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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Criadores de monstros...
O bairro da Bela Vista esteve a ferro e fogo e toda a gente decidiu dar palpites. Existem duas escolas de ‘pensamento’. A primeira pede mais inclusão e diz que a culpa é da pobreza. A segunda pede mais repressão e diz que a culpa é dos delinquentes..
Eu, modestamente, peço mais reclusão e digo que a culpa é do Estado: ao enxotar os mais pobres para guetos imundos, longe dos centros de ‘socialização’, e ao sustentar vidas de indolência e irresponsabilidade familiar, o Estado apenas criou o monstro que agora se volta contra ele.
A Bela Vista é um problema de pobreza, sim, mas de pobreza moral, ou até espiritual, promovida pelo paternalismo abjecto do Estado.
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Depois de enfiar os criminosos na cadeia, seria aconselhável que as políticas sociais de sucessivos governos também não ficassem por aí à solta.
João Pereira Coutinho
in CM
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Bairro da Bela Vista
terça-feira, 12 de maio de 2009
Do rio que corre se diz que é violento…
A opção do poder político e do circo mediático que o acompanha, em apresentar os acontecimentos da Bela Vista, em Setúbal, como um caso de polícia, dando uma resposta exclusivamente policial a problemas fundamentalmente sociais, parecem querer atiçar fogueiras que já arderam na França, Grécia e outros locais..
Com um desemprego que, de acordo com o Observatório Municipal, atinge os 23,5 por cento, o bairro sofre problemas comuns a todos as zonas afectadas pela pobreza, particularmente atingidas com as consequências da crise económica.
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Será com uma intervenção social urgente que se poderá minorar as razões que levam à revolta e aos distúrbios violentos. Não com o reforço da imagem de "gueto" cercado e ocupado por forças policiais.
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Como disse D. Manuel Martins ( que continua, de facto, a ser o bispo de Setúbal) "o que importa é garantir o pão". Sem isso, podem-se mobilizar muitas companhias do Corpo de Intervenção da PSP, que a questão continuará.
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Aos comentadores de serviço do sistema, que já inventam o fantasma de "grupos extremistas", é necessário dizer que o "extremismo" vem do desemprego, da pobreza, da "guetização", não de qualquer organização oculta.
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Esperemos que em Portugal não triunfem os aprendizes de Sarkozy, que não hesitou em hostilizar as populações dos bairros sociais dos arredores de Paris, optando pela repressão policial, para que a segurança se tornasse a sua principal arma eleitoral.
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Como dizia Brecht, "do rio que corre se diz que é violento, mas ninguém fala das margens que o comprimem".
Álvaro Arranja
in Esquerda.Net
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segunda-feira, 11 de maio de 2009
Todos brincam com o fogo de Setúbal...
Os distúrbios de Setúbal são uma treta sem importância nenhuma. Uns putos revoltados pela morte de um amigo pela polícia, responderam com pedradas e uns tiros..
A polícia que pelo visto não consegue um ambiente de trégua na zona envolvendo as várias entidades próximas, desatou também aos tiros, repetindo no fundo a mesma atitude dos miúdos.
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O alarido, o aparato e o ar de empertigado do ministro, nada ajudam à calma. Sócrates veio ainda lançar gasolina no lume ao dizer aquela frase superior:"nas democracias não se bate na polícia!". Oh, senhor primeiro-ministro: parece que é mesmo nas democracias que os polícias levam à grande!".
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O que está a acontecer ainda não é uma revolta organizada, nem o rebentar do vulcão que fervilha há já alguns anos à volta das grandes cidades do país. Ninguém com consciência política e social pode esconder que numa zona com vinte e tal por cento de desemprego, mistura de culturas e, sobretudo, com um total desencanto pelo dia de amanhã possa haver paz social, harmonia e cânticos de igreja.
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Ali nem um Magalhães em cada lar, ligado à internet, poderia acalmar os ânimos de uma geração deslocada, marginalizada.
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Quando Paulo Portas vem com aquele ar de mauzão que gosta de polícias, está a ignorar que sem enquadramento social eficaz, não há segurança, nem paz. Ali há fome, desprezo e humilhação social.
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Queriam o quê ? Milagres? Meninos do côro?
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O aparato exagerado da polícia só provoca mais a situação. A segurança deveria ser forte e discreta, eficaz sem arrogância.Se continuarem todos a fazer daquilo um espectáculo para as televisões e um pretexto para guerrilhas de partidos, não se admirem que a onda de violência se espalhe a outros bairros da grande Lisboa.
É só a malta perceber que aquilo dá para aparecer na televisão.
in Blog Instante Fatal
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