quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Fisga


Cândida Almeida: atraso

no caso Portucale é «inadmissível»

Directora do DCIAP denuncia excesso de garantias aos arguidos que apenas servem para dar «mau aspecto» à justiça

A procuradora-geral adjunta Cândida Almeida classifica como «inadmissível» o atraso do processo Portucale, denunciando o excesso de garantias conferidas aos arguidos pela lei processual penal.

Apesar de dez pessoas estarem acusadas, há dois anos, incluindo o ex-dirigente do CDS/PP Abel Pinheiro, no âmbito do processo relacionado com o abate ilegal de sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, em Banavente, «os arguidos ainda estão a requerer a recusa do juiz, recorrendo sistematicamente para o tribunal da Relação e para o Tribunal Constitucional», referiu, citada pela Lusa.

Trata-se, acrescenta, «de um atraso inadmissível de um julgamento tão importante e em que, pela primeira ou segunda vez, se vai discutir o tráfico de influências».

Para Cândida Almeida excesso de garantias apenas serve para «atrasar a justiça e dar-lhe um mau cariz e um mau aspecto».

O processo Portucale envolve um despacho assinado pelos ex-ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, da Agricultura, Carlos Costa Neves, e do Turismo, Telmo Correia, a poucos dias das eleições legislativas de 2005 e que viabilizou à empresa do Grupo Espírito Santo realizar o abate de dois mil sobreiros na Herdade da Vargem Fresca, tendo como fim um projecto turístico-imobiliário.

Os três ex-governantes não foram acusados pelos magistrados do DCIAP coordenado por Cândida Almeida.

Em causa estão, crimes de tráfico de influências, abuso de poder e falsificação de documentos.

In Portugal Diário

Quanto tempo falta para prescrever? Muito pouco, com certeza.

Bocas de quem sabe do que fala

«O primeiro-ministro

está num momento difícil»

Luís Amado admite que pediu para sair do MNE mas que «seria inaceitável virar as costas a um amigo num momento destes»

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, admite que «o primeiro-ministro está num momento difícil da sua carreira» e o país também.

O mais caro de sempre...

Nuno Melo acusou Vítor Constâncio de estar na origem da funesta decisão de nacionalizar o BPN (cujo custo já anda perto dos 2.500 milhões de euros).
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Julgo que Melo inverteu o nexo de causalidade: o Governo não agiu em virtude do que Constâncio disse – ao contrário, Constâncio disse o que disse por causa da intenção governamental.
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O perpétuo governador do Banco de Portugal converteu-se num comentador económico pró-governo, numa espécie de Perez Metelo em cargo mais abonado mas igualmente justificador de tudo o que o Governo quer ou sente (ainda vão trocar de ofício!).
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Não sei que mais asneiras Constâncio terá de exibir para ser forçado a desocupar a função. Deve ter sido o titular público cuja omissão em agir mais dinheiro custou a esta III República.
Carlos de Abreu Amorim
in CM

Esta democracia é uma miséria...

Não gosto desta democracia. Uma democracia que sobrevive através de subterfúgios, que se não preveniu contra as desigualdades sociais, antes as estimula, autoriza-nos a combatê-la sem tréguas, como imperativo de consciência e necessidade histórica. Desejava-a equânime, fortemente representativa, sem a moral indecisa e sem a implícita conspiração de uma classe que me repugna e se julga acima do mal e do bem. A democracia não é isto que a violência simbólica tem promovido, e a ausência de debate tem consolidado.
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O discurso político é inassimilável, embora seja definível pelos traços essenciais das semelhanças de uns com os outros. Esse discurso apropriou-se, sobretudo, do lugar-comum, fruto de antigas e cediças tradições. Nada do que dizem Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Paulo Rangel, Vital Moreira ou Nuno Melo suscita a mais escassa emoção ou o mais módico entusiasmo. O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos "políticos" algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição.
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Esta democracia é uma desgraça. E os protagonistas são pessoas inadequadas à construção da sua desejável e inequívoca grandeza. O que dizem reactiva, permanentemente, a colonização das mentes, porque o que dizem é baseado em velhos conceitos de exclusão do "outro". Esta democracia reflecte a debilidade de convicções morais de quem dela se diz paladino. O que por aí se vê de corrupção, de mentira, de fraqueza dos mecanismos institucionais, de hipocrisia, de inquietação social, resulta das enormes variações de carácter e de ideologia daqueles que abandonaram a defesa das específicas identidades partidárias.
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O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia.
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Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar.
Baptista-Bastos
in DN

Muita Ternura...

Uma, e outra, e outra vez – as vozes de quem faz a escola pública...

Vieram de novo, aos milhares, de todos os pontos do país. Voltaram a encher as ruas de Lisboa com a sua luta, e a sua perseverança na defesa de um modelo democrático da escola pública. Dizendo "categoria só há uma - professor e mais nenhuma". Nem mais.
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Ao longo destes últimos quatro anos, os professores têm sido a voz mais forte e mais ousada na contestação ao Governo. E são-no porque têm sido eles a experimentar, mais do que em qualquer outro sector, o que significa a "empresarialização" dos serviços públicos.Alguém pensou: "temos que alcançar os níveis europeus em matéria de resultados escolares, mas sem fazer o esforço de investimento que fizeram os outros países europeus". A solução do Governo PS: indicar um culpado, os professores; pressionar os resultados; e juntar a propaganda.
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Quatro anos do triunvirato Mª Lurdes Rodrigues - Valter Lemos - Jorge Pedreira, resumem-se a isso. Resume-se a duas ideias centrais: primeiro, uma escola organizada como uma cadeia de comando capaz de produzir, rapidamente, resultados "politicamente" simpáticos para quem governa; e segundo, uma classe docente domesticada pelo medo e pela concorrência interpares, que cumpra ordens sem pinga de crítica, e saia baratinha na factura salarial do Ministério da Educação (ME). Toda a arquitectura legislativa, toda a orientação política do ME seguiu neste sentido. Modelo de avaliação, modelo de gestão, estatuto do aluno, e o Magalhães para ajudar à festa...
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Quando se provou que os professores não se iriam deixar humilhar e enxovalhar pelo Governo, e que estavam dispostos a lutar, veio a chantagem e as ameaças do ME - ameaça de processos disciplinares, de não progressão na carreira, o afastamento e a intimidação de Conselhos Executivos que não vergavam.
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Mesmo assim, uma, e outra, e outra vez, os professores saíram à rua. Porque sabem o que está em causa. Sabem que hoje a escola pública enfrenta uma crise, mas que não pode perder a confiança da opinião pública. Sabem que a multiplicação burocrática não trouxe rigor nem exigência às práticas escolares, apenas aumentou o espaço de manobras dos burocratas políticos de serviço. Sabem que se criaram e inventaram novos problemas, sem nunca resolver os velhos e determinantes problemas do sistema educativo português - o abandono e o insucesso escolar. Sabem que hoje as escolas enfrentam todos os desafios - a herança da iliteracia e a globalização mediática - ; sabem que à escola se pede todas as funções, da educação clássica, às novas competências, e ao apoio social às famílias e aos excluídos; e sabem que lhes faltam todos os instrumentos para fazer esse combate, e essa tarefa.
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Quem saiu à rua sabe exactamente o que quer - pacificar as escolas, esquecer Maria de Lurdes Rodrigues, investir no sistema educativo e nos profissionais que fazem a escola pública. Em Setembro ou Outubro, os professores sairão de novo à rua. De outra maneira voltarão a dizer ao PS que não aceitam ser humilhados e perseguidos. Tenho a sensação que dessa vez o PS vai ouvir com muito mais atenção.Ana Drago
in Esquerda.Net

Ilusão e queda do país positivo...

Vital Moreira, para além de um provocador experimentado, vive sob um manto de conspirações que a sua própria mente congemina, no afã de discutir o menos possível o «osso» destas eleições. Para além da «tirada do dia», desastrosa q.b. para desencadear uma onda de pânico no PS, desmentidos e desvarios, descobriu agora a grande cabala: forças ocultas usam os media para esconder o «país positivo».
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Nas suas iniciativas de campanha encontra, então, qual agulha no palheiro que decerto gasta horas e solas aos assessores do PS, empresas de «sucesso»: fábricas que (ainda) não despedem, trabalhadores que (ainda) o são, algumas tecnologias inovadoras, enfim, aquilo que qualquer país com um normal e sustentado modelo de desenvolvimento deveria ter.
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Na verdade, Vital transforma a excepção na regra; o extraordinário em algo supostamente corriqueiro. Mas podemos sempre dar-lhe algumas rotas do país positivo: os campos de golfe; as refinadas gastronomias; os roteiros de sonho; os empreendimentos turísticos e comerciais cujo licenciamento soa a fraude e a corrupção; o «direito ao TGV» que a JS agora reclama, no cúmulo do absurdo, como se fosse um direito ou sonho geracional, obliterando por puro conformismo e obediência partidária a grande reivindicação do fim dos falsos recibos verdes, dos empregos precários a 500 euros e da intermitência; os offshores do BPN; os dividendos milionários dos gestores públicos e privados e, é claro, esse cenário idílico onde nada se passa e se ganha bem que dá pelo nome de Banco de Portugal.
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O país positivo de Vital Moreira é o oásis dos que fingem desconhecer o deserto que grassa à sua volta. Tal fingimento, por impostura, revela até onde vai quer a insensibilidade, quer o medo de discutir o país real, quer, ainda, a ilusão auto-imposta, quase como se ele acreditasse na mentira que nos quer vender.
Querem dar ópio ao povo, anestesiá-lo até à abstenção.
Para o PS, o país positivo é o que se abstém no dia 7 de Junho.
João Teixeira Lopes
in Esquerda.Net

O Judeu no Bordel...

Jacob há muito tempo que não tinha relações .....
Chegou na zona das meninas e disse para uma:
- Quanto cobra?
- 100,00 €.
- Muito caro! Muito caro!!!
- Então 50,00 €.
- Não, não.....eu só tenho 12,00 €.
- É muito pouco...por isso eu não vou.....
- Então eu dou-te 12,00 € e o telemóvel.
A gata pensou, pensou e disse:
- Está bem.
Foram para o quarto, e fizeram o que havia a fazer...
O Jacob levantou-se, vestiu as calças e deu 12,00 € à rapariga, que disse:
- E o telemóvel?
- Anota aí....962149524!

Arménio Vieira...o Poeta Cabo-Verdiano recebe Prémio Camões...

Arménio Adroaldo Vieira e Silva (Praia, Santiago, 24 de janeiro de 1941) é um jornalista e escritor cabo-verdiano, da língua portuguesa.
Elemento activo da geração de 1960, colaborou em SELÓ - folha dos novíssimos, Boletim de Cabo Verde, revista Vértice (Coimbra), Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos, Sopinha de Alfabeto, entre outras publicações.
Foi redactor do extinto jornal Voz di Povo.
Venceu o
Prémio Camões 2009.
Obras
1981 - Poemas - África Editora - Colecção Cântico Geral. - Lisboa.
1990 - O Eleito do Sol - Edição Sonacor EP - Grafedito - Praia.
1998 - Poemas (reedição) - Ilhéu Editora - Mindelo.
1999 - No Inferno - Centro Cultural Português - Praia e Mindelo.
2006 - MITOgrafias - Ilhéu Editora - Mindelo
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Quiproquó.
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Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto.
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.Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta.
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.Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.

Sócrates chupando pela palhinha

Sócrates - Sumo de Laranja (Sócrates - Orange Juice) from Spam Cartoon on Vimeo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Resposta mui diplomática

Caro Peticionário

Em relação ao seu Pedido de Visto recebido ontem nesta Embaixada, encarrega-me o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Patagónia de informá-lo que a sua pretensão já foi analisada e pressupõe o seguinte:

- Que uma delegação do Movimento do Descontentamento se desloque ao meu país – de preferência em balão de ar quente para evitar poluí-lo – e vá preparada para negociar questões essenciais, tais como:

- O impedimento de fundarem bancos, sociedades de negócios ou casinos clandestinos tipo jogo da bolha, mesmo que disfarçado em offshores, bolsa, esquemas tipo D. Branca etc.

- Nunca terem militado em partidos políticos, designadamente nos do vosso chamado arco do poder, PS, PPD/PSD e CDS/PP, responsáveis pelo estado vergonhoso em que se encontra a Socralândia, esse jardim á beira-mar plantado e cada vez mais mal frequentado em que nenhum de vós pretende manter-se, não vão os péssimos hábitos dessa gente contaminar a nossa saudável população.

- Para atravessarem a fronteira, fornecer-vos-ei, para já, um salvo-conduto.

Aguardando resposta urgente e com os melhores cumprimentos

O Embaixador da Patagónia

A Fisga


SILVA LOPES, 77 ANOS, NOMEADO ADMINISTRADOR DA EDP RENOVÁVEIS .

A pouca vergonha continua. Ao que isto chegou.

SILVA LOPES, com 77 ( setenta e sete ) anos de idade, ex-Administrador do Montepio Geral, onde saiu há pouco tempo com uma indemnização de mais de 400.000 euros, acrescidos de varias reformas que tem, uma das quais do Banco de Portugal como ex-governador, logo que saiu do Montepio foi nomeado Administrador da EDP RENOVAVEIS,
empresa do Grupo EDP.

Com mais este tacho dourado, lá vai sacar mais umas centenas de milhar de euros num emprego dado pela escumalha politica do governo, que continua a distribuir milhões pela cambada afecta aos partidos do centrão.

Entretanto o Zé vai empobrecendo cada vez mais, num pais com 20% de
pobres, onde o desemprego caminha para niveis assustadores, onde os salários da maioria dos portugueses estão cada vez mais ao nivel da subsistencia.

Silva Lopes foi o tal que afirmou ser necessário o congelamento de salários e o não aumento do salário mínimo nacional, por causa da
competividade da economia portuguesa. Claro que para este senhor, o congelamento dos salários deve ser uma atitude a tomar, ( desde que
não congelem o dele, claro ).

Quanto a FERNANDO GOMES, mais um comissário politico do PS, recebeu em 2008, como administrador da GALP, mais de 4 milhões de euros de remunerações. Acresce a isto um PPR de 90.000 euros anuais, para
quando o " comissário PS " for para a reforma. Claro que isto não vai acontecer pois, tal como Silva Lopes, este senhor vai andar de tacho em tacho, tal como esta cambada de ex-politicos que perante a crise " assobia para o ar ", sempre com os bolsos cheios com os milhões de euros que vão recebendo anualmente.

Estes senhores não tem vergonha na cara ?
Recebido por email

Também tu, Cavaco Silva?

Como se já não bastasse um primeiro-ministro acossado, procuradores da República sob suspeita, um provedor da Justiça incapaz de ser eleito e um ex-conselheiro de Estado amnésico, só nos faltava agora um Presidente da República a fazer negócios altamente vantajosos com a empresa responsável por um dos maiores buracos financeiros na história de Portugal. Não admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV. É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.

Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. O triângulo composto por Dias Loureiro, o comunicado de Novembro negando qualquer ligação ao BPN e a manchete do último Expresso, que garantia que o Presidente da República ganhou 150 mil euros no espaço de dois anos através da venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN), é péssimo para a sua imagem. Ponto por ponto:

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. Independentemente de tudo o que ele possa ter feito no BPN, desde que o caso surgiu o ex-ministro foi apanhado em contradições inexplicáveis e mostrou um total desrespeito pela Comissão Parlamentar na primeira vez que foi ouvido. O papel de Dias Loureiro agravou-se de dia para dia com Cavaco a ver, e até na hora da saída do Conselho de Estado o Presidente deixou palavras em sua defesa. Porquê?

2) O comunicado de Novembro onde Cavaco sublinhava nunca ter tido nada a ver com o BPN é agora uma batata quente nas suas mãos. É certo que, tecnicamente, a SLN não é o BPN, mas isso é um preciosismo que só aumenta as suspeições. Cavaco omitiu o que não devia ter omitido, refugiando-se num detalhe que é verdadeiro na letra mas falso se olharmos para o espírito do que estava em causa. O que fica é a sensação de o Presidente ter feito tudo para esconder a existência das acções da SLN. Porquê?

3) Os contornos do negócio revelado pelo Expresso tornam-se assim muitíssimo embaraçosos: obter um lucro de 140% num curto espaço de tempo, através da venda de acções de uma empresa que nem sequer está cotada em bolsa, é daquelas jogadas que fazem a alegria dos especuladores mas que ficam mal a um Presidente da República. Recusar dar explicações sobre este negócio com o argumento de que na altura não desempenhava cargos públicos - como terá dito ao Expresso - é, no mínimo, coxo. E em nada contribui para aquela seriedade no modo de fazer política que Cavaco Silva tanto gosta de apregoar. Portugal já está bem servido de escândalos. Dava jeito que o Presidente não se enfiasse em mais um.

João Miguel Tavares in DN

Tiro no pé


Economistas: desemprego

vai atingir 10% ainda este ano

Valor elevado deverá manter-se nos primeiros meses do próximo ano

Mais um tiro em cheio nas promessas de Sócrates.