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sábado, 16 de maio de 2009

Concerto de goela clássica




O famosíssimo de Barcelos em digressão pelo país. Estava esta tarde no palco de uma reputada capoeira da Rua Direita em Óbidos a dar um concerto de goela clássica em Có-Có-Ró-Có-Có Maior. As admiradoras tagarelavam esganiçadas e alvoroçadas nos poleiros enquanto batiam as asas ao som da música. Com tanta agitação, foi impossível sentir a excelência do canto e o verdadeiro talento do símbolo nacional. No final, alguém lhes cacarejou de modo violento que nos concertos de goela clássica não se grulha daquela forma. Elas não quiseram saber e foram bicar o pão dos sacos, experimentar os aventais, limpar os bicos aos panos de cozinha, esburacar as bolsas e, por fim, aproveitaram para descomer nos azulejos. Que doidas suínas! Nem deram pela saída do artista que, meio entristecido com a falta de pedido de autógrafos, lá foi embora rumo a Lisboa para mais uma interpretação ao vivo numa das lojas de souvenirs ali aos Restauradores.


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Imagem: Galo de Barcelos de Manuela Pinheiro

terça-feira, 7 de abril de 2009

Almada Negreiros...Foi um Artista Plástico e Escritor...

auto-retrato
Escritor e artista plástico, José Sobral de Almada Negreiros nasceu em S. Tomé e Príncipe a 7 de Abril de 1893. Foi um dos fundadores da revista “Orpheu”(1915), veículo de introdução do modernismo em Portugal, onde conviveu de perto com Fernando Pessoa.
Além da literatura e da pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet.
Trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral.
Faleceu a 15 de Junho de 1970 no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, no mesmo quarto onde morrera seu amigo Fernando Pessoa.
As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele "a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste" (Freitas, 1985). Almada Negreiros foi um pintor-pensador.
Foi praticante de uma arte elaborada que pressupõe uma aprendizagem que não se esgota nas escolas de arte; bem pelo contrário, uma aprendizagem que implica um percurso introspectivo e universal.
A Maternidade

Fernando Pessoa

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Canção da Saudade
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Se eu fosse cego amava toda a gente.
Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.
Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longissimos.
Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
Eu amo os cemiterios - as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.
Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.
Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
Se eu fosse cego amava toda a gente.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Columbano Bordalo Pinheiro...Foi um Pintor naturalista e realista

Bordalo Pinheiro - Auto retrato
Columbano Bordalo Pinheiro (Lisboa, 21 de Novembro de 1857Lisboa, 6 de Novembro de 1929) foi um pintor naturalista e realista português.
Biografia
Filho do
pintor e escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro, iniciou a sua formação na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluno de Simões de Almeida, um afamado escultor do romantismo português.
Anos após completar a sua formação, rumou a
Paris, beneficiando de uma bolsa de estudo, custeada pelo rei consorte D. Fernando II de Portugal, já viúvo da rainha D. Maria II de Portugal. Ali, em Paris, recebeu a influência de pintores como Manet e Edgar Degas, sendo esta notável na sua obra.
Na "cidade-luz", representou-se, em
1882, numa grande exposição, no famoso "Salon de Paris". Nesta apresentou ao público, maioritariamente burguês, o quadro Soirée chez Lui, sendo este surpreendentemente aclamado pela difícil crítica de artes parisiense.
De regresso a
Portugal, juntou-se ao "Grupo do Leão", o qual tencionava renovar a estética das composições na arte do país. Deste período ficaram celebres os retratos de Ramalho Ortigão, Teófilo Braga, Eça de Queirós e Antero de Quental, por ele pintados. Para além disto, deu nova ênfase aos palácios lisboetas, ao pintar os painéis que se encontram na sala de recepções do Palácio de São Bento, os Painéis dos Passos Perdidos.
Tornou-se, em
1901, professor de pintura histórica na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde se formara na sua juventude e, em 1914, foi nomeado pelo novo regime republicano, recentemente instaurado, para director do recém-criado Museu Nacional de Arte Contemporânea (1911), sucedendo a Carlos Reis.

Descendo o Chiado

Retrato de Antero de Quental
Convite à valsa

sábado, 25 de outubro de 2008

Amadeo de Souza-Cardoso...Pintor percursor da Arte Moderna...90º aniversário da sua morte...

Amadeo de Souza-Cardoso (Manhufe, freguesia de Mancelos, Amarante, 14 de Novembro de 1887Espinho, 25 de Outubro de 1918) foi um pintor português, precursor da arte moderna, prosseguindo o caminho traçado pelos artistas de vanguarda da sua época.
Embora tendo tido uma vida curta, a sua obra tornou-se imortal.
Índice
1 Vida
-1.1 Rescaldo
2 Obras
3 Bibliografia
4 Ligações externas
Saut du Lapin - 1911
Cabeça - 1913 Entrada - 1917

terça-feira, 29 de julho de 2008

Parte o artista, fica a obra



Vincent Willem van Gogh (Zundert, 30 de Março de 1853Auvers-sur-Oise, 29 de Julho de 1890) foi um pintor pós-impressionista neerlandês, frequentemente considerado um dos maiores de todos os tempos.

Sua vida foi marcada por malogros. Ele falhou em todos os aspectos importantes para o seu mundo, em sua época. Foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contactos sociais. Aos 37 anos, sucumbiu a uma doença mental, suicidando-se.

A sua fama póstuma cresceu especialmente após a exibição de 71 das suas telas em Paris, a 17 de Março de 1901. Somente após a sua morte sua obra foi amplamente reconhecida.

A influência de Van Gogh no expressionismo, fauvismo e abstraccionismo foi notória e pode ser reconhecida em variadas frentes da arte do século XX. Van Gogh é considerado pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas.

O Museu Van Gogh em Amesterdam é dedicado aos seus trabalhos e aos dos seus contemporâneos.

Índice


terça-feira, 15 de julho de 2008

Rembrandt nasceu há 402 anos


Rembrandt Harmenszoon van Rijn (15 de julho de 1606, Leiden4 de outubro de 1669, Amsterdam) é geralmente considerado um dos maiores pintores e gravadores da história da arte europeia e um dos mais importantes da história holandesa. As suas contribuições na arte surgiram num período denominado pelos historiadores de "Século de Ouro", na qual a influência política, a ciência, o comércio e a cultura flamenga — particularmente a pintura — atingiram seu apogeu.

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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Os enigmas do "Código Miguel Ângelo"


Enigma. Renascentista de corpo inteiro, Miguel Ângelo foi mestre em diferentes áreas do conhecimento. Artista ímpar, é o autor dos frescos da Capela Sistina. Ao longo dos anos, diferentes teorias têm afirmado que a sua obra maior é o espelho da sua personalidade, através de mensagens subliminaresPrimeiras teorias surgiram ainda na década de 50
A primeira teoria surgiu em 1950, quando um diplomata venezuelano visitou a Capela Sistina, no Vaticano. Entre o colossal fresco que preenche a totalidade de uma das paredes do edifício, Joaquin Diaz González descobriu que Miguel Ângelo, o renascentista responsável pela obra, escondera o perfil de Dante, poeta italiano autor de A Divina Comédia (1265-1321). Tratava-se, afinal, de um elogio à obra que tanto admirava. Ao mesmo tempo, era apenas a primeira etapa da construção do Código Miguel Ângelo, que por estes dias já chegou aos livros e à blogosfera, como salientou um trabalho recentemente publicado no Sunday Times.Depois de Dante, Joaquin Diaz González descobriu a figura de Jesus Cristo no mesmo fresco. Escreveu um livro e tornou público o seu encontro visionário. O título está fora das livrarias há décadas, mas fenómenos como O Código Da Vinci e um renovado interesse na história da arte e na sua relação com a religião recuperaram velhos mitos - tornados realidade por alguns: desde aparições de extraterrestres até às mensagens que fazem de Miguel Ângelo um adorador das artes satânicas, as teorias multiplicam-se.Entre estas, uma das mais enunciadas é a que encontra caracteres hebraicos entre as figuras pintadas na Capela Sistina. Com Lorenzo de Médici como mecenas, Miguel Ângelo acompanhou as influências culturais da mais importante das famílias renascentistas. Segundo alguns estudiosos, os ensinamentos judaicos e o culto da Kabbalah encontraram um adepto no artista renascentista, que teria espelhado o seu interesse no judaísmo através de um dos mais importantes monumentos ao cristianismo. No entanto, a existência de um código ganharia corpo com a publicação de um artigo no Journal of Medical Association por Frank Meshberger. Argumentava-se que na pintura Criação de Adão, a imagem que rodeia a figura de Deus é o exacto perfil de um cérebro. Meshberger apontou que estava mesmo representada a espinal medula e a artéria vertebral. "Os conhecimentos de anatomia permitiram a Miguel Ângelo mostrar aquilo que realmente pretendia: a entrega de intelecto por parte de Deus a Adão, não a simples criação", disse então Meshberger.A anatomia é, aliás, um dos temas mais abordados pelos defensores deste novo "Código". Em 2000, Garabed Eknoyan revelou as suas descobertas na revista Kidney International. Bastaria remover a figura de Deus do quadro da Separação da Terra e das Águas para encontrarmos a representação de um rim. No século XVI, pensava-se que os rins serviriam para separar sólidos de líquidos, portanto Miguel Ângelo estaria a relacionar a imagem com a sua mensagem. Além de conspirações judaicas e estudos anatómicos, a obra da Capela Sistina revela também (de acordo com a dupla de investigadores Blech e Doliner) insultos ao Papa Júlio II (devido às discussões sobre as pinturas na Capela), através da figura do profeta Zacarias e das crianças que o rodeiam.

Tiago Pereira in DN

domingo, 15 de junho de 2008

Almada partiu há 38 anos


José Sobral de Almada Negreiros (Trindade, S. Tomé, 7 de Abril de 1893Lisboa, 15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista.
Também foi um dos principais colaboradores da Revista Orpheu.

Vida

Era filho de Antóniana de Almada Negreiros, um tenente de cavalaria que foi administrador do Concelho de São Tomé,e fundador de diversos jornais. Uma parte da sua infância foi passada em São Tomé e Príncipe, terra natal da sua mãe, Elvira Sobral.

Depois da morte da sua mãe, em 1896, veio viver para Portugal; nesta altura, em 1900, o seu pai é nomeado encarregado do Pavilhão das Colónias na Exposição Universal de Paris, deixando os filhos José e António, ao cuidado dos jesuítas no Colégio de Campolide.

Em 1911, após a extinção do Colégio de Campolide dos Jesuítas, José entra para a Escola Internacional de Lisboa, após uma breve passagem pelo Liceu de Coimbra. Nesta escola, consegue um espaço, onde irá desenvolver o seu trabalho, publicando ainda nesse ano, o seu primeiro desenho na revista A Sátira e publica o jornal manuscrito A Paródia, onde é o único redactor e ilustrador.

Em 1913 apresenta na Escola Internacional de Lisboa, a sua primeira exposição individual composta de 90 desenhos; aqui trava conhecimento com Fernando Pessoa, com quem edita a Revista Orpheu juntamente com Mário de Sá Carneiro.

Júlio Dantas, médico, poeta, jornalista e dramaturgo, é a maior figura da intelectualidade da época e afirma que a revista é feita por gente sem juízo. Irónico, mordaz, provocador mesmo, Almada responde com o Manifesto Anti-Dantas, onde escreve: “…uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração! Morra o Dantas, morra! Pim!

O manifesto teve algum impacto no meio artístico; é tempo de mudar as mentalidades e a sociedade e Almada fá-lo como poucos, atacando a cultura burguesa instituída e os seus representantes ao mais alto nível.

Escreve a novela A Engomadeira, em 1917

Em 1919 vai viver para Paris, onde exerce diversas actividades e escreve a Histoire du Portugal par coeur. Em Paris, fica apenas cerca de um ano e quando regressa, vai colaborar com António Ferro, tendo inclusivamente desenhado a capa do livro deste, Arte de Bem Morrer.

Em 1927 volta a deixar Portugal, indo desta vez para Espanha, onde para além de colaborar com diversas revistas, Almada escreve El Uno, Tragédia de la Unidad, obra dedicada à pintora Sarah Afonso, com quem viria a casar em 1934, já após o seu regresso a Portugal.

Em Portugal já vigora o Estado Novo e Almada, nacionalista convicto, começa a ser solicitado para colaborar com as grandes obras do estado. O Secretariado da Propaganda Nacional – SPN, encomenda-lhe o cartaz de apelo ao voto na nova constituição; o mesmo secretariado, irá organizar mais tarde a exposição Almada – Trinta Anos de Desenho, convidando-o para se apresentar na exposição Artistas Portugueses no Rio de Janeiro em 1942.

O SPN viria ainda a atribuir a Almada Negreiros o Prémio Columbano pela sua tela intitulada Mulher.

A partir daqui, Almada dedica-se principalmente ao desenho e à pintura: Pinta os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, que o público, agarrado às tradições, não aprecia; pinta o conhecido retrato de Fernando Pessoa, os painéis das gares marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos, pelas quais recebe o Prémio Domingos Sequeira; pinta o Edifício da Águas Livres e frescos na Escola Patrício Prazeres; pinta as fachadas dos edifícios da Cidade Universitária e faz tapeçarias para o Tribunal de Contas e para o Palácio da Justiça de Aveiro, entre muitos outros.

Tendo colaborado tanto com o Estado Novo, o que a muita gente causou estranheza, Almada, não deixaria de escrever: “As construções do Estado multiplicam-se, porém, as paredes estão nuas como os seus muros, como um livro aberto sem nenhuma história para o povo ver e fixar”.

Em 1954 Almada pinta o célebre retrato de Fernando Pessoa.

Os seus últimos trabalhos, já com 75 anos, são o Painel Começar na Fundação Calouste Gulbenkian e os frescos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Almada Negreiros, morre em 14 de Junho de 1970, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital de São Luís dos Franceses, onde também tinha morrido Fernando Pessoa.

Obras

  • 1915 - A Cena do Ódio (poesia)

- A Engomadeira (novela)

- O Sonho da Rosa (bailado, realização)

- Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso

- Exposição Amadeo de Souza Cardoso - Liga Naval de Lisboa"

- Ultimatum às Gerações Futuristas Portuguesas do Século XX (conferência, publicada na Portugal Futurista)

- K4, O Quadrado Azul (novela)

- O Jardim da Pierrette (bailado)

- Histoire du Portugal par Coeur

- A Invenção do Corpo (conferência)

- A Invenção do Dia Claro

- Pierrot e Arlequim (teatro)

- Nome de Guerra (romance), só editado em 1938

- A Questão dos Painéis (ensaio)

Wikiquote

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: José Sobral de Almada Negreiros.

Ligações externas

sábado, 31 de maio de 2008

PINTURA CORPORAL

Emma Hack é uma artista premiada desta nova arte que ganha cada vez mais popularidade: a pintura corporal. Através de dedicação à sua arte, a carreira de Emma evoluiu de uma simples pintora de rostos de crianças, cabeleireira qualificada e maquilhadora para pintora corporal de fama mundial.

Veja alguns padrões que a artista utiliza nas suas pinturas (figuras com o título “body-art”) e exemplos de pinturas executadas sobre modelos reais (com o título “body-painting”).











Recebido do Abacaxi por email

domingo, 11 de maio de 2008

DALÍ

PREMONIÇÃO

Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech, Marquês de Púbol (Figueres, 11 de Maio de 1904Figueres, 23 de Janeiro de 1989), conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos Mestres da Renascença[1][2]. O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi concluído em 1931. Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, escultura, e fotografia. Ele colaborou com a Walt Disney no curta de animação Destino, que foi lançado postumamente em 2003 e, ao lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound.

Dalí insistiu em sua "linhagem árabe", alegando que os seus antepassados eram descendentes de mouros que ocuparam o sul da Espanha por quase 800 anos (711-1492), e atribui a isso, "o meu amor de tudo o que é excessivo e dourados, minha paixão pelo luxo e meu amor oriental por roupas.[3] Tinha uma reconhecida tendência por atitudes e realizações extravagantes destinadas a chamar a atenção, o que por vezes aborrecia aqueles que apreciavam a sua arte, ao mesmo tempo que incomodava os seus críticos, uma vez que a sua forma de estar teatral e excêntrica tendia a eclipsar o seu trabalho no que à notoriedade diz respeito.[4]


Biografia

Salvador Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu às 8h45 da manhã de 11 de maio de 1904, no número 20 do carrer (rua) Monturiolin da vila de Figueres, Catalunha, Espanha[5]. Seu irmão mais velho, também chamado Salvador (b. 12 de outubro de 1901), havia morrido de gastroenterite, nove meses antes, em 1 de agosto de 1903. Seu pai, Salvador Dalí i Cusí, era um advogado de classe-média, figura popular da cidade e senhor de um carácter irascível e dominador, sua esposa, Felipa Domenech Ferrés, incentivou os esforços artistícos do filho[6].[7]. Quando tinha cinco, Dalí, quando foi levado ao túmulo de seu irmão, disse a seus pais que ele era sua reencarnação [8]. Sobre seu irmão, Dalí também disse: "… [que] eram como duas gotas de água, mas com várias reflexões."[9] Ele" foi provavelmente uma primeira versão de mim próprio, mas concebido em demasia absoluta.[10]".

Dalí também teve uma irmã, Ana Maria, que era três anos mais nova[6]. Em 1949, ela publicou um livro sobre seu irmão, "Dalí visto por sua irmã".[11] Entre seus amigos de infância, destacam-se Josep Sagibarbá Samitier, futuro jogador de futebol de FC Barcelona, e Josep Samitier. Durante as férias no resort de Cadaqués catalão, o trio de amigos jogou futebol.

Dalí frequentou a Escola de Desenho Municipal, onde iniciou a sua educação artística formal. Em 1916, durante umas férias de verão em Cadaquès, passadas com a família de Ramon Pichot, descobriu a pintura impressionista. Pichot era um artista local que fazia viagens frequentes a Paris.[6] No ano seguinte, o pai de Dalí organizou uma exposição dos desenhos a carvão do filho na sua casa de família. Dali teve a sua primeira exposição pública no Teatro Municipal em Figueres em 1919.

Em fevereiro de 1921, sua mãe morreu de câncer de mama. Dalí, então com dezesseis anos de idade, disse depois da morte de sua mãe: "foi o maior golpe que eu havia experimentado na minha vida. Eu adorava ela… eu não podia resignar-me a da perda de um ser com quem eu contei para tornar invisíveis as inevitáveis manchas de minha alma."[12] Após sua morte, o pai de Dalí casou-se com a irmã da falecida esposa. Dalí não resentiu este casamento, como alguns pensam, pois ele tinha um grande amor e respeito em relação a tia.[6]

Paris e Madri

Em 1922, Dalí foi viver em Madrid[6] , onde estudou na academia de artes de San Fernando. Já então Dalí chamava a atenção nas ruas como um excêntrico, usando cabelo comprido e patilhas, casacos compridos, um grande laço ao pescoço, calças até ao joelho e meias altas, (num estilo reminescente de Oscar Wilde e dos seus seguidores estetas). O que lhe granjeou maior atenção por parte dos colegas foram os quadros onde fez experiências com o cubismo (embora na época destes primeiros trabalhos cubistas ele provavelmente não compreendia por completo o movimento, dado que tudo o que sabia de arte cubista provinha de alguns artigos de revistas e de um catálogo que Ramon Pichot lhe oferecera, visto não haver artistas cubistas, ao tempo, em Madrid).

Dalí fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho. Nesta altura, tornou-se amigo íntimo do poeta Federico García Lorca e de Luis Buñuel.[13] Mais tarde tornar-se-ia amante de Lorca. Dalí foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar.[14]Seu domínio de competências na pintura está bem documentado, nesse tempo, em sua impecável e realista pintura de "Cesto do Pão", de 1926.[15]

Em 1924 o ainda desconhecido Salvador Dalí ilustrava pela primeira vez um livro. Foi o poema catalão "Les bruixes de Llers" ( "As bruxas de Llers") de seu amigo, o poeta Carles Fages de Climent.

Foi nesse mesmo ano que Dalí fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso, que era reverenciado pelo jovem Dalí. ("Vim vê-lo antes de ir ao Louvre", disse-lhe Dalí. "Fez você muito bem", respondeu-lhe Picasso.) O artista mais velho já tinha ouvido falar bem de Dalí, através de Juan Miró. Nos anos seguintes, Dalí realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio. Algumas tendências no trabalho de Dalí que iriam permanecer ao longo de toda a sua carreira já eram evidentes nos anos 20, principalmente por Raphael, Bronzino, Francisco de Zurbaran, Vermeer, e Velázquez,[16], estilos de arte que conseguiu encontrar e produziu trabalho do classicismo mais académico à vanguarda mais avançada, por vezes em obras separadas, por vezes combinados na mesma obra. As exposições dos seus trabalhos em Barcelona despertaram grande atenção e uma mistura de elogios e debate surpreendido por parte dos críticos.

Nesta época, Dalí deixou crescer o bigode, que se tornou emblemático a ele, estilo baseado no pintor do século XVII espanhol Diego Velázquez. Em 1929, colaborou com o cineasta espanhol Luis Buñuel na curta-metragem Un Chien Andalou e que conheceu, em agosto, a sua musa e futura mulher, Gala Éluard (cujo nome verdadeiro é Elena Ivanovna Diakonova[17], nascida em 7 de Setembro de 1894, em Kazan, Tartária, Rússia), era uma imigrante russa dez anos mais velha que Dalí que estava na época casada com o poeta surrealista Paul Éluard. No mesmo ano, Dalí teve exposições profissionais importantes e juntou-se oficialmente ao grupo surrealista no bairro parisiense de Montparnasse (embora o seu trabalho já estivesse há dois anos sendo influenciado pelo surrealismo).[6][7]Em 1934 Dalí e Gala, que já viviam juntos deste 1929, casaram-se numa cerimónia civil.

Personalidade e política

A política desempenhou um papel significativo na sua emergência como um artista. Ele foi por vezes retratado como um apoiante do autoritário Francisco Franco. [18][19] André Breton, líder do movimento surrealista, fez um grande esforço para dissociar o seu nome do surrealismo. A realidade é provavelmente um pouco mais complexa. Em qualquer caso, ele não era um antisemita, pois era inclusive amigo do famoso arquiteto e designer Paulo László, que era judeu. Ele também proferiu grande admiração por Freud (a quem ele conheceu), e Einstein, ambos judeus.

Em sua juventude, Dalí abraçou por um tempo tanto anarquismo como o comunismo. Em seu livro, Dalí, em 1970, declara-se um anarquista e monarquista. Enquanto na cidade de Nova York em 1942, ele denunciou o seu colega, o cineasta surrealista Luis Buñuel como ateu, o que levou Buñuel a ser despedido de sua posição no Museu de Arte Moderna e, posteriormente, constar na lista negra da indústria cinematográfica estadunidense.[20]

Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Dalí fugiu e se recusou a alinhar-se a qualquer grupo. Após o seu regresso à Catalunha após a Segunda Guerra Mundial, Dalí se tornou mais próximo ao regime de Franco. Alguns declaram que Dalí apoiou o regime de Franco, felicitando-o por suas acções tendências de "limpar a Espanha de forças destrutivas". Dalí, depois de ter retornado para a religiosidade católica, e cada vez mais à medida que o tempo passava, Dalí certamente referia-se à comunistas, socialistas e anarquistas, que haviam matado quase 7000 religiosos e religiosas durante a Guerra Civil Espanhola. Dalí enviou uma mensagem a Franco, "elogiando-lhe por assinatura a morte e os mandados de presos políticos."[18] Dalí encontro Franco uma vez[21] Dalí sequer reuniu-se pessoalmente Franco para pintar um retrato de sua neta. É impossível determinar se suas homenagens a Franco foram sinceros ou caprichosos, uma vez que ele também enviou um telegrama louvando o romeno Nicolae Ceauşescu, líder comunista. O jornal diário romeno "Scînteia" publicou-o, sem suspeitar seu aspecto de troça.

Em 1960, Dalí começou a trabalhar no Teatro-Museo Salvador Dalí, na sua terra natal, em Figueres. Foi o projeto de maior vulto de toda a sua carreira e o principal foco de suas energias até 1974, embora continuasse a fazer acrescentos até meados dos de 1980.

Gala morreu em Port Lligat na madrugada de 10 de Junho de 1982 Desde então, Dalí ficou profundamente deprimido e desorientado, perdendo toda a vontade de viver. Recusava-se a comer, ficando desidratado, teve de ser alimentado por uma sonda nasal. Em 1980, um coquetel de medicamento não prescrito danificou seu sistema nervoso, provocando assim um inoportuno fim a sua capacidade artística. Aos 76 anos, a "cada vez saudável" Dalí sofre tremores terríveis ao seu lado direito, causado pelo Mal de Parkinson.[22]

Mudou-se de Figueres para o castelo em Pubol, que comprara para Gala. Em 1984, deflagrou um incêndio no seu quarto em circunstâncias pouco claras — talvez tenha sido uma tentativa de suicídio de Dalí, talvez tenha sido uma tentativa de

homicídio de um empregado, ou talvez simples negligência pelo seu pessoal — mas Dalí foi salvo e levado para Figueres, onde um grupo de amigos, patronos e artistas se assegurou de que o pintor vivesse confortavelmente os seus últimos anos no teatro-museu.

Em novembro de 1988 Dalí foi levado ao hospital com insuficiência cardíaca e em 5 de dezembro de 1988 foi visitado pelo rei Juan Carlos da Espanha, que confessou ter sido sempre um devoto de Dalí.[23] Em 23 de janeiro de 1989, enquanto o seu favorito e recorde de Tristan Isolde jogava, morreu de insuficiência cardíaca em Figueres, com a idade de 84, e, vindo círculo completo, está sepultado na cripta do seu Teatro-Museu Dalí, em Figueres, do outro lado da rua, a partir da igreja de Sant Pere. onde ocorreram seu funeral, primeira comunhão, e de batismo, a três quarteirões da casa onde nasceu.

Simbolismo

Dalí explorou intensamente o Simbolismo em seu trabalho. Por exemplo, a marca dos relógios fundidos que aparecem inicialmente em A persistência da memória, sugerem teoria de Einstein de que o tempo é relativo e não fixo.[24] A idéia de relógios simbolicamente funcionamento desta forma foi criada quando Dalí viu um pedaço de queijo Camembert derredendo em um dia quente de agosto.[25]

O elefante é também uma imagem recorrente nas obras do Dalí. Ele apareceu pela primeira vez em 1944, em sua obra Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar. Os elefantes, inspirados por Gian Lorenzo Bernini, em Roma base da escultura de um elefante transportando um antigo obelisco, são retratados "com longas e adjuntas",[26][27] Conjugada a imagem de suas pernas quebradiças, esse comprometimento em criar um sentimento de fantasmagórico da realidade. "O elefante é uma distorção do espaço, em uma análise explica, "as suas pernas contrastam com a idéia de imponderabilidade com a estrutura." [26].

O ovo é outra imagem comum na obra de Dalí, o qual expressa a ideal pré-natal e intrauterina, que aparece em O grande masturbador e Metamorfose de Narciso e assim utilizá-lo para simbolizar a esperança e a caridade.[28] Diversos animais aparecem em todo o seu trabalho: formigas remontam à morte, decadência, e o imenso desejo sexual; o caramujo relaciona-se com a cabeça humana. Esta idéia partiu de quando avistou Freud de bicicleta, no primeiro encontro de ambos; e gafanhotos são um símbolos de desperdício e de medo.[28]

Surrealismo

André Breton acusou Dalí de defensor do "novo" e "irracional" no "Fenômeno Hitler", mas o artista rapidamente rejeitava esta alegação dizendo, "Eu nem sou hitleriano de fato, nem de intenção."[29] No entanto, quando Francisco Franco chegou ao poder no rescaldo da Guerra Civil Espanhola, o apoio ao novo regime, entre outras coisas, leveram a sua suposta expulsão do grupo surrealista.[17] Depois disso, Dalí replicou, "Eu sou o próprio surrealismo".[14] André Breton cunhou o anagrama "avida dólares" (por Salvador Dalí), que pode ser traduzido como "ansiosos por dólares," a que se referiu a Dalí após o período de sua expulsão[30]. Os surrealistas mais radiciais falavam de Dalí no passado, como se ele estivesse morto. Nesta fase foi o seu principal patrono Edward James, um poeta e patrono do movimento surrealista. O surrealismo e de vários membros, como Ted Joans, continuariam a questão extremamente dura e polêmica contra Dalí, até ao momento da sua morte e mais além.

Edward James ajudou o jovem Salvador Dalí a emergir no mundo da arte através da compra de muitas obras e do apoio financeiro durante dois anos. Eles se tornaram bons amigos e James caracteriza a pintura de Dalí como "Cisnes refletindo elefantes." Ele também colaborou com dois dos mais duradouros ícones do movimento surrealista: o Telfone-lagosta e o Sofá-lábios de Mae West.

"Durante este período Dalí nunca parou de escrever", escreveu Robert Descharnes e Nicolas.[31] Em 1941, ele elaborou um filme chamado "Cenário de Jean Gabin Moontide". Ele escreveu catálogos de exposições como a sua que, na Knoedler Gallery [na cidade de Nova York em 1943], onde expunha.Ele também escreveu um romance (publicado em 1944) acerca de um salão de automóveis moda. Isso começou com um desenho Edwin Cox, em O Miami Herald mostrando-lhe vestir um automóvel em uma noite bata."[32]

Em 1940, no início da II Guerra Mundial na Europa, Dalí e Gala mudaram-se para os Estados Unidos da América, onde viveram durante oito anos. Após este período, Dalí regressou para a prática do catolicismo. Em 1942, ele publicou sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí. Um frei italiano, Gabriele Maria Berardi, alegou ter realizado um exorcismo em Dalí, enquanto ele estava na França em 1947. [33] Gabriel possuia uma escultura de Cristo na cruz que Dalí tinha dado o seu exorcista de agradecer a ele.[33] A escultura foi descoberta em 2005, e dois peritos em Surrealismo espanhol confirmaram que havia motivos suficientes para crer em similariades entre outras esculturas feitas por Dalí. [33]

Foi na sua amada Catalunha que Dalí viveu o resto da vida. O facto de ter escolhido viver em Espanha enquanto o país era governado pelo ditador fascista Francisco Franco trouxe-lhe críticas dos progressistas e de muitos outros artistas.[18] Alguns pensam que o desprezo comum pelo trabalho tardio de Dalí tem mais a ver com política do que com os verdadeiros méritos desse trabalho. Em 1959, André Breton organizou uma exposição denominada de "Homenagem ao Surrealismo", em que comemora os quadragésimo aniversário do Surrealismo, que incluiu obras de Salvador Dalí, Joan Miró, Enrique Tábara, e a Granell Eugenio. Breton combateu com veemência a inclusão de de Sistine Madonna, no Expoisição Internacional Surrealismo em Nova York no ano seguinte.[34]

Após II Guerra Mundial, Dali manteve características de virtuosismo técnico e um interesse na ilusão óptica, ciência e religião. Cada vez mais católica e inspirado pelo choque de Hiroshima, denarcado por ele como "Misticismos Nucleares". Em pinturas como Madonna de Port-O Lligat (primeira versão) de 1949, Corpus Hypercubus e de 1954, Dalí procurou sintetizar a iconografia cristã com imagens inspiradas pela desintegração dos materiais nucleares.[35] Obras como La Gare de Perpignan, de 1965, alucinogéneos e Toreador de 1968-1970. Em 1960, Dalí começou trabalhos sobre o Teatro e Museu de sua cidade-natal de Figueres; foi o seu maior projecto único e o principal foco da sua energia até 1974.

Em 1968, Dalí filmou um anúncio de televisão para Lanvin chocolates [36] e de 1969 projetou o logotipo da empresa Chupa Chups. Também em 1969, ele foi responsável pela criação do aspecto da publicidade 1969 Festival Eurovisão da Canção, metal e criou uma grande escultura, que se situava no palco, no Teatro Real de Madri.