segunda-feira, 18 de maio de 2009
Bem-vindo
Finalmente, encontrou tempo para publicar um conto seu, e uma fotografia tirada por si durante a visita do Dalai Lama.
É uma lufada de ar fresco, para além da leitura que cada um de nós faça do que lê ou vê.
De resto, o meu Amigo Veríssimo não é um desconhecido por estas bandas.
Quem andou distraído que o procure.
Tal e qual como pode procurar tudo o que O Cacimbo já publicou em defesa do Tibete.
Aliás, na linha editorial em que não desiste de defender a Justiça, os Direitos do Homem, a Solidariedade e a Fraternidade, o Veríssimo tem o seu espaço próprio.
Há denominadores comuns que ultrapassam a nossa pequena paróquia. E, é claro, só enriquecem O Cacimbo.
sábado, 18 de abril de 2009
"Retratos de Abril – 35 anos depois"

“Retratos de Abril – 35 anos depois” é o título do livro de fotografia de Veríssimo Dias, silvicultor, biólogo e fotógrafo, nascido em Angola a 19 de Abril de 1945, actualmente a residir em Lisboa. O livro foi apresentado ontem, 17 de Abril, pelas 18h:30m na sede da Associação 25 de Abril em Lisboa. A obra inclui textos de Eduardo Lourenço e Mário Soares, 103 retratos actuais de militares de Abril e o retrato de Celeste Martins, a mulher que ofereceu cravos por não ter cigarros e inscreveu na história o sobrenome da revolução da liberdade.
Vasco Lourenço, Veríssimo Dias, Homem Cardoso, Eduardo Lourenço e Mário Soares, apresentaram o livro e em cada discurso foi possível perceber a comoção e a homenagem grata aos actores que na madrugada de 1974 protagonizaram os actos que tornariam livre a nação portuguesa. Libertação sonhada por eles próprios e por todos os portugueses que viveram conscientemente os anos da ditadura.
Na introdução do seu livro, Veríssimo Dias estabelece uma comparação entre aquilo que considera que é a essência de um retrato - a captação da luz interior e o indizível silêncio da alma dos retratados – e o mesmo silêncio pleno de conteúdos que cada um dos militares de Abril pode ter a revelar. O autor realizou o seu trabalho no plano das duas dimensões clássicas da fotografia, como refere no final do seu intróito. Pela fresta espreitou o mundo e pelo espelho deixou que se reflectissem a sua essência de fotógrafo, de pessoa que vê porque acredita. Foi assim que pôde entrar na alma dos militares com a honra, o decoro e o respeito que tais homens merecem e, deste modo, os congelou para a eternidade, sentindo-se por isso, também ele, um militar de Abril a tentar contribuir para um mundo mais fraterno e mais justo.
A obra de Veríssimo Dias mereceu o aplauso dos oradores e dos presentes, tendo sido considerada um documento essencial no conjunto da bibliografia sobre a Revolução de Abril e, deste modo, um excelente instrumento para todos os que no futuro quiserem interpretar e explicar o presente através dos acontecimentos de um passado que estará cada vez mais distante, mas nunca será apagado ou esquecido.
No final da cerimónia de lançamento dos Retratos de Abril subimos ao restaurante da Associação 25 de Abril para um jantar convivial e comemorativo dos 35 anos da Revolução e desta obra magnífica que tivemos o prazer de adquirir e trazer para casa luminosamente autografada pelo seu autor num fim de tarde em Abril.
Depois do repasto mudámo-nos para o bar de armas e bagagens, sendo as armas os exemplares dos livros recém-adquiridos e as bagagens os nossos olhos perscrutadores e ansiosos por descobrir e interpretar o tal silêncio que o fotógrafo nos revelou estar repleto de teores. Ainda levámos as palavras na ponta da língua e os dedos mortinhos por afagar a macieza do papel couché. Na verdade, um momento de muita honra e comoção. Afinal, tínhamos entre nós um dos famosos capitães. Um homem que sempre nos guia e nos elucida nas várias incursões ao cerne dos acontecimentos e nos ajuda, também ele, a ver porque acreditamos.
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