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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mais provocações e insultos

Do meu Camarada, Coronel Vasco Lourenço, recebi a resposta a mais uma catilinária de Manuel Bernardo, useiro e vezeiro em provocar e insultar tudo e todos os que levaram a bom porto o 25 de Abril.


Sem mais comentários, deixo à consideração dos leitores a desfaçatez de tal criatura, bem como a respectiva resposta do Coronel Vasco Lourenço, a quem manifesto o meu público apoio e repúdio pelas provocações do tal Manuel Bernardo de cujos dislates também já fui alvo.


Álvaro Fernandes

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Car(o)a amig(o)a

Para teu conhecimento, com o pedido de divulgação que entenderes fazer, junto "resposta" a mais um ataque do cor. Manuel Bernardo.

Abraço amigo

.

Pergunto-me se vale a pena gastar tempo e energias com o Manuel Bernardo (MB). As suas acções no passado criaram-lhe um tão grande perfil de descridibilidade que me parece ser tempo perdido... De facto, só quem gosta de ser enganado é que ainda lhe dá crédito...

O ter presente o velho ditado de "água mole em pedra dura..." leva-me a, perante as investidas que me vem fazendo - ainda não consegui atingir o porquê de me ter eleito como alvo preferido das suas ofensas - esta tomada de posição, que conto possa trazer algum esclarecimento e alguma luz a quem esteja mal informado, mas de boa fé.

1. Em primeiro lugar, recuso liminarmente o título que MB colocou em mais uma das suas diatribes: como afirmei já mais que uma vez, não sei mentir, não invento estórias, os factos que conto são verdadeiros. Por muito que alguns MB os tentem contrariar. Neste caso, para além de não apontar nenhum facto concreto, a sua falta de credibilidade é a minha melhor defesa.

Importa aqui recordar a sua reacção, quando alguém lhe chamou a atenção para o facto de ele saber que as afirmações que faz no seu último livro sobre mim e a minha actuação na Guiné não corresponderem ao que se passou, não estarem correctas, estarem deturpadas: " está bem, mas eu tinha umas contas a ajustar..." afirmou, com o maior à vontade dos mentirosos e dos cínicos!

2. Também agora vem a público citar um despacho sobre mim - utilizando elementos reservados - do então comandante chefe da Guiné, gen. Spínola.

Mais uma vez a sua desonestidade intelectual se declara de forma brutal: ao ler o livro "Do Interior da Revolução" pôde tomar conhecimento - se é que o não sabia ainda - desse episódio em pormenor, nomeadamente a forma como Spínola recuou e me deu razão. Como sempre faz, quando lhe interessa, escamoteou factos e difamou indirectamente - pois nunca faz acusações directas - os que quer atingir, para saldar as contas que tem em aberto...

3. Vem também afirmar que só agora tomou conhecimento da razão porque em 1974 o quiseram sanear, acrescentando que eu nunca lhe fui apresentado e que apenas falou comigo em 1994...

O descaramento deste fulano chega a pontos inimagináveis!

Como já afirmei, o MB subscreveu o abaixo assinado que em 1973 se fez contra os dec-lei 353/73 e 409/73. Penso não ter sido eu a recolher a sua assinatura directamente, mas lembro-me de o ter contactado na Academia Militar.

Quando em 1974 é saneado pelo Conselho da Arma de Infantaria (CAI), procura-me pessoalmente e protesta o facto, pois "era do MFA, assinara o abaixo assinado...".

Tive, então, oportunidade de o esclarecer: defendera-o no CAI, informando dessa sua atitude, nada pudera fazer contra a acusação que aí lhe fora feita e sobre a qual me não pudera pronunciar, pois não estava cá, nessa altura.

Acusação que consistira em, no desenrolar do 16 de Março de 1974, ele ter colaborado com a acção da GNR e da PIDE/DGS , no cerco que estas forças fizeram à Academia Militar, donde resultou a prisão do Almeida Bruno e de outros oficiais do Movimento.

Aconselhei-o, então, a procurar esclarecer os factos com os membros do CAI que o acusaram.

Vem agora negar tudo isto e afirmar da pouca credibilidade da acusação, apontando procedimentos que diz ter tido e que relata em pormenor.
Não contesto esses procedimentos - não presenciei, ainda que a sua pouca credibilidade pessoal... - , não o acuso, como nunca o acusei, de ter ajudado a GNR e a PIDE/DGS a cercar a Academia Militar!

Não aceito é que venha negar e ignorar a diligência que fez junto de mim e os esclarecimentos que então lhe forneci...

Atitude que já me não surpreende, pois como lhe disse um dia no intervalo de um seminário na Universidade Nova, é fácil escrever mentiras, quando se não tem à frente quem nos possa contestar.Mais difícil é manter essas mentiras, cara a cara, o que o levara a calar-se no debate havido, não intervindo sequer face às minhas afirmações sobre procedimentos, totalmente opostas às afirmações que vinha publicando nos seus livros.Recordo perfeitamente que nem sequer reagiu, quando o acusei pessoalmente de

cobardia, o que aliás é natural nele.

Quanto à acusação que agora faz de que " o quiseram sanear, expulsando-o do Exército, sem qualquer vencimento", estamos perante mais uma das deturpações caluniosas em que MB é useiro e vezeiro: como explico em "Do Interior da Revolução", foi o facto de ainda não ter o tempo de serviço que o estatuto do oficial impunha para que se pudesse passar à reserva que fez com que ele e outros na mesma situação não passassem à reserva e ficassem na situação de "esperados". Isto porque, contrariamente ao que afirma, houve a preocupação de não criar nenhuma situação em que os saneados ficassem sem vencimento. O que penso não ter acontecido em todos os Ramos das Forças Armadas...Desta situação resultaria que, com o evoluir dos acontecimentos e ao contrário do que se passou com os oficiais saneados que já tinham o tempo de serviço mínimo para passarem à reserva, os "esperados" nunca foram efectivamente saneados e fizeram a sua carreira normalmente, vendo a situação de saneamento anulada, efectiva e definitivamente, quando alguns anos depois foi aprovada legislação que anulava os saneamentos e as respectivas consequências.

A queda para deturpações do MB é de facto espantosa!...

Quanto ao Carlos Fabião, apesar de alguns erros cometidos, todos sabem que um só dos seus dedos vale mais que todos os MB juntos...

4. Não tenho a intenção de voltar a perder tempo com MB, a não ser que a gravidade dos seus actos a isso me obrigue.

Quanto ao livro "Do Interior da Revolução" e aos factos que "eu invento", continuo à espera que me apontem esses factos. Apenas o gen. Ricardo Durão apontou dois ou três, mas a esse já respondi, aconselhando-lhe um esforço de memória.

A análise de MB, se ainda fosse preciso, cai pela base quando afirma que eu "omito o importante contributo dado ao processo contestatário por oficiais que estavam nas comissões em África".

Apesar de nessa entrevista a Manuela Cruzeiro dar essencialmente o meu testemunho sobre a minha experiência, a minha intervenção concreta, só uma mente retorcida e pré-formatada poderia fazer essa afirmação. Basta ler o livro, para ver o realce que eu dou a esse facto!

Vasco Correia Lourenço

As estórias inventadas por Vasco Lourenço

Por Cor. Manuel Bernardo

(…) a razão que levou o Conselho da Arma de Infantaria, (…) a saneá-lo (Manuel Bernardo): a acusação de que em 16 de Março de 1974 apoiou a GNR e a PIDE/DGS, no cerco à Academia Militar, donde resultou a prisão do Almeida Bruno e de outros oficiais do Movimento... Mais tarde, quando me procurou para conversar sobre isso, aconselhei-o a falar com outros membros do Conselho da Arma para esclarecer o assunto, o que ele não fez. (…)

Cor. Vasco Lourenço, in e-mail de 19-6-2009

1. Inspeccionei no dia 30 de Maio a guarnição de Cuntima.

Desde há muito estava informado de que o ambiente disciplinar da C. Caç. 2549 era mau e que nos últimos tempos piorara.

Acusação: Falta de aptidão do Capitão (Vasco Lourenço) para comandar.

O que vi, observei e ouvi na inspecção a Cuntima excedeu tudo o que se possa imaginar.” (…)

Despacho de General António de Spínola de 2-6-1970.

(In História do B. Caç. 2879; Arq. Hist. Militar)

Passados que foram mais de 35 anos sobre o 16 de Março de 1974, vim a saber agora, através de um e-mail deste elemento activo (mas com uma imaginação fértil) do Conselho da Arma de Infantaria a razão porque queriam “sanear-me”, isto é, expulsar-me do Exército Português, sem qualquer vencimento, e sem me darem a oportunidade de conhecer a acusação e de ser ouvido sobre ela, e poder defender-me com base nos mais elementares Direitos do Homem. Isto sucedia após ter cumprido quatro comissões por escala em Angola e Moçambique, desde 1961 a 1974. Apesar das minhas tentativas esforçadas para, na altura, saber a razão secreta de tal atitude, nunca ninguém se dispôs a fazê-lo, apesar das cartas que escrevi individualmente a cada um dos membros desse Conselho, incluindo este senhor! Durante a guerra, entretanto, ele tinha “evitado” fazer a sua 2.ª comissão, pois conseguiu ficar inamovível nos serviços de cifra do Exército, enquanto os outros sofriam na pele, no corpo e no espírito as sequelas resultantes desse esforço…, como os meus amigos Luís Villas-Boas e Joaquim Vasconcelos.

Vasco Lourenço, que ainda agora afirma terem sido os saneamentos de militares muito democráticos (!?), nunca me foi apresentado (1974-1994) e apenas falei com ele uma vez (através do editor), em 1994, numa divulgação do meu livro então publicado: “Marcello e Spínola; a Ruptura (…); Portugal 1973-1974, resultante da tese (equivalente a mestrado), que fiz na Universidade Católica Portuguesa, em regime pós-laboral.

Uma versão descodificada

Curiosamente a minha versão e empenhamento nos acontecimentos da também designada “intentona das Caldas” (cuja acusação contra mim, ele ou alguém inventou) já se encontra num livro publicado em 1975 e que viria a ser apreendido antes do previsto lançamento, na então Feira Popular (5-5-1975), pela célula do PCP da editorial “O Século”: “Radiografia Militar” de Manuel Barão da Cunha. Este oficial (DFA) codificou os nomes dos militares (por sua iniciativa) e, sendo o autor do texto darei os nomes verdadeiros, como já o fizera parcialmente naquele citado livro - Marcello e Spínola; a Ruptura (…), em 1994.

Chegando à pág. 270, pode ler-se:

Mário Cardoso (Manuel Bernardo): Actividades relacionadas com o “Movimento” de 23-2-1974 a 25-4-1974, na Academia Militar:

9 de Março

Estive presente numa reunião, num quarto do edifício do corpo de alunos, em que compareceram vinte e tal oficiais, onde foi exposta a situação dos três camaradas que deviam ser transferidos e que foram sequestrados por camaradas do “movimento” e em que é definida a atitude a tomar, em virtude de estarmos em prevenção rigorosa.

Fiz um telefonema para o Amaro (Major Campos de Andrada / RL2), a dizer o que se passava

Às 15H15 o 2.º Comandante avisa o General de que os oficiais querem ser recebidos por ele.

Após a reunião fiz novo telefonema para o Major Campos de Andrada para saber o que se passara lá e informá-lo do sucedido.

Às 19H30, estando na sala de oficiais, antes de sair, pois terminara a prevenção rigorosa, recebi o telefonema dum dos camaradas, que tinha um dos sequestrados consigo e não sabia o que havia de fazer, pois esperava directivas e queria falar com alguém da comissão central do “movimento”.

10 de Março

Consta à tarde que os camaradas Valdemar (Capitão Vasco Lourenço), Palma Sintra (Major Pinto Soares) e outros já estão presos na Trafaria. Consta também que os generais Gomes da Cruz (Costa Gomes) e Sílvio (António de Spínola) estão detidos nos gabinetes.

Depois do jantar, estando todos os oficiais na sala, atendo o telefone em que me perguntam se o Major Saraiva de Carvalho já chegou (nota-se que estão preocupados).

Às 24H00 chega aquele oficial e está cerca de meia hora a falar com o General. Cerca da 01H00 o Major Saraiva de Carvalho esclarece o pessoal e confirma a prisão dos camaradas. Depois acompanho-o com o Ten-Coronel Cunha (Armando Canelhas) para descobrir um quarto para ele se deitar. Digo-lhe que é possível que já esteja referenciado e que tenha a DGS atrás dele. Diz-me que já tem a família mentalizada para o caso de ser preso e apenas está furioso por estar a sentir-se ultrapassado pelos acontecimentos. Esclarece que os Generais Costa Gomes e António de Spínola se isolaram de propósito para evitar comprometimentos e não estarem detidos. Diz também que a conversa havida com o General Comandante foi à base de política, mas que não levou nada dele.

Depois de o deixar, aviso o oficial de dia para estar precavido com qualquer ordem exterior de prisão de algum camarada que esteja na Academia Militar, pois na véspera tive ocasião de verificar o “espírito de lealdade” do General em relação ao Governo Militar de Lisboa, comunicando-lhe pelo telefone, logo a seguir à reunião da tarde, da intenção dos oficiais, caso não estivessem de prevenção rigorosa, irem ao Terreiro do Paço de uniforme n.º 1 manifestarem junto do Ministério do Exército.

12 de Março

De manhã apresenta-se ao General o Alberto Belmiro (Ten. Cor. Almeida Bruno) que, à tarde, recebe a comunicação de que está mobilizado, por escolha, para a 5.ª comissão (Guiné), a fim de substituir o Fialho (Major Raul Folques).

13 de Março

(…) às 15H30 telefona o Ministro do Exército para marcar uma reunião com ele e outros generais em 14 de Março, no salão nobre da Assembleia Nacional.

14 de Março

Estou com o Major Marques (Manuel Monge), que me diz que vai haver à tarde uma reunião de generais, que o General Paiva Brandão já tem o discurso preparado e que pensam “correr” com os Generais António de Spínola e Costa Gomes. Entretanto chegam mais oficiais que se reúnem com ele no gabinete - parecem-me ser o Major Neiva (Jaime Neves), Major Venâncio Silva (Vítor Alves), Major Carolino (Casanova Ferreira) e Coronel Daniel (Rafael Durão). Como o gabinete do Coronel Séneca (Leopoldo Severo), que anteriormente já tinha sido posto em dúvida em relação ao movimento pelo Major Hélder (Hugo dos Santos), dadas as suas relações com o Sub-Secretário do Exército, ficava mesmo em frente do gabinete onde eles estavam reunidos, fiquei de vigia.

15 de Março

(…) Depois do almoço encontro o Major Saraiva de Carvalho que me diz que o golpe era para ser ontem, mas que a Força Aérea “borregou” e que agora tinham que fazer um planeamento apenas com o Exército. Falei-lhe no telefonema do General para o General Andrade e Silva (… podemos ficar descansados por mais uns tempos…)

16 de Março

Cheguei à Academia cerca das 06H00. Pouco depois chega o Ten-Coronel Almeida Bruno. Disse a alguém que já foi pôr o General António de Spínola num lugar seguro, pois que, antes, quando às 2 horas ia para o seu domicilio, viu a DGS a cercar-lhe a casa e se escapou. O General (AM) dá-lhe ordem para ir ao QG e como sabe que era para ser preso, pede que o Ten-Coronel Severo o acompanhe. Este oficial, quando regressou cerca das 12H00, disse que não havia problemas com o Almeida Bruno e se não fosse estarmos de prevenção rigorosa, sairia em liberdade. No entanto, seguiu para o BC5 e dali para a Trafaria.

Entretanto, cerca das 7H30, é recebido na sala de oficiais um telefonema do Major Saraiva de Carvalho; o camarada que o atende fica receoso por saber que os telefones estão sob escuta e passa-me o telefone. Diz-me Otelo que está na rotunda da Encarnação, junto das bombas de gasolina; diz ainda que vêm várias colunas do Norte e pede para mandar dois oficiais para servirem de elementos de ligação para ver se se consegue interceptar as colunas do BC5 e do RC7, que se dirigem para lá. Digo-lhe que é difícil e que vou ver se consigo. Chego junto à porta de armas, onde está um jipe para sair com o Major Bártolo (Major Nuno Bívar) e digo-lhe o que Otelo pretende. Falo também com o Ten-Coronel Lélio Pedro (Fisher Lopes Pires), que se prontifica a ir com ele. Quando regressaram disseram que já lá não encontraram o Otelo e que o caso estava complicado, e pediram-me segredo desta saída.

À tarde o General é chamado ao Quartel-General e toma conhecimento de que vai ser demitido das suas funções.

À noite faço um telefonema para o Coronel Ricardo André (Robin de Andrade), que sabia ligado ao General Spínola e por meias palavras alerto-o para o que se está a passar.

18 de Março

Aproveitando o final da prevenção rigorosa, passei pelos correios e enviei um telegrama para o Major Raul Folques, que estava na Guiné, com um nome falso no expedidor e com o seguinte texto: “Teu substituto Almeida Bruno não segue. Está retido na Trafaria desde anteontem, assim como outros vindos daí. Informa-te. Um abraço

De tarde, o General recebe a nota que nomeia o seu substituto, General Beltrão Filho (Pais Brandão) e que determina que o comando deve ser assumido no dia seguinte, por este. (…)

A versão de Otelo S. Carvalho

Depois desta cronologia de factos ocorridos na época, consideram os leitores que as afirmações de Vasco Lourenço têm alguma credibilidade?

Além disso saliento que tenho maneira de comprovar a veracidade do citado telefonema, não apenas através dos intervenientes que eu “recrutei”, mas também com o testemunho de Otelo Saraiva de Carvalho.

Vejamos o seu livro “Alvorada em Abril”, escrito quando já navegava nas águas da extrema-esquerda, em 1977. Na pág. 278 pode ler-se:

“(…) Mas era importante exercer sobre os camaradas que integravam a coluna do BC5 e até a do RC7 uma acção desmobilizadora. Fiz uma chamada telefónica para a Academia Militar. Atendeu-me o Rio de Carvalho. Perguntei-lhe, de chofre, se havia alguém disponível que pudesse ir para junto do RAL1 e que conhecesse o Major Vinhas.

- Não sei pá. Vou ver se há por aqui alguém. Mas olha que a malta está em prevenção rigorosa. O que é que tu andas a fazer?

- Deixa lá isso agora. Estou-me nas tintas para a prevenção. Arranja mas é aí um gajo qualquer da malta que possa vir para aqui. O Lopes Pires, por exemplo.

“O Capitão Manuel Amaro Bernardo, do meu curso, ajudante de campo do General Comandante apareceu depois a garantir que alguém ia lá ter e perguntou-me o que é que havia.

-Bolas! – disse eu – Depois hás-de saber. Agora preciso que venha aqui alguém para ver se convence o Vinhas.

“Desliguei. E metendo-me com o Miquelina Simões no carro, tentámos, então a nossa sorte. (…)

Neste texto de Otelo apenas existe uma incorrecção. Ele não podia ter sugerido o nome do Ten-Coronel Eng.º Fisher Lopes Pires (mais tarde graduado em general e membro da Junta de Salvação Nacional depois de 28-9-1974), pois a escolha casualmente foi feita por mim, sem saber do teor da conversa de Otelo com Rio de Carvalho e terá sido acrescentado na sua versão à posteriori, por o ter visto naquele local.

Repare-se também que, ao contrário do que fazia com os outros, colocou no seu texto o meu nome completo, para não confundir com o Lencastre Bernardo, de Artilharia (depois amigo do Dias Loureiro…) ou com o Correia Bernardo, de Cavalaria, que ficou na defesa da EPC, quando o Salgueiro Maia saiu a 25 de Abril.

Na página 281, Otelo confirma a chegada dos oficiais que eu enviara:

(…) Ele (Miquelina Simões) continuara o seu veemente protesto junto do Major Vinhas e da malta do BC5. Entretanto, acorrendo ao meu telefonema, aparecera o Nuno Bívar, num jipe da Academia, tendo saído com o pretexto de ter uma instrução de Educação Física programada para o anexo da Amadora e não poder faltar. Ajudara ao barulho.

Acompanhara-o o Lopes Pires que, prudentemente, não abandonara o jipe. (…)

General Spínola sobre a actuação de Vasco Lourenço na Guiné

Continuemos o despacho do General António de Spínola referido no início deste texto:

“2. Rancho

“O pessoal queixou-se de que há cerca de 15 dias se encontrava sem batata e arroz e que teve falta de farinha e sal.

“Averiguei sumariamente a origem de tal anomalia; imediatamente concluí pela existência de graves negligências do Comandante de Companhia e do vaguemestre.

“Ambos se encontravam de licença com conhecimento do Comandante de Batalhão de Caçadores 2879.”

“3. Alojamento do pessoal

“As condições de alojamento são péssimas, com a agravação de se encontrar em construção um aldeamento, que oferece a experiência suficiente para se improvisar rapidamente instalações aligeiradas, que satisfaçam condições mínimas de habitabilidade.

“Há pessoas a viver em abrigos, que são buracos absolutamente inabitáveis.

“O pessoal encontra-se há dez meses na Província e ainda não tem colchões. Porquê? Quando unidades mais recentes já os têm.”

“4. Armamento

“Encontrei espingardas automáticas G3 em péssimo estado de limpeza e conservação, o que denota que há muito tempo não é passada revista ao armamento, negligência do comando grave em campanha. Note-se que as companhias africanas e as milícias vêm tendo cuidados especiais com a conservação do armamento.”

“5. Acção disciplinar sobre o pessoal

“Proíbo que, com base na presente inspecção se punam soldados (refiro-me ao armamento), pois as faltas por mim detectadas encontram-se cobertas pelos Comandantes de Pelotão e estes pelo Comandante de Companhia, a quem deve ser pedida responsabilidade.” (…)

“9. Inspeccionarei Cuntima dentro de um mês. O Senhor Cmdt/CTIG e o Cmdt Bat. adoptarão todas as medidas necessárias em ordem a resolver todas as anomalias detectadas”.

“Sobre esta circular (despacho), o Ex.mo Cmdt de Bat., Ten-Coronel Inf.ª António José Ribeiro, lançou o seguinte despacho:

Ciente.

Foram tomadas todas as providências requeridas.

Tinha conhecimento pessoal dos assuntos expostos, excepto na falta de aptidão do Capitão para comandar – só está há dois meses sob o meu comando –, e do estado de limpeza das G3. Aguardo a chegada do vaguemestre da companhia para o ouvir nos termos do art.º 130 do RDM e puni-lo, caso, como parece verificar-se, haja incúria nos serviços a seu cargo”.

As “aventuras” de Vasco Lourenço na Guiné e os elogios a Fabião

Terá sido na sequência destes factos que Vasco Lourenço foi punido por duas vezes, deste modo:

Em 21-11-1970, punido com uma repreensão pelo Comandante Militar do CTIG, “por durante alguns interrogatórios a elementos suspeitos da população civil ter usado e mandado usar meios coercivos para com os mesmos”. Infringiu o dever 44.º do art.º 4.º do RDM.

Em 22-2-1971, foi punido com uma repreensão, pelo Comandante Militar do CTIG, “porque tendo conhecimento de deficiências graves na confecção do rancho, devidas à inaptidão do vaguemestre da companhia, não actuou de forma adequada que a situação exigia, do que resultou terem-se tais deficiências repetido, com manifesto prejuízo para a disciplina”. Infringiu 5.º do art.º 4.º do RDM.

Esta punição era inicialmente de três dias de prisão (24-10-1970), tendo sido possivelmente alterada face a reclamação feita pelo oficial.

As duas repreensões viriam a ser posteriormente anuladas: a primeira, uma ano depois, nos termos do art.º 154.º do RDM; e a segunda, pelo Decreto-Lei 202/74 de 14-5-1974.

Lembro que no seu depoimento a Maria Manuela Cruzeiro (Do Interior da Revolução, Lisboa, Ed. Âncora, 2009), Vasco Lourenço, a propósito dos saneamentos compara dois “casos especiais”, o meu, em que, segundo ele “a evolução da situação fez com que fosse esquecida essa decisão e eles nunca fora passados compulsivamente à reserva”. Não é verdade! Depois de todo um processo movido por mim, ao longo de muitos meses, houve uma decisão para anular tais saneamentos, autênticos escândalos contra os mais elementares Direitos do Homem. E se ele tivesse “vergonha na cara”, nem viria agora falar sobre tal escabroso assunto.

O outro caso especial, que veio defender como bom na sua perspectiva, foi o sucedido com Carlos Fabião. Segundo ele, este oficial “é bem o exemplo de um oficial extraordinariamente digno, que foi muito mal tratado pelo Exército, e não só”. Não seria o contrário? Não foi Fabião que, com o seu comportamento como CEME, deixou que o Exército fosse disciplinar e eticamente destruído, de tal modo que nenhum comandante de Unidade, na altura, podia em consciência dizer que uma qualquer ordem sua fosse cumprida?

E onde estava a sua dignidade quando numa audiência concedida sobre o caso dos saneamentos, em Dezembro de 1974 eu lhe disse que iria tentar resolver o assunto pela via judicial, e me respondeu que os Tribunais não mandavam nada, pois o poder estava nele e nos que tinham feito a revolução.

De facto, apenas voltámos a viver num Estado de Direito, depois do 25 de Novembro de 1975, quando ele foi demitido e os Tribunais voltaram a ter a importância que lhes é devida.

Naquele depoimento a Maria Manuela Cruzeiro, Vasco Lourenço inventa factos a seu belo prazer. Dois oficiais já vieram a público desmascarar essa atitude incorrecta de presunção e mistificação: o General Ricardo Durão e o Coronel Av. Costa Martins. Com este texto espero igualmente ter dado a minha contribuição para a desmontagem da manipulação (incluindo a omissão do importante contributo dado ao processo contestatário por oficiais que estavam nas comissões em África) feita ao longo do referido livro.

Cor Ref. Manuel A. Bernardo

25-6-2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

Costa Martins arrasa memórias de Vasco Lourenço...

O ex-ministro do Trabalho de Vasco Gonçalves classifica o livro de "ofensa ao 25 de Abril".
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Num extenso comentário enviado ao Expresso, o coronel Costa Martins disseca o livro "Do Interior da Revolução", uma longa entrevista de Vasco Lourenço a Maria Manuela Cruzeiro, do Centro de Documentação 25 de Abril e editado pela Âncora. Martins acusa Lourenço: "Em alguns casos, inventa factos; noutros - para fugir a responsabilidades, ou por ignorância - diz desconhecê-los; e em outros, manipula-os e subverte-os, chegando, por vezes, a fazê-lo de forma ridícula e até incorrendo em flagrantes contradições".Piloto-aviador na reforma, Costa Martins também esteve envolvido no golpe de 25 de Abril, após o que foi ministro do Trabalho de todos os governos de Vasco Gonçalves. Membro dos conselhos de Estado e da Revolução, participou em muitos dos episódios referidos no livro por Vasco Lourenço, mas pertencendo a uma corrente político-militar diferente: enquanto este foi um dos operacionais do "grupo dos nove", Martins fazia parte da corrente "gonçalvista", alinhada com o PCP. Se Lourenço foi um dos vencedores do 25 de Novembro, Martins passou à clandestinidade e chegou a viver em Angola."Vasco Lourenço tem o direito de não entender que o mundo ultrapassa os limites do seu umbigo", escreve Costa Martins. "O que não tem é o direito de ofender tudo e todos para dar largas ao seu exacerbado egocentrismo e à sua desmedida megalomania, parecendo usá-los como capa para mascarar as suas frustrações. Nem tem o direito de denegrir o bom-nome e a honra dos seus camaradas militares, com invencionices, deturpações e manipulações de factos, mentiras e calúnias, espezinhando tudo e todos, muitas vezes dissertando sobre o que não sabe, ou não conhece, e atraiçoando a própria História do país".Segue-se, na íntegra, o texto do coronel Costa Martins (os subtítulos são da responsabilidade do Expresso).
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Uma ofensa ao 25 de abril
* Costa Martins
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No Expresso de 25-04-2009, foi publicado um artigo de José Pedro Castanheira alusivo ao livro de Vasco Lourenço, intitulado "Do Interior da Revolução" em que sou visado. À partida, senti relutância em ler o livro pelo facto de Vasco Lourenço não me merecer confiança e por estar farto das suas mentiras e calúnias. Contudo, algumas pessoas recomendaram-me que o lesse, e acabei por fazê-lo. E valeu a pena.A entrevistadora, no contexto das perguntas e com os seus profundos conhecimentos, refere aspectos importantes da História recente de Portugal.Vasco Lourenço, dissertando sobre tudo e sobre todos, faz declarações por vezes inéditas.Em alguns casos inventa factos; noutros - para fugir a responsabilidades, ou por ignorância - diz desconhecê-los; e em outros, manipula-os e subverte-os, chegando, por vezes, a fazê-lo de forma ridícula e até incorrendo em flagrantes contradições.Vasco Lourenço chega a declarar que Melo Antunes era o único que tinha um plano estratégico para o país, mas que "foi um benefício" a sua saída da Comissão Coordenadora, quando ele entrou!E afirma a seguir que: "o mesmo se passando com a substituição de Costa Martins por Canto e Castro". Não se tratou de substituição na Comissão Coordenadora, mas sim da usurpação do meu lugar no Conselho da Revolução, "cozinhada" de forma porca e suja, que então denunciei e o Expresso publicou.
Não somos burros dispostos a comer toda a palha
Vasco Lourenço mostra a sua verdadeira personalidade, sobre a qual não posso pronunciar-me em termos clínicos porque não sou médico da especialidade; mas posso e devo fazê-lo em termos de apreciação comum, ainda que, por agora, de forma não muito aprofundada para não me alongar demasiado - apesar de haver "pano para mangas"...Vasco Lourenço tem o direito de não entender que o mundo ultrapassa os limites do seu umbigo.O que não tem é o direito de ofender tudo e todos para dar largas ao seu exacerbado egocentrismo e à sua desmedida megalomania, parecendo usá-los como capa para mascarar as suas frustrações.Nem tem o direito de denegrir o bom-nome e a honra dos seus camaradas militares, com invencionices, deturpações e manipulações de factos, mentiras e calunias, espezinhando tudo e todos, muitas vezes dissertando sobre o que não sabe, ou não conhece, e atraiçoando a própria História do País.Na voracidade dos enganos vai ao ponto de nem sequer poupar a criança, seu neto, na dedicatória que lhe fez! Toma-nos a todos como se fossemos uns burros dispostos a comer toda a palha que nos quer dar.Certamente usando o dom da ubiquidade, esteve em todas as reuniões do MFA. Dirigiu e comandou tudo e todos, admoestou generais e pô-los em sentido. Ameaçou atirar pela janela quem se lhe opusesse, e reclamou camisa-de-forças. Vetou decisões que não lhe interessavam - ainda que, por vezes, contrariando a vontade de todos os outros. Impôs o que entendeu. Opôs-se a que existissem Generais na Junta de Salvação. Entendeu que seria ele "o comandante do 25 de Abril". Achou que os órgãos de comunicação social "tinham de estar disciplinados". E propôs-se vetar o resultado das eleições democráticas se entendesse que os eleitos eram "reaccionários"!Com um tal democrata, para quê ditadores?
No 16 de Março
À medida que avançava na leitura do livro ia-se-me aguçando o interesse por tropeçar no capítulo em que Vasco Lourenço tivesse ordenado a Deus que se afastasse, para que fosse ele a comandar o mundo. Mas não o conseguiu.E tudo por causa dos seus camaradas militares, porque uns são "cobardes", outros "tontos", outros "pobres diabos", outros "actores de palco", outros, "um bluff". Enfim, "uma cambada de incompetentes".E os spinolistas? Essa "cambada de inúteis e imbecis" que "Spínola tinha à sua volta" e que só se apercebeu disso quando ele lhe chamou a atenção durante um reparo que lhe fez.Foi por tudo isso que, logo no dia 16 de Março - já nos Açores - "sem saber exactamente o que se estava a passar" chamou "montes de nomes à malta do Movimento. Estúpidos. Deitaram tudo a perder! "Não fora a contenção imposta pelo seu profundo sentimento de camaradagem - que sempre alardeou - e teria muito mais epítetos para qualificar toda essa cambada de incompetentes, de inúteis e imbecis, estúpidos, tontos, cobardes, pobres diabos, actores de palco, bluffs, que, em vez de o ajudarem só o atrapalharam!E foi por causa deles que não conseguiu afastar Deus e tomar o comando do mundo! Mas, também se o tivesse conseguido, não tinha tido a possibilidade de, no 25 de Abril, nos Açores, apelar ao Aspirante Ramos para que rezasse!Isto, à cautela, não fosse o diabo tecê-las, porque apesar de ter deixado tudo preparado e todas as ordens dadas a todos antes de embarcar para os Açores, o Otelo podia não as ter entendido e resolver usurpar-lhe o palco - que era seu, exclusivamente seu!
No 25 de Abril
Já os fascistas, também estúpidos e incompetentes, nem discorreram que, se em vez de o terem mandado para os Açores em princípios de Março o tivessem feito alguns dias antes, não tinha havido 25 de Abril!E a coisa que não lhes perdoa "foi o impedirem que estivesse aqui no 25 de Abril" - embora confesse que sempre esteve disposto a seguir!A fls. 187 do livro, a propósito da sua ida para os Açores, faz mesmo a seguinte declaração: "Está bem. Eu embarco. Já fizemos o que tínhamos a fazer, aliás, eu sempre estive disposto a seguir"!Se em vez de sempre ter estado disposto a seguir, tivesse tido a determinação de ficar e a coragem de enfrentar o regime recusando-se a embarcar, teria cá estado no 25 de Abril. Mas preferiu o pseudo rapto, para show off e como forma de fugir às responsabilidades, "empurrando-as" para cima de outros, em vez de as assumir.Até porque, pouco tempo antes, um Capitão do Estado-Maior da Força Aérea, a quem fora imposta uma deportação, recusou-se a embarcar e, mesmo sem ter atirado indivíduos pelas janelas nem reclamado camisa-de-forças, ficou cá e participou activamente no 25 de Abril! Contudo, melhor fora que esse "tonto" não tivesse cá ficado.Então não é que ele, "incapaz de perceber o seu Princípio de Peter", no 25 de Abril ia deitando tudo a perder com a emissão de um NOTAM determinando o encerramento do espaço aéreo português, o que fez com que Vasco Lourenço se visse impedido de regressar de imediato a Lisboa para estar "aqui no Continente, no centro dos acontecimentos" - no palco! Crime de "lesa-majestade" que nunca mais lhe perdoou.Contudo, se tivesse recusado seguir para os Açores, Vasco Lourenço, não teria sabido que, "afinal [tinha] uma importância doida" - apesar de não ter sido nessa altura que pediu uma camisa-de-forças - só se tendo apercebido disso quando, no seu embarque, se deparou no Aeroporto com os "pides, com aqueles carimbos todos da PIDE, gabardina, óculos escuros, ar sinistro"..."pides por todo o lado"..."tantos!"Mas não foi só em relação à ida para os Açores que, em matéria de fuga às responsabilidades em momentos sérios e difíceis, Vasco Lourenço esqueceu a sua tão exibida frontalidade e procurou fugir às responsabilidades.
No PREC
No Verão de 1975, a dada altura houve reuniões do CR, no Alfeite, em dias sucessivos. Numa dessas reuniões, para me atacar, fez acusações graves relativamente a dois processos que corriam no Ministério do Trabalho.Não podendo exibir elementos, por não os ter naquele momento, limitei-me a manifestar profunda estranheza.No dia seguinte levei os respectivos dossiers à reunião e provei ser mentira tudo quanto Vasco Lourenço propalara na véspera.Por não estar disposto a tolerar calunias, dirigi-me ao Primeiro-Ministro e ao Presidente da República, que participavam da reunião, e apresentei a minha demissão - que o Expresso noticiou. E sugeri a nomeação de Vasco Lourenço para me substituir como Ministro do Trabalho. Porque o cargo não era "pêra doce", encolheu-se e esquivou-se a aceitar tais responsabilidades.Na sequência de insistentes solicitações do PR e do PM para que eu permanecesse em funções, acabei por aceitar, mas deixei bem claro que não admitiria críticas levianas e assentes em falsidades, para mais vindas de quem mostrava incapacidade para desempenhar as funções e assumir as inerentes responsabilidades.Também, mais tarde, no dia 25 de Novembro, quando o confrontei com as vergonhosas calúnias que propalara na entrevista publicada no República em 20-11-75, relativas à Cabala do "Dia do Salário, mais uma vez mentindo procurou fugir às suas responsabilidades, declarando que não tinha dito "nada daquilo", que fora tudo invenções dos jornalistas e que iria fazer o desmentido no dia seguinte. Nunca cumpriu, nem nunca se retratou!No 25 de NovembroCom todo o seu heroísmo, no 25 de Novembro, em vez de ter assumido as suas responsabilidades, indo para o Comando da Região Militar de Lisboa, da qual era o comandante, "[deu] instruções a Ramalho Eanes para ir para a Amadora", e resolveu ficar em Belém" debaixo das asas do PR - não fosse, desta vez, o diabo tecê-las, para mais com a agravante de não ter à mão o Aspirante Ramos para rezar.Mas há cerca de um ano teve o descaramento de declarar que no dia 25 de Novembro nunca me viu em Belém, apesar de se ter encontrado comigo nas duas vezes em que lá fui reunir-me com o PR, precisamente a propósito do 25 de Novembro! No livro faz a seguinte surpreendente declaração: "Eu ainda hoje não percebi qual foi a actuação do Costa Martins". Assim sendo, tem falado à toa, de forma irresponsável e inconsciente, quando sobre ela se tem pronunciado; para mais, fazendo-o geralmente à base de mentiras e calúnias!Aliás, para que Vasco Lourenço pudesse "perceber qual foi a minha actuação" teria de saber primeiro, o que verdadeiramente, esteve por trás do 25 de Novembro, por trás da sua azáfama, do "levar e trazer", do "diz que disse" e das tarefas sujas a que se prestou, mentindo e caluniando camaradas que, de boa fé, o consideravam amigo.É óbvio que eu - tal como a esmagadora maioria da população - não estava de acordo com os crescentes desmandos com que, no dia a dia, éramos confrontados, nem com o desnorte existente no País. Mas sabia que o que estava em causa não era o apregoado. E sempre estive contra a destruição dos Valores e Princípios Éticos, imprescindíveis ao relacionamento dos cidadãos na "prometida sociedade de rosto humano."
O exibicionismo da megalomania
Vasco Lourenço, na ânsia da sua desmedida ambição, parece ter corrido atrás de miragens acenadas por "aladinos" - qual coelho correndo atrás das cenouras - mas que, a final, em matéria de concretização se confinaram a duas efémeras estrelas, rapidamente apagadas quando os seus "brilhantes serviços" deixaram de "ter aproveitamento".E de pouco lhe serviu ter ido sentar-se na cadeira do Primeiro-Ministro, em São Bento, num dia em que o Governo reuniu em Belém.Parece serem essas as causas das suas incontidas frustrações bem espelhadas no livro, ainda que aparentemente camufladas pelo exibicionismo da sua megalomania e pela linguagem deselegante, grosseira e por vezes ofensiva, com que se refere a camaradas e se dirige publicamente a entidades respeitáveis, inclusivamente ao próprio Presidente da República, pensando que, assim, parece importante!
...
.*Costa Martins Coronel piloto aviador, na reforma; ex-ministro do Trabalho dos II, III, IV e V Governos Provisórios; ex-membro da Comissão Coordenadora do MFA, do Conselho de Estado, do Conselho da Revolução e do Conselho dos Vinte.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Vasco Lourenço, "do Interior da Revolução", entrevistado por Manuela Cruzeiro

A sede da Associação 25 de Abril foi demasiado pequena para acolher todos os que quiseram assistir à apresentação do livro que resultou da extensa entrevista de Manuela Cruzeiro a Vasco Lourenço.
Por estas páginas passa, em discurso directo e na primeira pessoa, muito do que foi o 25 de Abril, contado por um dos que nele, antes, durante e depois, tiveram um papel de excepcional e determinante relevo: Vasco Lourenço que, sem desistir dos ideais de Abril é, desde a sua fundação, há 25 anos, o Presidente da Direcção da Associação 25 de Abril.




A mesa que apresentou esta obra, da esquerda para a direita: Vasco Lourenço, Pedro Pezarat Correia, Aprígio Ramalho (Secretário-Geral da A25A) dando as boas-vindas a todos e Manuela Cruzeiro, a autora da entrevista



Coronel Vasco Lourenço


Drª Manuela Cruzeiro, autora de entrevista a Vasco Lourenço
e que, no Centro de Documentação de Universidade de Coimbra
tem recolhido a memória oral de vários "capitães de Abril"
No prefácio deste livro, escreve ela:
"A obra que agora se traz a público estava de alguma forma há muito anunciada, dado o lugar de relevo que Vasco Lourenço ocupa na galeria dos heróis de Abril. Na verdade, ela preenche finalmente um vazio no conjunto já vasto e muito variado dos testemunhos que, ao longo destes trinta e cinco anos, foram surgindo por parte de figuras de igual destaque ao do meu entrevistado, ou de outras cujo protagonismo, por menos visível que seja, não deixa de ser imprescindível para o conhecimento do complexo e multifacetado processo que entre 74 e 76 mudou radicalmente a vida deste país."


Major-General Pezarat Correia apresentando uma obra cujos factos relatados, também ele conheceu e viveu , enquanto protagonista destacado


Gabriela Lourenço, filha de Vasco Lourenço, com o Vicente ao colo

A dedicatória que Vasco Lourenço faz nas primeiras páginas desta obra, começa assim:
"Meu querido Vicente:
Este é um livro com dois autores: a entrevistadora, Manuela Cruzeiro e o entrevistado, o teu avô Vasco.
Pela minha participação, sinto que posso dedicá-lo a alguém.
E é a ti, querido Vicente, que dedico a narrativa de parte da história da minha vida.
Para não ficares sozinho, permite que te junte duas pessoas que são também as mais que tudo para mim: a tua mãe Gabriela e a tua avó Adélia que me proporcionou o dia mais feliz da minha vida ao dar-me uma filha.
Ao leres este livro, tomarás conhecimento de parte da luta do teu avô por uma sociedade melhor."

Fotografias e reportagem de Álvaro Fernandes



domingo, 12 de abril de 2009

Vasco Lourenço e o Manifesto do 25 Abril...

O presidente da Associação 25 de Abril, coronel Vasco Lourenço, garantiu ontem que o manifesto, subscrito por várias personalidades do PS, como Mário Soares, não contém críticas ao Governo de José Sócrates.
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"Isso é uma hipótese absurda. Não são críticas ao Governo, é uma análise. Se o PS subscreve, como poderiam ser críticas ao Governo?", afirmou ao CM Vasco Lourenço, contrariando notícias que ontem vieram a público.
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O manifesto, que serve de apelo à participação na manifestação de 25 de Abril e é subscrita por várias personalidades do PS, à semelhança do que acontece todos os anos, defende que a "crise internacional não poderá servir de cobertura para perpetrar arbitrariedades e violências contra os trabalhadores".
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Questionado sobre a promoção do coronel Jaime Neves a general, Vasco Lourenço classificou esta de "aberração".
in CM

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Uma tese absurda e a indignação de Vasco Lourenço


A mensagem do Coronel Vasco Lourenço

Há situações que, por mais criativos que sejamos, temos dificuldade em prever.

Foi isso que se passou com a tese irrealista e sem sentido que o sargento pára-quedista Manuel Rebocho conseguiu ver aprovada na universidade de Évora.

Perante os factos, tenho dificuldade em graduar a (i)responsabilidade dos vários intervenientes:

. o autor da tese, ao inventar uma teoria que, até agora (penso eu) só ele teve a ousadia de explanar;

. os responsáveis da Academia Militar que, conhecedores da tese, nada fizeram (é essa a ideia que existe) para impedir a consumação do "crime" que a sua aprovação implicaria;

. idem, para os responsáveis do Estado Maior do Exército;

. a professora orientadora da tese;

. os professores arguentes da tese que, embora não concordando com o louvor à mesma, a aprovaram com distinção (com a agravante de um dos arguentes ser um professor da Academia Militar, coronel pára-quedista);

. os restantes professores membros do júri, que aprovam a tese, com distinção e louvor;

. a universidade de Évora, que dá cobertura a todo o processo;

. os oficiais pára-quedistas, tão mal tratados na tese, que, após a conhecerem, tendo ou não assistido à sua apresentação, nada fizeram para a denunciar;

. ... ... ...

Enfim, sinais dos tempos que correm...

Porque considero necessário e útil denunciar esta situação, dou conhecimento público de dois documentos sobre a tese em causa.

Sem mais comentários...

Vasco Lourenço



A carta do Coronel Vasco Lourenço


Exmo. Senhor

General Chefe do

Estado Maior do Exército


Há algum tempo – penso que no ano de 2004 – fui informado pelo então general CEME, general Valença Pinto, que existia um projecto de tese, intitulado “A formação das elites militares em Portugal de 1900 a 1975”, da autoria do sargento Manuel Godinho Rebocho, onde eu era referido em termos tais, que ele considerava ofensivos, pelo que me sugeria que lesse essa parte da tese e sobre a mesma tomasse as medidas que considerasse pertinentes.

Tendo tido acesso à tese, no gabinete do próprio CEME, constatei que, de facto ali era referido, em termos incorrectos e fortemente deturpados, no que se referia à minha prestação na Guiné, como comandante da CCaç 2549 do BCaç 2879, nos anos de 1969 a 1971.

Pude também verificar que essas referências deturpadas – porque desinseridas do total da minha comissão, tratadas parcialmente, sem a preocupação de se saber como terminara a “estória” – eram suporte para me apresentar como exemplo e demonstração da tese do doutorando: os oficiais do Q.P., formados na Academia Militar (por ele chamados “de carreira”) foram maus comandantes, maus operacionais, incapazes, deram origem a que o Exército perdesse a guerra.

Era uma tese tão irreal, tão absurda que considerei, então, que a minha posição pessoal pouco interessava, face à questão de fundo.

O que, acrescentado ao facto de o episódio fazer parte do todo da minha acção na Guiné e da “guerra” entre o general António Spínola e o capitão Vasco Lourenço, por demais conhecida de todos os que estiveram, nessa altura, na Guiné e onde, em minha opinião, saí em termos pessoais claramente vencedor, decidi não tomar uma atitude pessoal.

Como, então, transmiti ao general Valença Pinto considerava que competia ao Exército estar atento às teorias defendidas na tese – pelo que pudera vislumbrar, no pouco que lera da mesma, pois não tivera pachorra para a ler na totalidade – e não permitir que as mesmas tivessem vencimento.

Posição que reforcei junto do comandante da Academia Militar, general Silvestre Porto, quando nos encontrámos e ele me falou na tese, dizendo-me que eu deveria tomar uma atitude, junto da Universidade de Évora, pois a mesma não tinha qualquer suporte científico, não tinha um mínimo de qualidade. Ao dizer-lhe que isso era um problema do Exército, mal eu sabia ainda quanto a Academia, que ele comandava, era posta em xeque, na referida tese.

Mais tarde, fui surpreendido, na minha qualidade de presidente da Direcção da Associação 25 de Abril, por um convite, dirigido pelo autor da tese, para a sua apresentação na referida Universidade de Évora.

Revoltado com tanta desfaçatez e ousadia, respondi ao sargento Rebocho, recusando o convite, face à minha não audição, durante a elaboração da tese, e ao não tratamento correcto da minha actuação na Guiné.

Resolvi, também, do que lhe dei conhecimento, comunicar, ao júri de apreciação da tese, esta minha posição.

Nunca mais me preocupei com o facto, até que fui convocado para ser ouvido na PSP, sobre uma queixa de Manuel Godinho Rebocho.

E, aí, vi-me perante uma situação kafkiana: eu, que decidira não processar o autor de ofensas de que fora pessoalmente vítima, estava a ser acusado pelo mesmo, que se considerava ofendido por eu ter afirmado que ele me não ouvira na sua tese “talvez porque tem a noção da malévola deturpação que faz do que se passou na Guiné”.

Respondi, calmo, descansado, e passado algum tempo, recebi a comunicação de que o Ministério Público não acompanhava a acusação, pois considerava não haver motivo para a mesma, visto eu não ter cometido qualquer delito.

Contrariamente ao que pensava, o assunto não morreu ali.

Passado algum tempo, sou convocado, como arguido, para comparecer a um julgamento no Tribunal de Évora. O autor da tese, Manuel Godinho Rebocho, insistira e deduzira acusação particular, acompanhada de um pedido de indemnização cível.

Como o referido sargento pretendia, ele que fora preso na sequência dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, conseguiu fazer sentar no “banco dos réus” o comandante das forças que então o levaram à prisão. É esta a minha convicção!…

Fui julgado, absolvido e o acusador teve de suportar todas as custas.

Soube, entretanto, que à apresentação da tese assistiram vários militares, nomeadamente o general Silvestre Porto e alguns ex-pára-quedistas, como o próprio autor da tese, oficiais e sargentos.

Tese que viria a ser aprovada por unanimidade dos membros do júri presentes, com distinção e louvor. Sendo que o louvor foi apenas aprovado por três desses jurados, visto os arguentes não o terem feito.

Tive, entretanto, acesso a um estudo feito pelo senhor coronel António Carlos Morais da Silva, onde o mesmo demonstra a nula qualidade científica da tese e afirma a sua perplexidade pela aprovação da mesma, no âmbito da Universidade de Évora.

O que, em seu entender, não dignifica a referida Universidade e condena os membros do júri pelo mau serviço prestado à mesma e ao País.

Não gostaria de entrar pela teoria de haver quem, por razões ideológicas, não hesite em permitir e aprovar ataques ao Exército como um todo, só porque os mesmos são feitos através de um dos mais conhecidos Capitães de Abril. Com isso, atacando o 25 de Abril, em si mesmo.

É que há quem continue a ver em tudo “uma mulher bonita” e não aceite conselhos para ir ao médico… principalmente, se essa “mulher bonita” for o ódio ao 25 de Abril.

Pessoalmente, não me vou alongar sobre os motivos que levaram os vários membros do júri a esta situação.

Sempre direi, no entanto, que ao ver como foi possível que uma tese como esta fosse aprovada, considero desmascarada a forma como algum ensino é conduzido em Portugal, mais especificamente nas universidades. Pelo menos, na Universidade de Évora.

E, como é natural, qualquer respeito que os membros do júri em questão me pudessem merecer, desapareceu por completo…

Outro tipo de questões gostaria, ainda, de levantar: até se pode compreender a comparência de ex-pára-quedistas à apresentação da tese, face ao seu desconhecimento do teor da mesma e, nomeadamente, da forma como, no entender do coronel Morais da Silva, são nela tratados “os capitães QP destas tropas são, na quase totalidade, nomeados e enxovalhados a todo o tempo e de todas as ‘estórias’ em que a tese se espraia, para lá do necessário à investigação e ao arrepio desta, emerge a excelência e a mestria do autor”. Mais difícil é perceber como os mesmos não abandonaram a sala, durante a discussão da tese.

U ma coisa não consigo, no entanto, compreender: como foi possível o general Silvestre Porto, comandante da Academia Militar, ter estado presente na apresentação da tese, depois da opinião que me transmitiu pessoalmente e face à maneira miserável como a acção da Academia Militar é tratada na mesma? É que a simples presença na apresentação, é normalmente entendida como apoio ao autor e à tese…

E como foi possível que um professor da mesma Academia Militar, o coronel António Bravo Mira Vaz, ainda para cima pára-quedista, pudesse, como arguente, aprovar e distinguir a referida tese? Tentando resguardar-se, ao não votar no louvor à mesma!

Senhor General, Chefe do Estado Maior do Exército,

Por tudo o que referi, porque subscrevo o estudo elaborado pelo senhor coronel António Carlos Morais da Silva, tendo presente a enorme responsabilidade da Academia Militar, do Estado Maior do Exército e, portanto, do próprio Exército Português, ao permitirem a aprovação da tese em causa, solicito a V. Exa. se digne tomar as medidas que considerar necessárias, para terminar com a actual situação.

Que poderão passar pela sugestão que o coronel António Carlos Morais da Silva lhe fez, quando lhe deu conhecimento do seu estudo de 10 de Junho de 2008, mas que não deverão ficar por aí.

Considero que o Exército deveria pugnar pela anulação da referida tese, pois, como afirma Morais da Silva, a mesma é bibliografia validada por uma universidade.

Por fim, gostaria de informar V. Exa. de que, em termos pessoais, não decidi ainda se tomarei outras atitudes, em relação a esta questão, reservando-me o direito de as assumir, se as considerar pertinentes.

Quanto a esta exposição, dado o teor público do assunto, solicito a V. Exa. que compreenda e aceite que a irei tornar pública.

Certo da compreensão de V. Exa. e esperançado na sua acção, em defesa da Instituição Militar, apresento os meus melhores cumprimentos.


Vasco Correia Lourenço

Cor. Ref.


A carta do Coronel Morais da Silva


Leia também a carta do Coronel Morais da Silva, dirigida ao Reitor da Universidade de Évora, Presidente do Respectivo Conselho Científico e membros do Júri [que aprovou a tese]; com conhecimento ao autor Manuel Godinho Rebocho, ao Chefe do Estado Maior do Exército e ao Comandante da Academia Militar.
Para o efeito, e visto este documento fechado não permitir transcrição, clique em:

file:///C:/DOCUME~1/PROPIE~1/DEFINI~1/Temp/Rar$DR06.625/tese%20rebocho_final.pdf