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terça-feira, 24 de março de 2009

Cor de burro quando foge...

A cada dia que passa, José Sócrates revela as suas fragilidades confrangedoras: é um político mal preparado e enviesado, capaz de má-fé e de manipulação sem limites, arrogante e vaidoso até se dizer chega, sem nenhuma espécie de consistência ou densidade.
Sempre que faz uma alusão a Manuela Ferreira Leite, mistura alhos com bugalhos e não tem escrúpulos em distorcer o sentido de coisas que ela tinha dito. Não se pode contar com ele para um debate sério e muito menos para um combate político leal.
Isto, sem falar na falta de originalidade com que capricha em imitar servilmente as inanidades proferidas pelo seu homem de mão Augusto Santos Silva, apaniguado que passa a vida a acusar os adversários de um vazio de ideias do mesmo passo que demonstra que não está propriamente cheio delas.
O primeiro-ministro, rodeado por medíocres criaturas de indefectível servilismo, tem uma fatal vocação para desgovernar, duvidoso mérito emparelhado com medidas e promessas de "retorno absoluto garantido" sistematicamente furadas, entre mentirolas bombásticas e desculpas de mau pagador.
No último congresso do Partido Socialista, ele invocou matérias transcendentes, de suculenta e decisiva importância nacional, que o impediam de se deslocar a Bruxelas para participar na reunião informal de chefes de Estado e de Governo, retendo-o no meigo rebanho dos correligionários que tão acrisoladamente vai pastoreando. Pois aquelas matérias de coturno sublimado revelaram-se afinal tão obviamente "cagativas" que bastou um simples apagão para serem varridas de vez da ordem de trabalhos do conclave.
Sócrates proferiu então aquela frase estarrecedora e napoleónica, destinada a ser gravada a ouro nos manuais de ciência política do futuro ("a nossa legitimidade para estar na Europa começa aqui").
O mesmo sujeito enfático e verboso que se limitou a abordar o tempo de escolaridade e o ensino pré-primário como medidas salvíficas, largou ainda esta pérola requintada: "Aqui, reunidos em Congresso, o PS faz escolhas e toma decisões. É aqui que se discutem as ideias e as propostas políticas que apresentamos aos portugueses." E acrescentou, com aquela convicção feroz de quem se quer fazer passar por uma força da Natureza sem perceber que lhe falta o gabarito: "Nós debatemos, de forma aberta, franca e pública, os problemas do País e as respostas que são necessárias. E é disto que o País precisa e é isto que o País espera de nós."
Viu-se. Houve um debate copioso, aprofundado, fracturante e deveras ensurdecedor. Com tantas ideias e propostas discutidas, com tantas respostas lestas adoptadas, Portugal já não vai para o galheiro.
Faz dó. O PS tornou-se um partido cabisbaixo. E com o PS, o Estado português tornou-se calaceiro e caloteiro. O QREN vai com dois anos de atraso. O funcionamento da justiça pede meças à eternidade. O pagamento das dívidas do Estado às PME continua em ponto morto. Os nomes de amigalhaços e compadres surgem em constelação tentacular, ligados a negociatas e tranquibérnias. As iniciativas sérias, viáveis e eficazes, adequadamente dimensionadas para a natureza e gravidade dos problemas, continuam sem aparecer.
É o Portugal da meia bola e força no melhor das suas águas turvas: umas mediocridades absolutas, umas banalidades sem remédio, uma chocante falta de rigor, uma política trapalhona, uma manipulação permanente e videirinha, umas espertezas saloias, uma teia de rabos-de-palha ainda muito longe do esclarecimento necessário.
Sócrates está-se marimbando solenemente para tudo o que não seja a promoção desenfreada da sua enfatuada pessoa e a sua própria campanha eleitoral.
Incompetente para propor e desencadear quaisquer soluções sérias para o desemprego, a economia, a insegurança, a justiça, a educação, a saúde, etc., etc., é então que se lembra de introduzir o tema da campanha a que chama negra.
Ora quem tanto se autovitimiza com essa rábula da "campanha negra" fica reduzido a fazer, por sua vez, uma campanha cor de burro quando foge. Confere.
Vasco Graça Moura
in DN

sábado, 7 de março de 2009

Sócrates mete free-lancer Vital para cabeça europeia...

Sócrates está cheio de miaúfa do Bloco e agora quer ser um menino de esquerda.
Um Zézito de esquerda. António Costa vociferou ódio contra o Bloco e até defendeu essa dama caricata do poder autárquico, o empata Sá Fernandes.
Com um curriculum de 4 anos lamentável, com uma prestação política neo-liberal que fez o PSD ranger de raiva por não ser tão competente a usar do Poder, Sócrates muda de personagem, e com o seu talento de actor de novela, só não veste uma t-shirt Prada estampada com o Che, porque ainda não há esse modelo para vira casacas.
A escolha apressada do dinossauro Vital Moreira para cabeça de lista à Europa traz esse medo, que é o facto do eleitorado do PS que vai atrás de Alegre, estar farto de direitismo. Ora, escolhendo Vital, Sócrates julga neutralizar parte de Alegre (o lobbi de Coimbra) e julga (coitado!) que o eleitorado vai votar num académico, sem jeito para comunicar que fez adormecer o pavilhão de Espinho e que tem um discurso que mais parece um trabalho de casa feito para o senhor professor avaliar.
O aparelho deve ter ficado danado (a expressão forçada de Maria de Belém via-se bem!), pois com tanta gente capaz, Sócrates deu o ouro ao free-lancer. portanto: já não compensa engraxar o chefe e fazer de cão de guarda do socialismo desta terceira via à esquerda.
O PSD se fosse inteligente cilindrava já o académico que tem a mania que é fotógrafo, e faria das europeias o início do escalar rumo ao Poder ( Deus nos livre também!).
O problema de Sócrates é que está sempre a mudar de rumo.
in Blog Instante Fatal
Luís Delgado

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sócrates, o Cristo da Política Portuguesa...

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"Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina."
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A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau.
A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.
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José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena".
Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas.
É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.
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Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir".
O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia?
Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?
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À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático.
Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.
João Marcelino
in DN

quinta-feira, 5 de março de 2009

Curiosas improbabilidades


“Tirando a descortesia, o que se reteve da reunião magna dos militantes do PS?

Por um lado, uma curiosa improbabilidade ideológica: o grande partido da esquerda democrática convidou o Partido Comunista Chinês para o seu congresso. Já se sabia que o grande partido da esquerda democrática era, na melhor das hipóteses, do centro relativamente autoritário. Mas não era público que apreciava a companhia da esquerda ditatorial.

Por outro lado, deve sublinhar-se a coragem de José Sócrates, quando pediu que fosse o povo, através do voto, a julgar o caso Freeport. É uma proposta ousada na medida em que os casos de justiça costumam ser julgados em tribunal. E arriscada porque, até hoje, nenhum tribunal condenou Sócrates, mas eu conheço muita gente do povo que acha que ele tem pinta de ser culpado.”

Transcrito da crónica “Boca do Inferno”, de Ricardo Araújo Pereira, in “Visão”

Os amigos do sr. Sócrates...

"A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer" [Stig Dagerman]

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A curiosa romagem a Espinho (este fim-de-semana) dos amigos do sr. Sócrates – a que chamaram graciosamente Congresso – é notícia, desde logo porque é um sério abalo ao ex-partido socialista português. Marca o desânimo e a confusão da gente socialista, que algures existe e ainda resiste.
Em Espinho, nunca tantos patrulheiros políticos reaccionários, se nos esquecermos da dita "esquerda" punheteira que habita na blogosfera, estiveram juntos. Tais próceres neo-populistas ofertaram um show business terrorista: ora inocentemente assomadiços contra a imprensa ou sempre de olho na reputação do Chefe.
Nem uma só ideia política consistente deu à luz, em Espinho. Frivolidades inúteis, calúnias tenebrosas (vide o regresso da "campanha negra"), chibatadas à esquerda (o BE agradece), eis a originalidade dos amigos do sr. Sócrates.
A crise social, económica e financeira foi definitivamente escorchada: simplesmente não existe! Os "problemas dos portugueses" não interessam, em demasia, para tais sujeitos. Bem pode António José Seguro pregar tal deficit no debate: a ausência é total.
Naquele manicómio de engajados do sr. Sócrates, o beija-mão está primeiro e as suas vidinhas & dos amigos, a seguir. Os vagabundos da vida são sempre a canalha. Ou algum desabrido jornalista.
De facto, não surpreende que o mundo à volta do patrulheiro Augusto Santos Silva seja um circo, a exigir as suas suspirosas tiradas "sociológicas"; e que o pavor político do inútil presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, se transforme numa agitada e miserável comédia discursiva; ou que o ridículo José Lello, assanhado porteiro do sr. Sócrates, ainda tenha alguma coisa para dizer.
Esta gente, que nada aprendeu nestes seus quatro anos de terror autoritário e despotismo pacóvio, é parte do problema que a crise (económica, financeira, mas principalmente ética e de cidadania) autoriza.
Jamais tais professos podem envolver as pessoas num esforço colectivo nacional (à boa maneira do que Obama um dia referiu), porque, além do bom senso, lhes falta um simples e único pingo de democracia. E de liberdade. Como um dia – já muito longínquo – um senhor chamado Mário Soares teve a ousadia de proclamar. Adiante!
in Blog Almocreve das Petas

Enfim!!!...É tudo uma macacada...

terça-feira, 3 de março de 2009

Sócrates...Curva falhada à esquerda...

Sócrates tentou que o Congresso do PS o afirmasse como um líder da esquerda e falhou redondamente.
A sua moção, em defesa do emprego, do estado social ou do direito ao casamento entre homossexuais, contrariou com evidência a sua prática recente como primeiro-ministro e não mobilizou os socialistas mais descontentes: nem João Cravinho nem Manuel Alegre viriam a aceitar os convites de Sócrates para integrar a Comissão Política rosa.
A direcção do PS não vê nisto qualquer motivo para auto-crítica, defendida como está por uma quase unânime vitória no Congresso de Espinho: o que o ministro Pedro Silva Pereira encontrou neste episódio foi apenas um exemplo "de abertura e tolerância" do secretário-geral do PS ao convidar Cravinho e Alegre.
O Congresso tinha começado com António Costa a evocar o relacionamento do Bloco de Esquerda com José Sá Fernandes para classificar o Bloco como um partido "parasita", que explora eleitoralmente os problemas sociais em vez de ajudar a resolver o problema da "governabilidade à esquerda" quando o PS não tem maioria absoluta.
Quando o Bloco respondeu a esta observação, lembrando com propriedade alguns exemplos de evidente parasitismo promovido pelo governo PS, como os casos de Manuel Fino com a Cimpor ou de Jorge Coelho com a Mota-Engil e o Porto de Lisboa, Costa também não viu qualquer motivo para auto-crítica: o que encontrou foi apenas o "ódio" de Louçã ao PS.
O presidente da Câmara de Lisboa podia ter-se lembrado do momento em que propôs ao Bloco, PCP e Helena Roseta um amplo acordo para governar a cidade, após as últimas eleições intercalares autárquicas. Nessa altura, só o Bloco, esse "parasita", partilhou a gestão da Câmara de Lisboa com o PS. E nas próximas eleições, com o convite de renovado de António Costa, nenhuma esquerda quer estar ao lado do PS.
Nos últimos anos, o PS tem protagonizado em Portugal um feroz ataque aos serviços públicos, a desregulamentação do trabalho ou a privatização de serviços que apenas gera abusivos monopólios privados.
Agora quer parecer de esquerda, que talvez seja mais eficaz para responder à crise económica e social. Mas em vez de reflectir e auto-criticar o seu próprio percurso, prefere dar lições a quem não quer estar ao seu lado.
É um problema que se resolve facilmente: basta que não tenham maioria absoluta.
João Romão
in Esquerda.net

domingo, 1 de março de 2009

CAIXA ALTA


Títulos comentados

Sócrates pede maioria e propõe bolsa de estudo

Deve ser para aperfeiçoar o inglês técnico

Sócrates fala em «momento de grande afirmação do PS»

Presunção e água benta…

Moção de Sócrates aprovada com apenas um voto contra

Nem o Botas conseguia tanto

PS: casa cheia e cenário novo no último dia do congresso

Pois. Amanhã voltamos ao País real e de bolsos vazios

Oposição fala em «vitimização» de Sócrates

Claro que já é, e há-de continuar a ser, vítima dele próprio

DN: «Mais de 30 mil desempregados já estão em risco de pobreza»

Estes é que são as verdadeiras vítimas de Sócrates

Sócrates não vai «cumprir grandes objectivos»

Nem grandes nem pequenos. Ele alguma vez cumpriu alguma coisa?

João Cravinho abandona núcleo duro do PS

Mais um que já não se deixa enrolar pela propaganda

Vital Moreira: «Gostava de ter o apoio de Manuel Alegre»

Não querias mais nada? Bem podes tirar o cavalinho da chuva

Apagão põe ponto final no segundo dia de congresso

E as eleições vão apagar de vez Sócrates

Moção de Sócrates aprovada com apenas um voto contra

Nem o Botas conseguia tanto


Sócrates, o milagreiro


Se alguém ainda duvidava que José Sócrates é vítima de uma "campanha negra, movida por forças ocultas", como o próprio justifica, desde que se vai sabendo alguma coisa acerca do seu envolvimento no caso Freeport - com o tio testemunhando que lhe recomendou um escocês que se queixava de lhe estarem a exigir "luvas" excessivas"- e não só, com o apagão do espinhoso congresso do PS, as dúvidas ficam esclarecidas.

Sócrates é uma vítima de uma campanha negra que, não só o tem perseguido desde que resolveu envolver-se em trapalhadas (desde a chamada licenciatura obtida numa "universidade" que a Justiça acusou de criminosa e o seu governo se apressou a encerrar) até ao que vai constando e a imprensa já não se atreve a publicar.

Sim! É verdade! Sócrates é um milagreiro. Não só continua como primeiro-ministro - na situação a que conduziu Portugal ao longo da sua governação - como foi capaz de, hoje, realizar o milagre dos milagres:

DEPOIS DE TODOS OS SEUS BOYS TEREM LOUVADO E TECIDO LOAS À SUA LIDERANÇA E GOVERNANÇA, ANTES QUE SE FIZESSE TARDE E SURGISSE ALGUMA VOZ DISCORDANTE, HOUVE UM MILAGROSO APAGÃO NO PAVILHÃO DO CONGRESSO, QUE "OBRIGOU" AO ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS.

Curiosamente, não faltou energia eléctrica às televisões que, no local, continuaram a transmitir em directo e nos mostraram o pavilhão sem luz e deserto.

Como é da praxe, amanhã o líder fará o discurso de encerramento e saudará as delegações convidadas.

Não omitindo, é claro, a sabotagem de que foi vítima com mais este apagão, oriundo da campanha negra movida por forças ocultas.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tiro ao alvo


Vital Moreira encabeça lista às europeias do PS

A comunicação social, que cobre em directo o congresso do PS, acaba de revelar um dos tabus que 'animavam' este conclave em torno do já plebiscitado secretário-geral. Nas tais directas em que só votaram 30% dos militantes, entre os quais, noventa e muitos por cento consagraram o seu líder.
Esta 'vitória' foi proclamada pela propaganda "socialista" como a consagração do líder dos líderes, do governante que Portugal aguarda desde que Dom Sebastião desapareceu nas brumas mouriscas e, finalmente, renasceu numa manhã de nevoeiro. Falta-lhe o cavalo branco da lenda? Enfim, não se pode ter tudo (nem acredito que a criatura distinga um estribo das rédeas necessárias para montar, a passo, a trote ou a galope); mas não lhe falta uma trupe de asnos que o escoltam e afirmam que, finalmente, o nosso País tem no governo um estadista. Entre a trupe, não faltam notórios corruptos a contas com a Justiça fragilizada por falta de recursos materiais e humanos, e sujeita a todo o tipo de pressões e chantagens. Por exemplo, que é feito do segredo de Justiça, legalmente imposto, mas permanente e diariamente violado sem quaisquer consequências para quem o divulga na comunicação social?

Nestas circunstâncias, não me espanta que o primeiro-ministro só tenha conseguido convencer Vital Moreira a encabeçar a lista socialista concorrente às eleições europeias. Nomes sonoros e com experiência internacional - mais adequados a essa função - não faltam entre alguns dirigentes do PS que Sócrates lidera. Será que todos lhe deram tampa? É que Vital Moreira, além de respeitado professor de direito constitucional em Coimbra, ex-militante do PCP e deputado à Constituinte por esse partido (que abandonou para se tornar apoiante do PS), não tem a mínima experiência governamental, muito em particular a nível internacional. Salvo, talvez, alguma referência que Leonid Breznhev dele tivesse na extinta União Soviética... parecem-me credenciais insuficientes e até contraproducentes para apresentar na (também desacreditada e falida) União Europeia.

Mas se tal não bastasse para compreendermos o descrédito em que José Sócrates já caiu - excepto entre os boys a quem vai prometendo que lhes garante emprego (à custa dos nossos impostos), se conseguirem propaganda suficiente para o reconduzir no executivo - o mais surpreendente, ou melhor, o mais claro, é este facto:

O PS DE SÓCRATES ELEGEU COMO INIMIGO PRINCIPAL O BLOCO DE ESQUERDA!

Todos os oradores que hoje subiram à tribuna no conclave socrático de Espinho, mais não fizeram do que malhar - como o tal ministro Santos Silva gosta de fazer - no Bloco de Esquerda. Das calúnias aos insultos soezes (tal como parasitas) não faltaram dirigentes deste PS a dedicarem as sua intervenções em ataques ao BE.

Mais do que curioso, é sintomático que tais criaturas não hajam perdido tempo com o chamado "maior partido da oposição" e respectivo aliado do último governo PSD/CDS-PP, presidido pelo fugão Durão Barroso, seguido pelo trapalhão Santana Lopes.

Em minha opinião, José Sócrates já percebeu que os portugueses não são tão estúpidos como ele pensava e, portanto, não voltará a obter outra maioria absoluta.

Também já compreendeu - talvez devido aos conhecimentos adquiridos em inglês técnico - que a sua derrota vai ser provocada pelo eleitorado de esquerda. E, esta, além dos votos fiéis no PCP, principalmente pela credibilidade que o BE adquiriu ao longo da oposição que lhe fez durante esta legislatura, e se traduzirá num aumento notório do respectivo grupo parlamentar.

Por isso, Sócrates evita criticar Manuela Ferreira Leite ou Paulo Portas. à espera, é claro, que algum ou os dois, o ajudem a manter-se no poder... do centrão que tem conduzido Portugal à ruína desde que, 35 anos após o 25 de Abril, só PS, PPD/PSD e CDS/PP têm governado e ocupado a presidência da República

A mãe de todas as anedotas - Sócrates candidato pela decência

Nada como começar o dia a rir até às lágrimas!!!!

O actual primeiro-ministro anunciou hoje que se recandidata nas próximas eleições legislativas "em nome de valores éticos e da decência na vida democrática".

Na abertura do XVI Congresso Nacional do PS, em Espinho, José Sócrates anunciou a sua recandidatura a primeiro-ministro sob o argumento de que "não podemos deixar que vençam aqueles que fazem política com base na calúnia e nos ataques pessoais". O Secretário-Geral do PS afirmou ainda que a sua recandidatura será feita em nome da responsabilidade política, para se submeter ao julgamento dos portugueses o trabalho do Governo.

Em relação ao caso Freeport, Sócrates adiantou: "Não viro a cara, nem temo esse julgamento. Quero defender o trabalho do Governo nesta legislatura e confio no julgamento dos portugueses".

No discurso, que durou 50 minutos, o actual primeiro-ministro apelou ainda ao voto dos seus companheiros de partido para que a vitória seja socialista e por maioria absoluta.

posted by Francisco Trindade @ 15:17 links to this post
In ANOVIS ANOPHELIS

Congresso do PS, Freeport e as campanhas...

Tinha de ser. Num dia em que Charles Smith voltou a ser ouvido pelas autoridades, José Sócrates entrou a matar com o caso Freeport. O povo socialista e o outro povo ficaram a saber que o secretário-geral do PS se candidata para impor a decência na vida democrática. Triste sina. Este foi o pontapé de saída de um congresso que começou de forma estranha.
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Com a sala meio vazia, triste, que nem deu pela entrada do grande líder. Mas pronto. Não houve música – mas Sócrates não deixou de malhar à esquerda e à direita, mania que começa a ser compartilhada por muitos socialistas.
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Se o discurso de abertura de José Sócrates fizer escola e o povo socialista responder de forma solidária, então o XVI Congresso pode muito bem ser o congresso das campanhas-negras, das calúnias, das infâmias, das difamações – e, já agora, da caça às bruxas que têm a coragem de pôr os dedos nas feridas de um político que se julga dono absoluto não só dos socialistas – o que é verdade –, como do País, o que começa a ser uma triste realidade.
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Resta saber se o Portugal que está em Espinho sabe que lá fora o desemprego dispara e o desespero aumenta em muitas famílias.
Decência seria Sócrates ter falado disso, das vidas negras de muitos portugueses.
António Ribeiro Ferreira
in CM