Mostrar mensagens com a etiqueta Cavaco Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cavaco Silva. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O preço do desespero...

O Presidente da República deseja saber por que motivo a PT quer entrar na Media Capital. O prof. Cavaco devia ter ouvido o último debate parlamentar: pela boca do eng. Sócrates, que ironizou com a ‘linha editorial’ da TVI, ficou transparente que o Governo, através da PT, deseja açaimar o único canal televisivo que não come a propaganda do PS.
.
Acontece que a jogada tem um problema: o tempo. Tirando a natureza óbvia e imoral do negócio, mais própria de democracias latino-americanas,a entrada na TVI pode ser um erro estratégico. A três meses das legislativas e com a possibilidade séria de as perder,o governo Sócrates arrisca-se a comprar um canal televisivo para o oferecer, logo de seguida, ao governo da oposição. Irónico? Sem dúvida.
Mas é o preço a pagar quando se governa em desespero.
João Pereira Coutinho
in CM

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Comandante supremo passa a "conselheiro"...

Presidente será apenas consultado sobre o envio de tropas para missões no estrangeiro.
O Afeganistão poderá ser o último gesto do presidente da República no actual figurino legal. No futuro, o Governo não precisará de muito mais do que "comunicar" o envio de forças militares ao comandante supremo das Forças Armadas.
E, ironia das coisas, o actual presidente, Cavaco Silva, tem nas mãos para promulgação o diploma que acaba por o transformar num quase consultor do Governo para o emprego das Forças Armadas no exterior, a revisão da Lei de Defesa Nacional (LDN).
É que do vazio legal relativo às competências do presidente da República e do Governo com a anterior lei, passou-se agora para uma situação mais clara, mas em que o Executivo controla todo o processo de decisão.
Se Cavaco Silva vai ou não promulgar o diploma - que foi aprovado pela Assembleia da República - é questão que ainda não tem resposta, mas dos meios militares surgem sinais de preocupação, pelo "esvaziamento" da figura do presidente da República enquanto comandante supremo das Forças Armadas.
"É escandaloso", classifica o general Garcia Leandro
.
Ó homem...reforme-se...Ala para Boliqueime, que se faz tarde...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DIZ-ME QUEM SÃO OS TEUS HERÓIS, DIR-TE-EI QUEM ÉS !...

A realidade em Portugal tem laivos de surrealismo.
Dois dias depois do eleitorado ter dito ao sr. Primeiro-Ministro que não aprecia mesmo nada a sua pose arrogante e autoritária, que não gostou da sua deriva para a direita, dois dias depois de muitos, mesmo muitos eleitores terem deslocado o seu voto para a esquerda ( para o BE e PC ), dois dias depois desta ensaboadela ... eis que o sr. Presidente da República condecorou, no 10 de Junho, uma organização sindical, a UGT !
.
Depois de tudo o que tem sucedido, considerando a actuação conhecida da UGT e o reduzido numero de trabalhadores que representa, só se pode pensar que a condecoração tem por objectivo dar-lhe, na “secretaria”, o estatuto político-social que aquela central sindical não quis ou não soube conquistar no terreno.
.
É como atribuir a Torre e Espada a quem nunca entrou em combate..Há só um pequeno senão : as condecorações estão hoje ainda mais desvalorizadas que o dólar.
Coisas como esta não vão mudar nada.
A UGT vai continuar com a mesma imagem, na cabeça dos trabalhadores portugueses, e a condecoração atribuida perde um pouco mais de significado.
in Blog Pensar por escrito

domingo, 14 de junho de 2009

Um manguito bem merecido


Quando o Sr. Silva era primeiro-ministro deste país, nesses desastrosos tempos em que Portugal foi vendido ao capital financeiro, os cidadãos transformados em números e cifrões e este jardim começou a cair no buraco sem fundo do liberalismo, esse mesmo Sr. Silva recusou uma pensão ao herói do 25 de Abril, Salgueiro Maia na mesma altura em que a concedeu a dois ex-pides. Ao escolher Santarém para fazer as celebrações do dia de Portugal, este Sr. Silva viu-se na obrigação de lhe prestar uma homenagem junto do monumento que recorda o seu heroísmo. Um acto da maior hipocrisia que só merece o nosso desprezo e indignação. Este Sr. Silva não tem sequer o direito de lhe limpar as botas e devia pedir desculpa aos familiares do Capitão Salgueiro Maia, devia pedir perdão a todo o país. A grandeza do Salgueiro Maia nada tem a ver com a pequenez deste Silva. Triste o povo que não se indigna com tanta hipocrisia.
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/ posted by Francisco Trindade @ 15:51 in
http://www.franciscotrindade.blogspot.com/

Resta-me acrescentar que para esse acto mesquinho - que elucida bem o rancor que Cavaco Silva tem ao 25 de Abril e o apreço que dedica aos ex-pides - utilizou para o efeito um tal Fernando Nogueira, seu ministro da defesa e uma espécie de Severiano Teixeira em versão laranja.
Tal criatura perseguiu com tenacidade os Oficiais, ficando célebre a chamada lei dos coronéis utilizada para humilhar alguns coronéis à beira da reforma, o que provocou a demissão do General Loureiro dos Santos de Chefe do Estado Maior do Exército, que se recusou a aplicar tal lei indigna e humilhante.
A propósito, recordo duas histórias. Atendendo ao perfil persecutório desse tal Nogueira e ao facto de ser ministro da defesa, decidimos atribuir-lhe um posto militar: o de cabo. Mas para não ofender as nogueiras, suprimos-lhe o "u", passando a ser referido entre nós pelo cabo Nogeira.
Outro episódio teve a ver directamente com o Fernando Salgueiro Maia, durante uma visita que o cabo Nogeira fez à Escola Prática de Cavalaria, aonde o Maia prestava serviço. Como é da praxe nesse tipo de visitas, o Comandante da Unidade apresentou-lhe pessoalmente todos os Oficiais.
Ao ser-lhe apresentado o Salgueiro Maia, o cabo Nogeira virou-se para o lado e atirou em tom provocatório:
- Este é um dos tais que fez o 25 de Abril.
Ao que o Maia respondeu prontamente:
- Pois sou e fique sabendo que se for necessário fazermos outro, cá estarei.
Não sei quanto tempo falta para que tal aconteça, mas pelo andar da carruagem já faltou mais.



sábado, 13 de junho de 2009

Lotaria presidencial...

O financiamento partidário, tão unanimemente aprovado no Parlamento quanto chumbado fora dele, acumulava subsídios do Estado com eventuais generosos donativos. Tudo no mesmo saco. À porta de três eleições.
.
Ainda bem que o PR vetou. Pena que não fosse pelas boas razões. Cavaco baixou o polegar não pela defesa do financiamento público, evitando "blocos de interesses", ou do modelo oposto para enraizar os partidos na sociedade. Aliás, a sua própria campanha despendeu grandes somas e obteve lucros. Conclusão: o veto não é ideológico nem moral. Mas também não é o elemento popular que motiva o PR. Senão, teria vetado, por exemplo, a lei da Segurança Social.
.
Com a opinião pública ao rubro contra este financiamento, ficou claro que o que move o PR é o seu próprio prestígio. Daí a celeuma com o Estatuto dos Açores. Daí que homenageie Salgueiro Maia (embora há 20 anos desse a PIDES a pensão que lhe recusou).
.
Daí que apoie Durão na Comissão, alegando que ser português é o mais "importante para os superiores interesses" do país, preferindo a nacionalidade às ideias. O poder às políticas. A imagem às acções. No caso do financiamento partidário, deu-se uma feliz coincidência. Mas sorte ou azar é pouco para uma presidência que anseia ser a bóia do regime.
Joana Amaral Dias
in CM

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A novela Cavaco Silva...

Não sei se em Espanha o Rei aproveita os discursos solenes para dar recados ao governo, ou se em Itália o Presidente passa a vida a mandar indirectas a Berlusconi, ou se na Suécia o Rei passa a vida a discordar de quem governa.
Nós por cá, temos este viciozinho que vem do tempo de Eanes: os presidentes não têm poder nenhum mas, talvez por isso, vivem numa espécie de complexo de inferioridade o que se traduz em puxões de orelhas discursivos, e em chumbos de leis votadas pela maioria da Assembleia da República.
O Presidente é assim uma espécie de pai moral, um vigilante, um redentor, que fala muito mas faz pouco e que apenas vai influenciando aqui e ali, sem grandes consequências. A não ser quando usa a "bomba atómica" e desfaz governos e maiorias, como aconteceu com a lamentável atitude de Sampaio quando demitiu Santana Lopes.
.
Aliás, a única decisão que ficou para a História desses longos e chatos 10 anos de Jorge Sampaio.O povo já percebeu que o Presidente é assim uma espécie de Rei, em versão a gasóleo, e que trocou as janelas manuelinas palacianas por uma marquise de alumínio anodizado. E vive feliz para sempre...
.
Cavaco Silva a quem devemos a estrutura de desenvolvimento que hoje temos, e que no essencial gerou os males estruturais de que hoje o país padece,(e que beneficiando dessa característica tão comum aos portuguesinhos que á a amnésia, conseguiu ser eleito) volta agora ao discurso paternalista de que precisamos de ser mais poupadinhos. Genial !
.
Os autarcas andaram a fazer construções faraónicas, de rotundas a centros de congressos, os governos andaram a comprar material bélico e submarinos, transformámos o país numa placa giratória de auto-estradas, este governo quer TGV e aeroporto e dá computadores a crianças que nem sabem a tabuada, e agora os contribuintes que poupem?
.
Bom, o que nos vai acontecer é que depois das eleições aí vamos ter mais uma carrada de impostos para a classe média pagar.A dramatização do estado do país em permanentes chamadas, alertas, de nada valem.
Já percebemos que Sócrates até ao fim do mandato se vai comportar como uma esposa largada num centro comercial com um cartão VISA platina, que já não tem plafond, mas que ela nem sabe o que é isso. E nós cidadãos seremos os mansos que iremos pagar até a carroça da Mitra nos recolher às escondidas noite dentro.
.
O problema de Cavaco é que ele até pode ter toda a razão do Mundo, mas para quem ainda tem alguma memória Ram não esquece que foi nessa longa noite do Cavaquistão, de Aguiar da Beira a Boliqueime, com paragem por vários paraísos fiscais, que começou esta saga lusitana.
A telenovela até pode ser outra, mas os actores são ainda os mesmos e os autores os mesmos velhadas. Há apenas um novo player: Paulo Rangel. E é nestes protagonismos novos que por vezes tudo muda. On verra !!!.
in Blog Instante Fatal

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Bocas das nossas luminárias


«Nunca veto sem estar

absolutamente seguro»

Quando era primeiro-ministro também dizia que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. E foi o que se viu. Ou já se esqueceram?

Cavaco Silva homenageia Salgueiro Maia...

As comemoração oficiais do 10 de Junho na cidade de Santarém foram utilizadas pelo Presidente da República para homenagear Salgueiro Maia, o capitão de Abril nascido naquela cidade do Ribatejo, que seria responsável pela rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo.
Esta homenagem ocorre cerca de 20 anos depois de Cavaco Silva, na altura primeiro-ministro, ter recusado a Salgueiro Maia a pensão que esta havia solicitado pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país".
A discussão em torno da recusa da pensão requerida por Salgueiro Maia em 1988 só se tornaria pública dois anos depois, quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE.
Na época, o Supremo Tribunal Militar considerou não ser competente para apreciar o pedido de pensão de Salgueiro Maia, remetendo o assunto para a Procuradoria-Geral da República, que viria a aprovar por unanimidade a concessão da pensão.
No entanto, o assunto seria bloqueado por Fernando Nogueira, ministro da Defesa do governo de Cavaco Silva, que nunca lhe deu seguimento, inviabilizando a atribuição da pensão.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Bocas que explicam tudo


Cavaco: «A verdade

gera confiança»

É por isso que o eleitorado já não confia em Sócrates.

Cavaco tenta corrigir erro com 20 anos...

Cavaco Silva vai finalmente homenagear Salgueiro Maia, considerado o mais lídimo dos capitães de Abril. No âmbito das comemorações do 10 de Junho, que este ano decorrem na cidade de Santarém, o Presidente da República irá depositar uma coroa de flores junto à estátua de Salgueiro Maia.
Há vinte anos, quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva recusou-se a conceder àquele militar uma pensão "por serviços excepcionais e relevantes".
A atitude do então chefe do Governo provocou um sonoro coro de protestos, tanto mais que foi conhecida aquando da concessão de uma idêntica pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS.
Contactada pelo Expresso, a viúva de Salgueiro Maia manifestou a sua "satisfação" pela homenagem que o Presidente decidiu prestar ao capitão de artilharia, responsável pela rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo, na tarde de 25 de Abril de 1974.
Natércia Maia não conhece pessoalmente Cavaco Silva. "Só me cruzei com ele uma vez, quando António Guterres tomou posse como primeiro-ministro. Não estava à espera desta homenagem e fiquei contente, pelo que representa de reconhecimento do papel do meu marido e dos valores com que ele sempre se identificou".

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Bocas presidenciais


Cavaco Silva:
"Não tínhamos poupanças
debaixo do colchão"


PR diz que perdeu «muito dinheiro» do que tinha em quatro bancos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Também tu, Cavaco Silva?

Como se já não bastasse um primeiro-ministro acossado, procuradores da República sob suspeita, um provedor da Justiça incapaz de ser eleito e um ex-conselheiro de Estado amnésico, só nos faltava agora um Presidente da República a fazer negócios altamente vantajosos com a empresa responsável por um dos maiores buracos financeiros na história de Portugal. Não admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV. É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.

Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. O triângulo composto por Dias Loureiro, o comunicado de Novembro negando qualquer ligação ao BPN e a manchete do último Expresso, que garantia que o Presidente da República ganhou 150 mil euros no espaço de dois anos através da venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN), é péssimo para a sua imagem. Ponto por ponto:

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. Independentemente de tudo o que ele possa ter feito no BPN, desde que o caso surgiu o ex-ministro foi apanhado em contradições inexplicáveis e mostrou um total desrespeito pela Comissão Parlamentar na primeira vez que foi ouvido. O papel de Dias Loureiro agravou-se de dia para dia com Cavaco a ver, e até na hora da saída do Conselho de Estado o Presidente deixou palavras em sua defesa. Porquê?

2) O comunicado de Novembro onde Cavaco sublinhava nunca ter tido nada a ver com o BPN é agora uma batata quente nas suas mãos. É certo que, tecnicamente, a SLN não é o BPN, mas isso é um preciosismo que só aumenta as suspeições. Cavaco omitiu o que não devia ter omitido, refugiando-se num detalhe que é verdadeiro na letra mas falso se olharmos para o espírito do que estava em causa. O que fica é a sensação de o Presidente ter feito tudo para esconder a existência das acções da SLN. Porquê?

3) Os contornos do negócio revelado pelo Expresso tornam-se assim muitíssimo embaraçosos: obter um lucro de 140% num curto espaço de tempo, através da venda de acções de uma empresa que nem sequer está cotada em bolsa, é daquelas jogadas que fazem a alegria dos especuladores mas que ficam mal a um Presidente da República. Recusar dar explicações sobre este negócio com o argumento de que na altura não desempenhava cargos públicos - como terá dito ao Expresso - é, no mínimo, coxo. E em nada contribui para aquela seriedade no modo de fazer política que Cavaco Silva tanto gosta de apregoar. Portugal já está bem servido de escândalos. Dava jeito que o Presidente não se enfiasse em mais um.

João Miguel Tavares in DN

sábado, 30 de maio de 2009

HOMENS SEM QUALIDADES...

O dr. Cavaco, verdadeiramente, nunca foi bem um político ou estadista convincente e providencial. Um chefe que inspirasse confiança. Um espírito à altura do seu papel. Para tal era preciso carácter, integridade, autoridade pessoal, lucidez, vigor, cultura.
Não era necessário ser intelectualmente grande, bastava prudência e sinceridade pela "coisa" pública.
No invés, o dr. Cavaco apenas quis sobreviver para a sua viagem pessoal, mesmo quanto sugeria estar a tutelar os desígnios pátrios. Sorte grande a sua, desilusão a de todos nós.
.
As vagas teorias sobre a Democracia, Portugal ou a Europa desse filho pródigo de alguma direita saudosa (o novo Messias) morreram logo na razão dos curiosos desmandos que a sua governação divulgou. A felicidade pública do nativo, artificialmente excitada, expirou mesmo antes de se avistar a "aritmética economista" do seu vindouro "oásis". Como diria Ramalho Ortigão: "os deuses eram de palha".
.
O dr. Cavaco não nos salvou da ruína, da decadência, não modificou o regime ou o sistema político, não soube construiu uma Res Publica, uma democracia.
Apenas se rodeou no poder (sem que qualquer indignação se lhe visse) de um sem número de "adesivos" ou curiosos "senadores" que, mesmo aparentemente servis, astutamente o utilizaram para despojarem o orçamento do Estado. Os seus "procuradores do povo" arrumaram, antes de tudo, a sua própria clientela e souberam bem representar os seus interesses pessoais.
O dr. Cavaco, no meio do seu azedume contra a canalha, só conduziu o país para a confusão e abuso de uma "rede clientelar" de consequências absolutamente desastrosas.
.
A política pós-Cavaco passou a ser uma "questão de compadres", de intrigas e as "avenidas do futuro" construídas, herança da sua obra financeira, foram um inegável "brinde" aos novos caudilhos. A trágica destruição das instituições, o desamparo à sociedade civil, o cansaço e a desmoralização a que hoje assistimos (e a que estamos condenados) venceram-nos definitivamente.
.
Não por acaso estes dias irae da desvairada governação do regedor Sócrates são consequência funesta disso tudo. A lista dos Dias Loureiros, Oliveira e Costa, os prebentados de Macau, os melífluos Constâncios, o Lopes da Mota e os Freeport intermináveis que lentamente surgem, não têm fim à vista. A degeneração é total. Não há que estranhar!
.
NOTA: O dr. Cavaco, depois do pedido de demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado, disse que não distingue "um de outro dos 19 conselheiros de Estado" e que todos lhe mereciam "igual respeito".
Esta infeliz observação é quase um insulto ao próprio Conselho de Estado e, reconhecidamente, os conselheiros não mereciam tal "entusiasmo".
O dr. Cavaco fez de Dias Loureiro o cérebro da sua campanha presidencial, levou-o para o Conselho de Estado e fez a sua apologia até ao fim.
Que mais imprevistos ou incidentes precisamos de assinalar?
in Blog Almocreve das Petas

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O apelo ao bloco central...

Cavaco Silva usou o 25 de Abril para apelar à participação nos próximos actos eleitorais. Desejou mais "realismo e autenticidade", apelou para que se não iludissem os cidadãos, disse à comunicação social que fosse "objectiva e imparcial".
.
Palavras que justificam perguntas. Quem é que, afinal, prometeu mundos e fundos (empregos aos milhares, crescimento e aproximação dos níveis de vida e do desenvolvimento médio comunitário, formação e educação para todos, acesso universal à saúde, referendo sobre o tratado europeu)? Quem é que, ganhando eleições desta maneira, faltou no Governo a todos estes compromissos? E nos últimos quinze anos, o que sucedeu? Não seria desejável que se fosse mais concreto, de forma que os portugueses percebessem melhor a que se referia e de quem falava?
.
Cavaco Silva devia saber que fomentar a ideia de que "são todos iguais" contribui para a abstenção e a desculpabilização dos verdadeiros responsáveis, é factor de descredibilização da democracia. E acaba por justificar que quem se tem revezado nos governos à custa de falsas alternativas e soluções volte a usar as mesmas falsidades que utilizou no passado. A começar nas europeias, onde já andam por aí a pedir votos os dois partidos que se combinaram para impedir os portugueses de votar sobre o Tratado de Lisboa.
.
Não obstante as palavras do Presidente terem carácter pedagógico, elas podem ser ou ter um efeito perverso ou contrário. E, no que concerne ao tratado europeu e às eleições europeias, não ilibam o próprio Cavaco Silva.
.
Já o apelo do Presidente ao entendimento dos partidos do centrão é totalmente contraditório com à autenticidade e verdade eleitoral. Então se Portugal está como está, (no emprego, na segurança, na justiça, na protecção social, no combate à corrupção, para usar os exemplos de Cavaco Silva), não é isso o produto e a consequência de anos a fio do pântano partidário e da unicidade política em que o PS e o PSD transformaram o País?
Honório Novo
in JN

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O mestre-escola...

Os meninos e meninas estavam bem sentados, com os computadores ligados, as mãozinhas em cima das carteiras e relativamente em silêncio.
Como era dia solene, a sala estava cheia de flores e alguns ostentavam orgulhosos um cravo na lapela do casaco.
.
Respeitosamente, alguns meninos e meninas subiram à tribuna e desataram a falar do 25 de Abril, da crise, do Salazar de Santa Comba Dão, do esquerdismo, de sequestros, de saudades dos tempos que já lá vão. Já a sessão ia longa quando chegou a vez de falar o senhor Presidente da República.
A expectativa era muito grande, esperava-se um raspanete, um puxão de orelhas ao Governo que, em silêncio, com o senhor presidente do Conselho ao meio, ouvia tudo o que se dizia na sala. Contra, principalmente, e a favor, pela voz de um capitão de Abril que entrou nos atalhos e sarilhos da política partidária.
.
Cavaco Silva levantou-se, sem cravo na lapela, algo que escandaliza os guardiões da moral e dos bons costumes abrilistas, e começou a dar uma aula de bom comportamento aos meninos e meninas que representam os indígenas deste sítio manhoso, pobre, sem futuro, hipócrita quanto baste e obviamente cada vez mais mal frequentado.
.
O senhor Presidente da República sabe perfeitamente o que a casa gasta, e por isso mesmo chamou à atenção de todos que num ano repleto de actos eleitorais não devem chamar nomes feios uns aos outros, não podem andar a contar mentiras aos eleitores e muito menos mostrar que têm montes de dinheiro para gastar em cartazes, esferográficas, filmes para as televisões, grande comitivas com carros potentes, almoçaradas, jantaradas e espectáculos obscenos para os grandes líderes mostrarem as suas habilidades no palco.
E Cavaco Silva também lembrou aos meninos e meninas, principalmente aos socratinhos e laranjinhas, que o melhor é começarem desde já a pensar em soluções de Governo, porque o tempo das maiorias absolutas já deu o que tinha a dar.
.
Nem todos os alunos gostaram da lição de bom comportamento. Enquanto os portistas e laranjinhas aplaudiram de pé, que o respeitinho é muito bonito, os corrécios dos comunistas e trotskistas amuaram e os socratinhos, com o chefe a olhá-los bem de frente, ficaram manifestamente embaraçados, uns de pé, outros sentados, uns a bater palminhas e outros nem por isso.
.
O discurso de Cavaco Silva nos 35 anos do 25 de Abril foi exemplar e é bem revelador do estado a que chegou esta treta de democracia.
António Ribeiro Ferreira
in CM

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cavaco/Sócrates...Na fase da Guerra Fria...

O Presidente da República já não pode dissolver a Assembleia da República na actual legislatura. Significa isto que o seu poder de fogo dificilmente causará dano à estabilidade política, o que muito agrada a Cavaco Silva.
.
Pelo que se viu nos últimos dias, porém, o prazo de ‘armistício’ que vigora nos seis meses que antecedem as eleições, também está a libertar o Presidente para uma muito mais activa magistratura de influência.
.
Prepara o terreno e a sua posição negocial para o terramoto que possa advir das eleições, de uma ausência de maioria absoluta, do eventual fracasso de uma aliança, da mais do que previsível possibilidade de conciliar os actuais protagonistas, exceptuando porventura Sócrates e Portas, enfim, um inferno... Mas isso há-de vir. Hoje, chamou o procurador-geral da República a Belém para discutir o caso Freeport e as pressões.
.
Tudo o que o Governo não quereria que fizesse.
.
No fim-de-semana, demoliu algumas opções de política económica do Governo e obrigou Sócrates a disparar um inédito míssil nas relações entre S. Bento e Belém. Da ‘cooperação estratégica’, as relações institucionais entre Cavaco e Sócrates evoluíram para a fase da Guerra Fria.
Um precário equilíbrio que vai funcionando pela pura lógica do terror. Esperemos que a opção nuclear não destrua o País...
Eduardo Dâmaso
in CM

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tiro no pé



"Recados" de Cavaco tiveram resposta do primeiro-ministro


por J.P.H., P.V. E P.S.

Analistas políticos dizem que as "farpas" que Cavaco enviou ao Governo tiveram resposta de Sócrates, que disse que o País não precisa da política do "recado" e do "remoque". Quem ganha com a subida da temperatura?

Quem perde sei eu: Sócrates e o PS.
Mas, por arrastamento, talvez ganhem todos os portugueses. Para isso, basta votarem em consciência e sem medo do papão.

Em ano de todas as eleições (e da famigerada crise) , só a arrogância e narcisismo do primeiro-ministro explicam que entre em braços-de-ferro com a Presidência da República.

Cavaco Silva afirmou, por exemplo, que seria "um erro muito grave, intolerável mesmo, que na ânsia de obter estatísticas económicas mais favoráveis e ocultar a realidade se optasse por estratégias de combate à crise que perpetuassem os desequilíbrios já existentes".

Mais um tiro em cheio no pé de Sócrates.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os recados de Cavaco...

O presidente da República escreveu o seguinte no prefácio de um livro ("Roteiros III") em que são coligidas as suas principais intervenções durante o terceiro ano do seu mandato: "Na situação que o país atravessa, o presidente da República não pode limitar-se ao diagnóstico, havendo que ter presente, no entanto, que não lhe cabe legislar ou governar". É exactamente por isso que o chefe de Estado tem tentado, por um lado, "apontar o caminho que Portugal deve seguir para ultrapassar a quase estagnação em que tem vivido" e, por outro, assinalar "as prioridades estratégicas" que nos garantirão "um futuro mais promissor".
As palavras - seguramente escolhidas a dedo - de Cavaco Silva suscitam um comentário e um lembrete.
.
O comentário: definir as "prioridades estratégicas" do país e os caminhos que nos hão-de libertar da "quase estagnação" económica em que temos vivido costuma ser uma tarefa dos governos, senão mesmo a sua principal tarefa.
.
O lembrete: Mário Soares, quando era presidente na República na altura em que Cavaco Silva liderava um Governo social-democrata com maioria absoluta no Parlamento, também teve, a dada altura, esta tentação de mostrar ao país que os caminhos que estavam a ser trilhados pelo Executivo de então não eram os melhores para o futuro dos indígenas. Se bem se recordam, as presidências abertas do ex-chefe de Estado deram que falar, pelo significado (e impacto) político que tinham.
.
A pergunta é: Cavaco Silva está a entrar em zonas politicamente perigosas, ao dizer que não lhe cumpre apenas diagnosticar os problemas, mas também apontar os "caminhos"? José Sócrates tem direito a ficar melindrado com o mais alto magistrado da nação?
.
O chefe de Estado sabe que o período de três eleições que aí vem tenderá a aquecer ainda mais o clima político, que já se encontra uns graus acima do desejável. O"caso Freeport" atira a Justiça para a lama. As relações entre Sócrates e Ferreira Leite fecham a porta a qualquer acordo de fundo. O PSD mantém-se sossegado na Oposição. A crise económica tende a agudizar as tensões sociais, tão bem aproveitadas pelos sindicatos e pelos partidos mais à Esquerda, e a desesperar quem está em dificuldades. E por aí fora, numa série de (maus) sinais que o presidente da República começa a ver com séria preocupação.
.
De modo que aquilo que Cavaco Silva nos quer dizer é (parece ser) isto: apesar de não lhe caber legislar ou governar, cabe-lhe defender o Estado e os cidadãos e instituições que o compõem. Ou seja: o presidente acha que os interesses de uns e outros não estão a ser devidamente acautelados. Vale o mesmo dizer que, com estes recados, Cavaco passa um atestado de incompetência ao Governo e à Oposição . Eu, por mim, agradeço-lhe a atenção. E a preocupação.

Paulo Ferreira, JN

sexta-feira, 20 de março de 2009

Então, demita-se!


De MÁRIO CRESPO

Desculpem, não tenho soluções

11h22m

Ouvir dizer ao mais alto nível do Estado que não há soluções para o horror do desemprego é ouvir dizer que o Estado faliu. Meia centena de trabalhadores despedidos de fábricas em Barcelos e Esposende tiveram essa experiência de anticidadania. Numa visita, o presidente da República foi confrontado com um grupo de desempregados que empunhavam cartazes pedindo ajuda. Foi ter com eles e disse-lhes que não tinha nenhuma solução para os seus problemas.

Para um chefe de Estado é proibido dizer isso aos seus concidadãos e depois embarcar num carro alemão de alto luxo e cilindrada, acenando, apoquentado, aos que nada têm.

É isso que faz querer que os ricos paguem as crises.

Só se é chefe de um Estado para trabalhar na busca de soluções e encontrá-las. Sem isso não se é nada. Ser presidente em Portugal não é um cargo ritual. O presidente tem nas mãos ferramentas poderosas para influenciar o destino do país. Pode nomear e demitir governos, chamar agentes executivos e executores, falar aos deputados sempre que quiser, reunir conselheiros, motivar empresários, admoestar ministros e deve, sobretudo, exigir resultados. Ser chefe de Estado em Portugal inclui poderes executivos, e como tal, ter responsabilidades de executivo. Ao dizer que não tem soluções para as vítimas do descalabro que há três décadas estava em gestação no país onde ocupou os mais elevados cargos, o presidente da República dá à Nação a mensagem de que nem ao mais alto nível há o sentido da responsabilidade nem a cultura de responsabilização.

Ao dizer aos desempregados de Barcelos que nada pode fazer, o presidente diz a todo o Portugal que o Estado e o seu sistema não são mais do que um imenso círculo de actores autodesresponsabilizados que vão passando a batata-quente de uns para os outros. Depois destas declarações aos desempregados, o célebre letreiro "The Buck Stops Here", que Roosevelt tinha na sua secretária, não tem lugar na mesa de trabalho do presidente português. Com esse letreiro, que equivale a dizer que a batata-quente não passa daqui, Roosevelt lançou as bases da maior economia do Mundo das cinzas da grande depressão. Em Portugal, na maior depressão de sempre, o presidente diz que não tem soluções. Devia tê-las. Aníbal Cavaco Silva desde Sá Carneiro que participa no Governo. Dirigiu executivos durante a década em que Portugal teve a oportunidade histórica de ter todo o dinheiro do Mundo para se transformar num país viável. Mesmo com a viabilidade da economia questionada, Cavaco Silva, como profissional que é, regressa à política com uma longa e feroz luta pela presidência da República. Assumiu-se como a "boa moeda" que conseguiria resistir às investidas das "más moedas", na sua cruel pedagogia da Lei de Gresham, que foi determinante para aniquilar um governo do seu próprio partido e dar-lhe a chefia do Estado.

É um homem de acção impiedosa e firme, quando a quer ter.

Se o pronunciamento que fez de não ter soluções para esta crise foi uma tentativa de culpabilizar só o Governo, então foi de um insuportável, mas característico, tacticismo. Se foi sincero, então foi vergado pelo remorso, e anunciou que a sua longa carreira de político e de homem público chegou ao fim.

Recebido por email