Jaime Neves polémico 34 anos depois de 75.
Proposta de promover o coronel Jaime Neves a major-general, aprovada por todos os chefes militares, teve por base o apoio, entre outras figuras, de nomes como Ramalho Eanes e Rocha Vieira.
.
A proposta de promoção do coronel Jaime Neves a major-general, que está na mesa do ministro da Defesa, teve por base um movimento de apoio que, entre outras figuras, integrou os generais Ramalho Eanes e Rocha Vieira, disseram ontem diferentes fontes ouvidas pelo DN.
A proposta, segundo fontes militares, assenta em critérios que "dão ênfase ao combatente" Jaime Neves, um líder dos Comandos com a Ordem da Torre e Espada que é reconhecidamente pouco consensual no universo castrense.
A proposta, segundo fontes militares, assenta em critérios que "dão ênfase ao combatente" Jaime Neves, um líder dos Comandos com a Ordem da Torre e Espada que é reconhecidamente pouco consensual no universo castrense.
.
A proposta teve origem na "iniciativa de entidades que hoje são civis" - como os generais Ramalho Eanes e Rocha Vieira, segundo várias fontes - e foi assumida há algumas semanas pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Pinto Ramalho. Aprovada "por unanimidade" em Conselho de Chefes, seguiu para o ministro da Defesa, a quem compete enviá--la para promulgação ao Chefe de Estado, Cavaco Silva.
.
A proposta teve origem na "iniciativa de entidades que hoje são civis" - como os generais Ramalho Eanes e Rocha Vieira, segundo várias fontes - e foi assumida há algumas semanas pelo chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Pinto Ramalho. Aprovada "por unanimidade" em Conselho de Chefes, seguiu para o ministro da Defesa, a quem compete enviá--la para promulgação ao Chefe de Estado, Cavaco Silva.
.
O porta-voz do Exército, tenente-coronel Hélder Perdigão, limitou-se a dizer ao DN que o ramo "não faz comentários" ao caso nem explica as razões enquanto estiverem a "correr os trâmites legais".
Jaime Neves disse ao DN que "não [se] espanta" com as críticas de vários sectores militares à proposta e que cada um "tem o direito de dizer o que quiser". Para si, a decisão do Conselho de Chefes "só peca por tardia".
Jaime Neves disse ao DN que "não [se] espanta" com as críticas de vários sectores militares à proposta e que cada um "tem o direito de dizer o que quiser". Para si, a decisão do Conselho de Chefes "só peca por tardia".
.
Uma das figuras que contesta a decisão é o coronel Matos Gomes, um operacional dos Comandos. "Só se pode compreender se alguém quiser promover a tenente- -general o Otelo e o Vasco Lourenço", frisou ontem ao DN. "As Forças Armadas não se prestigiam promovendo um coronel que está há mais de 20 anos na reforma. Não se compreende", até porque "há vários oficiais com um comportamento idêntico ao Jaime Neves" e até "mais condecorados", adiantou, reconhecendo naquele oficial um "excelente comandante e homem muito corajoso".
Uma das figuras que contesta a decisão é o coronel Matos Gomes, um operacional dos Comandos. "Só se pode compreender se alguém quiser promover a tenente- -general o Otelo e o Vasco Lourenço", frisou ontem ao DN. "As Forças Armadas não se prestigiam promovendo um coronel que está há mais de 20 anos na reforma. Não se compreende", até porque "há vários oficiais com um comportamento idêntico ao Jaime Neves" e até "mais condecorados", adiantou, reconhecendo naquele oficial um "excelente comandante e homem muito corajoso".
.
Posição semelhante tem o general Garcia dos Santos, um ex- -CEME do mesmo curso de Jaime Neves. Quem concorda são outros dois ex-CEME que entraram no mesmo ano para o Exército, os generais Loureiro dos Santos e Espírito Santo. "Acho bem, pelo seu percurso militar e pelo seu papel, tanto no 25 de Abril como no 25 de Novembro", observou Loureiro dos Santos, alertando, no entanto, para "outra figura que teve um papel relevantíssimo, Vasco Lourenço", a justificar a promoção.
Posição semelhante tem o general Garcia dos Santos, um ex- -CEME do mesmo curso de Jaime Neves. Quem concorda são outros dois ex-CEME que entraram no mesmo ano para o Exército, os generais Loureiro dos Santos e Espírito Santo. "Acho bem, pelo seu percurso militar e pelo seu papel, tanto no 25 de Abril como no 25 de Novembro", observou Loureiro dos Santos, alertando, no entanto, para "outra figura que teve um papel relevantíssimo, Vasco Lourenço", a justificar a promoção.
.
Vasco Lourenço disse ontem não ter nada a acrescentar ao publicado na véspera pela Lusa, a quem sustentou que "não há quaisquer razões políticas ou militares que justifiquem uma decisão dessas". "Vai contra todas as regras, o seu curriculum militar não o justifica e, se isto acontecer, estaremos perante um acto que em minha opinião indignificará o Exército e as Forças Armadas", acrescentou o antigo capitão de Abril.
Vasco Lourenço disse ontem não ter nada a acrescentar ao publicado na véspera pela Lusa, a quem sustentou que "não há quaisquer razões políticas ou militares que justifiquem uma decisão dessas". "Vai contra todas as regras, o seu curriculum militar não o justifica e, se isto acontecer, estaremos perante um acto que em minha opinião indignificará o Exército e as Forças Armadas", acrescentou o antigo capitão de Abril.
in DN
1 comentário:
Obviamente, a consideração que tive durante 40 anos pelo Jaime Neves, manifestada no postal abaixo:
"Os militares nunca estiveram à venda"
terminou.
Já sei que, não só aceitou a promoção como se queixou publicamente de que "só peca por tardia".
Nem sempre estivemos do mesmo lado da barricada, nomeadamente no 25 de Novembro, como é público e notório. Mas isso nunca cortou os laços de camaradagem e respeito mútuo que mantivemos.
Agora, não aceito que um militar, qualquer que seja, se sujeite a joguinhos politiqueiros e provocações de quem nunca "engoliu" o 25 de Abril e a Revolução que se seguiu.
Álvaro Fernandes
Tenente-Coronel na Reforma
Enviar um comentário