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quinta-feira, 11 de junho de 2009

O ex-deputado socialista João Cravinho disse hoje à Rádio Renascença que, depois do resultado das eleições europeias, “o efeito Sócrates só por si já não chega” e que este não é o momento para o país se lançar nos grandes investimentos.
Cravinho interpreta que o resultado se explica por uma “vontade de castigar o Governo, uma vontade de assinalar um cartão que, nalguns casos é amarelo e noutros pode ser muito vermelho”.
“O efeito Sócrates só por si já não chega. Isto é talvez a lição do ponto de vista do PS mais importante”, considerou. “Sócrates sozinho já não chega. Tem que estar com mais alguém, vários que dêem a noção de que a política que se vai seguir na próxima legislatura não é a política de um homem só”, afirmou.
Até Outubro, o PS tem de “mudar, de alterar, de ajustar, de modo a não dar a imagem de que, de facto, tudo se resume a Sócrates dentro do Partido Socialista”.
Cravinho alerta para os grandes investimentosCravinho defendeu que “o Governo deve reflectir muito profundamente sobre quais são os grandes projectos que deve seguir nos próximos quatro anos”.
Tudo porque, disse, “não é altura de comprometer definitivamente o país por dois ou três meses de pura ânsia e sofreguidão num caminho que depois pode ser muito difícil”.Em causa estão obras públicas como auto-estradas, TGV e o novo aeroporto.
“Um Governo num país democrático não pode fazer quero, posso e mando. Dizer «eu tenho a minha vontade e porque tenho maioria e dentro de duas semanas já não a tenho, vou usá-la hoje para criar obrigações contratualizadas» que, no fundo, se o futuro Governo ou se o país quiser desfazê-las então paga um balúrdio tal que, aí sim, coloca o país de tanga”.
in Público

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Tiro ao alvo

Alteração no financiamento dos partidos «é uma fantochada»

João Cravinho não entende alteração efectuada em Comissão

João Cravinho critica o comportamento do Parlamento, que alterou o número quatro do artigo 18 da lei do financiamento dos partidos, respeitante aos lucros que resultam das campanhas eleitorais.

«Não me parece possível andar a tirar e a pôr regras de fundo, substantivas, alterando os diplomas porque entretanto se chegou á conclusão porque isto deu bastante barraca», disse à «Rádio Renascença», enquanto manifestava a sua incompreensão pelo facto desta alteração ter sido realizada por apenas 16 deputados na comissão de Assuntos Constitucionais:

«Corrigir isto, no período da votação, por um pequeno grupo que se arroga tanto poder como o próprio plenário, é uma fantochada, não é possível».

In Portugal Diário

quarta-feira, 18 de março de 2009

A Fisga



Cravinho: Sócrates «seguiu pelo pior caminho»
Ex-deputado do PS critica declarações sobre a manif da CGTP. Parlamento deve seguir o rasto aos dinheiros públicos.
João Cravinho critica as declarações de José Sócrates a respeito da manifestação organizada pela CGTP, na passada sexta-feira em Lisboa, na parte em que o primeiro-ministro fala de instrumentalização pelo PCP e pelo BE.

Alegre defende medidas para combater a crise

«É um pouco abusivo, sobretudo redutor e direi fechado de horizonte equacionar as coisas como se tratasse de uma grande manifestação de autómatos», refere o ex-deputado socialista, no seu habitual espaço de opinião na «Rádio Remascença», acrescentando que «muitas da pessoas manifestaram-se pela primeira vez».

Cravinho considera mesmo que «Mário Soares tem toda a razão em chamar a atenção para a importância que têm duzentas mil pessoas na rua». Não se trata de «peões de brega do Partido Comunista ou do Bloco de esquerda», refere.

O antigo deputado socialista considera mesmo que Sócrates seguiu pelo «pior caminho que se pode tomar porque isso significa que se despreza a angústia, a dor e a tremenda aflição que movem muitas daquelas pessoas», rematando que «é um pouco abusivo transformar isto numa pura manifestação política, como se se tratassem de autómatos. As pessoas existem, têm sentimentos, receios angústias e problemas terríveis».

João Cravinho defende, por outro lado, que o Parlamento devia acompanhar com rigor a utilização de dinheiros públicos, sugerindo mesmo a criação de uma comissão eventual para o efeito.

O ex-deputado socialista refere que «não podemos ficar pelo BPN, há muito mais coisas a ver».

Cravinho diz que «é absolutamente fundamental» o Parlamento «acompanhar com pormenor, com rigor e com constância, o uso dos dinheiros públicos».

Para o antigo parlamentar, no âmbito da comissão de orçamento e finanças, «ou a comissão toda ou um grupo de trabalho ou uma sub-comissão ou até uma comissão eventual deveria ser constituída» com essa «missão específica».

Os deputados devem preocupar-se ainda com as offshores, a luta contra a fraude e evasão fiscal, dando o exemplo das listas de depositantes no Liechenstein a que Portugal teve acesso e que levou outros países, entre os quais a Alemanha, a «tomar grandes medidas de prevenção e combate à evasão fiscal».

«Portugal deve ter recebido essa informação», referiu o antigo parlamentar, acrescentando uma pergunta: «o que é que se fez?». Para Cravinho, é «importante que o público saiba, não os detalhes, mas a linha geral». O assunto não deve ser encarado «como se fosse um fait-divers», adverte.
In Portugal Diário