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terça-feira, 16 de junho de 2009

David Mourão-Ferreira...foi Poeta...13º aniversário da sua morte...

David de Jesus Mourão-Ferreira (24 de Fevereiro de 192716 de Junho de 1996) foi um escritor e poeta lisboeta licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1951, onde mais tarde em 1957 foi professor, tendo-se destacado como um dos grandes poetas contemporâneos do Século XX.
Mourão-Ferreira trabalhou para vários periódicos, dos quais se destacam a
Seara Nova e o Diário Popular, para além de ter sido um dos fundadores da revista Távola Redonda. Entre 1963 e 1973 foi secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores. No pós-25 de Abril, foi director do jornal A Capital e director-adjunto do O Dia.
No governo, desempenhou o cargo de
Secretário de Estado da Cultura (de 1976 a Janeiro de 1978, e em 1979). Foi por ele assinado, em 1977, o despacho que criou a Companhia Nacional de Bailado.
Foi autor de alguns
programas de televisão de que se destacam "Imagens da Poesia Europeia", para a RTP.
Em
1981 é condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. Em 1996 recebe o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e, no mesmo ano, recebe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada.
Do primeiro casamento, com Maria Eulália, sobrinha de Valentim de Carvalho, teve dois filhos, David Carvalho e Adelaide Constança, que lhe deram 10 netos.
Índice

1 Obras de poesia
2 Obras de ficção narrativa
3 Academia Brasileira de Letras
4 Referências
5 Ligações externas
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Ilha
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Deitada és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
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promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
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Deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
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ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Almada Negreiros....foi Pintor, Escritor e Poeta...

Autorretrato
José Sobral de Almada Negreiros (Trindade, S. Tomé, 7 de Abril de 1893Lisboa, 15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista.
Também foi um dos principais colaboradores da
Revista Orpheu
Biografia
Maternidade
Retrato de Fernando Pessoa
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Canção da Saudade
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Se eu fosse cego amava toda a gente.
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Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.
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Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.
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Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas
em mares longissimos.
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Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.
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Eu amo aquellas mulheres formosas que indiferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.
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Eu amo os cemiterios - as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens
núas, mulheres bellas rindo-se para mim.
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Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos.
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Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.
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Se eu fosse cego amava toda a gente.

domingo, 14 de junho de 2009

Jorge Luis Borges...foi um Escritor e Poeta Argentino...

Jorge Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899Genebra, 14 de Junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas.
Biografia
Segundo um estudo de Antonio Andrade, Jorge Luis Borges tem ascendência portuguesa: o bisavô de Borges, Francisco, teria nascido em Portugal em 1770 e vivido na localidade de Torre de Moncorvo, situada no Norte de Portugal, antes de emigrar para a Argentina, onde teria casado com Cármen Lafinur.
Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, filho do advogado Jorge Guillermo Borges e de Leonor Acevedo Haedo. Aos sete anos de idade já teria revelado ao pai que seria escritor.
Aos nove, escreve seu primeiro conto, "La visera fatal", inspirado em um episódio de Dom Quixote. Em 1914, muda-se, com os pais, para a Europa, morando inicialmente em Genebra, na Suíça, onde conclui seus estudos, e depois na Espanha.
Em 1921, retorna a Buenos Aires, onde participa ativamente da efervescente vida cultural da cidade. Em 1923, publica seu primeiro livro de poemas, "Fervor de Buenos Aires". Iniciava-se, assim, uma das mais brilhantes carreiras literárias do século XX.
Borges morreu em Genebra, onde está sepultado, por opção pessoal.Borges foi um ávido leitor de enciclopédias.
Obra
Sua obra se destaca por abordar temáticas como filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), metafísica, mitologia e teologia, em narrativas fantásticas onde figuram os "delírios do racional" (Bioy Casares), expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos.
Ao mesmo tempo, Borges também abordou a cultura dos Pampas argentinos, em contos como O morto, "Homem da esquina rosada" e "O sul".
Lida com campanhas militares históricas, como a guerra argentina contra os índios durante a presidência, entre outros, do escritor Domingo Faustino Sarmiento; trata-as, porém, como pano de fundo para criações fictícias, como em História do Guerreiro e da Cativa. E rende homenagem à literatura pregressa de seu país em contos em que se apropria do mitológico Martín Fierro: Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874) e "O fim".
Entre seus contos mais conhecidos e comentados podemos citar A Biblioteca de Babel, O Jardim de Veredas que se Bifurcam, "Pierre Menard, autor do Quixote" (para muitos a pedra angular de sua literatura) e Funes, o Memorioso, todos do livro Ficções (1944) - além de "O Zahir", "A escrita do Deus" e O Aleph (que dá seu nome ao livro de que consta, publicado em 1949).
A partir da década de 50, afetado pela progresiva cegueira, Borges passou a se dedicar a poesia, produzindo obras notáveis como "A cifra" (1981), "Atlas" (um esboço de geografia fantástica, 1984) e "Os conjurados" (1985), sua última obra.
Também produziu prosa ("Outras inquisições", ensaios, 1952; "O livro de areia", contos, 1975), notando-se o claro influxo da cegueira.
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A Chuva
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A tarde bruscamente se aclarou,
porque já cai a chuva minuciosa.
Cai e caiu. A chuva é só uma coisa
que o passado por certo freqüentou.
Quem a escuta cair já recobrou
o tempo em que a fortuna venturosa
uma flor lhe mostrou chamada rosa
e a cor bizarra do que cor tomou.
Esta chuva que treme sobre os vidros
alegrará nuns arrabaldes idosas
negras uvas de uma parra em horto
que não existe mais. A umedecida
tarde me traz a voz, a voz querida
de meu pai que retorna e não é morto.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Luís de Camões...foi o maior Poeta Português...

Luís Vaz de Camões (c. 152410 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade.
O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare; das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.
Índice
1 Origens e juventude
2 Oriente
3 Os Lusíadas e a obra lírica
-3.1 O estilo
4 Obras
-4.1 Lírica
-4.2 Teatro
5 Bibliografia
5.1 Bibliografia activa
5.2 Bibliografia passiva
6 Ligações externas
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Descalça vai para a fonte
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Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
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Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.
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Descobre a touca a garganta
,Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

domingo, 31 de maio de 2009

Boris Pasternak...Foi um Escritor e Poeta Russo...Prémio Nobel de Literatura...

Boris Leonidovitch Pasternak (Moscou, 10 de fevereiro de 1890Peredelkino, 31 de maio de 1960) foi um poeta e romancista russo.
Biografia
Filho de um professor de pintura e de uma pianista, teve uma juventude em uma atmosfera cosmopolita. Estudou
Filosofia na Alemanha e retornou a Moscou em 1914, ano em que publicou sua primeira coleção de poesias.
Durante a
Primeira Guerra Mundial ele ensina e trabalha em uma usina química dos Urais, o que lhe deu matéria para a sua famosa saga Doctor Zhivago anos mais tarde.
Pasternak caiu em desgraça com as autoridades soviéticas durante os
anos 1930; acusado de subjetivismo, ele conseguiu, no entanto, não ser enviado a um Gulag.
Foi-lhe atribuído o
Prêmio Nobel de Literatura em 1958, mas ele não foi autorizado a recebê-lo por razões políticas.
Na
Rússia é mais conhecido como poeta do que romancista, em virtude que o livro Dr. Jivago não fez muito sucesso na antiga União Soviética por motivos políticos.
Sobre "Doutor Jivago"
Em 1958, Boris Pasternak publicou seu mais conhecido trabalho no mundo ocidental: o romance Doctor Zhivago (no português, Doutor Jivago).
O livro não pôde ser publicado na então União Soviética, devido às críticas feitas ao regime comunista na obra.
Os originais do livro foram contrabandeados para fora da "Cortina de Ferro" e editados na Itália, tornando-se rapidamente em um verdadeiro best-seller, fazendo de Pasternak vencedor do Prêmio Nobel de Literatura.
Entretanto, pelo fato de ser um livro proibido pelo governo de Moscou, Pasternak foi impedido de receber o Nobel e acabou sendo obrigado a devolver a honraria.
A proibição da publicação de Dr. Jivago dentro da União Soviética vigorou até 1989, quando a política de abertura de Mikhail Gorbatchev, então líder da URSS, liberou a publicação da obra. Somente neste ano, os russos puderam conhecer a saga de Jivago.
Em 1965, Doutor Jivago ganhou uma adaptação para o cinema, com Omar Shariff, no papel principal. O filme ficou famoso também por sua grande trilha sonora, Theme´s Lara. Entretanto, Pasternak não viveu para ver seu livro adaptado para as telas. Ele morreu em 1960.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Juan Ramón Jiménez...foi um Poeta Modernista Espanhol e Prémio Nobel de Literatura...

Juan Ramón Jiménez Mantecón (Moguer, 23 de dezembro de 1881San Juan, 29 de maio de 1958) foi um poeta espanhol.
Biografia
Em 1983 Juan Ramón foi como aluno interno para o colégio de jesuítas do porto de Santa Maria (C´dis), onde fez os estudos secundários até 1896. Aí escreveu os primeiros versos.
No Outono de 1896 foi para Sevilha estudar Direito, por vontade paterna, e pintura, por gosto próprio. Começou a ler os poetas espanhóis mais famosos da época: Gustavo Adolfo Bécquer, Rosalía de Castro, Curros Enríquez, e românticos franceses e alemães.
De regresso a Moguer, em 1899, correspondeu-se com Salvador Rueda - poeta introdutor do modernismo em Espanha - e Francisco Villaespesa, que abriu a Jun Ramón as portas da vida literária da capital, onde o modernismo começava a triunfar.
Deslocou-se para a Madrid em Abril de 1900, ocorrendo pouco tempo depois a morte repentina do seu pai, que lhe causou um traumatismo para toda a vida: o pavor da morte súbita e o consequente desejo de ter sempre próximo de si um médico.
No princípio de 1905 voltou para Moguer, dominado por implacável neurose, em busca de repouso e ternura familiar.Em 1913 conheceu Zenobia Camprubí Aymar, mulher graciosa, culta, de espírito sensível e apaixonada pelo poeta e pela sua obra, com quem casou em 1916.
O amor e o casamento tornam-se então motivos para um dos melhores livros de Juan Ramón, Diario de un poeta recién casado.
Depois de sucessivas viagens e hospitalizações por motivo das frequentes depressões nervosas do poeta, Juan Ramón e Zenobia mudam-se para Porto Rico.
O poeta ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1956, morreu a 29 de Maio de 1958.
Escrever sobre Juan Ramón Jímenez obriga a falar de modernismo: a sua poesia foi, no começo, influenciada pelo movimento e fez depois evoluir o modernismo espanhol.
Assim iniciada, a poesia de Juan Ramón começou por obedecer às leis deste amplo movimento: um esteticismo de raiz romântica, predominantemente sentimental, em que o eu é quase sempre o centro do poema, com os seus lamentos, uma visão idílica da natureza, uma sensualidade difusa, paisagens que são reflexo do seu espírito inquieto e por vezes mórbido, da consciência que lhe revela a transitoriedade humana, o abismo da beleza inatingível indiferente a essa transitoriedade.
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Poema
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Eu não voltarei. E a noite
morna, serena, calada,
adormecerá tudo, sob
sua lua solitária.
Meu corpo estará ausente,
e pela janela alta
entrará a brisa fresca
a perguntar por minha alma.
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Ignoro se alguém me aguarda
de ausência tão prolongada,
ou beija a minha lembrança
entre carícias e lágrimas.
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Mas haverá estrelas, flores
e suspiros e esperanças,
e amor nas alamedas,
sob a sombra das ramagens.
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E tocará esse piano
como nesta noite plácida,
não havendo quem o escute,
a pensar, nesta varanda.

domingo, 24 de maio de 2009

Ferreira de Castro...foi Escritor...

José Maria Ferreira de Castro nasceu em Salgueiros, vila Oliveira de Azeméis, Portugal, no dia 24 de maio de 1898 e foi um escritor português.
Biografia
Filho de José Eustáquio Ferreira de Castro e D. Maria Rosa Soares de Castro, Ferreira Castro viveu boa parte de sua infância nesse modesto local.
Em 1904 entra na escola primária de Ossela. Dois anos depois passa por sérios problemas financeiros por causa da perda do pai.
Em 1911 emigra para Belém do Pará - Brasil, onde trabalhar, por cerca de quatro anos, em um seringal da floresta Amazônica. Essa fase, vivida em regime de semi-escravidão, proporcionou-lhe o contato com os sofrimentos e injustiças vividos pelo povo local, o que lhe serviu de "inspiração" para escrever o romance "A selva", publicado em 1930.
Por volta de 1914 deixa o Seringal e vai para Belém - PA. Os anos seguintes lhe são muito duros, pois tem que se submeter a trabalhos humildes para conseguir manter-se.
Em 1916 consegue publicar o romance "Criminoso por Ambição", cuja distribuição era feita por ele mesmo.A partir daí começa a colaborar com alguns jornais locais (Jornal dos Novos e a Cruzada). No entanto a vida ainda lhe castiga muito e o escritor chega a viver em estado de extrema miséria.
Sua situação começa a melhorar somente em 1917 quando funda, juntamente com o também português João Pinto Monteiro, um seminário intitulado "Portugal".
Em 1919, já com a situação financeira regularizada, Ferreira Castro viaja pelo Brasil e faz vários contatos importantes. No entanto, retorna a Portugal com a intenção de seguir carreira literária. Em 1920, funda, com Nuno Romano, o jornal "O Luso", que tinha a intenção de aproximar o Brasil de Portugal.Esse periódico se extingue alguns meses depois e, novamente, Ferreira Castro vive em estado de extrema miséria.
Pouco a pouco, começa criar relações com pessoas que lhe abrem o caminho na vida jornalística. Começa também a produzir e publicar romances: Carne Faminta - 1920; O Êxito fácil - 1923; Sangue Negro - 1923; A boca da esfinge - 1924; A morte Redimida - 1925 etc.
Segundo o professor Massaud Moisés, esses romances são todos de "duvidosa valia a tal ponto que mais tarde o escritor os renegaria". Apesar da "duvidosa valia" essas obras, somadas a vários artigos escritos por Ferreira Castro, fazem com que ele se re-estabeleça financeiramente e chegue a ser eleito, em 1927, "Presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa".
Ainda nesse ano passa a viver com Diana de Lis.
Em 1928 funda e dirige, junto com Campos Monteiro, o magazine "Civilização".
Ainda nesse ano, publica o romance "Emigrantes", que, além de receber elogios da critica em Portugal, marca também o início definitivo de sua carreira de escritor.
Em 1930 publica "A Selva", na qual resgata as experiências vividas na Amazônia.Esse romance tornou-se um grande sucesso tanto em Portugal como no Brasil. Isso porque a obra trata dos problemas sociais vividos pelo povo da região Amazônia com objetividade e extremo senso crítico.
Em 30 de Maio deste ano morre sua companheira Diana de Lis. Angustiado, interrompe suas atividades literárias e abandona a direção do magazine "Civilização".
A obra "Eternidade" publicada em 1933, marca o seu retorno as atividades literárias, que se prolonga até a sua morte, ocorrida em 29 de Junho de 1974 na cidade do Porto.
Ferreira de Castro teve seus livros traduzidos para vários idiomas.
Sem sombra de dúvidas, as obras mais importantes de sua carreira são "Emigrantes" e "A Selva", pois são consideradas precursoras do Neo-Realismo em Portugal.
Outras obras de obras de destaque:
Eternidade - 1933;
Terra fria - 1934;
Tempestade - 1940;
A lã e a neve - 1947;
A curva da Estrada - 1950;
A missão - 1954;
O Instinto Supremo - 1968;

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Victor Hugo...foi um Escritor Francês do séc.XIX...

Victor-Marie Hugo (Besançon, 26 de fevereiro de 1802Paris, 22 de maio de 1885) foi um escritor e poeta francês de grande atuação política em seu país.
É autor de Les Misérables, sua melhor peça e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras.
Índice
1 Vida
2 Pensamento político
3 Discursos
4 Extratos
-4.1 Argumentação contra a proibição de "Marion Delorme"
-4.2 Diálogo entre Combeferre e Enjolras em "Os Miseráveis"
5 Obra
6 Referências
7 Ligações externas
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Frases
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"Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo".
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"O maior
sonho dos heróis é ser grande em todos os lugares e pequeno com o seu pai."
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"A
melancolia é a felicidade de estar triste."
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"Resistimos à
invasão dos exércitos; não resistimos à invasão das idéias."
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"A
verdade é como o Sol. Ela permite-nos ver tudo, mas não deixa que a olhemos."
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"Não ter nada para fazer é a
felicidade das crianças e a infelicidade dos velhos."

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Morre aos 88 anos o poeta e escritor uruguaio Mario Benedetti...

O escritor uruguaio Mario Benedetti morreu neste domingo, 17, em Montevidéu aos 88 anos. Benedetti, que tinha um estado de saúde bastante delicado, estava em sua casa, na capital uruguaia, quando morreu.
No ano passado, o escritor foi hospitalizado quatro vezes em Montevidéu devido a diversos problemas físicos.
A primeira vez foi entre janeiro e fevereiro de 2008, após sofrer uma enterocolite que fez com que ficasse desidratado. Já em março ele foi internado com problemas respiratórios, enquanto a terceira vez se deu em maio do ano passado por causa de um quadro clínico instável geral.
Após a última vez em que Benedetti foi hospitalizado, de 24 de abril até 6 de maio, o escritor recebeu alta e voltou para casa, após 12 dias internado pelo agravamento de uma doença intestinal crônica.
Biografia
Filho de Brenno Benedetti e Matilde Farugia, Mario Benedetti nasceu em 14 de Setembro de 1920, em Paso de Los Toros, Tacuarembó, Uruguai.
Aos quatro anos de idade sua família muda-se para Montevidéu. Inicia seus estudos no Celógio Alemão de Montevidéu, onde fica até 1933.
Em 1934 ingressa na Escuela Raumsólica de Logosofía. Permanece apenas um ano e em seguida parte para o Liceu Miranda. Mas por problemas financeiros, acaba por seguir seus estudos de maneira auto-didata. Desde os quatorze anos trabalha na empresa Will L. Smith S.A., da Argentina.
Em 1949 torna-se membro do conselho de redação da revista literária Número, uma das revistas mais destacadas na época. Participa ativamente no movimento contra o Tratado Militar com os EUA, sua primeira ação como militante. Ainda nesse ano, ganha o Prêmio do Ministério de Instrução Pública, por sua primeira antologia de contos, Esta Mañana.
Em 1971 participa ativamente da vida política uruguaia, como membro do Movimiento 26 de Marzo. É nomeado diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu.
Sob o Golpe de Estado de 27 de Junho de 1973, Mario Benedetti renuncia ao cargo na Universidade. Por suas posições políticas, deve deixar o Uruguai, partindo para o exílio em Buenos Aires, Argentina.
Posteriormente, exila-se no Peru, onde foi detido e deportado, indo imediatamente, em 1976, para Cuba.
Volta ao Uruguai em 1983, inciando o autodenominado período de desexílio, motivo de muitas obras. Em 1986 recebe o Prêmio Jristo Botev da Bulgária, por sua obra poética e ensaística.
Desde os anos 50 até hoje a obra de Mario Benedetti foi contemplada com muitos prêmios e homenagens, dentre eles o título de Doutor Honoris Causa, em 1997, pela Universidade de Alicante, Espanha.
Depois do falecimento de sua tão estimada esposa Luz López, em Abril de 2006, vítima de Alzheimer, Mario Benedetti se mudou definitivamente para sua residência no bairro Central de Montevidéu.
Em função dessa mudança, dôou parte de sua biblioteca pessoal ao Centro de Estudos IberoAmericanos Mario Benedetti da Universidade de Alicante, Espanha.
Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.
Ele já recebeu os prêmios Ibero-americano José Martí (2001) e Internacional Menéndez Pelayo (2005).
A última obra publicada, o poemário "Testigo de Uno Mismo", foi apresentada em agosto do ano passado. Antes da última entrada no hospital, Benedetti estava trabalhando em um novo livro de poesia cujo título provisório é "Biografía para Encontrarme".
Seus livros foram traduzidos para mais 20 idiomas e é considerado um autor do primeiro plano da literatura latino-americana contemporânea.
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Coração couraça
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Porque te tenho e não
porque te penso
porque a noite está de olhos abertos
porque a noite passa e digo amor
porque vieste a recolher tua imagem
porque és melhor que todas tuas imagens
porque és linda desde o pé até a alma
porque és boa desde a alma a mim
porque te escondes doce no orgulho
pequena e docecoração couraça
porque és minha
porque...
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Te quero
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Tuas mãos são minha carícia
Meus acordes cotidianos
Te quero porque tuas mãos
Trabalham pela justiça
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
Teus olhos são meu conjuro
Contra a má jornada
Te quero por teu olhar
Que olha e semeia futuro
Tua boca que é tua e minha
Tua boca [...]

terça-feira, 12 de maio de 2009

Manuel Alegre...Poeta e Político...Faz hoje 73 anos...

Manuel Alegre de Melo Duarte (Águeda, 12 de Maio de 1936) é um poeta e político português.Foi opositor do regime salazarista e esteve exilado na Argélia durante o período do Estado Novo. É membro destacado do Partido Socialista português, partido do qual foi fundador e Vice-Presidente e pelo qual é deputado na Assembleia da República.
Biografia
Estudou Direito na Universidade de Coimbra. Desde muito cedo demonstrou os seu ideais políticos. Cumpriu o serviço militar na guerra colonial em Angola.
Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra.
Paralelamente à carreira política, produziu larga obra literária que lhe conferiu notoriedade dentro do país, destacando-se sobretudo a sua obra poética. Nunca chegou a concluir a licenciatura em Direito.Recebeu numerosos prémios literários e o Prémio Pessoa em 1999.
Em 2005 é académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
Também recebeu o primeiro prémio do Festival RTP da Canção, com seu poema Uma flor de verde pinho, musicada por José Niza e cantada por Carlos do Carmo, vencendo canções de Ary dos Santos.
Foi Secretário de Estado da Comunicação Social e Porta Voz do 1.º Governo Constitucional.
Concorreu em 2004 às eleições internas para Secretário-Geral do PS, tendo perdido para José Sócrates.
Em Setembro de 2005 anunciou a sua candidatura às eleições para a Presidência da República realizadas em 22 de Janeiro de 2006. Alegre obteve 20,72% dos votos, não conseguindo evitar a vitória à primeira volta de Cavaco Silva, mas conseguindo uma vantagem de cerca de 6% dos votos expressos sobre Mário Soares, candidato oficial do Partido Socialista.
Após as eleições, formou um movimento cívico, denominado Movimento de Intervenção e Cidadania.
Apesar de frequentes intervenções nas quais insinuou a possibilidade da formação de um novo partido político à esquerda do Partido Socialista, Manuel Alegre tem permanecido nas fileiras do seu partido e do seu grupo parlamentar.
Esta escolha não o impediu, porém, em diferentes ocasiões, de alinhar o seu voto com os do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda contra a orientação política do seu próprio partido.
Índice
1 Obra
-1.1 Poesia
-1.2 Ficção
-1.3 Outros
2 Candidatura à presidência em 2006
3 Ligações Externas
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Última Página
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Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.
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Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.
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Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.
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Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.
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Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

António José da Silva...foi Escritor e Dramaturgo...

António José da Silva (Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705Lisboa, 18 de Outubro de 1739) foi um dramaturgo e um escritor português nascido no Brasil, de religião judaica, que viveu numa época em que os judeus eram perseguidos em Portugal e nas suas colónias, tendo por isso que mentir e se afirmar católico
Biografia
Nasceu em 1705 no Rio de Janeiro. O pai era advogado e poeta, tendo conseguido manter a sua fé judaica secretamente. Sua mãe, Lourença Coutinho foi menos bem sucedida. Foi acusada de ser judia e foi deportada para Portugal onde foi processada pela Inquisição. O pai de António decidiu então partir para Portugal, para estar próximo de sua mulher, levando o jovem António consigo.
António José da Silva estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde se inscreveu em 1725/6. Interessado pela dramaturgia, escreveu uma sátira, o que serviu de pretexto às autoridades para o prender. António foi acusado de práticas judaizantes.
Foi torturado, tendo ficado parcialmente inválido durante algumas semanas, o que o impediu de assinar a sua "reconciliação" com a Igreja Católica, acabando por o fazer em auto-de-fé. Finalmente libertaram-no.
António José da Silva iniciou-se na advocacia mas acabaria por se dedicar à escrita, tendo-se tornado o mais famoso dramaturgo português do seu tempo.Foi um escritor prolífico, tendo escrito sátiras critizando os ridículos da sociedade portuguesa contemporânea. As suas comédias ficaram conhecidas como a obra do "Judeu" e foram encenadas frequentemente naquela Portugal dos anos de 1730.
A sua obra seria publicada em 1744, em dois volumes, na série que ostenta o título "Theatro comico portuguez".António José da Silva foi amigo de Alexandre de Gusmão, conselheiro do Rei D. João V.
Em 1737, António foi preso pela Inquisição, juntamente com a mãe e a esposa (Leonor de Carvalho, que era sua prima e também judia e com quem casara em 1728). A mãe e a mulher seriam libertadas posteriormente.
António José da Silva foi novamente torturado. Descobriram que era circuncisado. Uma escrava negra testemunhou que ele observava o Shabbat.
O processo decorreu com notória má-fé por parte do tribunal e António José da Silva é condenado, apesar de a leitura da sentença deixar transparecer que ele não seria, de facto, judaizante.
Como era regra com os prisioneiros que, condenados, afirmavam desejar morrer na fé católica, António José da Silva foi garrotado antes de ser queimado num Auto-de-Fé em Lisboa em Outubro de 1739. Sua mulher, que assistiu à sua morte, morreria pouco depois.
A história deste autor inspirou Bernardo Santareno, ele próprio de origem judaica, a escrever a peça "O Judeu".
Mais recentemente, a vida de António José da Silva foi encenada por Jom Tob Azulay no filme "O Judeu", de 1995.
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De amor todo abrasado
me sinto que louco
e aflito pouco a pouco
me vai faltando a vida,
me vai matando a dor
Ah, querida, ingrata Alcmena,
quanto susto e quanta pena
me provoca o teu rigor!
(de Anfitrião)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

José Campos de Figueiredo...Foi Poeta, Ensaísta e Dramaturgo...

José Campos de Figueiredo (Cernache, 6 de Maio de 1899Coimbra, 28 de Novembro de 1965), foi um poeta, ensaísta e dramaturgo português.
Campos de Figueiredo foi director da revista Conímbriga e da revista Tríptico, tendo ainda colaborado na Gazeta de Coimbra, no Instituto de Coimbra e no Diário de Coimbra.
O poeta utilizou como pseudónimo o nome Paulo Prates.
A obra de Campos de Figueiredo situa-se:
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"muito à margem de escolas literárias, indiferente a seus tabus, ídolos e superstições".
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Prémios
Prémio Antero de Quental (poesia) com "Navio na Montanha
"Prémio Ricardo Malheiros com "Obed"
Obras
Jardim Fechado (1922)
Poemas do Instante e do Eterno (1934)
Reino de Deus (1939)
Navio na Montanha (1942)
O Primeiro Milagre de Jesus (1942) (teatro
)Biografia Literária de Manuel da Silva Gaio (1943)
Obed (1947)Caim (1952)
A Actual Poesia Portuguesa (1956)
Cancioneiro do Amor, Imagem do Dia (1958)
Canções do Figueiral (1959)
Santa Luzia (1962)
O Necessário Encontro (1963)
Augúrio do Infante (1963)
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Autocrítica
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Senhor! nunca me vi nem conheci
Dentro do negro abismo onde se esconde
O meu segredo humano, nem sei onde
Começa e acaba o que provém de ti!
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Sei que errei o caminho e me perdi!
Agora, embora chame e grite e sonde,
No meu longo deserto, só responde
Ao longe, a voz do mar que nunca vi.
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Em vão chamo por mim, em vão procuro
A luz que me pertence e que cintila
No fundo inquieto deste abismo escuro;
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- Fio de água sumido nas areias,
-Vejo estátuas dramáticas de argila
Com dedadas fatais de mãos alheias!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Abel Botelho...Foi um Escritor e Diplomata...

Abel Acácio de Almeida Botelho (Tabuaço, 23 de Setembro de 1855Argentina, 24 de Abril de 1917) foi um militar, e diplomata português, destacou-se também como escritor. Representante em Portugal do realismo extremo, conhecido como Naturalismo, escreveu, entre outros, o O Barão de Lavos e O Livro de Alda, os dois primeiros títulos da série Patologia Social.
Biografia
Abel Botelho nasceu em Tabuaço, pequena vila da Beira Alta, a 23 de outubro de 1856, e faleceu em Buenos Aires, como ministro da República Portuguesa, em 1917.
Iniciando-se na carreira das armas como simples soldado raso, foi galgando os mais altos postos do Exército, tendo chegado a Coronel. Entre outras funções, exerceu a chefia do Estado Maior da Primeira Divisão Militar (Lisboa).
Pertenceu a várias agremiações (Academia das Ciências, Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, de Lisboa e do Porto, Associação da Imprensa, Sociedade Geográfica de Lisboa, etc.), e foi como um dos delegados dessa última agremiação que esteve em São Paulo, em 1910, por ocasião de um congresso de Geografia.
Em 1911 é nomeado ministro da República em Buenos Aires, onde falece em 1917. Sua carreira literária, começou-a em 1885, com um livro de versos chamado "Lira Insubmissa".
No ano seguinte, lança "Germano", drama em cinco atos, em verso. Proposta à direção do teatro Nacional, esta peça foi recusada. Originou-se uma polêmica, por causa do artigo que Abel Botelho dirige aos responsaveis por sua não aceitação.
Daí por diante escreverá outras peças de teatro: "Jacunda" (comédia em três atos; 1895), "Claudina" (estudo duma neurótica; comédia em três atos, representada no Teatro do Príncipe Real de Lisboa, na festa artística da atriz Lucinda Simões, a 18 de março de 1890), "Vencidos da Vida" (peça satírica, representada a 23 de março de 1892 no Teatro do Ginásio; três atos), "Parnaso" (peça lírica, em verso, em um ato, escrita para a récita de estudantes, em benefício da Caixa de Socorros a Estudantes Pobres, realizada no Teatro de São Carlos, em 3 de maio de 1894), "Fruta do Tempo" (comédia, escrita para a atriz Lucinda Simões; 1904).
Sendo de assunto no geral escabroso, delicado, como pedia o Naturalismo, essas peças causavam agitação, especialmente "Imaculável", que terminou em arruaças e apupos, e "Vencidos da Vida", que não pôde prosseguir em cena pelo que continha de crítica ao grupo literário que dá título à peça, e por ser considerada imoral, originando-se daí uma polêmica entre Abel Botelho e os responsáveis pela proibição.
Em 1891, Abel Botelho inicia o estudo da sociedade portuguesa na série "Patologia Social", que deveria ser o exame exigente e científico dos males gerais que infestavam Portugal, sobretudo Lisboa, capital e centro urbano de maior prestígio.
O primeiro é "Barão de Lavos" (1891), seguido de "O Livro de Alda" (1898), "Amanhã" (1901), "Fatal Dilema" (1907), "Próspero Fortuna" (1910). Além desses, deixou mais três romances: "Sem Remédio..." (1900), "Os Lázaros" (1904), e "Amor Crioulo" (incompleto e póstumo; seu título anterior era "Idílio Triste"; 1919) e o livro de contos "Mulheres da Beira" (1898; anteriormente haviam sido publicados no "Diário de Notícias", entre 1895 e 1896).