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sexta-feira, 10 de abril de 2009

A propósito da Páscoa

O que pensa(va) Agostinho da Silva da morte e da eternidade

sexta-feira, 3 de abril de 2009

NOVA ÁGUIA 3: CHEGOU O DIA...

NOVA ÁGUIA 3: CHEGOU O DIA...

Agostinho da Silva partiu há 15 anos

Capa do 3º número da revista Nova Águia, a lançar hoje



Agostinho da Silva em debate 15 anos após a sua morte


O legado de Agostinho da Silva estará em debate esta sexta-feira, dia 3 de Abril, num colóquio organizado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e em que participarão, entre outros, Adriano Moreira e António Braz Teixeira.
Organizado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e pela Associação Agostinho da Silva, o colóquio - «O legado de Agostinho da Silva: quinze anos após a sua morte» - tem agendadas diversas sessões ligadas aos estudos desenvolvidos pelo filósofo.
Renato Epifânio, docente do Departamento de Filosofia da FLUL, parte da Direcção da Associação Agostinho da Silva e um dos organizadores do colóquio, reconheceu à Lusa a dificuldade em centrar o legado de Agostinho da Silva «num só campo».
«Agostinho da Silva teve um pensamento complexo com múltiplas facetas», analisa.
Numa visão «mais pessoal», o docente descreve o «sentido de uma consciência lusófona» como o legado maior deixado pelos estudos de Agostinho da Silva, particularmente no que refere ao seu impacto enquanto «um dos mentores da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)».
Segundo o organizador, o colóquio a realizar sexta-feira tem «diversos objectivos diferentes».
«Do ponto de vista científico - assinalou - será apresentado o portal de Internet 'Agostinho da Silva', onde irão estar disponíveis algumas obras completas de Agostinho da Silva».
Outra das iniciativas será a apresentação do terceiro número da «Nova Águia: Revista de Cultura para o Século XXI», com «Agostinho da Silva em destaque», indicou ainda.
Agostinho da Silva, referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do século XX, nasceu no Porto em 1906, tendo vindo a falecer em Lisboa em 1994, aos 88 anos de idade.
O colóquio «O legado de Agostinho da Silva: Quinze anos após a sua morte» decorre a partir das 10:00 no Anfiteatro I da FLUL e terá ao longo do dia participações de Adriano Moreira, António Braz Teixeira, Paulo Borges e Manuel Ferreira Patrício, entre outros.
Diário Digital / Lusa

terça-feira, 31 de março de 2009

Poesia

[Lugar ao Sul - 28.03.2009]


Por causa do mundo curvo

Poema: Agostinho da Silva (in "Uns Poemas de Agostinho", Ulmeiro, 1989)


Música: Henrique Lopes

Intérprete: Contrabando* (in CD "Fresta", Ed. de Autor, 2000)


Por causa do mundo curvo

eis aqui o que procuro

ter eu amor do passado

com a paixão do futuro

mas há remédio bem simples

para não ser inseguro

é amar vida sem tempo

ou seja o presente puro.


* Voz – Nuno Cabrita

Guitarras acústicas – Henrique Lopes

Viola baixo – José Carias

Percussões – Luís Melgueira

sábado, 21 de março de 2009

A Lusofonia em marcha

Como foi já anunciado, o terceiro número da NOVA ÁGUIA, que terá como tema “O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos após a sua morte”, será lançado pela primeira vez no dia 3 de Abril (dia em que se assinalam, precisamente, os 15 anos sobre a morte de Agostinho), no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, às 16h, no âmbito de um Colóquio cujo programa poderá consultar no nosso blogue: www.novaaguia.blogspot.com

Outros lançamentos foram já entretanto agendados. A lista será anunciada até ao final deste mês. Entretanto, se quiser agendar connosco um lançamento, poderá fazê-lo por e-mail ou por telefone (967044286).

Para quem nunca tenha assistido a um lançamento da NOVA ÁGUIA, salientamos que essas sessões são sempre, em geral, mais do que meras sessões de lançamento: antes sessões de debate sobre os Princípios e Objectivos do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.

Daí a importância que estas sessões (já quase uma centena) têm tido para a difusão deste movimento cultural e cívico, que se mantém, semana após semana, em visível crescimento.

Abaixo, sinopse do terceiro número da NOVA ÁGUIA.

Em anexo, a capa.

Como é sabido, a revista A Águia foi uma das mais importantes do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. A ideia de relançar a revista, agora sob o nome de NOVA ÁGUIA, pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu "espírito", adaptado aos nossos tempos. Não se trata, nessa medida, de fazer uma revista voltada para o passado, meramente revivalista. Trata-se, antes, de fazer uma revista para os tempos de hoje, para o século XXI.

Tal como n' A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas. O tema do terceiro número, que agora lançamos, é O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.. Orgulhamo-nos de ter conseguido o contributo de nomes tão ilustres como António Braz Teixeira, António Cândido Franco, António Telmo, Dalila Pereira da Costa, Joaquim Domingues, José Flórido, Manuel Ferreira Patrício, Manuel Gandra, Miguel Real e Pinharanda Gomes, a par de muitos outros.

Para além disso, neste primeiro número poderá ainda encontrar uma série de outros textos, sobre outras temáticas, conforme o nosso índice:

NA 3: ÍNDICE

EDITORIAL…5

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA: 15 ANOS APÓS A SUA MORTE

António Braz Teixeira, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO DA SILVA E A “ESCOLA DE SÃO PAULO”…8

António Cândido Franco, AGOSTINHO DA SILVA NUM RELANCE DE SOL…10

António José Borges, A MISSÃO DE PORTUGAL NAS MENSAGENS DE FERNANDO PESSOA E AGOSTINHO DA SILVA…12

Cristina Leonor Pereira, NA SENDA DA ALIANÇA TRANSATLÂNTICA E DO ENTENDIMENTO CULTURAL: DA UTOPIA À REALIDADE E À RECUPERAÇÃO DA OBRA DE AGOSTINHO DA SILVA…18

Humberto França, O BRASIL DE AGOSTINHO DA SILVA…24

Joaquim M. Patrício, CONFIANÇA E OPTIMISMO DE AGOSTINHO DA SILVA NA LUSOFONIA…25

José Flórido, O PENSAR PARADOXAL DE AGOSTINHO DA SILVA…32

José Leitão, VADIOS E POETAS – UMA CONSIDERAÇÃO SOBRE A MÍSTICA AGOSTINIANA…35

Luís Santos, O LARGO DA GRAÇA. REFLEXÕES AGOSTINIANAS…38

Manuel Pina, A ETERNIDADE E UM DIA…40

Maria Afonso Sancho, AGOSTINHO DA SILVA, A COMIDA E A IDADE DO OURO…42

Pedro Teixeira da Mota, DO TRÂNSITO DAS RELIGIÕES À RELIGIÃO UNIVERSAL: AGOSTINHO DA SILVA, UM ELO…45

Artur Manso, ESTÉTICA E ARTE EM AGOSTINHO DA SILVA…49

Carminda H. Proença, LUSOFONIA e IDENTIDADE…53

Isabel Santiago, BARCA D’ALVA…55

João Leitão, AGOSTINHO DA SILVA E O CAMINHO DO MEIO…59

Lúcia Helena Alves de Sá, DO EDUCAR PARA ESPERANÇAR DE AGOSTINHO DA SILVA: UMA PEDAGOGIA PARA O SÉCULO XXI…61

M. Margarida L.S. Carvalho, EDUCAÇÃO, CULTURA E FUTURO…67

Miguel Real, AGOSTINHO DA SILVA: A PEDAGOGIA COMO SUBVERSÃO SOCIAL…69

Renato Epifânio, AGOSTINHO DA SILVA: UM LEGADO…74

Ricardo Cabaça, UM HOMEM COMPROMETIDO COM OS VALORES HUMANOS…77

Rui Martins, DEZ PARÁGRAFOS AGOSTINIANOS DE PENSAMENTO POLÍTICO EM "IR À ÍNDIA SEM ABANDONAR PORTUGAL"…78

Romana Valente Pinho, AGOSTINHO DA SILVA: QUINZE ANOS DEPOIS DA SUA MORTE. E AGORA?...90

Rita Cardoso, ENTREVISTA A AGOSTINHO DA SILVA…92

Manuel Ferreira Patrício, BREVE TESTEMUNHO SOBRE AGOSTINHO DA SILVA…94

Délio Vargas, BREVE NOTA SOBRE AGOSTINHO…96

Celeste Natário, AGOSTINHO DA SILVA E A SAUDADE DA “GRÉCIA DIVINA”…97

Amândio Silva, CARTA A AGOSTINHO…98

DA ARCA

Agostinho da Silva, CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA…102

Agostinho da Silva, ALCORÃO…109

OUTROS VOOS, OUTRAS VOZES

James Horrox, ANARQUIA E UTOPIA: A FILOSOFIA MÍSTICA DE GUSTAV LANDAUER E AGOSTINHO DA SILVA…114

Cem Kömürcü, MELANCOLIA EM ISTAMBUL E LISBOA…121

Katia Hay, O SR. H…125

Tobias Dangel, LISBOA COMO LUGAR DA EXPERIÊNCIA METAFÍSICA…128

Hakem Rustom, A JÁ ESQUECIDA JIHAD EM NOME DE CRISTO: A PERSPECTIVA DE UM ÁRABE CRISTÃO…130

Sam Cyrous, LIVRE ARBÍTRIO E DESTINO: DICOTOMIA OU COMPLEMENTARIDADE?...133

Amadeu Ferreira, DIEÇ ANHOS DE MIRANDÉS CUMO LHÉNGUA OUFECIAL…135

RUBRICAS

COISAS E LOISAS, de J. Pinharanda Gomes…138

DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…140

AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…151

PÁGINAS TEMÁTICAS

ARTES PLÁSTICAS, por Cristina Pratas Cruzeiro…154

LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…159

MÚSICA, de Maurícia Teles da Silva (com nota introdutória)…164

PROJECTOS, de Ana Margarida Esteves; Maria Eduarda Rosa e José Francisco Pereira…166

BIBLIÁGUIO

TEIXEIRA DE PASCOAES, CREPÚSCULO, por António Cândido Franco…170

LÍDIA JORGE E JOÃO RÊGO: PESOS E MEDIDAS DA ALMA, por Fátima Valverde…171

ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO, A BIOGRAFIA DE D. SEBASTIÃO – UM ROMANCE HISTÓRICO, por Romana Valente Pinho…174

PEDRO SINDE, O CANTO DOS SERES. SAUDADE DA NATUREZA, por Joaquim Domingues…178

RODRIGO SOBRAL CUNHA, FILOSOFIA DO RITMO PORTUGUESA, por António Braz Teixeira; seguido de “breve apontamento”, de Renato Epifânio…180

CARTA DE NATÁLIA A LEONARDO, por Carminda H. Proença, seguida de comentário de António Telmo…183

3 COGITAÇÕES E 7 INSPIRAÇÕES NA LEITURA DE «A CADA INSTANTE ESTAMOS A TEMPO DE NUNCA HAVER NASCIDO» DE PAULO BORGES, por Jorge Telles de Menezes…184

TEOREMAS DE FILOSOFIA, por Joaquim Domingues…186

GOLPE D’ASA

Dalila Pereira da Costa, RELIGIÃO PRÉ-HISTÓRICA…188

POEMÁGUIO

Alexandre Vargas, AGOSTINHO DA SILVA, PRÍNCIPE REAL…6

Sérgio Franclim, OS POETAS DE AGOSTINHO DA SILVA…7

Jesus Carlos, AGOSTINHO DA SILVA…100

Isabel Guimarães, TU QUE SUBIAS ESCADAS…100

Samuel Dimas, REDENÇÃO…101

Henrique Madeira, INÚMERAS SÃO AS AVES…136

Iolanda Aldrei, CRIAÇÃO…136

Francisco Soares, ENCANTO…137

Luís Souta, PARA UM FILHO QUE NÃO QUERO PERDER…169

Tiago Lemos, QUE SEI EU DO SILÊNCIO ONDE ESTOU SENTINDO?...190

SOBRE A NOVA ÁGUIA & O MIL

Joaquim Domingues, A NOVA ÁGUIA…192

Renato Epifânio, O PRIMEIRO ANO DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO & RESPOSTAS AO INQUÉRITO REALIZADO A TODOS OS MEMBROS DO MIL…193

Paulo Borges, POR UM PATRIOTISMO TRANS-PATRIÓTICO E UNIVERSALISTA. OITO CONSIDERAÇÕES PARA UMA FUNDAMENTAÇÃO DO MIL…196

Eurico Ribeiro, A LUSOFONIA NUMA ÉPOCA DE MUDANÇA…199

LISTA DE LANÇAMENTOS DO 2º NÚMERO DA NOVA ÁGUIA…202

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA (A INCLUIR)…203

O LEGADO DE AGOSTINHO DA SILVA

QUINZE ANOS APÓS A SUA MORTE

inclui inéditos agostinianos

CONDIÇÕES E MISSÃO DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA

ALCORÃO



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NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI
http://www.novaaguia.blogspot.com
SEDE NORTE: Associação Marânus; SEDE SUL: Associação Agostinho da Silva; SEDE DE REDACÇÃO: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)

A NOVA ÁGUIA está vinculada a três entidades : Associação Marânus/ Teixeira de Pascoes, Associação Agostinho da Silva e MIL : Movimento Internacional Lusófono. Inspirando-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva, a NOVA ÁGUIA assume-se como um órgão plural.




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MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
Blogue associado: NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA (novaaguia.blogspot.com)
SEDE: ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA (Rua do Jasmim, 11, 2º – 1200-228 Lisboa; E-Mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286; http: www.agostinhodasilva.pt; NIF: 503488488; NIB: 0033 0000 2238 0019 8497 2)




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segunda-feira, 9 de março de 2009

O pensamento nunca terá fronteiras


3 de Abril de 2009: Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (10h-19h)

VER PROGRAMA COMPLETO:
http://novaaguia.blogspot.com/2009/03/programa-fechado.html


Organização: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa & Associação Agostinho da Silva

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Publicada por NOVA ÁGUIA: DIRECÇÃO em NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA a 3/08/2009 06:37:00 PM

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Agostinho da Silva...Filósofo e um Grande Português...Nasceu há 103 anos...

George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906Lisboa, 3 de Abril de 1994), foi um filósofo, poeta e ensaísta português.
O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano.
Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático e empenhado através da sua vida e obra, na mudança da sociedade.
Biografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_da_Silva
.
A quem faz pão ou poema
só se muda o jeito à mão
e não o tema.
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Atingira um silêncio tão de espanto
que era todo universo à sua volta
um seduzido canto.
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E posto que viver me é excelente
cada vez gosto mais de menos gente.
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Não sei quem manda na vida
mas a quem for eu me entrego
e o que queira me decida.
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Pé firme leve dança
que o saber seja adulto
mas o brincar de criança.
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(in Uns Poemas de Agostinho)
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"Cartas a um jovem filósofo"
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“Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem”
.
"Agostinho da Silva-Um Pensamento Vivo"

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A REINVENÇÃO DE PORTUGAL

O QUINTO IMPÉRIO
Há muito António Vieira escreve em segredo um livro sobre o V Império, inspirado pelas profecias bíblicas, mas em que o Bandarra se integra, tal o apreço em que Vieira o tem. O velho sonho: dar a Portugal a sua grandeza antiga.
Estudando profundamente as Escrituras e todos os Santos que falam do imperador que Jesus prometera à Igreja, o jesuíta está firmemente convencido que o V Império só pode ser português (os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos).
Baseado nas palavras de Jesus ao rei Afonso Henriques na batalha de Ourique (na época, uma verdade incontestada), "quero em ti e na tua geração criar um império para mim", António Vieira crê que o rei escolhido é o Encoberto, até aí D. Sebastião. Perdida essa esperança, o pregador interpreta a linguagem vaga e esotérica das profecias para concluir que esse rei é agora D. João IV. O Quinto Império seria de ordem temporal e espiritual. Em ambos os campos, Portugal seria o guia para que se extirpassem as seitas infiéis, se reformasse a cristandade, se estabelecesse a paz em todo o mundo, através de um Sumo Pontífice santíssimo.
Esta construção ideal de António Vieira, prodígio imaginativo e delirante, começaria a tornar-se realidade se o príncipe herdeiro português casasse com a herdeira do trono castelhano. Iniciar-se-ia o Império, com Castela e Portugal sob o mesmo rei. Com novas e confusas efabulações António Vieira transfere o Encoberto para o príncipe D. Teodósio.
O rei é seduzido pelo plano. Envia Vieira a Roma para os primeiros contactos com o embaixador espanhol na cidade papal. Mas o diplomata não rejubila com a proposta. Vê nela um ardil que desconhece.
O Conde-duque de Olivares que governa Espanha fica, igualmente de pé atrás. Sabe que Vieira, nos anos anteriores andara por França e Holanda a intrigar contra os castelhanos. A sua visão curta não detecta o ponto fraco do plano português: obviamente, a aliança colocaria Portugal na dependência de Espanha, tal a diferença de poderio entre as duas nações. Pensa que a proposta revela a fraqueza das armas portuguesas e decide usar a força para derrubar D. João IV. Saiu-se mal, como o provou a História.
Mas Vieira levava uma missão sigilosa: apoiar os napolitanos, então sob o domínio de Castela, na sua revolta. O embaixador espanhol descobre a intenção e manda matar o jesuíta que escapa à morte por ter sido avisado a tempo. O plano falhava totalmente. Regressa a Portugal em 1649 - o ano em que o padre jesuíta Martim Leitão o denuncia à Inquisição, pela primeira vez.
Em Lisboa, os muitos inimigos de Vieira conspiram contra ele junto do rei já desagradado com a falta de previsão no caso de Pernambuco e agora com o malogro do casamento. Aparentemente, porém, as relações entre D. João IV e Vieira mantém-se inalteráveis. Até que, em Novembro de 1651, D. Teodósio, de quem o padre era preceptor, resolve, sem conhecimento nem autorização do pai, fazer uma incursão pelo Alentejo para tomar contacto com a guerra que ali se encarniça. Atribui-se a Vieira a instigação de tal atitude. E D. João IV afasta-o, delicadamente, do seu convívio.
É o momento que a Companhia de Jesus espera: em Novembro de 1652 ordena-lhe que regresse ao Brasil, como missionário no Maranhão.
Desta vez, o rei nada faz para contrariar a sua partida.

terça-feira, 1 de abril de 2008

APRENDIZAGEM DA NÃO-VIOLÊNCIA

Se estás disposto a nunca usar da violência, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma; é a mais difícil de todas as atitudes; exige a constante vigilância de todos os movimentos do espírito, o domínio completo de todos os impulsos dos nervos e dos músculos rebeldes; a agressão é fácil contra o medo e também a primeira solução; para que, em todos os instantes, a possas pôr de lado e substituí-la pela tranquila recusa, não te deves fiar nos improvisos; a armadura de que te revestes nos momentos de crise é forjada dia a dia e antes deles; faz-se de meditação e de ginástica, de pensamento definido e preciso e de perfeitos comandos; quando menos se prevê surge o instante da decisão; rápida e firme, sem emoções ou sufocando-as, tem que trabalhar a máquina formada.

Que trabalhar, sobretudo, humanamente; a visão do autómato é a pior de todas para os amigos do espírito; não serão teus elementos nem a secura, nem a estóica dureza, nem o ar superior, nem as cortantes palavras; requer-se no inabalável a humanidade, o sorriso afectuoso, a íntima bondade, a desportiva calma, amiga do adversário, de quem joga um bom jogo; sozinho guardarás as lutas interiores que tens de suportar, a batalha contínua para impores o silêncio aos instintos de ataque e da vingança; será tua boa auxiliar a pele dura e uma carne que, domada, suporte, sem revolta, as provações e os trabalhos; o óleo do ginásio ajuda Marco Aurélio; quem se adivinha senhor de si melhor resistirá sem violência a tudo o que inventou a real fraqueza do contrário; e só tem que se guardar dos perigos da altivez e do desprezo.

Agostinho da Silva, in 'Considerações e Outros Textos'