domingo, 7 de dezembro de 2008

POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA - #5

Herberto Helder

Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu no Funchal no dia 23 de Novembro de 1930.
Entre 1949 e 1952 frequentou o curso de Filologia Românica, na Universidade de Coimbra. Publicou os primeiros poemas por essa altura, na colectânea Arquipélago. De regresso a Lisboa, trabalhou na Caixa Geral de Depósitos e, posteriormente, como angariador de publicidade. De resto, são múltiplos os ofícios que se conhecem ao poeta (meteorologista, delegado de propaganda médica, empregado de cervejaria, cortador de legumes, policopista, encarregado de biblioteca, etc).
Em 1954 deu à estampa três poemas na colectânea Poemas Bestiais. Frequentou o grupo do Café Gelo, no qual pontificou Mário Cesariny, e colaborou com vários jornais e revistas. O seu primeiro livro, O Amor em Visita, publicado por Luiz Pacheco na Contraponto, apareceu em 1958, impondo-o desde logo como um dos casos mais notáveis da poesia portuguesa post-surrealista.
A Colher na Boca, colecção de poemas publicado em 1961, granjeia-lhe definitivamente um lugar ímpar entre os mais jovens poetas portugueses, seguido de Poemacto (1961) e Lugar (1962).
Os Passos em Volta, livro de contos publicado pela primeira vez em 1963, reflectem a vida de andarilho de Herberto Helder. Nos contos que compõem este volume, o autor prolonga, numa prosa que é o estuar da sua imagística, todo o sémen da sua poesia, e o que resulta é um ritual de si em torno da mulher.
Em 1964 co-organizou e colaborou no n.º 1 de Poesia Experimental. Em 1968 participou como actor no filme As Deambulações do Mensageiro Alado, de Edgar Gonçalves Preto, e gravou dois discos de poemas seus. Em 1973, publicou os dois volumes antológicos (1953-66 e 1963-71) de Poesia Toda (Plátano).
Já no final da década de 70, foi editado Photomaton & Vox na Assírio & Alvim, editora que passará a publicar toda a sua obra.
No ano seguinte recusou o Prémio Fernando Pessoa, atribuído pela edição da obra Do Mundo.
Sobre a sua obra, Natália Correia escreveu o seguinte (Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, 1965): "[...] fecundo, inspirado e romântico poeta que levou alguns observadores a evocar Holderlin, definição que implica a constatação de uma retórica classissista em que se excede a sua obra. A poesia de Herberto Helder, sempre obsessiva, reflecte como que um imenso orgasmo sem fim. Nela, a mulher, o género mais do que o amor individualizado, é a musa universal, receptáculo dos seus excessos e do êxtase que o projecta numa insaciável tensão. [...] O erotismo de Herberto Helder, além de ser a mais pertinente constante da sua inspiração, tem a particularidade de se consubstanciar numa sensualidade homérica e luxuriante como a naturaza mais intrincada e primitiva."
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HÁ CIDADES COR DE PÉROLA
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Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
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Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence,
o da minha loucura, escada
sobre escada.
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Mulheres que eu amo com um
desespero fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
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Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
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Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim, 1979
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CICLO
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Escuto a fonte, meu misterioso desígnio
de cantar o amor.
Da tremenda alegria da carne
deve vir o espírito do canto, da vossa
deslumbrante alegria, ó intensas
criaturas solares.
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Tudo o que é como sinal fecundo
de terra, tudo o que se toca
entre comoção e pensamento
deve participar do vosso cântico, ó
corpos apoteóticos, corpos
reconstruídos sobre o frio ascético dos cadáveres.
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Vosso é o vinho libertador, a erva
virgem, ó pequenas cabras rituais, a erva
junto à água, junto ao silêncio,
junto à aragem - vosso é o pólen inconspurcado,
o fruto, o dia, a delirante
lua vermelha.
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Vindes na simples harmonia da fome
e da mesa
com vossos gestos sexuais de uma graça infantil,
com vosso puro impudor
e a generosidade ingénua
do pecado.
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Eu canto as vossas coxas verdes, o antigo
turbilhonar do instinto
que castamente transportais como um depósito
no sacrário do sexo,
canto o vosso ventre diurno,
a infinita inocência da vossa entrega
milagrosa.
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Humildemente teço minhas palavras gratas
sobre a bela ferocidade
da vossa carne, ergo minha taça,
oiço o rumorejar oculto da fonte.
Humildemente dissipo a solidão, aceito vosso apelo de esperma,
mereço a poesia.
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Humildemente repudio a morte
A Colher na Boca
Assírio & Alvim, 1961

Educação...O desnorte...

O braço-de-ferro entre o Ministério da Educação e os professores já teve melhores dias. A greve desta semana deu cabo do equilíbrio de forças e já não se percebe bem se estamos no plano da discussão sindical, se em situação pré-insurreccional, se apenas a assistir a uma birra sem jeito.
O alastramento do descontentamento entre os professores tem toda a razão de ser.
O processo negocial, e de discussão pública, tem-se pautado por uma soberba sem limites, humilhando mesmo quem procura discutir, e resolver, um problema que cada vez é mais sério. As várias intervenções sobre o modelo de avaliação que têm sido produzidas pela ministra são contraditórias, não são perceptíveis para o cidadão comum – que nem é professor nem aplaude cegamente as propostas do Governo –, não se compreendem e, finalmente, não têm sustentação razoável.
Por outro lado, enquanto a ministra faz um discurso o secretário de Estado produz o sermão inverso e está aquele Ministério de tal forma baralhado que a única coisa em que acertou nos últimos dias foi no reconhecimento de que sofrera, por parte dos professores, a maior greve de que há memória entre aquela classe.
Parece que no essencial estão de acordo as duas partes: os professores devem ser avaliados. Discutem os métodos. Estão em guerra por causa da forma e não por causa do conteúdo. E sendo certo que até o primeiro-ministro já reconheceu que a proposta que continua teimosamente a ser imposta é burocrática e ineficaz, não faz sentido que em vez de escutar o protesto e perceber a razoabilidade das coisas se venha dizer que o modelo até pode ser mau mas não se mexe em tal coisa até ao fim do ano lectivo.
Se é mau, então que se lhe ponha termo o mais depressa possível. Isto não é sério. Nem é sério confundir o protesto de tantos milhares com o estafado argumento de que os professores que andam nisto querem boa vida.
Numa sociedade que se quer desenvolvida, os professores são o instrumento mais poderoso de transformação. A classe que mais de perto determina a capacidade, a formação e o desenvolvimento das nossas crianças. Deve, pela sua importância social, ser tratada com o respeito que a sua função merece e aquilo que temos vindo a assistir é a um processo de humilhação que não é razoável num Estado democrático.
Não admira a situação de pré-insurreição que se vive. Alguma humildade democrática faria bem a esta maioria absoluta.
No caso dos professores, definitivamente o Ministério perdeu a razão.
Francisco Moita Flores
in CM

A primeira decisão de Obama...

Ary dos Santos...Poeta...71º aniversário do seu nascimento...

José Carlos Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 193718 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador de poesia português.
Biografia
Oriundo de uma família da alta burguesia, José Carlos Ary dos Santos, conhecido no meio social e literário por Ary dos Santos, vê publicados aos 14 anos, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio
Almeida Garrett.
É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).
Em 1969 inicia-se na actividade política ao filiar-se no
PCP, participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".
Entretanto, concorre, sob pseudónimo como exigia o regulamento, ao
Festival RTP da Canção com os poemas Desfolhada Portuguesa (1969), Menina do Alto da Serra (1971) e Tourada (1973), obtendo os primeiros prémios. É aliás através deste campo – o da música - que o poeta se torna conhecido entre o grande público.
Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do
Padre António Vieira.
À data da sua morte tinha em preparação um livro de poemas intitulado As Palavras das Cantigas, onde era seu propósito reunir os melhores poemas dos últimos quinze anos (publicado postumamente), e um outro intitulado Estrada da Luz - Rua da Saudade, que pretendia fosse uma autobiografia romanceada.
O poeta morre a 18 de Janeiro de 1984. O seu nome foi dado a um largo do Bairro de Alfama, descerrando-se uma lápide evocativa na casa da Rua da Saudade, onde viveu praticamente toda a sua vida.
Ainda em 1984, foi lançada a obra VIII Sonetos de Ary dos Santos, com um estudo sobre o autor de
Manuel Gusmão e planeamento gráfico de Rogério Ribeiro, no decorrer de uma sessão na Sociedade Portuguesa de Autores, da qual o autor era membro.
Em 1988,
Fernando Tordo editou o disco "O Menino Ary dos Santos" com os poemas escritos por Ary dos Santos na sua infância.
Poema
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Epígrafe
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De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.
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De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
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De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.
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Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
--- expressão da multidão que está comigo.

napoleão versus socrates

Napoleão Bonaparte, durante as suas batalhas usava sempre uma camisa de cor vermelha. Para ele era importante porque, se fosse ferido, na sua
Camisa vermelha não se notaria o sangue e os seus soldados não se preocupariam e também não deixariam de lutar. Toda uma prova de honra e valor.


Duzentos anos mais tarde, José Sócrates usa sempre calças castanhas.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Face à Crise...Sorria...

O Gonçalves...
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Um casal estava a ver televisão, à noite.Diz o marido:
- Posso saber porque é que tu estás chateada desde que eu cheguei?
E, irritada, a mulher responde:
- Hoje fazemos 25 anos de casados e estamos aqui, sentados à frente desta televisão...
- Ora bolas! Eu estava tão atarefado que me esqueci completamente! Perdoa-me, minha querida. Vai pôr o teu melhor vestido de noite, que vamos sair! Vais ter uma noite inesquecível!
- Ah..., amooooor, eu sabia que tu não eras um monstro insensível.
À entrada do restaurante, o gerente, todo solícito:
- Prepare a mesa do senhor Gonçalves.
Diz a mulher:
-Parece que eles te conhecem bem por aqui, querido.
- Ah é!... Acho que já cá vim para almoçar com alguns clientes.
Eles acabam de jantar e o marido propõe de irem a uma boite.
À entrada há uma fila enorme.
O marido diz à mulher que vai tratar do assunto e dirige-se ao porteiro:
- Oi meu..., como tás matulão???
E o porteiro:
- Está tudo bem, Sr. Gonçalves. Pode entrar!
Dentro da boite, o dono vem falar com eles:
- Boa noite, Sr. Gonçalves!E diz, logo em seguida:
- Toca a vagar de imediato a mesa do senhor Gonçalves!
A mulher, desconfiada:
- Tu vens sempre aqui?
- Ah, não! O dono é um cliente da firma...
Uma vez na mesa, a empregada vem e diz:
- O mesmo de sempre, Sr. Gonçalves?
Nesse instante, uma mulher que terminava um strip-tease em cima do palco grita:
- E a cuequinha..., é para quem???
A boite, em peso, grita:
- Gonçalves..., Gonçalves..., Gonçalves...
A esposa, furiosa, sai da boite, e o marido vai atrás..., e ambos entram num táxi.
O marido tentando apaziguar as coisas:
- Querida, não vamos estragar esta noite maravilhosa, com certeza eles confundiram-me com outro Gonçalves...
- Mas tu estás a pensar que eu sou alguma idiota? Canalha! Não me toque mais! Blá, blá, blá..., eu sou mesmo uma otária..., blá blá blá..., seu grande filho-da-puta, blá, blá, blá...
Nisso, o motorista de táxi vira-se e diz:
- Ó Gonçalves..., queres que eu ponha a puta pra fora do carro?

Assembleia...Bronca no PSD

A AVALIAÇÃO NA ESCOLA DE S. BENTO
Havia, pois, uma possibilidade de o PS ter ficado ferido nesta história da avaliação dos professores.
No Parlamento, o CDS apresentou um projecto que propunha a suspensão da avaliação.
Como se esperava que poderia haver alguns deputados socialistas que não alinhariam com o seu próprio partido (e, de facto, houve: seis que votaram a favor do adversário, uma que se absteve e 13 que faltaram), compreende-se que a oposição se tenha preparado para a votação: "A bancada foi toda mobilizada", disse dos seus Paulo Rangel, chefe dos deputados do PSD.
Porém, a moção da oposição perdeu. E lá se gorou uma oportunidade de se beliscar o Governo... E que sucedeu, o que foi? 30 em 75 deputados (40%, um quinhão enorme!) do PSD faltaram ao rebate. Cito Rangel, outra vez: "A bancada foi mobilizada. Depois, cada um assume a sua responsabilidade."
Está aí o busílis: a auto-avaliação não funciona.
E o que fez a líder do PSD, o que foi? Chamou Paulo Rangel para lhe pedir explicações.
Isto é, fez exactamente aquilo que é preciso nas escolas: pedir explicações aos directores quando os professores não funcionam.
Ferreira Fernandes
in DN
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A cambada, quando lhes cheira a fim de semana prolongado, não se estão com meias-tintas...
piram-se todos...
30 deputados do PSD faltaram às votações na AR...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Admirável filme negro...

Agora que a crise ameaçava tirar-nos tudo, incluindo o riso e a boa disposição, eis que o salvífico BPN nos retira da depressão.
Depois de tudo o que é muito sério neste caso – o buraco dos 700 milhões, o branqueamento de capitais, o trânsito incessante do dinheiro para paraísos fiscais, etc., etc. –, eis que as escolhas de Oliveira e Costa a norte nos desatam a gargalhada.
Numa história de novo riquismo absoluto que gera fornadas de gestores executivos e não executivos a arrotar milhões, que belisca a imagem do cavaquismo e nos dá uma ideia aproximada do que é o Bloco Central dos Interesses, faltava um saudável abandalhamento que tornasse a história mais próxima do filme negro ou de um portuguesismo típico nestas histórias.
Pois bem, Oliveira e Costa já deveria pensar em animar esta triste quadra quando escolheu os homens da Créditus no Porto. Uma porta sem fundo, crédito malparado a rodos, jactos privados com meninas de Leste em rápidas incursões ao lazer britânico das corridas de carros, reuniões da administração em casas de alterne, empregadas de limpeza a pedir empréstimos para Audi’s e tudo o mais que há-de vir, enfim, que melhor prenda de Natal poderíamos pedir para poder rir a bandeiras despregadas!?
Que melhor brinde poderiam ter os argumentistas dos futuros filmes e séries sobre o polvo à portuguesa ou o nosso ternurento faroeste bancário!?
Eduardo Dâmaso
in CM

Greve de Professores...Ganharam os bons...

362 escolas fecharam portas no dia de greve dos professores e, nas que não fecharam porque houve "aulas" (na maior parte dos casos porque houve "aula" ou nem sequer isso), mantiveram-se ao serviço 1, 2 ou 3 professores.
Isto, para o felicíssimo secretário de Estado Pedreira, significa que "a maioria das escolas [esteve] aberta em dia de greve nacional dos professores"… Já para o contentíssimo secretário de Estado Lemos, ao fim da tarde de quarta-feira, "só" aderiram à greve "às 11 horas" 61% dos professores, o que constitui, obviamente, grande derrota dos professores, até porque, um pouco mais cedo, às 6 e às 7 horas, a adesão foi ainda menor.
Quanto à ministra, fez greve a jornais, TV e escolas e foi visitar… um hospital, pois, em dia de greve nacional de professores, estiveram abertos (nova derrota dos professores) 100% dos hospitais.
A moral da história é que, como antes tinha sido anunciado por não sei quem, "os bons ganham sempre". Os bons somos nós (os bons, os justos, os altos, os inteligentes, os bonitos).
Os maus, injustos, baixinhos, burros e feios (o Inferno) são os outros.
Manuel Antonio Pina
in JN

Saiu o novo Dollar...

Soeiro Pereira Gomes...Escritor e Activista Politico...

Joaquim Soeiro Pereira Gomes (Gestaçô, 14 de Abril de 1909 - Lisboa, 5 de Dezembro de 1949) foi um dos grandes nomes do neo-realismo literário em Portugal.
Militante
comunista, desenvolveu uma sensibilidade social muito grande, que se reflectiu no seu trabalho, onde está sempre presente a denúncia das desigualdades e das injustiças.
A sede nacional do
Partido Comunista Português, em Lisboa, tem o seu nome (Edifício Soeiro Pereira Gomes), assim como a rua onde se situa.
Biografia
Viveu em Espinho, dos 6 aos 10 anos de idade, onde recebeu a instrução primária e onde passou o Verão nos primeiros anos da sua vida.
Sendo filho de agricultores decidiu estudar na Escola de Regentes Agrícolas de
Coimbra, onde tirou o curso de Regente Agrícola, e, quando finalizou os estudos, viajou para Angola onde trabalhou por mais de um ano.
Quando regressou a Portugal, foi habitar em
Alhandra, onde vivia o seu sogro, como empregado administrativo na fábrica de cimentos local, onde começou a desenvolver um trabalho de dinamização cultural entre o operariado.
Mas foi o seu trabalho como escritor que o tornou conhecido, sendo considerado um nome grande do
realismo socialista em Portugal. Com apenas 20 anos, em 1939, começou a publicar escritos seus no jornal «O Diabo», à época uma publicação progressista que constrastava no panorama cinzento das publicações censuradas pelo fascismo.
Entre os seus trabalhos conta-se a obra
Esteiros, publicada em 1941, considerada a sua obra-prima, ilustrada, na sua primeira edição, por Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, e dedicada «aos filhos dos homens que nunca foram meninos». É uma obra de profunda denúncia da injustiça e da miséria social, que conta a história de um grupo de crianças que desde cedo abandona a escola para trabalhar numa fábrica de tijolos.
Devido à condição de militante comunista, Soeiro passa à clandestinidade em 1945 para evitar a repressão do regime de
Salazar e continua a desenvolver o seu trabalho militante até adoecer com cancro do pulmão, provavelmente consequência do tabaco e agravado pelas dificuldades da vida clandestina. Impedido, pela clandestinidade, de receber o tratamento médico que necessitava faleceu a 5 de Dezembro de 1949

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Professores...A greve crucial numa luta capital...

Esta greve representa o património de luta adquirido, o capital de reivindicação construído e em acção e o potencial de exigência de uma classe pela sua dignificação. Não podemos deixar desmoronar o muro da respeitabilidade profissional que arduamente soubemos construir.
Estamos num momento crucial da nossa luta.
Esta greve representa o património de luta adquirido, o capital de reivindicação construído e em acção e o potencial de exigência de uma classe pela sua dignificação. Não podemos deixar desmoronar o muro da respeitabilidade profissional que arduamente soubemos construir. Há momentos em que o momento de dizer o que queremos é único.
Não podemos deixar fugir a oportunidade de acertar no alvo até porque nunca se dispara duas vezes a mesma bala.
Esta greve representa o clamor de revolta, da indignação, do basta de incompetência e de que está na hora desta ministra e seus acólitos irem embora. Já percebemos que a prepotência da frase lapidar "Perdi os professores mas ganhei a opinião pública", deu lugar ao tacticismo sinistro e indecoroso do "Peço desculpa aos professores pelos incómodos que lhes possa ter causado", com o intuito de dissimular a obstinação das decisões ao mesmo tempo que conserva a coacção sobre opiniões e alarga o temor com intimações.
Também já deviam ter percebido que esta classe sabe enfrentar a arrogância da intransigência, quer abrir o trilho de um novo paradigma profissional e pode derrotar um ciclo político de falaciosas reformas.
Esta greve representa a exigência de revogação de todo o ardiloso arquétipo para a educação no nosso país. O ECD dividiu-nos em titulares e suplentes. O processo de avaliação põe os titulares a ordenar os suplentes. O modelo de gestão restitui a salazarenta figura do absoluto director que ordena os titulares. As direcções regionais, súbditas do ministério, controlam os directores. Por ironia do destino ou fatalismo da inoperância, lá estamos nós a aplicar na educação o molde hierarquizante do capitalismo na altura em que mais se evidenciam as falhas deste sistema político. Fiquem sabendo que não queremos só suspender a avaliação de desempenho, queremos, e muito, refazer o ECD e anular a nova gestão das escolas.
Esta greve representa a inteligência de quem sabe que o primeiro-ministro já sabe que o modelo de avaliação de desempenho, tal como foi e é apresentado, nunca será aplicado. A teimosia é política - não se pode quebrar a imagem de marca das reformas; a visão é eleitoralista - já perdemos os votos da esquerda vamos recuperá-los na direita que defende os inflexíveis; o plano é de desgaste - fragmentamos pelos órgãos de gestão, ameaçamos pelos mais vulneráveis, instalamos a divisão e o caos e depois culpamo-los pela impraticabilidade. As últimas diligências ministeriais são disso um lastimável exemplo. A noiva tirou o véu. Já não interessam os resultados escolares. Para quê as aulas assistidas? Porque é que haviam de preencher aquelas aberrantes fichas de registo? Os professores é que complicaram tudo e fizeram com que estes dois anos de trapalhadas não servissem para nada. Até agora foi demasiado "complex" mas a partir deste momento temos um imenso "simplex".
Senhora ministra e seus indefectíveis secretários, Senhor primeiro-ministro e seus solícitos discípulos. Fiquem sabendo que os professores há muito que deixaram de acreditar nas vossas tóxicas propostas, que aprenderam a não aceitar patranhas aveludadas e sentem-se enxovalhados por levianas políticas de educação.
Por tudo isto estivemos 100 mil na rua a 8 de Março. Fomos 120 mil (cerca de 85% do total de docentes do país) a manifestarmo-nos a 8 de Novembro. Repetimos a manifestação e a 15 de Novembro alguns milhares voltaram a Lisboa. Voltamos a estar milhares nas ruas das capitais de distrito na semana passada. Agora estamos em greve nacional e com total determinação de alargar a razão da nossa luta.
É tempo de dizer o que tem de ser dito, de fazer o que tem que ser feito, de não trair o que já tanto se fez e de não ceder ao tanto que já se ganhou. Temos de saber dizer a este governo que "Perdemos uma ministra e ganhamos uma classe".
A greve é crucial, a luta é capital e capitula quem perder.
José Maria Cardoso
Professor na Escola Secundária Alcaides de Faria - Barcelos
in Esquerda.Net

Professores...Greve Histórica...

De acordo com o Governo, 61% dos docentes fizeram greve; os sindicatos garantem que foram 94%. Além da discrepância de números, o ME reconheceu a "adesão significativa", o que para os docentes já é "histórico".
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A maior greve de sempre

O que eles se dizem...

Maria de Arruda Müller...Foi uma Poetisa Brasileira...

Maria de Arruda Müller (Cuiabá, 9 de dezembro de 1898 — Cuiabá, 4 de dezembro de 2003) foi uma professora e poetisa brasileira.
Participou ativamente da história política e cultural de Cuiabá e do estado de
Mato Grosso.
Biografia
Professora desde os dezesseis anos, Maria Müller deixou as salas de aula aos 96 anos de idade, por razões de saúde. Começou a vida profissional como auxiliar de professora.
Seu avô a presenteava com livros, estimulando e desenvolvendo o gosto pelo estudo. Aos cinco anos, já estava alfabetizada.
Comendadora da
Ordem Nacional do Mérito Educativo, grau de grande oficial. Primeira mulher a conquistar uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras, em 1930. Presidiu a LBA durante a Segunda Guerra Mundial, inclusive providenciando cuidados para com as famílias dos soldados.
Atuou na política, educação, literatura e cultura regional, sendo poetisa, com três livros publicados.
Em
2002, o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, entregou-lhe a comenda da Ordem Nacional do Mérito Educativo em mãos, na sua própria casa. Criada em 1955 pelo presidente Café Filho, essa comenda homenageia personalidades que prestaram serviços excepcionais à educação.
Fundou a primeira revista feminina de Mato Grosso, A Violeta. Colaborou em jornais como O Cruzeiro e A Cruz.

Casou em abril de 1919 com Júlio Strubing Müller, o interventor nomeado por Getúlio Vargas, de 1937 até 1945. No período da intervenção, fundou o Abrigo Bom Jesus, para crianças carentes, e o Abrigo dos Velhos. Em 1942, revelando seu lado de ativista feminina, fundou a Sociedade de Proteção à Maternidade e Infância de Cuiabá.
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Poema
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Aspiração
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Bojando a vela sobre o mar sem alma,
Vai, asa branca, ao ritmo do vento.
Circunfletindo, oscila e corta a espalma
Imensidão que espelha o firmamento.
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No ar rarefeito treme a leve palma...
Se a tempestade vier, o oceano é cruento...
E ela não sente quando a tarde é calma,
Insídias de borrasca em céu sedento.
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Quisera ver minha alma - neste instante -
Como a vela boiar, e se sumindo
No horizonte, indo além, bem mais distante...
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E indo a vogar meu pensamento com ela,
Livre da ronda das paixões (que lindo!)
Como a alvura que aclara a branca vela.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

OS NÚMEROS DA VERGONHA

A vantagem dos números é que, devidamente contextualizados, quase dispensam comentários. E obrigam-nos a reflectir sobre onde estamos e para onde vamos, ou queremos ir. Pelo menos assim parece nestes números que seleccionei para partilhar com os leitores.
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1 . Vejamos os números da crise do sistema capitalista. O FMI estima que só as perdas, ao nível dos activos financeiros e empréstimos dos EUA, possam atingir 1,4 milhões de dólares. Estima-se que a capitalização bolsista, a dívida titularizada e os activos financeiros em posse dos bancos comerciais representem mais de 4,2 vezes o produto mundial.
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O valor da dívida internacional titularizada ascendia a quase 22 biliões de dólares em 2007. Ou seja, mais de 40% do produto mundial e quase 2,5 vezes o valor de 2002. Só o valor nocional dos contratos estabelecidos no mercado de derivados, em Dezembro de 2007, ascendia a cerca de 596 biliões de dólares. Ou seja, 11 vezes o produto mundial, tendo como base contratos cujo valor de mercado não chegava aos 15 biliões de dólares.
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Existiam a nível mundial, em 2007, cerca de 190 milhões de desempregados e mais de 1300 milhões de “trabalhadores pobres”. Só nas últimas décadas, estima-se que o peso dos salários no rendimento se tenha reduzido 13 pontos percentuais na América Latina, 10 na Ásia e Pacífico e 9 no centro do sistema capitalista.
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Os EUA, com 5% da população mundial, consomem 25% dos recursos disponibilizados a nível mundial. É de sublinhar que, neste país, o défice público e o défice da balança de transacções correntes, em 2007, duplicaram face a 2000, atingindo 345 mil milhões de dólares e 739 mil milhões de dólares, respectivamente.
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2 . Observemos os números em Portugal. Um terço da estrutura accionista das empresas nacionais é detido por capital estrangeiro, com uma forte presença em empresas e sectores estratégicos (EDP, 48%; PT, 64%; Galp, 50%; Cimpor, 30%; BCP, 36%). O investimento directo português no estrangeiro, IDPE, atingiu a soma de 90 mil milhões de euros a preços correntes, entre 1997 e 2005.
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Existem em Portugal 139 grandes grupos económicos, dos quais 77,6% foram criados nos últimos 18 anos em resultado directo do processo de privatização e consequente restauração dos grandes grupos monopolistas. A análise dos maiores grupos económicos nacionais no final de 2005 mostra-nos que, dos doze grupos com lucros mais elevados – com um valor superior a 250 milhões de euros – apenas dois se encontram ligados predominantemente à actividade produtiva (Cimpor: cimentos e Semapa: papel). Este conjunto de grupos económicos – ao mesmo tempo que a nossa economia crescia a um ritmo médio de apenas 1,3% entre 2004 e 2007 – viu os seus lucros aumentar de 75%, atingindo os 6800 milhões de euros, equivalentes a 4,2% do PIB.
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A estrutura empresarial da economia portuguesa é dominada por micro e pequenas empresas. Em 2006, 99,4 % do total de empresas, 49,1% do volume de negócios e 62,2% do emprego.
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O salário médio real caiu 2,6% (enquanto na OCDE cresceu 1,3%), sendo agora o quarto país com menor poder de compra. Cerca de 18% da população portuguesa vive abaixo do limiar da pobreza. Tal como 20% das crianças e jovens até aos 17 anos e 25% dos portugueses com mais de 65 anos. Quase três milhões de portugueses vivem com menos de 10 euros por dia. Mais de 230 mil com menos de 5 euros.
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Para rematar, registe-se que o BPP só aceita clientes com um saldo médio de 1 milhão de euros. Que geria no final de 2007 activos no montante de 2 mil milhões de euros. Que teve, em 2007; lucros de 24,4 milhões de euros (+34,2% do que em 2006). E que distribuiu pelos seus accionistas, neste ano de 2008, 12,2 milhões de euros de dividendos. Só nos últimos cinco anos, esta distribuição de dividendos somou 32,1 milhões de euros.
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Conclusões?
António Vilarigues, in Público.
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COMENTÁRIO: As conclusões são óbvias. Num país como Portugal, com grandes assimetrias sociais, pobreza crónica e carências enormes, desde ensino, formação profissional, saúde, hospitais, assistência aos idosos, pensões de pobreza, este governo, autodenominado “socialista”, está a encarar a hipótese de gastar uns milhões no BPP “para proteger os depósitos dos particulares”. É mentira. O BPP não é um banco comercial e não recebe “depósitos”, no sentido de economias que as pessoas reservam para servir de almofada para imprevistos. O BPP é um clube de ricos que alguns portugueses usam para especular nas bolsas de todo o mundo para ganhar dinheiro rápido em apostas de alto risco.
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Portugueses, abram os olhos. Vejam bem o que este governo se prepara para fazer com o vosso dinheiro.

Na Sociedade Capitalista tudo pode ser dito, excepto o que for importante

Ao que parece, nunca terá existido um sociedade com mais informação, e ao mesmo tempo com menos conhecimento, do que a sociedade capitalista actual. E deveras notável, apesar de todas as comunicações por satélite e das fibras ópticas que podem transmitir milhares de milhões de fragmentos de informação por segundo, que os trabalhadores russos e norte-americanos saiba, hoje em dia menos acerca uns dos outros do que um século atrás.Todos os regimes da história tiveram de produzir e difundir a informação de que precisavam para sobreviver, numa tensão permanente entre manterem os povos ignorantes e dar-lhes a informação necessária à realização de tarefas. É sempre difícil, no entanto, garantir que uma tal informação não venha a ser utilizada contra si mesma; os gladiadores podem ser levados a matar-se um ao outro na arena, mas muitas vezes acontece que um tal exercício constitui o caminho para a revolta.A censura foi a arma usada pela burguesia no século XIX; na «sociedade da informação» dos nossos dias, porém, a censura já assumiu outras formas. Inundando-nos com vagas de vagas informações, espera-se assim que os factos reais se desgastem ao baterem nos rochedos da insignificância, e fiquem esquecidos. A informação, tal como acontece com as vias de comunicação (estradas, vias aéreas e marítimas), só se torna disponível quando e onde o comércio precisar dela para realizar lucros, ou onde as pessoas, devido a condições locais, tenham posto em perigo esses lucros. Os canais de informação ( telefone, televisão, bancos de dados) funcionam do mesmo modo.«A política da informação, escrevia Goebbels nos seus diários, é uma arma de guerra; o seu objectivo é levar a cabo a guerra, e não transmitir notícias». Referia-se isto aos sujos tempos de Belsen e Dachau, quando se tentou censurar algo tão enorme como o holocausto, conseguindo-se de resto até certo ponto e durante algum tempo. Nestes nossos dias mais limpos, se a informação de tal modo se tornou uma arma espectacular, é muito simplesmente porque ela é uma arma do espectáculo.A «sociedade da informação» proclama pois haver hoje uma maior aceso à informação. Mas esta corriqueira ficção científica de jornalista omite, nisto, o ponto essencial, que é o seguinte: toda essa deformada informação é cuidadosamente produzida, sendo a sua produção cuidadosamente controlada. Uma tal ficção omite, ainda, o facto de a informação real ser hierarquicamente controlada.Aquilo que é apresentado nos milhares de bancos de dados ( estações de TV, revistas e jornais, bibliotecas, sistemas de transmissões por cabos, sistemas de computarização de dados) é preparado segundo parâmetros cuidadosamente estudados. A informação fornecida através de sistemas públicos ( tanto na qualidade de serviços como na de mercadorias) é definida segundo determinados parâmetros de informação, ao passo que a informação de que precisam as grandes empresas ou os governos funciona em moldes muito diferentes. Os indivíduos que controlam os bancos de dados são a elite real – não tanto à maneira do Grande Irmão de 1984 que nos espia, mas mais à duma Esponja Gigantesca gotejando informação deformada.A democracia do espectáculo insiste em que há hoje uma quantidade maior de informação disponível; mas a verdadeira natureza do poder hierárquico encerra a informação nos seus parâmetros próprios. O espectáculo da democracia significa que tudo isso é semelhantemente inútil – o resumo dum texto de Goethe, enviado para um computador doméstico por um outro computador, reduz Goethe e o seu tempo a uma
banalidade.O poder de quem decide que informação deve ser dada e qual convém omitir é igual ao poder dos detentores monopolistas de jornais ou de estações de televisão. Apesar de algumas destas coisas poderem ser corrigidas no interior do capitalismo, na medida em que se aperfeiçoar a tecnologia nesse sentido, o que subsiste e importa é a natureza hierárquica da informação.Quando a informação deformada não é suficiente, invoca-se o sigilo, geralmente com uma justificação militar.

(texto publicado na revista Pravda nº 4 , Verão de 1986, das edições Fenda, e que foi extraído do livro «And Yet It Moves. The realization and suppression of science and technology» de Boy Igor)

Socialismo de casino...

Noticia a AFP que, para poder obter do Estado americano um crédito salvador, a Ford vai reduzir o salário do seu presidente executivo para 1 dólar… por ano.
Henry Ford tinha dito em 1934, em plena Grande Depressão: "Deixem-nos falir a todos. Se eu ficar sem nada com o colapso do sistema financeiro, recomeçarei do princípio e construirei tudo de novo".
75 anos depois, num país distante (não, não é de África), não só os gestores de bancos falidos continuam a ganhar milhões, como um governo socialista entrega o dinheiro dos contribuintes como garantia para salvar as fortunas de meia dúzia de milionários que fizeram um banco para especular na Bolsa e investir em aplicações de alto risco que deram para o torto.
"Servir a nossa economia e as famílias", foi o motivo com que Sócrates justificou os apoios do Estado à banca.
O BPP não tem balcões nem dá crédito a particulares ou empresas, apenas gere fortunas de uma elite financeira com nomes como Rendeiro, Ferreira dos Santos, Saviotti, Balsemão, Vaz Guedes, Júdice, etc..
São as fortunas de tais "famílias" que os nossos impostos vão agora garantir.
Manuel António Pina
in JN

Um cão benfeitor...


Um homem depara-se com um enterro, seguido de uma
inusitada procissão:

-Primeiro vinha um caixão.

-Depois um segundo caixão.

-Em seguida, um homem sozinho levando um "pitbull" pela
coleira.

-Finalmente, atrás dele, uma longa fila indiana só de
homens.

-Sem conseguir conter a curiosidade, aproxima-se
delicadamente do homem com
o cão e diz:

- "Os meus sentimentos pela sua perda...mas...eu nunca vi
um enterro assim.

-O senhor poderia dizer-me quem é que morreu?"

- "Bem... no primeiro caixão está a minha mulher".

- "Sinto muitíssimo! O que aconteceu com ela?"

- "O meu cão... ele atacou-a..."

- "Que tragédia! ...

- "E o segundo caixão?"

- "A minha sogra...ela tentou salvar a filha"...

-Um silêncio consternado e pungente.

-Os dois homens olham-se nos olhos.

- "Empresta-me o cão?"

- "Meta-se na fila..."

António Variações...Cantor e Compositor...64º aniversário do seu nascimento...

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, conhecido por António Variações (3 de Dezembro de 1944 - 13 de Junho de 1984), foi um cantor e compositor português do início dos anos 80.
A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores ao seu precoce desaparecimento, com 39 anos.
Índice
1 Biografia
2 Discografia
3 Versões
4 Ligações externas
5 Bibliografia
6 Referências
Antonio variações : " O corpo é que paga "

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

UMA CURIOSIDADE CÓSMICA

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Hoje, Terça-Feira, dia 2 de Dezembro de 2008, às primeiras horas da noite ou pouco depois do Sol poente, olhe para sudoeste e verá uma curiosidade que acontece em cada 5 anos.
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É o que se chama uma conjunção planetária. Dois planetas, os mais brilhantes corpos celestes de luz fixa visíveis neste momento no céu, parecem estar muito próximos entre si, sobre uma linha quase horizontal (vista de Portugal, o que não concorda com a figura acima que se refere à observação dos EUA), separados apenas pela largura de um dedo à distância de um braço estendido. Muito perto, ligeiramente para a esquerda e um pouco para cima, está a Lua.
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Os dois planetas “perto” da Lua são Vénus e Júpiter. Mas os 3 planetas parecerem tão próximos é apenas um engano de perspectiva porque os vemos do nosso planeta, a Terra. Na verdade, a Lua está situada a 406 000 km da Terra, Vénus está acerca de 370 vezes mais distante da Terra, ou seja a cerca de 150,2 milhões de quilómetros e Júpiter está cerca de 6 vezes mais longe da Terra, ou seja cerca de 901,3 milhões de quilómetros.
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Também os respectivos tamanhos são diferentes. O planeta de maior tamanho aparente, porque está mais próximo de nós, a Lua, tem apenas 3 470 km de diâmetro, ou seja em termos cósmicos é um pequeno planeta. Vénus vem a seguir na ordem de tamanhos dos três objectos celestes, com 12 100 km de diâmetro, e Júpiter, o maior planeta do sistema solar, tem 71 490 km de diâmetro equatorial, o que faz dele um “respeitável” planeta mesmo à escala cósmica. No entanto, são conhecidos hoje planetas maiores do que “o nosso” Júpiter.
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Estes planetas são também distintos quanto á sua localização em relação à órbita da Terra. Assim, a Lua é o satélite natural da Terra, portanto gravita em torno da Terra. Vénus é um planeta interior à órbita da Terra e Júpiter é exterior à órbita da Terra.
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É fácil distinguir os dois planetas à vista desarmada: Júpiter é o planeta de brilho mais ténue e de tamanho aparente menor porque está mais longe do Sol e mais longe da Terra; Vénus, porque está mais perto da Terra e do Sol, é o planeta de maior brilho, de luz reflectida mais intensa.
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Os dois planetas aparecerem tão próximos no nosso campo visual só acontecerá de novo em Maio de 2013. No entanto, uma conjugação tão próxima, isto é os dois planetas estarem quase situados sobre a mesma linha recta é mais raro. Acontece em intervalos de 44 anos, o que significa que a próxima conjunção será em 2 052. Os astrónomos pensam que semelhante acontecimento, ocorrido no dia 17 de Junho do ano 2 AC, estará por trás da narrativa bíblica da Estrela de Belém, muito brilhante, durante o nascimento de Cristo. Os planetas estavam tão próximos que foram vistos como uma só estrela.

A HERANÇA

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O cowboy vai embora, mas as marcas ficam.

OS DIABOS E O INFERNO

O julgamento dito da Casa Pia chega ao fim. Cada um terá a sua ideia. Não deve haver um português que não tenha uma certeza sobre os eventuais culpados e inocentes Veremos o que pensam os juízes. De qualquer modo, é com tristeza que se verifica que o principal culpado nunca foi julgado e nunca o será. Refiro-me à Casa Pia como instituição. A muitos dos seus dirigentes. A vários dos ministros, secretários de Estado e directores-gerais que exerceram a tutela. É sabido que algumas dessas pessoas tiveram informações sobre o que se passava, mas não quiseram saber ou não puderam agir. Parece mesmo que alguns arquivaram informações e relatórios. Por outro lado, a estrutura, o modo de organização, a dimensão e o espírito daquela casa deveriam ser discutidos e postos em causa. A Casa Pia deveria, creio, ter sido extinta. E os seus alunos distribuídos por várias instituições. Quando se pode extinguir o Inferno, não basta condenar alguns diabos.
António Barreto, in Público

DEBATE SOBRE NADA

Foi aprovado o orçamento. Logo veremos, em 2009, a sua consistência e a adequação aos tempos de crise. O debate poderia ter sido um momento propício para uma reflexão séria sobre a crise internacional e nacional. Mas não foi. A chicana é hoje o supra-sumo do pensamento político e da retórica parlamentar. Ministros e deputados aos berros, trocas de culpas e de acusações fúteis: o espectáculo não faz bem à cabeça de ninguém. Sobretudo à dos que lá estão. A superioridade moral da oposição é detestável. Uns disseram mesmo que a crise portuguesa é da exclusiva responsabilidade do primeiro-ministro e do Governo! A auto-satisfação convencida do Governo é abominável. Nunca argumenta, decreta!
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O Governo continua a distribuir Magalhães, na convicção, fingida ou não, de que com tal gesto está a estimular a alfabetização, a cultura, a curiosidade intelectual, o espírito profissional, a capacidade científica e a criatividade nacional. Será que nas áreas do Governo e do partido não há ninguém que explique que isso não acontece assim?
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Segundo a OCDE, o abandono escolar na União Europeia foi, em 2007, de cerca de 15%. Portugal, com 36,3%, tem a taxa mais alta. Mais um terço da população entre 18 e 24 anos não completou a escola e não frequenta cursos de formação profissional. Só 13% da população activa adulta completou o ensino secundário e perto de 57% apenas terminaram o primeiro ciclo do básico. Ainda segundo a OCDE e um estudo de Susana Jesus Santos (do banco BPI), a distribuição dos tempos de aulas nas escolas, para alunos de 9 a 11 anos, mostra como a juventude portuguesa está orientada. Em Portugal, a leitura (e o Português) ocupa 11% do tempo de aulas. Na União Europeia (UE), 25. Em Portugal, a Matemática ocupa 12%. Na UE, 17.
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O que é que o Magalhães tem a ver com isto? Nada. Absolutamente nada!
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Segundo os trabalhos de rotina do INE e da UE, o “clima económico” em Portugal nunca esteve, desde há 18 anos, tão baixo como agora. Trabalhos semelhantes sugerem que as expectativas dos consumidores atingiram o mais baixo ponto desde há 5 anos. O crescimento da economia e do produto têm vindo a diminuir todos os dias. Diminuem ambos na realidade dos factos, assim como nas estatísticas. O Governo (o mais optimista …), o Banco de Portugal, a União Europeia, a OCDE e o FMI publicam regularmente as suas previsões para 2008 e 2009, baixando sempre as taxas estimadas. Em princípio, Portugal aproxima-se do zero e de taxas negativas (-0,2% em 2009, por enquanto …). Há praticamente 8 anos que o país tem visto aumentar o atraso relativamente às médias europeias.
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O desemprego a subir e a atingir níveis desconhecidos há anos. A prometer ainda mais nos próximos tempos. Mais uma vez, os números são controversos: Governo, INE, Banco de Portugal, OCDE, EU e CGTP oferecem estimativas diferentes. Mas num só sentido: desemprego a aumentar.
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O endividamento público líquido é de mais de 140 mil milhões de euros, muito perto dos 100% do produto interno. Só os juros anuais pagos por essa dívida serão de cerca de oito mil milhões de euros. Talvez seis por cento do produto interno.
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O défice orçamental ultrapassou as previsões, assim como as metas nacionais e europeias, tendo agora o Governo de, ao contrário do que sempre afirmou, recorrer a receitas extraordinárias, no valor de mil milhões de euros, para respeitar o patamar imposto de 2,2 por cento. O défice da Caixa Geral de Aposentações (funcionários públicos e equiparados) será, em 2008, superior a 3 mil milhões de euros, cerca de 2% do produto interno. Era, em 2005, de 1,5 mil milhões.
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Os últimos números disponíveis revelam que a emigração portuguesa retomou e faz agora lembrar alguns anos da década de sessenta. Nessa altura, a emigração era muita, mas o crescimento económico também. Hoje a emigração é grande, mas o crescimento económico estagna. Calcula-se em cerca de 60 mil a 70 mil o número de portugueses que vão trabalhar para Espanha todos os dias ou todas as semanas, além de dezenas de milhares que já se estabeleceram definitivamente no país do lado. Com a crise económica espanhola, esperam-se tempos difíceis.
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O número de imigrantes estrangeiros em Portugal está a diminuir e muitos dos que aqui viveram uns anos já se foram embora. O problema é que não são substituídos: ou não deixam postos de trabalho vagos, porque estes são extintos, ou não há portugueses que queiram ocupá-los.
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As estatísticas demográficas continuam a revelar números que nos obrigariam a reflectir, mas essa não parece ser a inclinação das autoridades. O número de óbitos já é superior ao número de nascimentos. O envelhecimento é muito rápido. A esperança de vida cresce. O número de pessoas com mais de 65 anos já é muito superior ao de jovens. E não se trata apenas de um problema de força de trabalho. Os gastos com as reformas e pensões aumentam na vertical. M ais: os custos da saúde e dos cuidados com idosos em dependência, nos últimos três ou quatro anos de vida, são iguais a toda a despesa verificada durante os 60 ou 70 anos de vida. É lógico, natural e assim terá de ser, mas a pressão criada sobre as finanças da segurança social é enorme.
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Esta semana em Viseu, numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores, Eugénio Ramos, especialista em questões de segurança social, resumiu em poucas palavras o que nos espera: “Vamos viver mais, trabalhar mais e ganhar menos”. Disto o orçamento não fala. Nem o parlamento.
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António Barreto, in Público

Autoritarismos...

Vivemos há 4 anos em maioria absoluta. 4 anos que nos demonstram o que pode uma maioria absoluta fazer a um governo, a um país. A lógica da governabilidade sem concessões ou alianças pode, na óptica de alguns, servir alguns interesses.
Segundo Manuela Ferreira Leite serve para "pôr tudo na ordem". Para Sócrates serve para aplicar políticas que os consensos e as concertações nunca permitiriam.
O governo da maioria, para além de despojar a direita de qualquer significado político, apoderou-se de uma das suas piores características: o autoritarismo.
Este autoritarismo foi-se expressando ao longo do mandato em casos particulares (a polícia a revistar sedes de sindicatos...), em questões mais públicas mas a seu tempo contidas (o fecho das urgências contra as populações) e assume a sua forma mais arrogante, mais descarada e mais inaceitável com a ministra da educação e a sua teimosia em governar contra a escola!
Mas com Sócrates este autoritarismo assume uma característica mais avançada: a de ideologia.
É através da ideologia dominante que Sócrates governa contra as populações. Propagandeia o "medo" dos professores em serem avaliados; propagandeia os "privilégios" dos funcionários públicos, para lhos retirar; propagandeia o "fim dos recibos verdes" para justificar o despedimento sem justa causa!
Já sabemos que José Sócrates é um profissional do marketing político: vende o computador magalhães em cimeiras internacionais, estreia o teleponto no comício político, distribui computadores às crianças para a fotografia do jornalista, para logo deixar a criança sem brinquedo! E é o refúgio do marketing político profissional, que lhe permite encobrir o autoritarismo do seu governo.
Basta observar o primeiro-ministro nos seus debates quinzenais na AR: não é capaz nunca, de responder às perguntas que se lhe colocam, limita-se a repetir vezes sem conta (para as câmaras e os microfones...) as mesmas acusações à sua esquerda e à sua direita - sem nada de novo!
Mas este autoritarismo da política não tem, ao contrário de muitas ditaduras da história, a finalidade da auto-defesa e da perpetuação do poder.
Tem sim, o objectivo de defender as elites económicas do país, atacando direitos sociais, restringindo a despesa pública a fundos de segurança para a banca privada.
Sócrates não negoceia com os parceiros sociais, não responde à oposição e vende magalhães na televisão. Será esta a marca deste governo - marketing sem fundamento político na auto-promoção e autoritarismo na execução da política.
Na semana em que o PS aprovou sozinho o orçamento de estado, Sócrates irritou-se com o novo encontro das esquerdas - tem graça como a convergência das esquerdas irrita tanto quem tem sempre um "sectário" na boca para distribuir à sua esquerda - e tem razão para isso! A convergência é a arma mais poderosa que a esquerda possui contra este autoritarismo ideologizado e será nela que o futuro a constituirá como alternativa de poder a este forma déspota que a maioria tem de governar.
Bruno Maia
in Esquerda.Net

Professores...Greve, amanhã...

TODOS EM GREVE...ADERE...

Presidente Obama limpa Casa Branca...

Maria Callas...A maior Soprano de todos os tempos...

Maria Callas (Nova Iorque, 2 de dezembro de 1923Paris, 16 de setembro de 1977) foi uma cantora lírica estado-unidense de ascendência grega, considerada a maior celebridade da Ópera no século XX e a maior soprano de todos os tempos.
Apesar de também famosa pela sua vida pessoal, o seu legado mais duradouro deve-se ao impulso a um novo estilo de atuação nas produções operísticas, à raridade e distintividade de seu tipo de voz e ao resgate de óperas há muito esquecidas do bel canto, estreladas por ela.
Índice
1 Biografia
2 Vida pessoal
3 Características
4 Gravações
5 Em Portugal
Maria Callas : " Habanera " ( Bizet )

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Cegos somos nós...

São dias notáveis os que se vão vivendo por este sítio. Anda por aí muita gente atarefada e atarantada com tanto acontecimento, tanto escândalo, tanto roubo. E anda por aí muita gente cheia de fé e de esperança de que algo vá mudar a sério, como por milagre.
Esses crentes na mudança já sonham com partidos novos, limpos de corrupção, compadrio, nepotismo, com refundações à Esquerda e à Direita.
Esses crentes nos amanhãs imaginam que a Justiça vai pôr os grandes ladrões, os corruptos descarados, os grandes senhores deste regime podre na cadeia.
Bastou que um banqueiro caído em desgraça fosse preso para os arautos da boa-nova saltarem de alegria e anunciarem ao povo que agora, sim, a Justiça vai funcionar, para pobres e ricos.
Pobres almas, pobres espíritos que imaginam ser possível continuar a enganar os cidadãos deste sítio. Pobres almas, pobres espíritos que tentam atirar pela janela o que está à vista de todos. Pobres almas, pobres espíritos que desvalorizam um estudo sério, insuspeito, feito por duas universidades credíveis, em que os indígenas são retratados sem dó nem piedade.
Um estudo que revela que os cidadãos deste sítio pobre, manhoso, hipócrita e cada vez mais mal frequentado são dos mais infelizes da Europa, desconfiam da própria sombra e desprezam cada vez mais os políticos e a política. É esta a realidade que os pobres de espírito tentam esconder, atirar pela janela.
E quando vêm falar em Justiça, com a boca muita cheia, esquecem-se propositamente de que esta Justiça funciona com leis e com códigos que são aprovados precisamente pelos políticos que os indígenas desprezam. São estes arautos dos amanhãs que tentam branquear o facto de as alterações aos códigos Penal e do Processo Penal, aprovadas há um ano na Assembleia da República pela grande maioria dos deputados, terem sido feitas à medida dos grandes ladrões, dos corruptos e, já agora, dos pedófilos respeitáveis, de Esquerda e de Direita, que pisam solenemente os corredores do poder.
Foram revisões que não só dificultam as investigações judiciais como as transformam em verdadeiras fantochadas para indígena ver.
Os arautos dos amanhãs que cantam fazem hoje com a prisão de um banqueiro caído em desgraça o que fizeram há anos com as detenções de algumas figuras no caso Casa Pia.
É verdade.
A nossa Justiça está cada vez mais cega. Mas os donos deste regime, à Esquerda e à Direita, vêem muito mais do que a vista alcança.
António Ribeiro Ferreira
in CM

Uma ministra de rosto humano...

É uma boa notícia, há finalmente alguém a fazer trabalho competente e a obter "resultados" no Ministério da Educação. Trata-se da agência de comunicação encarregada do "marketing" da ministra.
Desde a recente manifestação de professores (120 mil na rua contra as políticas educativas), a ministra vem-se desdobrando em entrevistas e conferências de Imprensa, bem como em "perfis" nos jornais e TV do costume mas igualmente noutros.
Nesses "perfis", Lurdes Rodrigues tenta mostrar o seu "rosto humano" (o outro toda a gente o conhece), entreabrindo - levemente contrariada - aos portugueses em geral e professores em particular, a porta da sua intimidade.
Afinal, alguém que gosta de cozinhar e "[se sente] anarquista" não pode ser má pessoa. Nem alguém capaz de comover-se com um bom e comovente momento que, confessa, viveu um dia no Ministério: "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa […], e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'. É tocante..."
Portugal pode ter uma péssima ministra, mas o PS tem uma excelente directora de recrutamento.
Manuel António Pina
in JN

Cada um tem o que merece...

A Espanha tem o governo mais feminino de sempre.Itália tem Mara Carfagna como Ministra da Família
E Portugal, tem isto...Este aborto na Educação...

Dia Mundial do Combate à Sida...

O Dia Mundial de Combate ao HIV é uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) para mobilizar as pessoas no mundo todo na luta contra o HIV / AIDS / SIDA.
O dia marcado para mobilização universal é sempre 1º de dezembro e, na maioria dos países, esse dia já se tornou um evento anual, que conta com a participação de diversos segmentos da população.
O preconceito e a discriminação contra as pessoas vivendo com HIV/Aids são as maiores barreiras no combate à epidemia, ao adequado apoio, à assistência e ao tratamento da Aids e ao seu diagnóstico.
O que é a AIDS : Uma deficiência no sistema imunológico, associada com a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana HIV – (Human Immunodeficiency Virus), provocando aumento na susceptibilidade a infecções oportunísticas e cancro.

Restauração da Independência...1 de Dezembro de 1640...

A Restauração da Independência é a designação dada à revolta iniciada em 1 de Dezembro de 1640 contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da dinastia filipina, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança. É comemorada anualmente em Portugal por um feriado no dia 1 de Dezembro.
Um pouco de história
De 1580 a 1640 Portugal viveu sob o domínio do Rei de Castela. A monarquia dualista dos Filipes, iniciada após as Cortes de Tomar, com a proclamação de Filipe II de Espanha como Rei de Portugal, fez acumular descontentamentos e da freima patriótica dos portugueses resultou a restauração da independência em 1 de Dezembro de 1640.
O tumulto do «Manuelinho» de Évora, em 1637, foi o verdadeiro prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos. A conspiração de 1640 foi planeada pelos fidalgos D. Antão de Almada, Dom Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, não obstante de outros nomes associados que, nesse sábado de 1640 acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, Filipe IV de Espanha.
O momento fora bem escolhido, porque a Espanha defrontava os problemas advindos da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e procurava vencer a revolta da Catalunha.
A 2 de Dezembro de 1640 D. João IV já se dirigia como soberano por carta régia datada de Vila Viçosa, à Câmara de Évora.