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domingo, 5 de julho de 2009

PINTO DE SOUSA SERVE-SE DO ESTADO PARA BENEFICIAR O FABRICANTE DO MAGALHÃES ATRAVÉS DE AJUSTE DIRECTO

Basta ler este artigo de opinião, surgido há dois dias no DN, para compreender como é que o estado cleptocrático se tem vindo a instalar nesta república bananeira. Somando a tudo isso o escândalo da não demissão do PM, a situação insustentável face à situação a que se chegou na instrução do caso Freeport, fazendo uso e abuso do cargo político de estado que ocupa, teremos a imagem do regime.Nada de novo, somente mais grotesco e obsceno. Pois já autarcas corruptos populistas e demagogos são useiros e vezeiros de se servirem do mandato para ocultarem ou obstacularizarem o inquérito, julgamento e punição de suas manobras, seus crimes, da sua administração danosa.Todo o estado está a saque há uma data de tempo.Quanto ao recente «estudo» ou inquérito da SEDES não tem grande interesse, pois aquilo que diz (os portugueses descrêm dos seus sistemas político e judicial) é um dado adquirido (infelizmente) pelo comum dos mortais, que vive neste país.Na minha opinião, teria interesse as pessoas perceberem de um vez por todas que a solução não passa pela política institucional, passa sim por elas se auto-organizarem no sentido de encontrarem as soluções, tornarem possível uma vivência cívica.Só elas é que podem salvar o país, acometido por uma «doença infecciosa, causadora de putrefação», isto é, a política dos partidos como lóbis ao serviço de interesses capitalistas diversos, que perpetuam e aprofundam a dependência neo-colonial em relação aos patrões da UE e dos USA.

Manuel Baptista

http://www.luta-social.org

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Tiro ao alvo



Sócrates já não diz «maioria absoluta»

Água mole em pedra dura, tante bata até que fura

Corrupção: portugueses não confiam no Governo

Demorou, mas foi

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A CORRUPÇÃO E A CRISE


. . . . Clique na imagem para ampliar.
Como a crise interna já se arrasta há quase uma década, tem-se propagado a ideia de que muitos dos nossos males provêm do elevado nível de corrupção que grassa em Portugal, um sentimento agravado com os badalados casos que recentemente têm vindo a público. Por isso, vale a pena perguntar: será mesmo assim? Afinal, quão grave será a corrupção em Portugal?
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Para respondermos a estas perguntas, o melhor é socorrermo-nos aos estudos comparativos da corrupção no mundo. O mais conhecido é o da Transparency International, cujo índice de percepção de corrupção é dos mais utilizados pelos investigadores destas matérias. E o que é que este índice nos informa? Que, em 2008, Portugal se encontrava em 32º lugar entre 180 países em termos de percepção de corrupção. Na Europa, Portugal estava na 19ª posição (em 31 países), tendo uma classificação pior do que a Espanha, mas melhor do que a Grécia, a Itália e a República Checa. Isto é, em relação à percepção de corrupção, e contrariamente àquilo que às vezes se pensa, Portugal não é dos melhores, mas certamente não é dos piores. Portugal está ligeiramente pior do que a média europeia. Esta ideia é confirmada se atentarmos às práticas de corrupção. Inquéritos realizados por esta organização revelam que somente dois por cento dos entrevistados portugueses já pagaram um suborno para obter determinados serviços.
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Mas as notícias menos más acabam aqui. Este índice internacional mostra claramente que a percepção de corrupção tem piorado nos últimos anos. Assim, em termos europeus, Portugal desceu cinco posições (piorou) entre 1998 e 2008. Pior: dois terços dos portugueses esperam que os problemas de corrupção vão aumentar nos próximos anos e, ainda mais grave, dois terços de nós considera que o Governo tem sido ineficaz no combate à corrupção. Ou seja, a percepção da corrupção tem aumentado com o arrastar da crise económica e a desconfiança em relação aos nossos governantes tem crescido consideravelmente. Esta ideia é confirmada se observarmos o impacto da corrupção nas várias instituições nacionais.
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Os portugueses consideram que os partidos políticos são muito corruptos e que o Parlamento, as autoridades fiscais e o sistema judicial são corruptos. A Polícia e os serviços médicos são igualmente olhados com desconfiança. Moral da história: apesar de Portugal não ser um país onde a corrupção impera, é preocupante observar que a percepção tem aumentado substancialmente e que o nosso sistema político é visto com extrema suspeição. Decerto que esta desconfiança em relação aos partidos políticos não terá diminuído com a aprovação da nova lei do financiamento.
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Claramente, esta tendência tem que ser invertida. Por isso, o próximo Governo terá responsabilidades acrescidas nesta matéria, principalmente se pretender ter aspirações reformistas. Neste sentido, a primeira medida do próximo Governo deveria ser a introdução de um pacote credível de medidas anti-corrupção.
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Uma tal medida seria importante para restaurar a confiança dos portugueses nos seus governantes e instituições, bem como para travar a recente subida da percepção da corrupção. E, como sabemos, a restauração da confiança é o primeiro passo para alcançar uma retoma económica há tanto esperada e desejada. Por isso, esperemos que os próximos Parlamento e Governo tenham a coragem de fazer aquilo que os portugueses crescentemente exigem: a introdução de leis anti-corrupção credíveis, que moralizem a vida pública e que ajudem a combater o generalizado clima de descrença que se vive no nosso país.
Álvaro Santos Pereira, professor na Simon Frasier University, Canadá

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Não é a crise que nos destrói. É o dinheiro...

Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos.O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa.
Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido.
Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático e foi-lhe dito sem rodeios que se desse um donativo de cem mil Contos "ao partido" o projecto seria aprovado.O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional.Seguiu-se uma fase de regateio que durou alguns dias.
Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí o montante exigido começou a baixar muito rapidamente.Chegou aos quinze mil Contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar".
Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado.
Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço foram dadas à empresária instruções muito específicas.O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo com os quinze mil Contos em notas de mil Escudos divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta. A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás.
O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil Contos e passou-a para trás dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido.O projecto foi aprovado nessa semana. Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.
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Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo.Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar. Pelo contrario.
Sub-repticiamente, no meio do Freeport e do BPN, sem debate parlamentar, através de um mero entendimento à porta fechada entre representantes de todos os partidos, o país político deu cobertura legal a estes dinheiros vivos elevados a quantitativos sem precedentes.
Face ao clamor público e à coragem do voto contra de António José Seguro do PS, o bloco central de interesses afirma-se agora disposto a rever a legislação que aprovou. É tarde.
Com esta lei do financiamento partidário, o parlamento, todo, leiloou o que restava de ética num convite aberto à troca de favores por dinheiro. Em fase pré eleitoral e com falta de dinheiro, o parlamento decidiu pura e simplesmente privatizar a democracia.
Mário Crespo
in JN

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A corrupção no seu impune esplendor

08.05.2009 - 14h37 Lusa

D. Manuel Martins alerta para perigo de sublevação


O Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, está preocupado com a situação ocorrida em Setúbal, alertando para o perigo de sublevações de uma população carenciada e mais sensível à crise e ao aumento do desemprego.

"Onde quer que eles (desacatos) acontecessem eu sofria com isso mas acontecendo ali, na minha terra, naquele bairro que eu vi nascer, onde promovi a construção de uma igreja, onde existe um pároco tão zeloso pela comunidade, lamento ainda mais profundamente que isto aconteça", disse à agência Lusa D. Manuel Martins, uma voz sempre activa, durante mais de duas décadas, na defesa dos direitos da população de Setúbal.

Na quinta-feira, uma manifestação junto à esquadra da PSP da Bela Vista obrigou a polícia a reforçar a segurança e a disparar tiros de aviso para o ar para acalmar o grupo de jovens que se reuniu em frente à esquadra, alegadamente para homenagear um rapaz assassinado pela GNR após o assalto a uma caixa Multibanco. A polícia decidiu manter hoje o reforço policial naquele bairro de Setúbal, onde um grupo de pessoas lançou quinta-feira à noite dois "cocktails molotov" contra as carrinhas da PSP, que se encontravam de prevenção no local.

"O que eu receio e tenho repetido muitas vezes é que nestas situações possamos encontrar, num futuro próximo ou remoto, já uma fogueira preparada para incendiar o país", alertou D. Manuel Martins, que foi ordenado Bispo de Setúbal em 1975. Questionado sobre os efeitos da crise e do aumento do desemprego junto da população, o prelado lembrou que "a situação é má e vai piorar". Sem emprego e sem dinheiro, D. Manuel admite que as pessoas em situação desesperada possam encontrar como única saída a violência: "Se não tiver pão ou mato-me ou mato, porque sem comer não se pode viver".

Perante este cenário, os Governos têm de ter uma "atenção especial" para com as populações dos bairros "mais pobres, mais desprotegidos, mais inseguros, onde não há trabalho, não há cuidados especiais de acompanhamento e, às vezes, nem sequer há habitações condignas". Resumindo: Os bairros "onde falta tudo aquilo que pode desaconselhar uma tentação de sublevação". Para o Bispo Emérito é preciso "privilegiar estas localidades como um pai ou uma mãe privilegiam um filho que está doente ou que tem especiais carências".

"Já há muito tempo que muita boa gente fala no perigo de sublevações que podem ser à partida muito pequeninas e muito localizadas e podem de um momento para o outro tornar-se generalizadas. Quem está no poder tem de ter muito cuidado e lidar com especial atenção estas situações, porque não basta ter a polícia a tomar conta", defendeu o prelado que ficou conhecido como o "Bispo Vermelho".

"Sei que isto está a acontecer em Portugal, aqui e além, com maiores ou menores dimensões, está a acontecer com grandes dimensões na Grécia, na França, na Itália. Já tem acontecido na Espanha e na Inglaterra e eu tenho muito medo que mesmo até inconscientemente toda aquela gente esteja a preparar, a criar terreno, para qualquer coisa de muito grave para a Europa", concluiu.
In Portugal Diário

Somando a isto, a ocupação da sede do BPP no Porto, por 150 clientes que têm o seu dinheiro a "arder" parece-me que já existem sinais suficientes de rastilhos que podem provocar uma explosão social incontrolável...pelo menos no quadro constitucional de um Estado de Direito Democrático.
Ah! E é bom não esquecer que continua a existir um conselheiro de Estado que vai, pela segunda vez, a uma comissão de inquérito parlamentar meter os pés pelas mãos e, quando confrontado com documentos comprometedores que assinou, evoca lapsos de memória, transpira e reconhece que a assinatura é sua mas "confessa" que desconhecia o seu conteúdo. Benza-o Deus, que isso de assinar de cruz é reservado a analfabetos, e não a ex-ministros, gestores de alto gabarito e conselheiros de Estado em exercício.
Que Sócrates continue arrogantemente autista, não surpreende. Está-lhe no código genético.
Resta saber se os restantes Orgãos de Soberania, começando pela Presidência da República, tencionam fazer o que lhes compete.
Para já não falar na lei aprovada pelo parlamento - quase por unanimidade - acerca do financiamento dos partidos. Isto é: quem paga a quem, porquê, para quê.
Esta breve resenha é uma vergonha para Portugal.
Urge alterá-la e, para isso, os cidadãos devem, podem e têm de exigir que se termine com esta pouca vergonha que é um saque descarado.

sábado, 18 de abril de 2009

DVD Freeport: Charles Smith chama corrupto a Sócrates...

O famoso excerto do DVD Freeport, em que Charles Smith chama corrupto a José Sócrates, emitido novamente pela TVI - desta vez com o som e imagem originais.
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Neste DVD, gravado em segredo por Alan Perkins (dirigente do Freeport), Charles Smith descreve ao detalhe como pagou vários milhões de euros em luvas para conseguir aprovar a construção do Freeport.
No vídeo é possível ver Smith e João Cabral (um ex-funcionário da Smith & Pedro) sentados numa mesa, enquanto são questionados por Perkins.
Os dois homens explicam como efectuaram vários pagamentos que chegaram ao então ministro do Ambiente, José Sócrates, através de um primo.
No fim do excerto, Smith mostra mesmo desconforto por estar a falar no interior de um gabinete e diz que preferia falar na rua.

sábado, 11 de abril de 2009

O combate à corrupção...

Esta semana, na Assembleia da República, Governo e Oposição discutiram quem mais quer combater a corrupção. Os termos da disputa são os mesmos desde 2006: uns querem a criminalização da riqueza inexplicada, outros preocupam-se com a presunção de inocência.
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Que dizer deste choque de princípios? É verdade que o enriquecimento é, simultaneamente, o principal motivo e às vezes o único indício da corrupção. Mas será um regime de suspeição geral e indiscriminada o melhor remédio? E não estaremos assim a escamotear uma das causas principais da corrupção?
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A corrupção não brota simplesmente da fraqueza ou maldade humanas. Há caldos de cultura propícios: por exemplo, um Estado que gasta o equivalente a 50% do que produzimos, confisca 38% do que ganhamos e condiciona e empata tudo e mais alguma coisa com leis más e uma burocracia lenta. O facto de estar previsto o crime de corrupção para "acto lícito" diz tudo sobre o nosso problema.
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Mais justiça e menos impunidade? Claro, desde que se respeitem as garantias individuais. Mas menos Estado e melhor Estado também ajudaria, apesar do que agora está na moda dizer.
A ocasião faz frequentemente o ladrão, e este Estado ineficiente e excessivo faz muitas vezes o corrupto.
Sem a reforma do Estado, pode-se brincar aos Zorros, mas não se combate a corrupção.
Rui Ramos
in CM

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Enriquecimento ilícito...

1. Sócrates fundamentou a rejeição do PS à proposta de criminalização do enriquecimento ilícito afirmando que, apesar de ser a favor da punição das ilicitudes, não concordava com a questão da inversão do ónus da prova. Não só a justificação de Sócrates é apatetada como é pouco válida. Pouco válida porque o conceito já existe para dados assuntos fiscais e apatetada porque a opinião pública percebe, evidentemente, que Sócrates está a querer fugir com o rabo à seringa.
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2. Sócrates nada fez, durante estes anos de governação, para combater eficazmente a corrupção. Antes pelo contrário, nos últimos meses ficou provado que, neste país, a criminalidade económico-financeira, compensa. Com o aval do governo PS e com a aquiescência do Banco de Portugal, o sistema bancário foi sendo palco de escândalo atrás de escândalo, segundo a lógica do resguardo e da indulgência para com investidores irresponsáveis e gestores incompetentes. Todas as falcatruas foram feitas, a ver vamos sobre quantos abutres serão punidos.
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3. Teixeira dos Santos afirmou, a propósito do facto de o off-shore da Madeira ter sido cotado na lista cinzenta da OCDE, que a postura seria de transparência no que concerne à divulgação de informação fiscal. O problema é que Sócrates tem recusado, consecutivamente, o levantamento do sigilo bancário. Sabemos que limpidez fiscal e levantamento do sigilo bancário são conceitos contraditórios e que, se o governo PS estivesse interessado em seguir o rasto do crime fiscal, resolveria de uma vez por todas o caso indecoroso do paraíso fiscal da Madeira.
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4. João Cravinho comentou a posição de Sócrates sobre o enriquecimento ilícito dizendo que a opinião pública não é parva e que existe um mal-estar crescente quanto ao mau funcionamento das instituições democráticas. A maioria absoluta do PS de Sócrates já não consegue esconder a sua degradação. O despudor com que o PS de Sócrates tem vendido a sua embustice aos portugueses não sairá impune nas urnas.
Natasha Nunes
in Esquerda.net

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Corrupção sem castigo...

José Sócrates defende que só deve ser punido por enriquecimento ilícito quem for condenado em tribunal. No plano dos princípios, a posição do primeiro-ministro até parece razoável. Contudo, tanta garantia jurídica associada a um código do processo penal que até parece feito para complicar a investigação dos crimes de colarinho branco e evitar a condenação dos actos de corrupção não passa de pura retórica para evitar que os suspeitos de enriquecimento sem justa causa sejam obrigados a revelar a origem do dinheiro.
A corrupção é um cancro que mina a nossa democracia e que é suportado duplamente pelos contribuintes que pagam serviços mais caros e de menor qualidade.
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Desde presidentes de câmara que fora da política tinham modestos salários e conseguiram a proeza de acumular patrimónios de milhões, a ex-ministros com níveis de enriquecimento dignos de ricos mandatários dos petrodólares de Angola, não faltam casos de enriquecimento mal explicados.
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Se a proposta apresentada em 2006 pelo PSD tivesse sido aprovada, que visava punir quem adquirisse 'um património ou um modo de vida que fosse manifestamente desproporcional ao seu rendimento', poderia haver já pessoas a ser julgadas e talvez houvesse mais vergonha de enriquecer à custa do dinheiro dos contribuintes.
Armando Estevas Pereira
in CM

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A CORRUPÇÃO E OS PORTUGUESES

Protestando que não está ainda condenado a nada (recorreu para a Relação), Domingos Névoa renunciou à presidência da Braval, uma empresa de tratamento de resíduos do distrito de Braga, para que tinha sido escolhido por unanimidade. Este acto de abnegação foi o resultado de um processo conjunto do Bloco, do PC, do PSD, do CDS e até (calculem) do PS, de algumas declarações de João Cravinho e de Manuel Alegre e do espanto geral da televisão e da imprensa. A moral da história não é, evidentemente, a reprovação instantânea e pública de Domingos Névoa. Muito pelo contrário. A moral da história é tranquilidade e boa consciência com que o aceitaram seis câmaras de Braga, como se a coisa não saísse de um costume velho e venerável, que a ninguém ocorreu por um momento pôr em causa.
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E, se calhar, não sai. Houve sempre na cultura portuguesa a ideia de que política serve, e deve servir, para enriquecer. A corte de D. João VI roubava por direito e tradição. Depois da guerra civil, em 1834, os liberais roubaram a coroa e a igreja como quiseram. Os “cabralistas” roubaram tanto que mesmo na altura se achou um exagero. Na Regeneração e no “Rotativismo” toda a gente roubava disciplinadamente com método e com ordem. Durante a República, a rapidez com que mudavam os governos não permitiu que se roubasse muito (excepto um pequeno prédio ou um ou outro bocadinho de terra). E Salazar, se não roubou ele próprio (uma virtude por que incessantemente o louvaram), deixou roubar e eito a vassalagem do regime. Portugal nunca brilhou por uma grande honestidade cívica.
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Pior do que isso, antes do “25 de Abril”, o povo nunca se importou: gostava imenso de Saldanha, o maior tratante, e recebia uma espórtula em espécie ou em favores pelo voto que ia dar a quem lhe mandavam. O “25 de Abril” só aparentemente mudou esta vida. A cidadania elege e reelege criaturas de que a polícia suspeita e que os tribunais puniram, como quem os recompensa por trabalhos de mérito. E, a começar por Sá Carneiro, nenhum chefe nacional ou local alguma vez se prejudicou por o acusarem de pecados veniais como corrupção ou ladroeira. O português parte do princípio que os políticos se “enchem” (os que são espertos, pelo menos). Não acredita na honestidade do Estado ou na eficácia da lei. Acredita no que recebe e no que lhe tiram; e não se importava de arranjar um lugar à mesa.
Vasco Pulido Valente, Público.
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Curiosa opinião de VPV que nos diz que a corrupção tem sido praticada há tanto tempo e tão sistematicamente que já entrou na "cultura portuguesa". Os português está resignado: "sempre foi assim, portanto não se pode combatê-la".
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O melhor será juntar-se a ela, pois talvez haja alguma coisa a ganhar.

Empresa da mãe de Sócrates citada no processo de corrupção na Amadora...

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A empresa da mãe do primeiro-ministro, que está a ser investigada no âmbito do Freeport, surge envolvida num processo de corrupção na Câmara da Amadora, o qual abarca outras figuras relevantes do PS
in Sol
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Pois..Pois...
Primeiro, foi o tio e primo...agora é a mãe...
O povo sábio costuma dizer..."Quem sai aos seus!!!"...

sábado, 4 de abril de 2009

Explorando a ingenuidade

A fé dos homens


http://blogue-do-ogre.blogspot.com/
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BASTA!


Freeport: ministro da Justiça terá dado «recado»

Alberto Costa desmente «quaisquer pressões» a magistrados

O ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu este sexta-feira à Lusa que «o Governo não faz nem fez quaisquer pressões sobre magistrados» relativamente ao «caso Freeport» ou a «a outros processos».

«O Governo não faz nem fez quaisquer pressões sobre magistrados, em relação a este ou a outros processos, nem directamente nem por interposta pessoa, sendo fantasiosas as afirmações em contrário», afirma Alberto Costa numa nota enviada à Agência Lusa.

«O único interlocutor do ministro da Justiça e do Governo, no que respeita à actividade do Ministério Público, é o senhor procurador-geral da República», enfatizou.

Esta nota do ministro da Justiça surge no mesmo dia em que o jornal Sol online noticiou que Alberto Costa «fez pressões em nome» do primeiro-ministro, José Sócrates, relativamente ao «caso Freeport».

«Lopes da Mota, o magistrado português que preside ao Eurojust, transmitiu aos dois procuradores responsáveis pela investigação do caso Freeport que o ministro da Justiça, Alberto Costa, lhe manifestara as apreensões do primeiro-ministro em relação a esta investigação», escreve o Sol.

«Segundo contou o magistrado do Eurojust aos dois colegas, Alberto Costa revelou-lhe que José Sócrates afirmara que, caso perdesse a maioria absoluta por causa do Freeport, haveria represálias», acrescenta o jornal online.

In Portugal Diário

O meu comentário:

Urge saber quem mente e por conta de quem. De resto já todos sabemos que este governo e, ou, a magistratura estão fartos de mentir aos cidadãos eleitores e contribuintes, entre os quais os autores e leitores deste blogue.

É tempo de alguém acabar com esta palhaçada.

Enquanto os mais altos responsáveis pelas principais Instituições da República continuarem a palrar diariamente para os órgãos de comunicação social, contradizendo-se e atacando-se uns aos outros, peço-lhes que pensem no seguinte:

Julgam que ainda alguém os leva a sério? Têm consciência de que já minaram os alicerces do Estado de direito democrático? Calculam o que pode acontecer no País ao mínimo rastilho?

Sugiro ao Senhor Presidente da República que oiça os partidos políticos e convoque o Conselho de Estado com carácter de urgência. Depois, cumpra o seu dever, como jurou fazê-lo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Coisas do Arco-da-Velha...Prémio à corrupção...

O empresário Domingos Névoa foi condenado há um mês por tentativa de corrupção do vereador Sá Fernandes da Câmara de Lisboa.
Habituado a corromper este e aquele, para bem dos seus negócios e fortuna pessoal, Domingos Névoa desta vez foi bater à porta errada e acabou denunciado e condenado.
O caso de Domingos Névoa não é único. Infelizmente em Portugal há corrupção a mais em muitas obras, aquisições e concursos públicos. A compra e troca de favores banalizou-se.
O poder político resignou-se e não previne, nem combate a compra ou a troca de favores ilegítimos. A corrupção está bem instalada na vida, misturam-se negócios e política na vida de alguns figurões, corroendo a democracia e a moral social.
Mas o que se passou agora em Braga ultrapassa todos os limites.
Seis municípios minhotos, entre os quais a Câmara de Braga, escolheram para presidente do CA de uma empresa intermunicipal precisamente Domingos Névoa, condenado há um mês por corrupção.
Esta escolha é uma ofensa à justiça e um prémio oferecido à corrupção na pessoa de Domingos Névoa cujo nome e imagem se procura reabilitar com esta escolha.
Mas como favor com favor se paga, logo trataram de nomear para director geral o genro do socialista Mesquita Machado, o mesmo que há mais de vinte anos domina a Câmara de Braga e cujo enriquecimento também está a ser investigado.
São tudo bons amigos e estão todos bem uns para os outros.
Percebe-se agora melhor porque é que o PS nada fez no governo nem no Parlamento contra a corrupção.
Para o PS a corrupção não é para combater, mas sim para premiar. Domingos Névoa e todos os que vivem da corrupção não deixarão de agradecer e retribuir.
João Semedo
in Esquerda.net
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O Povo é Sereno e Manso...

sábado, 28 de março de 2009

Charles Smith chama «corrupto» a José Sócrates...

«É corrupto». É desta forma que Charles Smith fala de José Sócrates no DVD que é fundamental para a investigação do processo Freeport em Inglaterra.
A TVI revelou, no Jornal Nacional de sexta-feira, o som de uma conversa de 20 minutos em que é mencionado o nome do primeiro-ministro.
A reunião juntou três pessoas: Charles Smith, já arguido em Portugal, João Cabral, ex-funcionário da Smith & Pedro, e Alan Perkins, administrador do Freeport, que sem conhecimento dos outros intervenientes no encontro, fez a gravação.
Uma hora e meia foi quanto demorou o Gabinete do primeiro ministro a reagir à notícia de abertura do Jornal Nacional da TVI.
"No que me diz respeito, essas afirmações são completamente falsas, inventadas e injuriosas. Reafirmo, mais uma vez, que não conheço o Sr. Charles Smith, nem nenhum dos promotores do empreendimento Freeport", diz o primeiro ponto do comunicado oficial.
Sócrates, que assina a nota à Comunicação Social, repudia "todas as referências que procuram envolver-me, directa ou indirectamente, em qualquer comportamento ilícito, ou menos próprio, a propósito do caso Freeport" e termina, garantindo ter já dado "orientação ao meu advogado para agir judicialmente contra os autores desta difamação".
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A Gravação...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Está tudo podre...

Paulo Bento tem razão. Está tudo podre. No futebol, na política, na economia, na justiça, na banca e na sociedade.
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Os árbitros deste sítio são o que são e já ninguém acredita neles. Não são apenas as grandes penalidades inventadas nos jogos da bola. São os árbitros da banca que não conseguem ver a desbunda e os roubos praticados a céu aberto e nas suas barbas.
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Todos os dias se conhecem mais factos, espantosos, e começa a ser insustentável a posição de um senhor chamado Vítor Constâncio, pau para toda a obra, até para fazer extraordinários exercícios de bruxaria em matéria de défices orçamentais, que se mantém impávido e sereno apesar das provas mais do que evidentes do falhanço estrondoso da supervisão do Banco de Portugal nos escandalosos casos dos bancos de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro e comandita.
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São os árbitros da justiça que falam, falam, falam e não descobrem nada. E que, ainda por cima, têm o topete de vir a público confessar a incapacidade para apanhar os muitos corruptos que andam por aí a roubar impunemente. Como Maria José Morgado, alta responsável do Ministério Público, que veio dizer algo que o comum dos mortais deste sítio podre, pobre, deprimido, manhoso e cada vez mais mal frequentado sabe de cor e salteado.
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Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários. Pois há. Estão aí à vista de todos, só não os vê quem não quer ver. São os árbitros das finanças deste sítio que andam há anos a fazer contas e a atirar muita poeira para os olhos dos indígenas.
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Défice para trás, défice para a frente, mais impostos ano sim, ano sim, menos economia ano sim, ano sim ao longo destes 34 anos de festa. De crise em crise, o sítio vai ficando mais pobre e mais longe dos níveis de vida dos parceiros europeus. E as contas do Estado dos primeiros dois meses de 2009 ultrapassam em muito as piores previsões dos economistas e financeiros do sítio.
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Perante esta realidade, até o tremendista Medina Carreira se transforma num optimista incorrigível. E bem pode o senhor presidente do Conselho andar por aí a gabar-se a torto e a direito, principalmente a torto, que já ninguém acredita na bondade das suas reformas e nas suas queixinhas sobre os malandros neoliberais que lhe estragaram a excelsa obra.
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A verdade é só uma. Estamos definitivamente condenados ao triste fado dos desgraçadinhos. Estávamos em crise antes desta crise começar, vamos ficar em crise depois da crise passar.
António Ribeiro Ferreira
in CM

sábado, 21 de março de 2009

Assim vai o futebol, como se viu no final da Taça da Liga


O futebol português é uma imagem perfeita do nosso país.

Reina a corrupção, e mesmo quando se investigam e são julgados em tribunal processos como o “apito dourado” o resultado é sempre igual ao de todos os crimes de colarinho branco. Fica tudo "em branco".

Se mais exemplos fossem necessários, basta vermos – como toda a gente viu – a grande penalidade inventada pela equipa de arbitragem contra o Sporting. Ainda por cima, o árbitro esteve a trocar impressões com o seu auxiliar, como as imagens captadas pela televisão já transmitiram. Como provaram que a “falta” que originou essa grande penalidade só existiu na cabeça dessas duas criaturas e, ou, de quem lhes pagou para a inventarem.

Num país decente, e perante as provas recolhidas, esses dois “árbitros” seriam expulsos e haveria um processo para averiguar quem lhes pagou o frete.

Mas, infelizmente, no nosso país os jogadores revelam falta de desportivismo, a maioria dos dirigentes e treinadores teimam na boçalidade e provocação, e os adeptos (por vezes arruaceiros) numa falta de civismo e fair-play inadmissíveis.

Nisto, como no resto, é o que temos.

De qualquer forma – passe a injustiça e o roubo descarado da arbitragem – como adepto assumido do Sporting, felicito o Benfica por ter conseguido ganhar a taça em disputa.

Mas urge correr com a máfia que (também) domina o futebol português. Todos sabemos que por ali passam grandes “negócios” off-shores etc.

Isso só será possível quando dermos uma vassourada em quem puxa e controla todos os cordelinhos do poder em Portugal.

segunda-feira, 16 de março de 2009

É preciso sacar e meter ao bolso

Festim neocolonial


As respostas à visita de José Eduardo dos Santos a Lisboa são uma fotografia de alguns dos debates ideológicos e políticos mais surpreendentes. A visita em si não teria história: Portugal tem relações diplomáticas e económicas com Angola e deve receber e conversar com os seus representantes. Mas o festim neocolonial que foi erguido com esta visita é revelador dos tiques da economia e da política portuguesa.

Em primeiro lugar, impressiona o deslumbramento. Retiro desta consideração os militantes anti-coloniais que, tendo conhecido Angola e a guerra, apoiaram generosamente os movimentos de libertação - e os conheceram e respeitaram quando eram movimentos de libertação, dirigidos por pessoas da estatura de Amílcar Cabral e outros - e ficaram por isso emocionalmente ligados a esta história de luta. Para todos os outros, a visita de José Eduardo dos Santos suscitou um coro de entusiasmo, sobretudo nos homens de negócios. Trata-se de uma gigantesca operação publicitária e ideológica.

Para Angola, todos e em força!, é a nova palavra de ordem dos empresários que esperam um lucro apetitoso ao virar da esquina. Os angolanos fazem como querem, diz Jorge Coelho, perguntado sobre a corrupção. Os negócios dizem que tem razão. E os empresários acotovelam-se nos jantares oficiais, ao lado dos que ainda acreditam que o governo angolano é um aliado da URSS e ao lado dos que já sabem que este governo é serviçal dos interesses de Washington no continente africano.

Angola é a oportunidade. A filha de Dos Santos (com que dinheiro?) compra bancos portugueses. O porta-voz presidencial de Dos Santos compra o "Sol" (com que dinheiro?). A Amorim Energia faz uma parceria com a Sonangol para tomar conta de um terço da GALP (sabemos com que dinheiro), oferecida de bandeja pelo governo Sócrates. Há muito dinheiro em Angola.

Por isso, em segundo lugar, impressiona a vertigem do negócio. Que explica tudo e desculpa tudo. Numa entrevista a um jornal económico português, um ministro angolano explicava a necessidade da corrupção: dizia que a burguesia europeia tinha feito a sua acumulação de capital com a pilhagem colonial e com a pirataria, e que a burguesia angolana também tinha que fazer pela vida. A franqueza é rara, mas é uma virtude: a corrupção endémica é a forma da acumulação de capital em Angola, para a constituição de uma elite de milionários em torno do poder do presidente.

A corrupção foi por isso assunto tabu nesta viagem. Nenhum órgão de comunicação social se perguntou como é que o presidente angolano, há trinta anos no poder sem ser eleito, é hoje um dos homens mais ricos do mundo. Nem porque é que em Dezembro morreu uma centena de crianças em Luanda, de uma epidemia de raiva. Nem porque é que Portugal não coopera com a construção de um serviço nacional de saúde em Angola.

Em terceiro lugar, impressiona o cinismo. Os que rasgavam as vestes de indignação pelo referendo venezuelano que, através do voto, decidiu que Chavez se pode candidatar a eleições presidenciais sempre que quiser, e ser eleito se ganhar a eleição, esses mesmos acham normal que José Eduardo dos Santos seja presidente angolano desde 21 de Setembro de 1979, há trinta anos, e que nunca tenha sido eleito para o cargo. De facto, da única vez que foi a eleições, há 17 anos, não chegou a haver segunda volta e, mesmo que a nova guerra civil tenha acabado há mais de dez anos, o presidente nunca se deu até hoje ao incómodo de convocar eleições presidenciais. E, como explicou ontem em Lisboa, também não vai ser este ano.

O cinismo é parte da política e da diplomacia, dirão. Certamente, pelo exemplo fica demonstrado. Mas é preciso descaramento para atacar Chavez pelo crime de falta de democracia e elogiar Dos Santos pela falta de democracia. Mas o negócio não quer coerência, quer rentabilidade. No festim neocolonial em que se tornou esta visita, falou-se de tudo menos dos angolanos.

Francisco Louçã

11-Mar-2009


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