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quinta-feira, 3 de abril de 2008

HUMOR NEGRO?



Continuam a provocar ondas de choque nos mais variados sectores políticos, a começar pelo próprio PS, os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim, sexta-feira passada, no Funchal, na sessão de abertura de um congresso da Anafre (Associação Nacional de Freguesias).
O líder parlamentar do PS/Açores considerou ontem que os elogios "foram uma romagem humilhante de um alto responsável de Estado". Francisco Coelho sustentou que foi "uma desconsideração desnecessária aos socialistas e democratas da Região Autónoma da Madeira". "Foi como uma romagem a Canossa", sublinhou, ironizando com a vassalagem de Frederico I (Barba Ruiva) ao Papa na cidade de Canossa, em 1070.
Na abertura do congresso da Anafre, o presidente da Assembleia da República (AR) considerou Jardim como "um exemplo supremo na vida democrática do que é um político combativo".
"A Madeira é bem o exemplo, com democracia, com autonomia, com a integração europeia, de um vasto e notável progresso no País", afirmou. "Toda esta obra historicamente tem um rosto e um nome, e esse nome é o do presidente do Governo Regional da Madeira, a quem quero também prestar uma homenagem, na diferença de posições, por esta obra e este resultado."
Na sequência destas declarações, a comissão política regional do PS- -Madeira aprovou por unanimidade um voto de protesto. Gama "ofendeu todos os cidadãos deste País, particularmente aqueles que, na Região Autónoma da Madeira, têm sido severamente prejudicados, no seu corpo e na sua alma, pelo exercício autocrático do poder regional vigente, já lá vão trinta anos".

Terá sido ironia?

Ontem, Edite Estrela, membro do Secretariado Nacional do PS e coordenadora dos eurodeputados socialistas, disse preferir pensar que as declarações foram feitas em "tom irónico". "Jaime Gama tem um apurado sentido de humor e foi certamente em tom irónico que fez as declarações." A dirigente disse que Gama "sabe bem que há um défice democrático na Madeira" e que isso "tem aumentado e não diminuído".
O PSD-Madeira, entretanto, explora a seu favor as controversas declarações do presidente da AR.

"O que o Jaime Gama fez foi aquilo que é evidente e realista, não vale a pena estarmos a tapar o sol com a peneira", disse o líder parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Ramos. Gama "não fez mais do que expressar aquilo que é a realidade e, no fundo, veio ao de cima o fundamentalismo partidário dos senhores, aqui, na Madeira, do partido do 'meia dúzia mais um'."
Guilherme Silva, deputado do PSD na AR eleito pelo PSD, acrescentou que os elogios de Gama revelam a sua "honestidade intelectual". Em tempos, num aceso debate na AR, Gama tratou Guilherme Silva por "reles canalha". | LUSA

domingo, 30 de março de 2008

SINAIS DOS TEMPOS

O presidente da Assembleia da República Jaime Gama foi ao Funchal elogiar, em cerimónia pública, a obra feita na Madeira durante as três décadas de governação com maioria absoluta de Alberto João Jardim e prestou homenagem ao "político democrático e combativo que é o presidente do Governo Regional”.

A reacção de repúdio do PS/Madeira não se fez esperar, lembrando a Gama o caciquismo de Jardim e a falta de respeito pelas oposições que é apanágio do seu governo.

Numa altura em que José Sócrates governa o país com evidentes tiques de autoritarismo e desprezo pelas críticas, escudado pela maioria absoluta de que também dispõe, importa saber se Jaime Gama defende que os fins justificam os meios a qualquer preço.

E, já agora, se tenciona prestar vassalagem na primeira oportunidade aos sultões do Golfo, que constroem palácios das mil e uma noites à custa do petróleo, enquanto espezinham os mais elementares direitos humanos.

Consta há muito que Jaime Gama é um peixe de águas profundas; mas talvez haja esquecido que se exprimiu enquanto presidente da Assembleia da República de um Estado democrático de direito. E esse devia ter mais cuidado com a responsabilidade do cargo e do que afirma publicamente.

A não ser que aprove o caciquismo populista de quem ora elogia.