domingo, 5 de abril de 2009

Ronald Polito...Poeta e Historiador Brasileiro...


Ronald Polito (Juiz de Fora, 5 de abril de 1961) é um poeta, ensaísta, tradutor e historiador brasileiro.
Além de sua obra poética própria, o seu trabalho como historiador e tradutor também se vincula, em regra, à literatura, destacando-se os estudos sobre poetas coloniais brasileiros (principalmente
Tomás Antônio Gonzaga) e as numerosas traduções de autores catalães (de Ramon Llull até escritores contemporâneos, como Joan Brossa e Narcís Comadira)
Biografia
Mestre em história social das idéias pela
Universidade Federal Fluminense, foi professor do Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto. Nessa instituição, criou, ao lado do historiador Carlos Fico, o Centro Nacional de Referência Historiográfica, que funcionou entre 1990 e 1998.
Também lecionou, entre 2001 e 2004, como professor visitante, no Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Tokyo University of Foreign Studies (Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio).
No selo artesanal Espectro Editorial, o autor editou diversas de plaquetes de circulação restrita, notadamente de escritores catalães por ele mesmo traduzidos, como
Carles Camps Mundó, e escritores brasileiros como Ricardo Rizzo (Conforme a música, 2005).
Desde 2006, trabalha como editor em São Paulo. Com o autor da Catalunha Josep Domènech Ponsatí, traduziu poesia brasileira contemporânea para o idioma catalão.
Boa parte de seu trabalho como historiador é dedicado à poesia, notadamente o arcadismo brasileiro. Nesse campo, merecem destaque a sua tese sobre
Tomás Antônio Gonzaga, Um coração maior que o mundo, e a edição de O desertor de Silva Alvarenga. A maioria de suas traduções concentra-se nesse mesmo gênero.
Manteve com o historiador
Carlos Fico, por cinco anos, desde 1994, a publicação periódica Bibliografia anual, ao lado de outras duas publicações, o jornal Registro (10 edições) e o indexador de periódicos de história chamado Repertório Semestral (10 edições), que saíram pelo Centro Nacional de Referências Bibliográficas em Ouro Preto.
Ainda como professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), realizou a editoração eletrônica da série Termo de Mariana: história e documentação, publicação do Departamento de História cujos dois volumes saíram em 1998 e 2004.
Em sua própria obra poética, convivem uma "nostalgia do absoluto, do zero, do Nirvana" (segundo
Fabio Weintraub) e o "conteúdo negativo" de uma "dissonância fundamental" (Priscila Figueiredo), que conferem um caráter misantrópico que destaca essa obra no conjunto da poesia brasileira.
Em seu livro mais recente, contudo, os temas da passagem do tempo e da finitude parecem apontar para outros caminhos, nos quais a alteridade está presente: "recomponho a fragilidade de tais mínimos/ eventos, tentando fazer com eles/ um só corpo,/ um corpo,/ e nele você está" (Paixão, de Terminal).
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FOGOS DE ARTIFÍCIO
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A luz de três
sóis a milhares de
séculos daqui,
brilhando no descortino de
um horizonte para
ninguém, para
nunca e sempre, imaginária
crônica, se
transfere agora para
fora da página, da
fala para
silenciosamente
contornar os
objetos, a casa, os arredores e
disparar contra a
parede do céu em
sua volta.
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UM MILAGRE
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Mais uma vez uma resposta
sem pergunta. A idéia,
o nome (o corpo, a cor e
a própria polpa) de uma
coisa inexistente mas
imperiosa, onívora. Um guincho ou
grito nunca antes
no ouvido, que desemboca em outro
díspar e idem.
Uma eclosão, uma emergência.

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