quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CAIXA ALTA


Títulos comentados

e um ilustrado

Lisboa: se viaja sozinho vai pagar mais portagens

Já não vale mais só do que mal acompanhado

Vale e Azevedo condenado a mais cinco anos de prisão

A cumprir na mansão de Londres?

Ferreira Leite acusada de deixar PSD «no vazio»

Distribuam balões aos militantes e soprem

Guia para aprender a adoptar crianças

Como o guia para as fazer não resultou…

Algarve: distribuição de fruta na praia abre polémica

O Pinto da Costa também distribuía fruta aos árbitros

Visão: «A alma do Norte»

Leia o título seguinte

CM: «Lanchas da droga feitas no Norte»

Leia o título anterior

EUA: Schwarzenegger faz «greve» às promulgações

Mandem o Cavaco estagiar com ele

DN: «Metade dos exames à prostata indica falsos cancros»

Estou mais descansado

«Galp não ganhou com a subida do petróleo» (DE)

Deixem-me rir

Público: «Ficar no Manchester é uma honra enorme»

Paga em euros ou libras?

Ângelo Correia é o convidado de honra da Festa do Pontal

A Manuela que se ponha a pau

Cavaco não quer aviões por cima da cabeça

Eu também não

Sócrates pretende pagar multa que ninguém quer cobrar

Mandem-lhe o homem do fraque

Portas diz que Governo retira direitos a ex-combatentes

Eu que o diga

PS/Gaia critica anúncio de três pontes sobre o Douro

Tragam duas para o Tejo

Ikea também vai ter telemóveis

Desmontados, é claro

Crise afasta portugueses dos hotéis do Algarve nas férias

E o campismo aumenta

Mugabe será Presidente honorário e Tsvangirai primeiro-ministro

Falta o presidente eleito

Prevenção na estrada com jogo de verdade e consequência

A verdade é que aceleram embriagados e a consequência são os acidentes

Veja o golfinho mais feio do mundo (vídeo)

Tiro ao alvo

Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, Sócrates fez desaparecer definitivamente a gaveta.

José Gil in Visão

Caetano Veloso faz hoje 66 anos


Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, 7 de agosto de 1942) é um músico brasileiro.

Índice


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O azarento

Discurso sobre a inveja


No Público, sempre na virtuosa gazeta, o dr. José Miguel Júdice faz uma acusação crudelíssima: "A inveja dá-nos lugar no Guinness." A curta frase já bastava para nos aterrar. O ferrete da ignomínia crestava os nossos corpos trémulos, trespassava-os e carregava de torpeza a nossa alma miserável. Porém, o famoso advogado, inclemente, fero e definitivo, apoiou-se no épico e adiantou esta tenebrosa abjecção: "Camões terminou simbolicamente Os Lusíadas usando essa palavra, que é a que melhor nos define como povo."

Um amigo abraçou-me na rua. Soluçava de comoção: "Achas que sou invejoso?" Impressionado com tamanha dor, respondi: "De quê? De quem? De mim?" E ele: "Do mundo!" Acalmei-o. O sofrimento atroz do meu amigo moldava-se-lhe nos gestos desencontrados, no olhar assustadíssimo. Correu, rua abaixo, esmagado pela acusação do vasto intelectual e soltando gritos estridentes: "Sou um desgraçado! Sou um invejoso!"

Pessoalmente, sou capaz de reconhecer-me atingido pelo infame sentimento. Toco, há anos antiquíssimos, no batente da prosa; escrevo com razoável dose de gramática e equilibrado senso; até houve um amável crítico, doublé de mavioso poeta, que, em tempos, publicou esta frase gloriosa: Fulano de Tal [eu] "não sabe escrever mal" -, mesmo assim, rateio a mensalidade com a minúcia e a desconfiança de um prestamista. Disfarço, faço de conta que, mas rói-me o espírito e escangalha-me o sono o pensamento denso, a ideia fustigante de ser o chefe nominal de uma família secularmente empobrecida. Mas a leitura do magno artigo do dr. Júdice também me atiçou uma felicidade absurda. Afinal, não era apenas eu, e milhões de outros portugueses, os desafortunados que rangiam os dentes de despeitada raiva. "Os gestores em Portugal ganham em regra pouco. Mesmo as empresas que funcionam bem, como a CGD, remuneram claramente abaixo dos valores do mercado", asseverava o articulista sem que a irresistível locução apresentasse qualquer esgar de dúvida.

A inveja não mordia, somente, aqueles portugueses únicos, definitivos e inequívocos que não ascenderam, nem nunca irão ascender, à primeira escala do ranking. Numa vil lubricidade, os "gestores" [que], "em Portugal ganham em regra pouco", devem odiar-se uns aos outros: a inveja nasce do ressentimento, o ressentimento não tem rosto e é tão contundente como a luta de classes.

E, entre outras, uma dúvida persistente instalou-se na minha malvada curiosidade: como o dr. Júdice não selecciona o português despeitado do que, eventual e dubitativamente o não é; como o dr. Júdice pluraliza a medonha acusação, e escreve, firme e sólido: "os portugueses", - será que admite, com doce humildade, e contrito remorso, ser, ele também, um invejoso irretorquível, macerado pelo êxito alheio?

Baptista-Bastos in DN

Crianças...


Duas criancinhas de oito anos conversam no quarto. O menino pergunta para a menina:

- O que vais pedir no DIA DA CRIANÇA?

- Eu vou pedir uma Barbie, e tu?

- Eu vou pedir um TAMPAX! - responde o menino

- TAMPAX?! O que é isso?!

- Nem imagino... mas na televisão dizem que com TAMPAX a gente pode ir à praia todos os dias, andar de bicicleta, andar a cavalo, dançar, ir ao clube, correr, fazer um montão de coisas fixes, e o melhor...SEM QUE NINGUÉM PERCEBA!

A bomba atómica sobre Hiroshima foi há 63 anos


"Little Boy" ("menininho", ou "rapazinho", em português) é o nome de código de uma bomba atómica largada sobre Hiroshima, no Japão, na Segunda-feira 6 de Agosto, 1945. Sendo largada a partir do B-29 Superfortress, Enola Gay pilotado pelo então [tenente-coronel] Paul Tibbets, a cerca de 31.000 pés (9450 m) de altitude. O engenho explodiu aproximadamente às 8h15 da manhã (JST) a cerca de 600 m do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 kton de TNT.

Foi a primeira das duas únicas armas nucleares que foram utilizadas em guerra.

A Mk I "Little Boy" tinha 3,2 m em comprimento, 71 cm de largura e pesava 4000 kg. O design tinha um mecanismo igual a uma arma para explodir uma massa de urânio-235 e três anéis de U-235, iniciando uma reacção nuclear em cadeia. Continha 60 kg de U-235, no qual 0.7 kg submeteram a fissão. O urânio foi enriquecido nas enormes fábricas de Oak Ridge, no Tennessee, durante o Projecto Manhattan.

Aproximadamente 70.000 pessoas foram mortas como um resultado directo da explosão, e um número parecido de pessoas foram feridas. Um maior número de pessoas foram morrendo após a explosão devido ao resultado de radiações após o ataque "inverno nuclear" e cancro[1]. Muitas mães grávidas perderam os seus filhos e noutros casos crianças nasceram com deformações.

Não existe consenso sobre o real número total de vítimas mortais, debate em relação ao qual podem ser obtidas informações no seguinte site sobre esta questão: [2] e [3].

Referências

  1. [1]

Ver também


terça-feira, 5 de agosto de 2008

FRASE DO DIA

Nunca perguntes a um padre se podes fumar enquanto rezas.
Pergunta-lhe se podes rezar enquanto fumas.

Rogério Alves, advogado do casal McCann, entrevistado por Mário Crespo na Sic Notícias, hoje às 21H30, respondendo a uma pergunta sobre retórica.

Comunicado do MIL


Uma semana após a realização da VII Cimeira da CPLP, e tendo entretanto lido com a devida atenção as diversas Declarações - [Declaração de Lisboa]; [Declaração de Apreço ao Secretário Executivo]; [Declaração de Apreço ao Secretário Executivo Adjunto]; [Declaração sobre a Língua Portuguesa] – e Resoluções - [Resolução sobre a Atribuição do Estatuto de Observador Associado à República do Senegal]; [Resolução sobre a Circulação de Bens Culturais]; [Resolução sobre o Conselho Empresarial da CPLP]; [Resolução sobre a Concessão do Estatuto de Observador Consultivo da CPLP]; [Resolução sobre o Empenhamento da CPLP no Combate ao VIH/SIDA]; [Resolução sobre o Endosso de Candidaturas de Estados Membros a Órgãos das Organizações Internacionais]; [Resolução sobre o Funcionamento Provisório dos Centros Regionais de Excelência]; [Resolução sobre o Instituto Internacional da Língua Portuguesa]; [Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do IILP para o Exercício de 2008]; [Resolução sobre o Orçamento de Funcionamento do Secretariado Executivo para o Exercício de 2008]; [Resolução sobre o Poder Local na CPLP]; [Resolução sobre o Reforço da Participação da Sociedade Civil na CPLP]; [Resolução sobre o Relatório da Auditoria Conjunta às Demonstrações Financeiras da CPLP no ano de 2007]; [Resolução sobre a Segurança Alimentar] –, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se publicamente pelos resultados obtidos, esperando, porém, que se passe das palavras aos actos, nomeadamente no que respeita à dinamização do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, instituição estratégica para a afirmação da Lusofonia.

Para que a CPLP ganhe uma maior projecção a nível internacional, o MIL considera, contudo, que se deve equacionar o aprofundamento do actual modelo de organização, propondo, a esse respeito, a criação do cargo de Presidente da CPLP, com um período de mandato a ser aprovado por todos os países membros e a ser exercido por uma personalidade de reconhecido prestígio internacional. Para primeiro Presidente da CPLP, o MIL sugere o nome de José Ramos-Horta, Nobel da Paz e actual Presidente de Timor-Leste.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Recebido por email

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

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O capitalismo já encontrou solução para a crise...

Alcácer-Quibir e o mito do Sebastianismo


A Batalha de Alcácer-Quibir travou-se no Verão de 1578, em Alcácer-Quibir, entre os Portugueses liderados por D. Sebastião, e os mouros de Marrocos. Dela resultou a derrota dos portugueses e o desaparecimento do próprio D. Sebastião, precipitando a crise dinástica de 1580, e o nascimento do mito do Sebastianismo.

Perto de al-Kasr al-Kebir há uma aldeia denominada Suaken. Foi aqui que se deu a Batalha por nós conhecida por Batalha de Alcácer Quibir e, provavelmente, onde foram, naquela altura, enterrados os três reis. Ainda hoje aí se encontra um obelisco em memória de D. Sebastião e mais dois em memória dos outros dois reis. Esta batalha ainda hoje é conhecida em Marrocos como a "batalha dos três reis".

D. Sebastião, desde novo influenciado pelas lutas que então se desenrolavam no Norte de África como a defesa de Mazagão, em 1562 ao cerco dos mouros, tem intenção de aí intervir, dado entender ser necessário reviver glórias passadas. Assim, desde que toma conta do reino, em 1568, começou a preparar a sua intervenção no Norte de África, que era como que um imperativo nacional, pois se pretendia beneficiar do comércio com esta zona, rico em ouro, gado, trigo, açúcar. Por outro lado, além de oferecer oportunidades à burguesia mercantil, era também um campo de actividade para a nobreza.

Em Marrocos eram constantes as lutas entre as várias facções. O pretexto para a intervenção de D. Sebastião surge com a deposição, em 1576, do sultão Mulay Mohammed pelo sultão Mulei Moluco, este auxiliado pelos Otomanos. Ora, o auxílio dos Otomanos era uma ameaça para a segurança das costas portuguesas e para o comércio com a Guiné, Brasil e as Ilhas atlânticas. Por isso, D. Sebastião decidiu apoiar Mulay Mohammed, que como compensação ofereceu Arzila, e procurou apoio de outros reis. Filipe II retirou-se. Da Alemanha, Flandres e Itália vieram soldados mercenários e auxílio em armas e munições. Fez-se o recrutamento do exército português, mas verificou-se muita corrupção, o que fez com que o exército expedicionário, de cerca de 15 000 homens, fosse pouco disciplinado, mal preparado, inexperiente e com pouca coesão.

Sebastião partiu de Lisboa a 25 de Junho de 1578, passou por Tânger, onde estava o Mulei Maamede, seguiu para Arzila e daqui para Larache, por terra, havendo quem preferisse que se fosse por mar, para permitir maior descanso às tropas e o necessário reabastecimento em víveres e água. Seguiram depois a caminho de Alcácer Quibir, onde encontraram o exército de Mulei Moluco, muito superior em número. A 4 de Agosto de 1578, com o exército esgotado pela fome, pelo cansaço e pelo calor, deu-se a batalha. Nestas condições, o exército português, pesem alguns actos de grande bravura, foi completamente dizimado, sendo muitos mortos. Apesar de se duvidar da morte do rei português, é provável que ele nesta batalha tenha perecido. Os sobreviventes foram feitos prisioneiros.

O resultado e as consequências desta batalha foram catastróficos para Portugal. D. Sebastião desaparecera, deixando como sucessor o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que veio a falecer dois anos depois. Assim levanta-se uma crise dinástica ameaçando a independência de Portugal face a Espanha, pois um dos candidatos à sucessão era Filipe II de Espanha.

A disputa do trono português teve varios pretendentes: D. Catarina de Médicis, rainha da França, que se dizia descendente de D. Afonso III; D. Catarina, duquesa de Bragança e sobrinha do Cardeal D. Henrique; Manuel Felisberto, duque de Savóia e D. António, Prior do Crato, ambos, sobrinhos do rei; Alberto de Parma e Filipe II.

Filipe efectivamente ascendeu ao trono em 1580. A maioria da nobreza portuguesa que participara na batalha ou morreu ou foi feita prisioneira. Para pagar os elevados resgates exigidos pelos marroquinos, o país ficou enormemente endividado e depauperado nas suas finanças.

Luís Vaz de Camões numa carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada: "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".

O sebastianismo em Mensagem, de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, escritor modernista do século XX, provavelmente o maior poeta português a seguir a Luís de Camões, transmite em Mensagem o seu maior elogio ao espírito de conquista dos descobridores portugueses dos séculos XV e XVI.

Ainda que com necessárias diferenças, inerentes às características dos autores em causa e à época em que foram escritas, será legítimo fazer-se o paralelismo entre Os Lusíadas e Mensagem, no sentido em que ambas as obras cantam, de maneiras diversas mas com pontos comuns, a grandeza de ser português: «A Mensagem (...) é um poema nacional, uma versão moderna, espiritualista e poética dos Lusíadas». (António Quadros - «Fernando Pessoa, Vida, Personalidade e Génio»).

Há mesmo estudiosos que consideram que Fernando Pessoa foi, até hoje, quem melhor soube ler Os Lusíadas. Se Luís de Camões é o pai da língua portuguesa, se foi ele quem passou para o papel, de forma eloquente, o sentimento português, Fernando Pessoa é o continuador desse caminho, incutindo-lhe o carácter único da sua perspectiva de ver as coisas.

sse espírito grandioso cantado por Camões e por Pessoa está retratado em quase todos os poemas de Mensagem, mas há um, chamado «Mar Português» que o tipifica de maneira mais acutilante: «Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal? / Por te cruzarmos, quantas mães choraram, / Quantos filhos em vão rezaram! / Quantas noivas ficaram por casar / Para que fosses nosso, ó mar!». E sobre as consequências negativas que, indiscutivelmente, tais empresas acarretaram, o poeta não tem dúvidas: «Valeu a pena? Tudo vale a pena / se a alma não é pequena. / Quem quer passar além do Bojador / Tem que passar além da dor. / Deus ao mar o perigo e o abismo deu, / Mas nele é que espelhou o céu»

Os séculos subsequentes aos Os Lusíadas foram extremamente penalizadores para o nosso país. Portugal foi, gradualmente, perdendo o seu Império e, por tabela, as riquezas. No século XIX, a situação agravou-se. Sofremos as invasões napoleónicas, ficámos subjugados ao poderio inglês, o nosso atraso em relação aos colossos da Europa imperialista era cada vez maior. No plano interno, a hipocrisia de uma sociedade movida pela ganância foi superiormente retratada em Os Maias, de Eça de Queirós. O governo monárquico caiu em descrédito e com o ultimatum inglês (1891) o orgulho nacional estava a sangrar de humilhação. A Geração de 70 dava-se por vencida. Os feitos gloriosos de 300 anos antes pareciam bem longe da realidade portuguesa do início do século XX.

Ora, é neste contexto sócio-histórico que Fernando Pessoa escreve a Mensagem. Embora a sua grandeza como obra a torne intemporal, a circunstância cronológica em que foi escrita vai aumentar a importância do seu conteúdo. Com efeito, o elogio tecido por Pessoa da ambição dos portugueses em partir à conquista de novos mundos constituirá como que uma regeneração do orgulho português, que estava a passar por uma... crise de identidade. Daí o ênfase dado pelo poeta na recriação do mito, na virtude de ser português. Pessoa eleva a insatisfação de alma como a maior virtude dos conquistadores portugueses e assume que tem como pretensão mitificar esse espírito português: «Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da Humanidade».

A personificação desse mito é D. Sebastião. O poeta considera-o um «louco», mas não na acepção negativa que lhe damos, antes com uma conotação, superior, de alguém que é louco «porque quis grandeza / Qual a sorte não dá». Porque, para Pessoa, a loucura é exactamente aquilo que dá ao homem a razão para existir, traduz-se na significância que só alguns conseguem adquirir, sob pena de se tornarem meros seres irrelevantes, caminhando comodamente para a morte: «Minha loucura, outros que me a tomem / Com o que nela ia. / Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?». Mas D. Sebastião não é, por certo, um mero cadáver adiado. Ele é o chefe dos bravos, o arquétipo do português ambicioso que quer conquistar novas terras para engrandecer a Nação: «Levando a bordo El-Rei D. Sebastião, / E erguendo como um nome, ato o pendão / Do Império», lê-se em «A Última Nau», um poema de Mensagem.


domingo, 3 de agosto de 2008

Civilização ou vergonha da humanidade?

Massacre de cachalotes na Dinamarca










Corrente de opinião socialista organiza debate

"Não haja ilusões! O primeiro-ministro pode vir dizer, como disseram ao longo de mais de duas décadas os seus antecessores, que com esta revisão é que se vai melhorar as condições dos trabalhadores, a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento do país, que isso não altera a realidade: daqui a uns tempos vamos constatar, como aconteceu no passado, que estamos pior". Esta declaração é de Manuel Carvalho da Silva, líder da CGTP, entrevistado pela "Ops", uma revista on-line editada pela Corrente de Opinião Socialista de Manuel Alegre, e que foi lançada em Julho.

Neste primeiro número, dedicado ao sindicalismo e ao trabalho, há textos de várias proveniências, de dentro e de fora do PS. A Manuel Alegre cabe escrever o editorial, onde denuncia que "a esquerda em Portugal e na Europa atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história". "Com a queda do muro de Berlim esperava-se a emergência do socialismo democrático. Mas o que veio foi o capitalismo global, a globalização desregulada, passe o paradoxo, pelas regras do banco Mundial, do FMI, da OCDE e outras organizações internacionais, que fizeram do neo-liberalismo um novo pensamento único".

É contra isto que nasce a revista.


Nuno David, militante do PS e professor no ISCTE, é o editor da revista. Ao DN, diz que o objectivo é "reflectir o socialismo democrático face aos desafios da sociedade global, num momento em que é extremamente importante mobilizar novas ideias para o PS e para a esquerda".

Para Nuno David, estamos num "tempo de mudança": "A conflitualidade social leva-nos a crer que os modelos neoclássicos não convergem necessariamente para um equilíbrio e o bem-estar social". Aqui, neoclássico significa neoliberal.

Ana Sá Lopes, Pedro Saraiva, Arquivo DN

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