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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Foleiros e doutores...

Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos.. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação".
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Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado.A situação não é, pois, especialmente grave.
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Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país.
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Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas".
E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).
Manuel António Pina
in JN

terça-feira, 28 de abril de 2009

É só doutores...

Passou sem polémica o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Pediram-se apenas melhores condições para as escolas e o inevitável ajustamento das leis laborais.
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Mas ninguém formulou a questão básica: e se, por absurdo que pareça, nem todos os alunos tiverem capacidade intelectual para chegar ao 12º ano?
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Que fazer? Baixar, ainda mais, os níveis de exigência do ensino secundário para distribuir democraticamente os diplomas?Tudo perguntas proibidas.
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Para o romantismo educacional, o sucesso escolar nunca depende da inteligência do aluno.Depende das condições que o rodeiam, do esforço dos professores e até do eventual milagre do santo padroeiro.
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O que espanta neste optimismo é o governo não ser ainda mais ambicioso e alargar a escolaridade obrigatória até ao doutoramento. Mas lá chegaremos.
João Pereira Coutinho
in CM

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Doutores ou ainda menos...

A propósito do generalizado tratamento de "doutor" em Coimbra, contava-se a história de um barbeiro que, enquanto escanhoava o cliente, metia conversa com ele: "O sr. dr. não é o engraxador que pára lá em baixo na Portagem?" Entretanto todo o país se "coimbrizou" (e o que não se "coimbrizou" está a "bolonhizar-se") e a piada perdeu-se.
Hoje, no supermercado, devemos dirigir-nos à menina da caixa dizendo: "Pago com Multibanco, sra. dra.", e à empregada doméstica: "Dra. Irene, sirva o leite-creme", do mesmo modo que não podemos esquecer-nos de que o lavador de carros pode ser engenheiro pela Moderna ou pela Internacional: "Lavagem completa, sr. engenheiro".
A revista "Sábado" conta a história de um atleta de "taekwendo" que, sem nunca ter feito o ensino secundário, em poucos meses conseguiu, como tantos outros, um diploma "simplex" do 12.º ano nas "Novas oportunidades" e já está a caminho da Faculdade de Medicina. Um dia destes, juntamente com um anestesista também "simplex", estará a operar o leitor num hospital público, os dois cheios de curiosidade sobre o que haverá dentro de uma barriga.
Manuel António Pina
in JN