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sábado, 20 de junho de 2009

Coisas do Arco-da-Velha...Uma em cinco crianças em Portugal é pobre...

Portugal ocupa o 21.º lugar, entre 29 países europeus, relativamente ao bem-estar infantil. Em termos de Educação somos mesmo a terceira pior nação.
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Os apoios apenas conseguem eliminar 5% da pobreza infantil que era de 21% em 2006.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Novos pobres...

Este ano fui um pouco mais generoso na contribuição para o Banco Alimentar Contra a Fome porque me lembrei do pobre dr. Vítor Constâncio e demais administradores do Banco de Portugal, que se queixam de que já não são aumentados desde 2005.
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Tão precária deve ser a situação de todos eles que os seus salários (ao contrário do que sucede, por exemplo, na Reserva Federal americana) nem são tornados públicos para lhes evitar a vergonha.No entanto, segundo a sua declaração de rendimentos de 2006, sabe-se que o dr. Vítor Constâncio ganha pouco mais de 23 mil euros por mês (o presidente da Reserva Federal ganha 15 mil).
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É certo que o dr. Vitor Constâncio tem direito a carro de alta cilindrada e motorista pagos pelos contribuintes, taxas de juro bonificadas e reforma ao fim de 5 anos, mas que é isso para um licenciado pelo ISCEF e ex-secretário-geral do PS?
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Por isso, mais louvável ainda é o desprendimento e apego à causa pública com que o dr. Vítor Constâncio e seus pares dolorosamente aceitaram prescindir este ano do aumento de 5% (mais 14 mil euros anuais) que chegou a ser anunciado.
Deus lhes pague.
Manuel António Pina
in JN

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma triste imagem da crise...

Nós que vivemos 'bem', raramente pensamos nas pessoas que ainda vivem na pobreza.
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Esta foto, tirada num país no coração da Europa, mostra que a pobreza existe em todo o lado.
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Esta mulher que passeia com as suas velhas e muito usadas roupas, e alguns sacos de plástico na mão, não pode deixar ninguém indiferente!
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Envia esta mensagem a todos os teus amigos, de modo a todos ficarem conscientes de que nem toda gente vive tão bem como tu e eu ..

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Portugal é um país pobre???...

Dizia eu ao meu amigo Eddie, americano, à boa maneira portuguesa de "coitadinhos" :
- Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres ...
Esta foi a sua resposta:
Manel, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz depagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu?Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefonemóvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?
Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancáriaspor serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares oequivalente 20.000?
Podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não.
Não te entendo.
Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal,tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%,nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal.
E contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais.
Além disso, são vocês que têm " impostos de luxo" como são os impostosna gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até certos a 300 % do valor original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários,impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.
Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.
Sois pobres onde Manel?
Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas.
Um país capaz depagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado.
Deixa-te de merdas Manel, sois pobres onde?
Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostossobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoas,isto é mais ou menos os vossos 2000 € .
Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade.
Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.
Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.
Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.
por mail

terça-feira, 28 de abril de 2009

Os arautos do miserabilismo...

A inquietação mundial não pára. Saltamos da pandemia das aves para a febre dos porcos, da peste financeira para a recessão económica, mal tínhamos saído do aumento brutal dos combustíveis... a globalização não nos traz paz e sossego e percebemos que não estamos só em rede para o bem, passamos a estar agarrados em rede para a tragédia.
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A crise internacional que se sobrepôs à crise nacional- que cresce e se aloja como um vírus desde os tempos da decadência do cavaquismo- parece servir para servir de álibi ao pior que alguma vez se fez no país.
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E, agora num remake do que foi o famigerado PREC, aparecem umas carolas iluminadas, ditando teorias que já não são as neo-liberais de génios da gestão. como João Rendeiro, mas de um teor justiceiro, pretendendo castigar os ricos mais fracos, os gestores que durante uma década foram a base de sustentação de um regime injusto, feito para criar novos-ricos e ganhar à fartazana em engenharias financeiras, estudadas e aconselhadas em universidades tão prestigiadas como a Católica.Verdade.
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A moda económica passou a ser, não já a dinâmica e a lei do mercado, mas a abstinência salarial, uma receita prescrita por uns endireitas armados em génios, ou por agentes do capitalismo ferido, que mantêm essa máxima: lucro máximo, para investimento e risco minimos.
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Há pouco na SIC-N um desses mágicos, um tal Vítor Bento especialista em cartões multibanco, defendia através de um gráfico em papel A4 (voltámos ao antigo!) que os nossos ordenados tinham de descer.
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Não explicava se o dele também, e de um exército de gestores deste país que ganham dezenas de milhares de euros por mês, mais carros topo de gama, cartões de crédito, dividendos e outras mordomias mais ou menos secretas..Não explica porque há empresas onde a diferença do salário mais baixo para o mais alto chega a rondar as vinte vezes, e onde ao lado dos carros de seis cilindros da administração há funcionários que têm de trazer a comida de casa numa marmita porque nem podem comer na cantina da empresa.
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Portanto: esta nova casta de iminências que têm um inexplicável tempo de antena nas televisões e nos jornais, pagos pela publicidade que nós consumimos, têm já um objectivo claro: espalharem a desgraça, assustarem, para depois iniciarem o processo usado pelos conservadores das cavernas: salários baixos, falta de qualificação, produção medíocre.
Querem uma sociedade capitalista de consumidores fracos, no fundo defendem o contrário do que deviam: um capitalismo forte, com vigor e pujança consumista.
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O que vale é que a febre dos porcos ainda os vai entretendo.
in Blog Instante Fatal

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tiro no pé


Estudo do Banco de Portugal

Portugal tem 2 milhões de pobres, 15% são crianças

Hoje

Portugal tinha em 2006 dois milhões de pobres, conclui um estudo feito por Nuno Alves, do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, dos quais 300 mil eram crianças.

In Portugal Diário, Televisões e demais meios de comunicação social

Em 2006 ainda não existia a famigerada "crise global".
A situação é hoje muito pior e sempre com a responsabilidade dos mesmos partidos em que o eleitorado insiste em votar. Desde 1976 que nos governaram exclusivamente o PS ou o PSD, o mesmo se passando com os Presidentes da República (militantes desses partidos), maiorias parlamentares, autarquias, administrações do Banco de Portugal, Caixa Geral de Depósitos, conselhos de administração de empresas públicas e demais cargos públicos de nomeação governamental.

QUANDO É QUE OS PORTUGUESES ACORDAM E REAGEM?

TIRO NO PÉ DOS CIDADÃOS QUE TÊM VOTADO EM POLÍTICOS DESSES PARTIDOS.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Última Hora: Vento em prisão preventiva



Esta noite tivemos uma amostra das insurreições que o Dr. Mário Soares antevia ontem na TVI (numa espécie de registo subtil de mandar recados aos senhores do governo), ao ser entrevistado pela competentíssima Constança Cunha e Sá. Entre as três horas e as seis da manhã, os vasos andaram aos tombos pelos cantos das varandas, quintais e jardins. As raízes das plantas e flores não resistiram à força do Vento e separaram-se da terra ficando, assim, estropiadas e desalojadas estando agora à espera que a protecção civil as encaminhe para o serviço da CML que, certamente, lhes dará um novo abrigo. Homem visionário, este. Verbalizou a rebelião e o tempo tratou do resto em forma de ciclone.

Não se sabe o que virá a acontecer ao Vento insurrecto que já foi caçado e está em prisão preventiva à espera de ser ouvido e constituído arguido. Fontes anónimas fizeram saber que está calmo, embora preocupado com a mulher Brisa e as três filhas, Aragem quente, Aragem suave e Aragem fria, pois não se lembra se, quando saiu da cabana a leste do paraíso onde vivem, ainda havia flocos e leite na despensa. Não fosse essa ralação talvez nem se importasse de descansar uns tempos na cadeia em vez de andar por aí a levar com as portas dos empregadores na cara, a desgastar-se soprando à velocidade da luz tentando causar um grau de destruição que faça acordar os que, no acto da posse, prometeram fazer de tudo para levar este nosso quintal até aos confins da modernidade.

Por fim, não escondo que este aprisionamento do Vento me deixou triste e infeliz. Afinal, não sei se outros ventos virão e se ainda lhes poderei perguntar por notícias do meu país.


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Fotografia: Victor Camiller

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Capitalismo, pobreza e divórcio...

Cavaco Silva prestou um mau serviço ao confundir as origens da pobreza e mostrou que não resiste a dar continuidade à sua isolada caminhada contra a Lei do Divórcio...
A pobreza é um problema sistémico no nosso país. Atinge milhares de famílias de um modo persistente. Está directamente ligada aos níveis salariais e ao nível das qualificações.
Cerca de 20% da população não consegue sair do limiar de pobreza e os instrumentos de apoio social (RSI CSI) têm-se revelado apenas capazes de conter os limites da pobreza e não chegam para proporcionar a sua erradicação.
É, pois, uma questão que merece redobrada atenção em período de crise financeira e económica, num contexto onde o desemprego não pára de crescer.
É preciso ir ao fundo do problema e, sem margem para dúvidas, assumir o desígnio da erradicação da pobreza como uma prioridade política. Não simplesmente apelar às consciências, à solidariedade pontual para com os "menos afortunados".
Ser pobre não é fruto de um jogo de azar, é fruto do sistema, do capitalismo (é bom que se use o seu nome) e o desenvolvimento económico de um país também passa pelo combate à pobreza.
Cavaco Silva, em Fátima, ligou os níveis de pobreza à nova lei do divórcio. Muita gente ficou espantada.
Como é possível que uma lei que entrou em vigor há dois meses tenha já estes resultados?
As famílias monoparentais, atingidas pela pobreza, não são exclusivamente fruto de divórcio.
Cavaco Silva prestou um mau serviço ao confundir as origens da pobreza e mostrou que não resiste a dar continuidade à sua isolada caminhada contra a Lei do Divórcio, que só pode ter como objectivo o alinhamento ideológico dos seus apoiantes.
Helena Pinto
in Esquerda.net

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Petição/Petición...Contra la Pobreza...

Esta semana los líderes del mundo se reúnen en la Asamblea General de las Naciones Unidas en Nueva York.
Toda la atención está en el rescate financiero por varios miles de millones de dólares de instituciones financieras y parece que se olvidan del verdadero escándalo que nadie menciona: la pobreza global. Francia, Canadá e Italia están amenazando con recortar drásticamente sus presupuestos de ayuda al desarrollo y no cumplir su promesa de asignar apenas un 0,7 % de la renta nacional para quienes menos tienen en el mundo.
Si estos países se echan atrás en sus compromisos, otros podrían imitarlos: es tiempo de dar la voz de alarma.
Los más carenciados entre los pobres necesitan de nuestra ayuda para hacer un pedido mundial y lograr que estos gobernantes mantengan la palabra. Nuestro mensaje es extremadamente importante y por eso el experto en pobreza de la ONU Jeff Sachs ha aceptado entregarla esta semana en su discurso ante los gobernantes del mundo en las Naciones Unidas. Firma la petición ahora: ¡no hay tiempo que perder!Petición al Presidente Sarkozy, al Primer Ministro Berlusconi y al Primer Ministro Harper:
Nos preocupamos como ciudadanos del mundo y les pedimos que respeten su promesa de aportar el 0,7 % del PIB para ayuda al desarrollo. Esta ayuda es vital para sacar de la pobreza extrema a la gente más vulnerable del mundo. Mantengan su promesa para que el potencial de las comunidades más pobres del planeta pueda desplegarse en serio y podamos construir un futuro común.
Avaaz
Olá,
Petição urgente pedindo para os líderes da França, Canadá e Itália manterem seus compromissos com os países mais pobres do mundo. O compromisso do G8 em alocar 0.7% do seu PIB para combater a pobreza foi uma grande conquista para o cumprimento da Metas do Milênio da ONU. Não podemos permitir um retrocesso.
Uma petição para pressionar estes países a manterem sua promessa será apresentada na Assembléia Geral da ONU pelo Jeffrey Sachs, aliado da Avaaz e especialista em pobreza e desenvolvimento da ONU. Participe desta campanha, leia mais abaixo e clique no link para assinar a petição:
http://www.avaaz.org/po/poverty_promise_breakers/98.php/?CLICK_TF_TRACK
Obrigado!
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Car@s amig@s,
Os principais chefes de estado estão reunidos agora mesmo na Assembléia Geral da ONU e um dos principais assuntos do encontro, o cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio, está sendo completamente ofuscado pela crise financeira global. Enquanto isso a França, o Canadá e a Itália estão aproveitando a distração para diminuir, ao invés de aumentar, o seu comprometimento com a pobreza.
O Sarkozy da França, Harper do Canadá, e Berlusconi da Itália prometeram no encontro do G8 contribuir 0,7% do seu PIB para combater a pobreza. Essa é uma quantia pequena para os países ricos,porém que salva milhões de vidas em regiões assoladas pela pobreza extrema. Mas para eles 99,3% não é o suficiente.
O combate à pobreza é o maior desafio dos nossos tempos, não podemos permitir que os países ricos retrocedam, descumprindo suas promessas. Precisamos lembrá-los da importância de combater a pobreza no mundo. Assine a petição no link abaixo, ela será publicamente entregue aos chefes de estado na Assembléia Geral da ONU pelo renomado economista e especialista em pobreza e desenvolvimento, Jeffrey Sachs. Precisamos mostrar que a opinião pública global está de olho e queremos que as promessas sejam cumpridas. Assine a petição:
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Erradicar a pobreza extrema não é uma tarefa fácil, porém o mundo se encheu de esperança quando foram definidas as Metas de Desenvolvimento do Milênio. É realmente possível sonhar com um mundo melhor e mais justo, mas para isso acontecer, dependemos dos governos mais ricos do planeta. A pressão popular gerou várias conquistas no combate à pobreza como o cancelamento da dívida externa dos países mais pobres, a adoção de metas para reduzir a pobreza até 2015, e o compromisso financeiro do G8 com a África. Graças à esses esforços milhões de vidas foram salvas, crianças estão tendo a oportunidade de ir à escola, ter acesso à redes anti-malária e beber água limpa.
Qualquer cidadão do mundo concordaria que é preciso combater a pobreza extrema, evitando assim o sofrimento de milhões de pessoas ao redor do planeta. A Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Normandia e Suécia já contribuíram até mais que 0,7% este ano. Se todos os países cumprirem suas promessas, mais programas para combater a pobreza e incentivar o desenvolvimento de países pobres poderão ser implementados. Porém os líderes do Canadá, França e Itália, continuam achando que isso não é problema deles.
Apoiadores da Avaaz italianos e franceses já estão enviando milhares de mensagens para seus governantes pedindo para eles manterem suas promessas no combate à pobreza. Nós também podemos aumentar a pressão sobre eles, dizendo ao Harper, Sarkozy e Berlusconi que nós esperamos que eles mantenham suas palavras. Não vamos deixar a Assembléia Geral da ONU terminar sem que a pobreza seja dada a devida atenção.
http://www.avaaz.org/po/poverty_promise_breakers/
Nos últimos anos, o mundo todo foi inspirado pela esperança de que a pobreza extrema pode ser erradicada nesta geração. Apesar das crises que vem e vão, não podemos desviar nosso foco deste objetivo grandioso. Esse é um momento crítico para pressionar os líderes globais a manterem suas promessas, participe desta campanha!
Com esperança,
Ben, Alice, Ricken, Graziela, Paul, Milena, Iain, Veronique e Brett -- A equipe da Avaaz
PS. Veja os resultados das campanhas da Avaaz:
https://secure.avaaz.org/po/report_back_2

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A fisga




No dia 13 de Julho de 1958, fez a semana passada 50 anos, o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, enviou a Salazar, então chefe do governo, uma carta que teve o efeito de uma bomba.
Pela primeira vez, um alto dignitário da Igreja Católica portuguesa, e responsável pela diocese da segunda maior cidade do país, manifestava a sua oposição ao governo, afirmando frontalmente que “temos de ser francos, talvez brutais”, para, entre outras criticas desabafar:
“Não poderei dizer o quanto me aflige o já exclusivo privilégio português do mendigo”.
Com 20% de portugueses no limiar da pobreza, o desemprego acima dos 7,5%, as famílias asfixiadas em dívidas e devolvendo aos bancos as casas que não conseguem pagar, a classe média a pedir socorro à misericórdia para alimentar os filhos, parece que regressou o tal privilégio mendicante português
Que diria, se ainda estivesse entre nós, D. António ao actual chefe do governo?
Álvaro Fernandes

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O Engenheiro Anda Desorientado...

E Sócrates disse nada...
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O primeiro-ministro costuma aproveitar os debates parlamentares para brilhar e anunciar qualquer coisa de relevante se os confrontos são habitualmente uma passadeira onde o chefe do Governo brilha. Mas ontem, quando o principal tema da agenda era a crise dos combustíveis, José Sócrates disse nada...
Repetiu as medidas que já tinha anunciado, que são socialmente justas, mas insuficientes para evitar a degradação do poder de compra dos portugueses e a derrapagem das empresas. Não são apenas os mais pobres a ser afectados por esta crise. A chamada classe média está a sofrer uma terrível erosão com a espiral de preços.
Como avisou ontem o Cardeal-patriarca de Lisboa, "parece que é um processo que vai durar e que vai provocar desequilíbrios muito grandes nos equilíbrios precários que a nossa sociedade já tinha conseguido. Os mais visíveis são os das classes média e média-baixa. Os pobres vão ficar mais pobres, com mais dificuldades".
O Governo cita relatórios que apontam para uma queda dos níveis de pobreza, mas nos últimos cinco meses a onda inflacionista, especialmente nos bens alimentares e combustíveis, tornou essas estatísticas obsoletas.
As famílias estão mais endividadas e com cada vez mais dificuldades em esticar o rendimento até final do mês.
Armando Esteves Pereira
in CM

terça-feira, 27 de maio de 2008


Anarquia

Esta anarquia branda e mansa

em que vivemos

chamada economia global

ao serviço do capital

esta anarquia violenta e feroz

militar-industrial

em que as vítimas

somos todos nós

esta anarquia

sem rosto nem Estado

nasceu e vive

na superpotência

que a comanda e guia

esta anarquia imperial

esquecida da História

que não ignora

tece dia a dia

a corda que nos estrangula

agora

esta anarquia ditatorial

canta como um cisne

à beira do final

e afinal

nunca passará do escorpião

morto com seu ferrão

a estrebuchar no chão

sem pão

Álvaro

25 de Novembro de 2002

MÁRIO SOARES LANÇA AVISO À NAVEGAÇÃO


Não posso dizer que tenha ficado surpreendido com o Relatório da União Europeia (Eurostat) e o trabalho, coordenado pelo Prof. Alfredo Bruto da Costa, do Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS), intitulado "Um olhar para a pobreza em Portugal", divulgados há dias, que coincidem em alertar para o facto de a "pobreza e as desigualdades sociais se estarem a agravar em Portugal". Surpreendido não fiquei. Mas chocado e entristecido, isso sim, por Portugal aparecer na cauda dos 25 países europeus - a Roménia e a Bulgária ainda não fazem parte da lista - nos índices dos diferentes países, quanto à pobreza e às desigualdades sociais e, sobretudo, quanto à insuficiência das políticas em curso para as combater.

Recentemente, cerca de 20 mil cidadãos portugueses, impulsionados pela Comissão Justiça e Paz, dirigiram à Assembleia da República um apelo aos legisladores para aprovarem uma Lei que considere a pobreza uma violação dos Direitos Humanos. Foi uma manifestação de consciência cívica e de justa preocupação moral - que partilho - quanto à pobreza crescente na sociedade portuguesa. E acrescento: a revolta quanto às escandalosas desigualdades sociais, que igualmente crescem, fazendo de Portugal, trinta e quatro anos depois da generosa Revolução dos Cravos, o país da União Europeia socialmente mais desigual e injusto, ombreando, à sua escala, naturalmente, com a América de Bush... Ora, a pobreza e a riqueza (ostensiva e muitas vezes inexplicável) são o verso e o reverso da mesma moeda e o espelho de uma sociedade a caminho de graves convulsões. Atenção, portanto.

Eu sei que o mal-estar social e as dificuldades relativas ao custo de vida que, hoje, gravemente afectam os pobres, mas também a classe média - e se tornaram, subitamente, muito visíveis, por força da comunicação social - vêm de fora e têm, evidentemente, causas externas. Entre outras: o aumento do preço do petróleo, que acaba de atingir 135 dólares o barril; a queda do dólar, moeda, até agora de referência; o subprime ou crédito malparado, em especial concedido à habitação (a bolha imobiliária); a falência inesperada de grandes bancos internacionais e as escandalosas remunerações que se atribuem os gestores e administradores; o aumento insólito do preço dos géneros alimentares de primeira necessidade (cereais, arroz, carne, peixe, frutas, legumes, leite, ovos, etc.); a desordem geostratégica internacional (com as guerras do Afeganistão, do Iraque e do Líbano, a instabilidade do Paquistão, o eterno conflito israelo-palestiniano e as guerras em África); o desequilíbrio ambiental que, a não ser de imediato corrigido, põe o Planeta em grande risco; a agressiva concorrência dos países emergentes, que antes não contavam; etc...

Tudo isto configura uma situação de crise profundíssima a que a globalização neoliberal conduziu o Mundo, como tantas vezes disse e escrevi. Uma crise financeira, em primeiro lugar, na América, que está a alargar-se à União Europeia, podendo vir a transformar-se, suponho, numa crise global deste "capitalismo do desastre", pior do que a de 1929. Uma crise também de civilização que está a obrigar-nos a mudar de paradigma, tendo em conta os países emergentes, e os seus problemas internos específicos, uma vez que o Ocidente está a deixar de ser o centro do mundo. Não alimentemos ilusões.

Claro que com o mal dos outros - como é costume dizer--se - podemos nós bem. É uma velha frase que hoje deixou, em muitos casos, de fazer sentido. Vivemos num só Mundo em que tudo se repercute e interage sobre tudo.

No entanto, no nosso canto europeu, deveremos fazer tudo o que pudermos, numa estratégia concertada e eficaz, para combater a pobreza - há muito a fazer, se houver vontade política para tanto - e também para reduzir drasticamente as desigualdades sociais. Até porque, como têm estado a demonstrar os países nórdicos - a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia - as políticas sociais sérias estimulam o crescimento, contribuem para aumentar a produção e favorecem novos investimentos. Este é o objectivo geostratégico para o qual deveremos caminhar, se quisermos evitar convulsões e conflitos.

Depois de duas décadas de neoliberalismo, puro e duro - tão do agrado de tantos que se dizem socialistas, como desgraçadamente Blair - uma boa parte da Esquerda dita moderada e europeia parece não ter ainda compreendido que o neoliberalismo está esgotado e prestes a ser enterrado, na própria América, após as próximas eleições presidenciais. A globalização tem de ser, aliás, seriamente regulada, bem como o mercado, que deve passar a respeitar regras éticas, sociais e ambientais.

Em Portugal, permito-me sugerir ao PS - e aos seus responsáveis - que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes, urgentes e bem compreensíveis para as populações. Ainda durante este ano crítico de 2008 e no seguinte, se não quiserem pôr em causa tudo o que fizeram, e bem, indiscutivelmente, para reduzir o deficit das contas públicas e tentar modernizar a sociedade. Urge, igualmente, fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados. Não serão, seguramente, eles que irão lutar, seriamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades.

Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições. E mais sintomático ainda: no debate televisivo da SIC que fizeram os quatro candidatos a Presidentes do PPD/PSD, pelo menos dois deles só falaram nas desigualdades sociais e na pobreza, que importa combater eficazmente. Poderá isso relevar - dirão alguns - da pura demagogia. Mas é significativo. Do que sentem os portugueses. Não lhes parece?...|

In DN