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quarta-feira, 11 de março de 2009

Dois homens e uma causa comum


Mensagem secreta no relógio de Lincoln

12h00m

O Museu Nacional de História dos Estados Unidos encontrou num relógio de Abraham Lincoln uma mensagem "secreta", inscrita por um relojoeiro e que o próprio presidente norte-americano desconhecia.

Jonathan Dillon, que em 1861 reparou o relógio de Lincoln, gravou nele uma mensagem quando as notícias sobre o ataque ao Forte Sumter chegaram à capital, no início da Guerra Civil, informou o Museu num comunicado.

"Os rebeldes atacaram o Forte Sumter" e "Graças a Deus temos um governo" são algumas das frases da inscrição feita no relógio a 13 de Abril de 1861, um dia depois do assalto ao forte.

Segundo o director do Museu, Brent D. Glass, "Lincoln nunca soube da mensagem que levava no bolso".

Numa entrevista ao "The New York Times" em 30 de abril de 1906, Dillon, então com 84 anos, contou que, quando reparava o relógio de ouro de Lincoln, chegaram as notícias de que a Guerra Civil tinha começado.

Por esse motivo, Dillon decidiu escrever na parte metálica interior do relógio a seguinte frase: "A primeira arma foi disparada. A escravatura morreu. Graças a Deus temos um presidente que, pelo menos, tentará consegui-lo".

A frase, tal como o relojoeiro a reproduziu na entrevista, é ligeiramente diferente da inscrição encontrada pelo museu, que decidiu abrir o relógio depois de contactar o tetraneto de Dillon.

Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos em Novembro de 1860, apenas alguns meses antes de eclodir a Guerra Civil.

In JN

O meu comentário:

Estes dois americanos de raças diferentes, contribuíram para combater o racismo no seu país. Ambos chegaram à presidência e ocuparam a "casa branca". É conhecido o trágico assassinato de Lincoln pelos que provocaram a guerra civil americana com o intuito de manterem a escravatura.

Sabendo que escravatura, máfias e demais organizações criminosas proliferam por este mundo fora - muitas vezes dirigidas pelas cliques que governam os países onde existem - a tarefa de Obama não será fácil.

Só um ceguinho, ou alguém com "rabos de palha" finge não saber que até na União Europeia - incluindo Portugal - o que interessa é "negociar" seja com quem for, desde que o lucro esteja assegurado.

Exemplos para quê? Estão à vista e são conhecidos por todos. Se alguém acredita que os Direitos Humanos ainda preocupam os governantes que criaram a famosa globalização com os tais investidores e banqueiros responsáveis pelo que eles chamam crise...convém, no mínimo: irem ao médico ou serem (no caso de não precisarem de cuidados clínicos) interrogados pela Polícia Judiciária.

Álvaro Fernandes


domingo, 9 de novembro de 2008

Obama na América...

“Um presidente negro na terra do Ku Klux Klan. Na terra ensopada de sangue pela guerra que libertou os escravos”.
.
Estou a terminar o meu último romance. Baseia-se em factos reais e cruza a vida de dois homens que nos inícios do século XX tiveram um papel decisivo para a construção da ideia dos Estados Unidos que hoje conhecemos.
Nasceram os dois numa pequena aldeia da Sicília chamada Bisacquino. Um deles foi Vito Cascio-Ferro, um homem poderoso da Cosa Nostra e um dos grandes organizadores da máfia nova-iorquina. O outro, ainda menino, emigrou para a Costa Oeste e ficou célebre com o nome de Frank Capra. Hoje faz parte da galeria de grandes criadores que revolucionaram o cinema na primeira metade do século passado. Fez a transposição do cinema mudo para o sonoro, ganhou vários Óscares, deixou-nos filmes imortais.
São duas figuras que, do ponto de vista simbólico, representam o que de melhor e o que de pior a América nos pode dar.
Dois limites que integram todos os actos, acontecimentos, misérias e riquezas daquele país fabuloso, contraditório e egoísta, que nos fascina com o olhar da serpente sobre as suas vítimas.
Não fui capaz de deixar de recordar os meus personagens quando, na semana passada, na noite da vitória, perante uma multidão emocionada, a voz dos altifalantes anunciou a chegada do novo presidente dos Estados Unidos.
E ao palco vazio subiram quatro negros de mão dada.
Um homem, uma mulher e duas crianças. Um presidente negro na terra do Ku Klux Klan. Na terra ensopada de sangue pela guerra que libertou os escravos. O mesmo chão que assassinou Martin Luther King. De onde se conquistou a lua. A terra dos sonhos e dos pesadelos. Do maravilhoso e de Guantanamo. Podia ser um dos personagens ou uma cena de Frank Capra. Podia ser.
Ao vê-los assim, os quatro tão expostos à multidão, não consegui deixar de recordar outros presidentes americanos: Lincoln, McKinley, Kennedy, assassinados pela besta que é aquela mesma terra luminosa e tão cheia de impossíveis tornados realidade.
Tenho poucas dúvidas.
A mesma pátria que teve a grandeza de entregar a Obama a cadeira de presidente tem no ventre o mais tenebroso dos horrores e jamais entrou na Casa Branca um homem que vá viver tão perto da morte.
Deus queira que nenhum dos monstros herdeiros de D. Vito Cascio-Ferro ponha termo ao belo sonho construído por Frank Capra.
Francisco Moita Flores
in CM