Defesa. Relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa
Cavaco Silva lembrou a prioridade de apoiar os deficientes militares
A forma como os veteranos de guerra e deficientes militares são tratados condiciona a imagem das Forças Armadas e afecta o recrutamento de jovens para as fileiras, indica um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
"Publicidade negativa sobre o deficiente tratamento dado aos veteranos pode afastar potenciais futuros recrutas" de se alistar nas Forças Armadas. "Enquanto empregador responsável, as Forças Armadas têm o dever de cuidar dos seus actuais e antigos empregados", afirma o relatório, relativo a 2008, do Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR, sigla em inglês), sediado em Varsóvia.
"É no interesse das Forças Armadas como empregador cuidar dos veteranos, na medida em que melhores serviços para [esses combatentes] também podem ser vistos como um incentivo ao recrutamento." Acresce, prossegue o relatório, que "conceder melhores benefícios aos veteranos mostra aos actuais e futuros [efectivos militares] que as Forças Armadas são um empregador responsável".
O relatório surge poucas semanas depois de o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ter insistido (no passado dia 19 de Dezembro) na necessidade de se "assegurar o adequado apoio que os deficientes das Forças Armadas reconhecidamente merecem". "O apoio a uma saúde de- bilitada, fortemente agravada com o natural envelhecimento, constitui a principal prioridade, requerendo (...) o prosseguimento de uma acção concertada" do Governo, declarou o Chefe do Estado, durante uma visita à sede da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA).
Num artigo de opinião publica- do três dias depois no Jornal de Notícias, o jornalista Mário Crespo sublinhou que "a assistência aos deficientes das Forças Armadas tem sido considerada questão menor. Sucessivos governos têm aguardado que o problema dos antigos combatentes em geral e dos deficientes em particular se resolva por si". Para isso "têm-se inventado redefinições dos graus de invalidez. Reavaliado o que são situações de guerra e de combate. Tudo para conseguir roubar na assistência aos veteranos", afirmou Mário Crespo.
In DN
Os abandonados combatentes por este governo teriam tido melhor sorte se tivessem optado por outras carreiras mais "nobres": políticos ou banqueiros. Dessa forma teriam hospitais particulares para o que necessitassem, e reformas milionárias ao fim meia dúzia de anos a dormitar nos sofás de gabinetes alcatifados e com ar condicionado, é claro.
ResponderEliminar