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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Louvor do novo...

Os começos são sempre belos. Mesmo sendo apenas um acidente de calendário, acendem outra vez, por um momento, a trémula chama da esperança.
A esperança tem má fama. Rafael Alberti chama-a de "puta"; e, nos idos de 60, Geraldo Vandré cantava que "esperar não é saber,/ quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
É verdade que a esperança desvia os homens da acção, mas eu acho que sem esperança nenhuma acção tem sentido.
Antigamente, nas passagens de ano deitavam-se os trastes velhos fora, simbolizando o desejo de ruptura e de recomeço; e a ideia de recomeço é estruturante de todos os grandes sonhos mobilizadores, incluindo o cristianismo.
O ano que hoje começa não será diverso, senão para pior, do anterior, mas, "pálido e setemesinho", é Novo e, por um dia, chega. Porque o novo é, como diz João Cabral de Melo Neto, "belo como um sim/ numa sala negativa", uma insegura porta "abrindo-se em mais saídas". Belo como "a coisa nova/ na prateleira então vazia", ou "como o caderno novo/ quando a gente o principia", mesmo se não fazemos a mínima ideia, e justamente por isso, do que será escrito nele.
in JN

sábado, 20 de dezembro de 2008

Votos de Feliz Natal e Ano novo

Era uma vez
Uma vez em que…
a Humanidade começou a olhar para si própria e, observando o comportamento de muitos dos seus membros, decidiu tentar que a espécie humana vivesse racionalmente em inter-ajuda e harmonia com o planeta que lhe coube como a Terra privilegiada em que nasceu, se desenvolveu e (ainda) habita.
Desde muito cedo – ainda os seres humanos todos eram em número inferior ao de qualquer das cidades com muito mais habitantes do que os dez milhões+três da nossa diáspora – e já houve quem escrevesse textos Sagrados (para os Crentes, e : refiro-me à Bíblia e aos Evangelhos, que respeito , como agnóstico assumido , tanto ou mais do que algumas “verdades” científicas que vão mudando à medida em que os meios à disposição da experimentação e dos meios de diagnóstico ficam disponíveis (em velocidade vertiginosa).
Também, desde muito jovem me interessei em conhecer e tentar interpretar o Evangelho Social da Igreja; e, pouco mais tarde, em ler todas “as candongas” de Hegel, Engels, e Marx que alguns livreiros amigos me iam vendendo debaixo do balcão.
Confesso que, entre “O Capital “, de Marx e a doutrina social da Igreja, não encontrei diferenças que ultrapassem o método e nível de intervenção. As preocupações sociais são semelhantes… para não dizer idênticas. A ética e a moral, lá estão, sem tirar ou acrescentar ponto e vírgula.
Jesus Cristo expulsou os vendilhões do templo. Marx abriu caminho aos bolcheviques para assaltarem Palácio de Inverno. Nenhum deles foi, é, ou será responsável pelo que arrivistas, parasitas e outros que, em seu nome, desvirtuaram a doutrina e teoria, em proveito próprio.
Mas, qualquer desses vendilhões, mafiosos, ladrões e criminosos, a História vai-se encarregando de tratar como merecem; com mais ou menos dificuldade… em mais ou menos tempo: a Justiça há-de triunfar. E, à medida que todos vamos compreendendo melhor quem nos tem explorado…cá fico eu a pedir-vos que leiam O Evangelho, e Marx.
Infelizmente – e neste início do novo milénio – somos diariamente violentados por “novidades” de descobertas policiais, judiciais e jornalísticas – com “nomes” filtrados a conta-gotas da elite mafiosa que nos tem explorado e conduzido Portugal à ruína, ensacando à ganância, tudo o que têm conseguido roubar.
Até agora – e com o velho hábito dos chamados “brandos costumes” – lá se têm safado: mudando as leis. Prorrogando os prazos, conseguindo que, afinal, todos os escândalos investigados e provados acabassem por prescrever. E já são tantos, tantos, que me abstenho de os enumerar.
Até agora… eles eram os maiores! Só lá fora aconteciam coisas condenáveis… com as quais… nada tínhamos a ver: pois!
Finalmente, a castanha rebentou-lhes na boca: afinal, o tal sistema que sempre defenderam e a que se diziam imunes, era EXACTAMENTE o deles.
Portugal, o nosso País, está falido; tal e qual como o resto do sistema que a cambada que nos governa preferiu, apoiou e nos obrigou a suportar.
Já estamos na cauda da Europa. Mas como já há europeus a reagir, lá chegará a nossa vez.
Só peço e agradeço que, desta vez, não voltem a transformar as amas à disposição, para condenar os responsáveis pela situação dramática em que nos encontramos, em jarras de cravos.

Álvaro Fernandes
No Natal de 20008, agradecendo as leituras referidas, e com esperança, sempre esperança no discernimento e capacidade humana de lutarmos pela existência e justiça a que nos foi dado o privilégio de usufruir, a todos desejo um Natal em Paz e um Ano Novo com vontade de lutarmos, todos juntos, pelos Direitos Humanos a que temos direito.