?
· A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
· As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
· Um tufão pequeno: um tufinho?
· O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
· Em águas doces alguém se pode salpicar?
· Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
· Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
· Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
· Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos.
Devolver a estrela ao planeta dormente.